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Vitamina B1 na Saúde e Atividade Física

 

  • Vitamina B1

Marcelo Calazans

Elaborado em 27/04/2017

 

RUSSI, MC. Vitamina B1 na saúde e atividade física. Matérias Musculação, São paulo, abr. 2017.

 

As vitaminas do complexo B formam um vasto conjunto de vitaminas, que nos impossibilita falar sobre todas em apenas uma matéria, e isso devido à complexidade de seus elementos.

 

Fazem parte do complexo B, as vitaminas: tiamina (B1), riboflavina (B2), niacina (B3), piridoxina (B6), cobalamina (B12) e outros parentes químicos mais próximos[1].

 

As vitaminas do complexo B atuam em diversos processos metabólicos, que abrangem a produção de energia, manutenção do sistema nervoso central[1], atuando como coadjuvante na forma de coenzimas no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas[2].

 

Um exemplo que aumenta a demanda de vitaminas do complexo B, aumentando a sua necessidade de ingestão, é quando aumentamos o fornecimento de energia no corpo via ingestão aumentada de carboidratos, e neste caso, o metabolismo desse macronutriente demandaria uma maior quantidade de vitaminas do complexo B[2].

 

Nesta matéria de agora, estaremos falando mais detalhadamente sobre a tiamina (vitamina B1).

 

A história da descoberta da vitamina B1, conta com a presença de McCollum e Davis. Em 1915, eles associaram o termo "hidrossolúvel B" ao fator anti-beribéri[1], no qual o beribéri, é o nome de uma doença que ocorre devido à falta de vitamina B1.

 

O beribéri é uma doença conhecida há milênios, e se tornou um problema de ordem nutricional no século XIX, por causa da introdução do arroz polido (branco), e isso pelo fato de que a vitamina se encontra na cutícula do arroz, que era descartada pelo polimento para a produção do arroz branco polido.

 

As pesquisas dessa descoberta ainda passariam pelas mãos de Jansen e Donath em 1926, e eles contribuíram para expandir as pesquisas sobre a vitamina B1, isolando o fator anti-beribéri no farelo do arroz[15].

 

A primeira descrição da vitamina B1 sintética isolada, veio de um químico de nome Robert Runnels Williams (1886-1965), que a sintetizou e batizou com o nome de B1[1].

 

A vitamina B1 tem uma forte importância no metabolismo dos carboidratos, e é também uma forte aliada do metabolismo dos aminoácidos da cadeia ramificada[2,6].

 

Apenas esses dois fatores colocados acima, já associam a ingestão de doses adequadas de vitamina B1 aos nossos leitores praticantes de atividades físicas, pois o carboidrato e os aminoácidos da cadeia ramificada (BCAA), são importantes elementos que vemos diariamente associados aos benefícios das pessoas que praticam atividades físicas.

 

Na sua ação no metabolismo do carboidrato, ela executa através de funções enzimáticas, o controle de processos bioquímicos responsáveis pela transformação da glicose em energia[3].

 

Ela também executa importante papel na condutividade de impulsos nervosos, e está associada ao metabolismo aeróbico[3].

 

Todas as vitaminas possuem a sua IDR (ingestão diária recomendada)[4], que nada mais é do que a quantidade correta de cada vitamina que uma pessoa deve ingerir diariamente para colaborar com a saúde do seu corpo.

 

Segundo a ANVISA (agência nacional de vigilância sanitária), através da consulta pública nº 80 de 13 de dezembro de 2004 (D.O.U de 17/12/2004)[5], ficou determinada que a IDR da vitamina B1 é de 1,2 mg.

 

Ingerir as quantidades necessárias de vitamina B1, garante que todas as funções dela no organismo citadas acima, venham a funcionar em perfeita harmonia.

 

A deficiência na ingestão de vitamina B1, pode ocasionar diversas anormalidades no funcionamento fisiológico do corpo, como exemplo, podemos citar as anormalidades nos sistemas cardiovascular, muscular, nervoso e gastrointestinal[7].

 

Alguns sintomas neuromusculares podem ocorrer, que podem incluir dores, debilidade e espasmos musculares, fraqueza principalmente nas pernas levando a dificuldade de locomoção[8].

 

Sintomas na parte gastrointestinal podem se manifestar como náuseas, vômitos, diarreias, prisões de ventre e dificuldade de deglutição[8].

 

Casos de alcoolismo crônico, trazem consigo grandes problemas de deficiência de vitamina B1, e as pessoas que abusam de bebidas alcoólicas, estão entre os mais propensos às deficiências de vitamina B1, e isso devido a diversos fatores, os quais podemos incluir, a baixa oferta de vitamina B1 devido à má nutrição, a má absorção e problemas no armazenamento corpóreo da vitamina[9].

 

É importante para avaliar se a sua dieta é deficiente de alguma vitamina, uma consulta médica ou nutricional com um profissional habilitado da área de saúde.

 

As vitaminas podem ser divididas em vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis.

 

Podemos dizer que a vitamina B1, junto com a vitamina C, pertencem ao grupo das vitaminas hidrossolúveis. Pertencem ao grupo das lipossolúveis as vitaminas A, D, E e K[10].

