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Conhecendo a vitamina B12

 

  • Vitamina B12

Marcelo Calazans

Elaborado em 01/06/2017

 

RUSSI, MC. Conhecendo a vitamina B12. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2017.

 

O complexo B é formado por várias vitaminas, que apesar de quimicamente distintas, possuem algumas características em comum e coexistem em alguns alimentos.

 

As vitaminas tiamina (B1), riboflavina (B2), niacina (B3), piridoxina (B6), e cobalamina (B12), fazem parte do complexo B, bem como alguns outros parentes químicos mais próximos[1].

 

As vitaminas do complexo B atuam em diversos processos metabólicos, que abrangem a produção de energia, manutenção do sistema nervoso central[1], atuando como coadjuvante na forma de coenzimas no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas[2].

 

Um exemplo que aumenta a demanda de vitaminas do complexo B, aumentando a sua necessidade de ingestão, é quando aumentamos o fornecimento de energia no corpo via ingestão aumentada de carboidratos, e neste caso, o metabolismo desse macronutriente demandaria uma maior quantidade de vitaminas do complexo B[2].

 

Nesta matéria de agora, estaremos falando sobre a vitamina B12 (cobalamina).

 

Podemos datar o início da pesquisa sobre a necessidade alimentar do composto vitamina B12 em meados de 1820, quando J. S. Combe citou uma anemia fatal, batizada por ele de anemia perniciosa[3].

 

A pesquisa iria evoluir quando em 1926 Minot e Murphy ganhariam o prêmio nobel de medicina ao citar a cura dessa enfermidade usando a ingestão de fígado[4].

 

Em 1948 o princípio ativo (vitamina B12) presente no fígado responsável por tal feito, foi isolado por pesquisadores da Merck nos EUA[4].

 

Os estudos sobre a vitamina B12 ainda valeriam outro prêmio nobel, e desta vez para Dorothy Mary Crowfoot Hodgkin (1910 – 1994), que através do processo de cristalografia de raios X, descobriria a estrutura química da vitamina B12[4].

 

A vitamina B12 é essencial para a maturação dos glóbulos vermelhos do sangue e de fundamental importância para o funcionamento normal de todas as células. Também participa nos processos da síntese de proteínas, metabolismo dos carboidratos e garante a saúde do sistema nervoso.

 

Uma coisa bem falada e conhecida dos nossos leitores praticantes de musculação, é o termo síntese proteica.

 

A síntese proteica é um processo que marca a produção de proteínas no nosso corpo, que é determinado pelo DNA, e que está presente até nos processos de crescimento muscular.

 

Aqui para nosso entendimento, podemos definir o DNA como uma espécie de manual de instruções, e através dessa instrução, o corpo obtém a forma correta de como uma determinada proteína deve ser sintetizada.

 

A vitamina B12 participa como co-fator na produção de uma enzima denominada metionina sintetase, responsável pela ligação entre o metabolismo do folato e da cobalamina, que está envolvida na síntese do DNA e RNA[5,6].

 

Talvez seja esse o fato de ligação que faz com que muitas pessoas do meio da musculação associem a vitamina B12 com a síntese proteica.

 

Esse citado acima, já pode ser considerado um fator de extrema importância não somente para o praticante de musculação, mas para o público em geral que se preocupa com a saúde, pois a síntese de proteínas é um processo normal de manutenção da vida que ocorre em todos nós.

 

Uma outra enzima, a metilmalonil-CoA mutase, também é dependente da vitamina B12.

 

Essa enzima está envolvida nos processos de metabolismo dos aminoácidos, colesterol e ácidos graxos[5].

 

Nesses pontos citados acima, podemos descrever a importância da vitamina B12 no corpo humano.

 

Todas as vitaminas possuem a sua IDR (ingestão diária recomendada)[7], que nada mais é do que a quantidade correta de cada vitamina que uma pessoa deve ingerir diariamente para colaborar com a saúde do seu corpo.

 

Segundo a ANVISA (agência nacional de vigilância sanitária), através da consulta pública nº 80 de 13 de dezembro de 2004 (D.O.U de 17/12/2004)[8], ficou determinada que a IDR da vitamina B12 é de 2,4 mcg.

 

Ingerir as quantidades indicadas de vitamina B12, garante que todas as funções dela no organismo citadas acima, venham a funcionar em perfeita harmonia.

 

A deficiência de vitamina B12, pode ocorrer por longos períodos antes que qualquer problema clínico ou sintomas possam aparecer[9,10].

 

Isso pode desencadear uma deficiência crônica de vitamina B12, que se perdurar por longos períodos, poderá causar problemas neuropsiquiátricos irreversíveis[11].

 

Por isso é muito importante se certificar de não estar com carência alimentar de vitamina B12.

 

Entre outros processos envolvidos com a carência de vitamina B12, está a anemia, que é causada por uma deficiência secundária de folato, e a suplementação com ácido fólico pode amenizar o problema, mas a total restauração dessa função apenas será possível na presença da vitamina B12[12], pois neste processo, existe uma sinergia entre o ácido fólico e a vitamina B12.

 

Outros sintomas da deficiência de vitamina B12 incluem depressão, palidez, emagrecimento, fadiga, glossite, tonteira e icterícia[13].

 

Alguns grupos específicos são mais propensos a carência de vitamina B12, como os alcoólicos e os vegetarianos estritos.

 

No caso dos alcoólicos, é citado que o álcool pode inibir a absorção de alguns nutrientes, e entre eles a vitamina B12[14].

