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Terapia de Reposição de Testosterona (TRT)

 

  • TRT

Marcelo Calazans

Elaborado em 14/04/2018

 

RUSSI, MC. Terapia de reposição de testosterona - TRT. Matérias Musculação, São paulo, abr. 2018.

 

TRT se refere ao termo Terapia de Reposição de Testosterona, que é um tratamento muito utilizado em homens com deficiência na produção endógena (natural) de testosterona[1].

 

A testosterona cumpre importantes funções no corpo do homem.

 

É descrito em literaturas e estudos, que a testosterona exerce papel importante na manutenção da saúde sexual masculina, portanto, para que a libido e a função sexual do homem sejam mantidas, é necessário que a taxa de testosterona esteja equilibrada e dentro da normalidade[2,3].

 

A testosterona exerce também outras funções no corpo do homem, e a sua falta pode comprometer a saúde causando anemia, diminuir a energia e causar fadiga, levar a estados depressivos de humor, podendo contribuir com o aumento da gordura corporal, levando a diminuições de massa muscular, força e densidade óssea[4].

 

A secreção de testosterona no homem está ligada ao eixo HPTA (eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal), que envolve uma área do cérebro chamada hipotálamo, que libera um hormônio pulsátil (GnRH) em intervalos de aproximadamente 90 minutos. O GnRH por sua vez age na região hipofisária causando a liberação de outra substância, o hormônio luteinizante (LH), que irá no final do eixo estimular as células de Leydig nos testículos a produzir testosterona[5].

 

Em um homem adulto saudável, o eixo HPTA funciona de forma normal regulando a produção de quantidades adequadas de testosterona, o que colabora para a saúde plena.

 

Algumas situações no corpo masculino, podem levar a problemas resultando em queda na produção de testosterona.

 

O hipogonadismo é uma disfunção no homem que resulta em uma diminuição na produção de testosterona[6]. Ele pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas devemos saber distinguir o hipogonadismo clássico que ocorre por uma deficiência do eixo HPTA, e diferencia-lo da deficiência de testosterona que pode ocorrer no homem em decorrência da idade mais avançada[7], que comumente é denominada de hipogonadismo de início tardio.

 

Em determinado período da vida adulta de um homem, as concentrações de testosterona tendem a diminuir constantemente conforme a idade avança. Por volta dos 80 anos, estima-se que as taxas de testosterona equivalem aproximadamente a metade das taxas testosterona de um homem adulto jovem[8,9]. Em homens com 45 anos ou mais, a predominância do hipogonadismo é estimada em 12 a 32%[10,11].

 

Portanto, levando em conta diversos estudos, podemos claramente dizer que os níveis endógenos de testosterona diminuem com o envelhecimento, mas não é totalmente clara a forma como níveis mais baixos de testosterona afetam a saúde dos homens[12].

 

Isso talvez pode ser constatado ao percebermos que nem todos os homens demostram os mesmos sintomas em quadros de diminuição de testosterona, e é até comum, vermos homens de mais idade com níveis reduzidos de testosterona se comparado a idade adulta jovem, vivendo normalmente sem demostrar nenhum sintoma.

 

A TRT - Terapia de Reposição de Testosterona visa corrigir os níveis de testosterona, deixando-os o mais perto possível daquilo que se entende como uma taxa normal de testosterona para aquele homem.

 

Nos EUA, a TRT em homens acima dos 40 anos mais que triplicou entre 2001 e 2011[13].

 

Estima-se que isso foi devido ao marketing das industrias farmacêuticas que elogiaram o benefício da TRT no combate a diminuição da vitalidade, força e libido. Isso fez a TRT nos EUA ser muito questionada pela FDA[14], que é um órgão regulamentador nos EUA, semelhante a ANVISA no Brasil.

 

Um dos pontos mais discutidos com relação à TRT, é a sua relação com os problemas de próstata, isso levando em conta o aumento dos problemas de câncer e hiperplasia benigna prostática[15].