 

A solubilidade das vitaminas confere a elas características específicas, como por exemplo a forma como são absorvidas e armazenadas pelo corpo[11].

 

As vitaminas hidrossolúveis, são geralmente absorvidas diretamente pela corrente sanguínea, enquanto que as vitaminas lipossolúveis, assim como outras formas de gordura, são transportadas para o sangue através do sistema linfático[11].

 

Outra característica é que as vitaminas hidrossolúveis não formam grandes estoques de armazenamento no corpo, e são expelidas pelo nosso organismo com mais facilidade, enquanto as lipossolúveis, são geralmente armazenadas no fígado e tecido adiposo.

 

A hipervitaminose se caracteriza pelo excesso na ingestão de vitaminas, que não é indicado, pois pode intoxicar o organismo[12].

 

A IDR (ingestão diária recomendada) de cada vitamina também existe, para que a pessoa possa se basear e não ingerir doses de vitaminas além do necessário.

 

Pois a ingestão de altas doses de vitaminas, muito além da IDR, pode causar uma hipervitaminose.

 

A hipervitaminose no caso das vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina B1, são mais raros de acontecer, se comparado à hipervitaminose com as vitaminas lipossolúveis. Isso pelo fato de que as vitaminas hidrossolúveis, são expelidas mais facilmente pelo nosso corpo.

 

Em se tratando de qualquer vitamina, em casos de carência (falta) de alguma vitamina (hipovitaminose), ou quanto às suspeitas de hipervitaminose, um profissional da área médica ou nutricional deve ser consultado.

 

Para nossos leitores praticantes de atividades físicas, devemos ressaltar novamente que a utilidade da vitamina B1 na prática de atividades físicas, pode ser de extrema importância.

 

Isso devido ao seu já comentado potencial de atuar no metabolismo dos carboidratos e dos aminoácidos da cadeia ramificada.

 

A vitamina B1 estimula a conversão do piruvato em acetil-CoA, e desta forma ela desempenha um papel importante no metabolismo dos carboidratos. Ela também desempenha um papel como coenzima da descarboxilase da cadeia ramificada, reagindo às reações físico-químicas da oxoglutarato desidrogenase e dos aminoácidos da cadeia ramificada na formação de succinilcoenzima A[13,16].

 

Diminuir assim a vitamina B1 a nível celular, degrada a ativação da enzima, diminuindo assim a biossíntese de ATP, o que vai implicar no aumento da fadiga[14,16].

 

Esse é o importante papel da vitamina B1 que nossos leitores praticantes de atividades físicas devem levar consigo.

 

Temos inúmeras fontes de vitamina B1 nos alimentos, e podemos citar a levedura de cerveja, as carnes (vaca, porco e aves), cereais de grão inteiro e as leguminosas, e como exemplo de leguminosas podemos citar os feijões, grão-de-bico, soja, lentilha e ervilha. Só alertando que nos grãos de cereais, a vitamina B1 é removida devido ao processo de fabricação, que é o caso da farinha branca por exemplo, e no caso do arroz branco, quando passa pelo processo de industrialização[3].

 

Referências:

 

1 - Shirley S. Lorenzani, Candida uma doença do século XX, 1986.

 

2 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

3 - Vitamina B1, Hernani Pinto de Lemos Júnior, André Luis Alves de Lemos, Diagn Tratamento. 2010;15(2):69-70.

 

4 - A Imagem Certa Para Emagrecer - Howard M. Shapiro, 2004.

 

5 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Consulta Pública nº 80, de 13 de dezembro de 2004, D.O.U de 17/12/2004 [link] acessado em 26/04/2017.

 

6 - Estratégias de nutrição e suplementação no esporte, Simone Biesek, Letícia Azen Alves, Isabela Guerra, 2015.

 

7 - Diagnóstico e tratamento, Antonio Carlos Lopes, 2006.

 

8 - Paulo Cesar Fulgencio, Glossario - Vade Mecum, 2007.

 

9 - Casos Clínicos em Bioquímica, Eugene C. Toy, William E. Seifert Jr., Henry W. Strobel, Konrad P. Harms, 2016.

 

10 - Saúde da Mulher e Enfermagem Obstétrica, Deitra Leonard Lowdermilk, Shannon E. Perry, 2011.

 

11 - Nutrição - Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003.

 

12 - Nutrição muito além da alimentação: acerte nos hábitos mais que nos alimentos, Bachi,Georgia, 2016.

 

13 - Manore MM. Effect of physical activity on thiamine, riboflavin, and vitamin B-6 requirements. Am J Clin Nutr. 2000;72:598S–606.

 

14 - Parker WD, Haas R, Stumpf DA, Parks J, Eguren LA, Jackson C. Brain mitochondrial metabolism in experimental thiamine deficiency. Neurology. 1984;34:1477–81.

 

15 - Vitaminas y minerales, Mariano Illera Martín, Josefina Illera del Portal, Juan Carlos Illera del Portal, 2000.

 

16 - The effects of endurance training and thiamine supplementation on anti-fatigue during exercise, Sung-Keun Choi, Seung-Hui Baek, Seung-Wook Choi, J Exerc Nutrition Biochem. 2013 Dec; 17(4): 189–198.

 



 

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