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Vitaminas, o Exagero e os Produtos Milagrosos

 

  • Vitaminas Milagres

Marcelo Calazans

Elaborado em 02/02/2018

 

RUSSI, MC. As Vitaminas o exagero e os produtos milagrosos. Matérias Musculação, São paulo, fev. 2018.

 

Nos dias de hoje, é comum vermos assuntos relacionados com as Vitaminas e Minerais, que citam uma possível melhora na saúde promovida por esses nutrientes.

 

O que podemos dizer de científico, e que veremos bem aceito pela ciência médica, é o fato de que as Vitaminas são micronutrientes importantes para a nossa saúde, pois a sua ingestão é necessária para manter muitas das funções metabólicas do nosso corpo equilibradas[1].

 

A falta de doses adequadas de alguma Vitamina, pode levar nosso corpo a um estado de carência nutricional, podendo nos deixar com problemas de saúde. São várias as patologias associadas a carência nutricional causada pela deficiência de Vitaminas[1].

 

Isso pode levar as pessoas ao seguinte questionamento: - “Será que se eu ingerir então mais Vitaminas do que o necessário, ficarei mais saudável do que normal?”

 

As Vitaminas possuem sua IDR - Ingestão Diária Recomendada.

 

No Brasil, segundo a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ficou determinado através da consulta pública nº 80 de 13 de dezembro de 2004[2], a IDR das principais Vitaminas, conforme mostra a relação abaixo:

 

colesterol testosterona

 

A IDR (ingestão diária recomendada), é a quantidade de cada vitamina que uma pessoa deve ingerir diariamente para colaborar com a saúde do seu corpo[3].

 

Portanto, baseado nisso, nada indica que você terá uma “super saúde”, se ingerir “super” doses de Vitaminas com dosagens muito acima das recomendadas (IDR).

 

Mas a carência (dose inferior a IDR) de Vitaminas pode levar a problemas de saúde.

 

Podemos relacionar os seguintes problemas de saúde na deficiência de vitaminas:

 

• A carência de Vitamina A pode levar a problemas nos olhos, deficiência no crescimento e raquitismo[4];

 

• As vitaminas do Complexo B atuam como coadjuvante na forma de coenzimas no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas[5], e sua carência pode prejudicar diversos sistemas do nosso corpo;

 

• No caso da famosa Vitamina C, sua deficiência pode gerar alterações cutâneas (pele), fragilidade nos capilares sanguíneos, queda dos dentes e deterioração da gengiva causando sangramentos, problemas de fraturas ósseas e deficiência na produção de colágeno[6];

 

• Citada como positiva na saúde dos ossos, vamos falar da Vitamina D. Sua carência pode causar quadros de raquitismo nas crianças devido à baixa absorção de cálcio. Nos adultos, essa carência de vitamina D pode ocasionar a desmineralização óssea que pode estar associada com a osteoporose[7];

 

• A Vitamina E é apontada como positiva no combate aos radicais livres, servindo como antioxidante[8], e a sua carência pode estar associada a um aumento na produção de radicais livres, que pode ser prejudicial ao corpo e à saúde[9].

 

Mas o que acontece se ingerirmos mais Vitaminas do que necessário?

 

A primeira coisa que vem a nossa mente, é o caso da hipervitaminose.

 

A ingestão de altas doses de Vitaminas, muito além da IDR, pode causar algo denominado por hipervitaminose.

 

Hipervitaminose se caracteriza pelo excesso na ingestão de Vitaminas, que não é indicado, pois pode intoxicar o organismo[10].

 

Mas claro que o foco da nossa matéria de agora não é a hipervitaminose, pois para que ela ocorra, as doses para que se tenha uma intoxicação por vitaminas, é mesmo muito elevada.

 

Em alguns casos a hipervitaminose pode ser difícil de ocorrer, principalmente com as vitaminas hidrossolúveis[11].

 

Um dos casos aqui hoje propostos, seria o caso das pessoas que ingerem Vitaminas e Minerais visando combater problemas de saúde.