 

No corpo do homem, a testosterona interage com uma enzima (5-alfa redutase), e através dessa interação obtemos o DHT (dihidrotestosterona)[16].

 

O DHT e a testosterona são os dois principais andrógenos que atuam no corpo masculino.

 

No útero materno, logo no segundo trimestre de gestação, o DHT e a testosterona já demostram sua ação. A testosterona fetal inicia o desenvolvimento de um pequeno ducto, que tem a função de coletar e armazena os espermatozoides produzidos pelo testículo (epidídimo), enquanto isso o DHT fica com a função de atuar no desenvolvimento da próstata, da uretra e da genitália masculina externa[17].

 

Até a puberdade masculina, a próstata permanece pequena e imatura, e ao entrar na fase da adolescência, o homem começa a desenvolver a próstata, que pode chegar a ficar cerca de 10 vezes maior[18], e isso ocorre graças a presença de andrógenos como o DHT.

 

Até este ponto, esse é o desenvolvimento normal da próstata, pois ela é uma parte importante da genitália interna masculina, responsável pela produção de um líquido que participa da formação do sêmen (esperma)[19].

 

Mas o DHT oriundo da conversão da testosterona, também desempenha um papel contínuo e bem estabelecido no desenvolvimento da próstata adulta, o que pode levar a hipertrofia prostática[20].

 

Podemos ver que a relação entre o câncer de próstata e a testosterona é complexa, e enquanto a maioria dos estudos sugere que não há relação entre a TRT e o câncer de próstata, podemos entre outros estudos encontrar algumas opiniões variadas[15].

 

Outro ponto de discussão sobre a TRT, fala sobre uma influência negativa que ela pode gerar causando possíveis problemas cardiovasculares nos homens.

 

Nos EUA, enquanto subia a prescrição da TRT e expandia o número de pacientes submetidos ao tratamento, relatórios da imprensa científica se mostravam cada vez menos entusiasmados com a TRT, motivados pelo fato da TRT poder aumentar o risco cardiovascular[21].

 

Para tentar elucidar essa discórdia, nós avaliamos alguns estudos.

 

A testosterona realmente age de maneira significativa nos vasos sanguíneos e no coração[22,23,24], e a possibilidade de interação da testosterona com o sistema cardiovascular é bastante ampla, mas o efeito mais documentado da testosterona neste aspecto está ligado a estimulação da produção de glóbulos vermelhos[22,23]. Talvez esse seja até um ponto positivo em certos casos, pois é notada que a falta de testosterona pode contribuir para a anemia nos homens, como já havia sido comentado anteriormente.

 

Mas é conveniente monitorar o hematócrito (volume ocupado pelos glóbulos vermelhos no volume total de sangue) em intervalos regulares durante uma TRT, na tentativa de evitar problemas potencialmente graves.

 

Após avaliarmos diversos estudos, ficamos com a opinião de um estudo que achamos mais completo sobre o problema cardiovascular[21], que relata não haver nenhuma evidência convincente que indica que a TRT aumenta o risco de problemas cardiovasculares. O mesmo foi constatado pelo “American Association of Clinical Endocrinologists” e pelo “American College of Endocrinology”[25].

 

Com relação a segurança do tratamento nos EUA, as diretrizes atuais da área de saúde com relação à TRT fornecem recomendações positivas para o tratamento do paciente, mas exigem contínuo monitoramento[26].

 

Devemos considerar, que em muitos aspectos a TRT pode oferecer benefícios aos pacientes.

 

Para tal constatação, avaliamos um estudo de referência[27], que após realizar uma longa pesquisa realizando testes em 261 pacientes, constatou que a TRT em homens com hipogonadismo de início tardio, resulta na melhora de diversos indicadores da qualidade de vida, incluindo problemas relacionados com a disfunção erétil, que juntos dão indícios de que a TRT pode melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde do homem com hipogonadismo de início tardio.