 

A vitamina B12 é sintetizada por microrganismos, e não pode ser produzida pelas células do nosso corpo, portanto, a principal fonte de vitamina B12 para os seres humanos são as fontes de alimentos de origem animal, o que faz muitas vezes os vegetarianos estritos terem a tendência de adquirir carência de vitamina B12[15].

 

As vitaminas podem ser divididas em vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis.

 

Podemos dizer que a vitamina B12, junto com a vitamina C, pertencem ao grupo das vitaminas hidrossolúveis. Pertencem ao grupo das lipossolúveis as vitaminas A, D, E e K[16].

 

A solubilidade das vitaminas confere a elas características específicas, como por exemplo a forma como são absorvidas e armazenadas pelo corpo[17].

 

As vitaminas hidrossolúveis, são geralmente absorvidas diretamente pela corrente sanguínea, enquanto que as vitaminas lipossolúveis, assim como outras formas de gordura, são transportadas para o sangue através do sistema linfático[17].

 

Outra característica é que as vitaminas hidrossolúveis não formam grandes estoques de armazenamento no corpo, e são expelidas pelo nosso organismo com mais facilidade, enquanto as lipossolúveis, são geralmente armazenadas no fígado e tecido adiposo.

 

Leite, carne e ovos são as fontes predominantes de vitamina B12 (cobalamina) dos seres humanos[18,23], e podemos dizer que a vitamina B12 (cobalamina) na dieta humana, se restringe a alimentos de origem animal[19,20,21,22,23].

 

No mercado farmacêutico, a vitamina B12 na forma de cianocobalamina e a hidroxicobalamina, são mais comuns de serem encontradas vendidas como medicamentos[24] e suplementos vitamínicos.

 

Sempre na dúvida de qual suplemento utilizar, ou se é ou não benéfico para a sua saúde estar utilizando uma suplementação de vitaminas, buscar orientação de um profissional da área de saúde habilitado para isso é a melhor saída.

 

Referências:

 

1 - Shirley S. Lorenzani, Candida uma doença do século XX, 1986.

 

2 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

3 - Sports Nutrition, Judy A. Driskell, 1999.

 

4 - Tratado de nutricion / Nutrition Treatise: Bases Fisiologicas Y Bioquimicas De La Nutricion / Physiological and Biochemical Basis of Nutrition, Angel Gil (DRT) Hernandez, 2010.

 

5 - Diagnóstico e tratamento, Antonio Carlos Lopes, 2006.

 

6 - Paniz, Clóvis et al . Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. J. Bras. Patol. Med. Lab., Rio de Janeiro , v. 41, n. 5, p. 323-334, Oct. 2005.

 

7 - A Imagem Certa Para Emagrecer - Howard M. Shapiro, 2004.

 

8 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Consulta Pública nº 80, de 13 de dezembro de 2004, D.O.U de 17/12/2004 [link] acessado em 30/05/2017.

 

9 - Carmel, R. Measuring and interpreting holo-transcobalamin (holo-transcobalamin II). Clin Chem, v. 48, n. 3, p. 407-9, 2002.

 

10 - Kwok, M. D. et al. Use of fasting urinary methylmalonic acid to screen for metabolic vitamin B12 deficiency in older persons. Nutrition, v. 20, n. 9, p. 764-8, 2004.

 

11 - Andres, E. et al. Vitamin B12 (cobalamin) deficiency in elderly patients. CMAJ, v. 171, n. 3, p. 251-9, 2004.

 

12 - Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia, L. Kathleen Mahan, Sylvia Escott-Stump, Janice L Raymond, 2015.

 

13 - CURRENT: Medicina de Família e Comunidade (Lange) - 3ed: Diagnóstico e Tratamento Jeannette E. South-Paul, Samuel C. Matheny, Evelyn L. Lewis, 2014.

 

14 - Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica: Avaliação e Assistência dos Problemas Clínicos, Sharon L. Lewis, Margaret M. Heitkemper, Shannon Ruff Dirksen, Linda Bucher, 2013.

 

15 - Fisiologia Médica, Walter F. Boron, Emile L. Boulpaep, 2015.

 

16 - Saúde da Mulher e Enfermagem Obstétrica, Deitra Leonard Lowdermilk, Shannon E. Perry, 2011.

 

17 - Nutrição - Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003.

 

18 - Fairbanks, V. F.; Klee, G. G. Aspectos bioquímicos da hematologia. In: Burtis, C. A.; Ashwood, E. R. Tietz: fundamentos de química clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabarra Koogan S. A., 1998. Cap. 36, p. 699-703.

 

19 - Gillham, B.; Papachristodoulou, D. K.; Thomas, J. H. Wills': biochemical basis of medicine. 3. ed. Oxford: Reed Educational and Professional Publishing Ltd, 1997. Cap. 22, p. 196-202.

 

20 - Herrmann, W. et al. Functional vitamin B12 deficiency and determination of holotranscobalamin in populations at risk. Clin Chem Lab Med, v. 41, n. 11, p. 1478-88, 2003.

 

21 - Herrmann, W. et al. Vitamin B-12 status, particularly holotranscobalamin II and methylmalonic acid concentrations, and hyperhomocysteinemia in vegetarians. Am J Clin Nutr, v. 78, n. 1, p. 131-6, 2003.

 

22 - Herrmann, W.; Geisel, J. Vegetarian lifestyle and monitoring of vitamin B-12 status. Clin Chim Acta, v. 326, n. 1-2, p. 47-59, 2002.

 

23 - Lorenzi, T. F. Manual de hematologia: propedêutica e clínica. Rio de Janeiro: MEDSI, 1992.

 

24 - Medicamentos na prática clínica, Elvino Barros, Helena M. T. Barros, 2009.

 



 

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