 

Isso poderia ser relacionado com a medicina ortomolecular.

 

A medicina ortomolecular tenta restaurar e manter a saúde através da administração de quantidades individualizadas de substâncias que estão normalmente presentes no organismo[12], como por exemplo, as Vitaminas e os Minerais.

 

Mas devemos alertar, que a ciência médica não considera isso como uma abordagem científica para a cura[13].

 

As pesquisas sobre medicina ortomolecular vem de longa data. O Prêmio Nobel Linus Pauling, foi quem estabeleceu a definição de medicina ortomolecular em 1968[12], mas isso não impede que nos dias de hoje, alguns ainda citem essa prática médica como charlatanismo.

 

No Brasil, conforme divulgado pelo Conselho Federal de Medicina, a medicina ortomolecular não é reconhecida como especialidade médica[14].

 

Como visto aqui até agora, a ingestão de Vitaminas e Minerais traz à tona um assunto antigo, que está há muito enraizado dentro da cultura no que se refere à saúde.

 

O mineral zinco e a testosterona

 

Algo semelhante às Vitaminas que podemos citar, ocorre com um mineral, o zinco.

 

A carência do mineral zinco também pode causar problemas à saúde, pois pode levar ao hipogonadismo[15].

 

O hipogonadismo é uma disfunção que pode ocorrer no homem, que leva a uma produção deficiente de testosterona pelos testículos.

 

Muitos suplementos são vendidos com zinco na sua formulação, com a finalidade de elevar as taxas de testosterona nos homens.

 

A IDR (ingestão diária recomendada) do zinco no Brasil divulgado pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, segundo um parecer da OMS (Organização Mundial da Saúde), é de 7 mg[16].

 

Vamos com estudos e referências, tentar avaliar a eficácia dos produtos vendidos com zinco no mercado que seguem a determinação de IDR da ANVISA, no que tange ao aumento das concentrações de testosterona.

 

Um estudo[17] foi feito com lutadores de elite do sexo masculino, que já eram praticantes da atividade física há 6 anos.

 

Eles foram submetidos a suplementação de zinco por 4 semanas na dosagem de 3 mg por quilo corpóreo por dia, que para um homem de 70 Kg, daria uma ingestão diária de 210 mg de zinco, taxa essa 30 vezes maior do que a IDR indicada pela ANVISA no Brasil.

 

A conclusão foi que a diminuição nos níveis de testosterona pós exercício, foi evitada com essa ingestão de 210 mg de zinco, o que nos leva a pensar que a ingestão de zinco em altas doses pode ter contribuído para aumentar a performance dos atletas.

 

Um outro estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition[18], teve a intenção de investigar se a ingestão de zinco nas dosagens de 11,9 mg a 23,2 mg por dia, poderia favorecer o aumento da testosterona em 14 homens saudáveis que se exercitavam com regularidade.

 

Como resultado, o estudo do European Journal of Clinical Nutrition apresentou a seguinte conclusão: - “Os dados atuais sugerem que o uso de ZMA (zinco, magnésio e vitamina B6) não tem efeitos significativos no aumento das concentrações de testosterona em indivíduos que já possuem uma dieta com aporte suficiente de zinco”.

 

Com o apresentado acima, podemos supor que a suplementação de zinco na dosagem divulgada pela ANVISA no Brasil, poderia ser um fator contribuinte para ajudar nos casos de hipogonadismo causado por deficiência na ingestão de zinco.

 

Abuso na venda de produtos milagrosos

 

Após explicarmos vários aspectos que envolvem as Vitaminas e os Minerais, chegamos à questão dos produtos.

 

Existem, existiram e possivelmente ainda existirão produtos que trazem na sua formulação tão somente Vitaminas e Minerais, e que fazem propagandas na TV e na mídia em geral, prometendo verdadeiros “milagres" na área de saúde.