 

Podemos levantar também a questão da síndrome metabólica, que se refere a um conjunto de fatores de risco que ocorrem em um indivíduo aumentando as chances de desenvolver doenças cardíacas. Como exemplo de um desses fatores, podemos citar a quantidade de gordura abdominal.

 

Ao avaliar estudos sobre a TRT que envolvem indivíduos com síndrome metabólica, pôde-se constatar que a TRT quando diagnosticada de maneira correta e feita dentro dos parâmetros usuais de tratamento, acaba levando a um efeito protetor que pode evitar problemas cardiovasculares adversos[21,28].

 

Com relação a saúde dos ossos, não são apenas as mulheres que demostram problemas de desmineralização óssea que pode ocasionar osteoporose, os homens, mesmo em menor escala que as mulheres, também podem sofrer deste problema. Podemos ver esse fato nos relatos de homens com hipogonadismo e baixa densidade óssea[29].

 

Algumas referências validam como positiva a TRT para tratar e prevenir a osteoporose masculina em pacientes de risco, enfatizando que a TRT tem um efeito benéfico sobre a densidade mineral óssea[30].

 

A cognição é parte integrante de todo ser humano, e o termo cognição vem do latim “cognoscere”, que significa aprender.

 

O cognitivo de um ser humano pode estar relacionado com o potencial de raciocinar, e podemos definir a cognição com sendo a nossa capacidade de processar informações através dos estímulos que recebemos vindos dos nossos sentidos e conhecimentos obtidos.

 

Um estudo[31] avaliou a eficácia da TRT em 106 homens com baixa testosterona e sintomas de hipogonadismo.

 

Neste estudo foram feitos testes para se verificar a melhora dos homens no quesito cognição e estado depressivo de humor, e como conclusão eles apresentaram que a TRT pode ser considerada para homens com baixa testosterona associada a depressão ou comprometimento cognitivo.

 

Conclusões

 

Na nossa opinião, criada após verificarmos com cuidado todos os estudos citados acima, a TRT feita com o objetivo de normalizar apenas os níveis de testosterona em homens com hipogonadismo de início tardio, e levada por um profissional competente da área de saúde que venha a monitorar esse paciente ao longo do tratamento todo, pode ser benéfica ao homem trazendo uma melhora de diversos problemas podendo contribuir para a melhoria da qualidade de vida do homem na idade mais avançada.

 

A TRT não é recomendada para homens com problemas de próstata ou que pertencem à grupo de risco[26]. Como grupo de risco podemos citar histórico familiar e raça.

 

Também alertamos que a TRT só deve ser feita com indicação e supervisão de um médico especialista desta área, devemos sempre evitar a automedicação, principalmente quando os riscos envolvidos são maiores.

 

Referências:

 

1 - Osterberg, E. Charles, Aaron M. Bernie, and Ranjith Ramasamy. "Risks of Testosterone Replacement Therapy in Men." Indian Journal of Urology?: IJU?: Journal of the Urological Society of India 30.1 (2014).

 

2 - Restorative increases in serum testosterone levels are significantly correlated to improvements in sexual functioning., Seftel AD, Mack RJ, Secrest AR, Smith TM.,J Androl. 2004 Nov-Dec;25(6):963-72.

 

3 - Tudo Sobre Disfunção Erétil - Ellsworth, Pamela, MD e Bob Stanley 2003.

 

4 - Pfenninger and Fowler's Procedures for Primary Care E-Book: Expert Consult - John L. Pfenninger, Grant C. Fowler, 2010.

 

5 - Borst, Stephen E, and Thomas Mulligan. “Testosterone Replacement Therapy for Older Men.” Clinical Interventions in Aging 2.4 (2007).

 

6 - Rotinas em Endocrinologia, Sandra Pinho Silveiro, Fabíola Satler, 2015.

 

7 - Endocrinologia de Harrison, J. Larry Jameson, 2014.

 

8 - Tenover JS, Matsumoto AM, Plymate SR, et al. The effects of aging in normal men on bioavailable testosterone and luteinizing hormone secretion: response to clomiphene citrate. J Clin Endocrinol Metab. 1987;65:1118–26.