 

Não somos contra a venda de suplementos multivitamínicos e poliminerais, pois entendemos que em muitos casos de dietas insuficientes, suplementar tais nutrientes para suprir sua IDR (ingestão diária recomendada), é algo usual e importante.

 

Somos contra as empresas que exploram a fragilidade das pessoas dentro do contexto saúde, vendendo Vitaminas e Minerais de “forma milagrosa”, e cobrando por isso em certas ocasiões, preços abusivos.

 

Em alguns casos, um maior aporte de Vitaminas e Minerais pode ser necessário, mas isso deve ficar a cargo do seu médico decidir.

 

Fiquem atentos, nunca comprem um produto visto na TV e na mídia que promete “milagres” antes de consultar o seu médico.

 

Milagres não existem, e apenas o seu médico pode ser responsável pela sua saúde.

 

ZMA® é uma marca registrada da SNAC System, Inc. (U.S. Patents 4,764,633 and 5,278,329)

 

Referências:

 

1 - Velasquez-Melendez, Gustavo et al . Consumo alimentar de Vitaminas e minerais em adultos residentes em área metropolitana de São Paulo, Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 31, n. 2, p. 157-162, abr. 1997.

 

2 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Consulta Pública nº 80, de 13 de dezembro de 2004, D.O.U de 17/12/2004 [link] acessado em 01/02/2018.

 

3 - A Imagem Certa Para Emagrecer, Howard M. Shapiro, 2004.

 

4 - Vitamin a deficiency and clinical disease: an historical overview, Sommer A., J Nutr. 2008 Oct;138(10):1835-9.

 

5 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

6 - Bioquímica Ilustrada de Harper, Victor W. Rodwell, David A. Bender, Kathleen M. Botham, Peter J. Kennelly, P. Anthony Weil, 2016.

 

7 - Kennel, Kurt A., Matthew T. Drake, and Daniel L. Hurley. “Vitamin D Deficiency in Adults: When to Test and How to Treat.” Mayo Clinic Proceedings 85.8 (2010).

 

8 - Russi, MC. Vitamina E um potente antioxidante. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2017.

 

9 - Radicais Livres E a Resposta Celular Ao Estresse Oxidativo, Miriam Salvador, João Antonio Pegas Henriques, 2004.

 

10 - Nutrição muito além da alimentação: acerte nos hábitos mais que nos alimentos, Bachi,Georgia, 2016.

 

11 - Russi, MC. Vitaminas na saúde e atividade física. Matérias Musculação, São paulo, abr. 2017.

 

12 - Janson, Michael. “Orthomolecular Medicine: The Therapeutic Use of Dietary Supplements for Anti-Aging.” Clinical Interventions in Aging 1.3 (2006).

 

13 - Zell M, Grundmann O., An orthomolecular approach to the prevention and treatment of psychiatric disorders., Adv Mind Body Med. 2012 Fall;26(2):14-28.

 

14 - Normas para regulamentação do diagnóstico e procedimentos terapêuticos da prática ortomolecular e biomolecular, CFM - Conselho Federal de Medicina, 2012 [link] acessado em 01/02/2018.

 

15 - Salgueiro MJ, et al. Zinc as an essencial micronutrient: a review. Nutr Res. 2000; 20(5): 737-55.

 

16 - OMS Organização Mundial da Saúde - Human Vitamin and Mineral Requirements. In: Report 7ª Joint FAO/OMS Expert Consultation. Bangkok, Thailand, 2001.

 

17 - The effect of exhaustion exercise on thyroid hormones and testosterone levels of elite athletes receiving oral zinc - Kilic M, Baltaci AK, Gunay M, Gökbel H, Okudan N, Cicioglu I., 2006 [link] acessado em 01/02/2018.

 

18 - Serum testosterone and urinary excretion of steroid hormone metabolites after administration of a high-dose zinc supplement - K Koehler, M K Parr, H Geyer, J Mester and W Schänzer, 2007 [link] acessado em 01/02/2018.

 



 

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