 

9 - Mulligan T, Iranmanesh A, Gheorghiu S, et al. Amplified nocturnal LH secretory burst frequency with selective attenuation of pulsatile (but not basal) testosterone secretion in healthy aged men: Possible Leydig cell desensitization to endogenous LH signaling. J Clin Endocrinol Metab. 1995;80:3025–31.

 

10 - Mulligan T., Frick M., Zuraw Q., Stemhagen A., McWhirter C. (2006) Prevalence of hypogonadism in males aged at least 45 years: the HIM study. Int J Clin Pract 60: 762–769.

 

11 - Dhindsa S., Miller M., McWhirter C., Mager D., Ghanim H., Chaudhuri A., et al. (2010) Testosterone concentrations in diabetic and nondiabetic obese men. Diabetes Care 33:1186–1192.

 

12 - Institute of Medicine (US) Committee on Assessing the Need for Clinical Trials of Testosterone Replacement Therapy; Liverman CT, Blazer DG, editors. Testosterone and Aging: Clinical Research Directions. Washington (DC): National Academies Press (US); 2004.

 

13 - Baillargeon J, Urban RJ, Ottenbacher KJ, et al. Trends in androgen prescribing in the United States, 2001 to 2011. JAMA Intern Med 2013.

 

14 - Metzger, Sarita O., and Arthur L. Burnett. “Impact of Recent FDA Ruling on Testosterone Replacement Therapy (TRT).” Translational Andrology and Urology 5.6 (2016).

 

15 - Eisenberg, Michael Louis. “Testosterone Replacement Therapy and Prostate Cancer Incidence.” The World Journal of Men’s Health 33.3 (2015).

 

16 - Patologia: Uma Abordagem por Estudos de Casos, Howard Reisner, 2015.

 

17 - Siiteri P., Wilson J. (1974) Testosterone formation and metabolism during male sexual differentiation in the human embryo. J Clin Endocrinol Metab 38: 113–125.

 

18 - Swyer G. (1944) Post-natal growth changes in the human prostate. J Anat 78: 130–145.

 

19 - Anatomía humana, Volume 2, Michel Latarjet, Alfredo Ruiz Liard, 2004.

 

20 - Michaud, Jason E., Kevin L. Billups, and Alan W. Partin. “Testosterone and Prostate Cancer: An Evidence-Based Review of Pathogenesis and Oncologic Risk.” Therapeutic Advances in Urology 7.6 (2015).

 

21 - Corona G, Giovanni et al. “Testosterone Replacement Therapy and Cardiovascular Risk: A Review.” The World Journal of Men’s Health 33.3 (2015).

 

22 - Corona G, Rastrelli G, Maggi M. Diagnosis and treatment of late-onset hypogonadism: systematic review and meta-analysis of TRT outcomes. Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2013;27:557–579.

 

23 - Corona G, Vignozzi L, Sforza A, Maggi M. Risks and benefits of late onset hypogonadism treatment: an expert opinion. World J Mens Health. 2013;31:103–125.

 

24 - Corona G, Vignozzi L, Sforza A, Mannucci E, Maggi M. Obesity and late-onset hypogonadism. Mol Cell Endocrinol. 2015.

 

25 - Goodman N, Guay A, Dandona P, Dhindsa S, Faiman C, Cunningham GR AACE Reproductive Endocrinology Scientific Committee. American Association of Clinical Endocrinologists and American College of Endocrinology position statement on the association of testosterone and cardiovascular risk. Endocr Pract. 2015;21:1066–1073.

 

26 - Bhasin S, Cunningham GR, Hayes FJ, Matsumoto AM, Snyder PJ, Swerdloff RS, et al. Task Force, Endocrine Society. Testosterone therapy in men with androgen deficiency syndromes: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2010;95:2536–2559.

 

27 - Almehmadi, Yousef et al. “Testosterone Replacement Therapy Improves the Health-Related Quality of Life of Men Diagnosed with Late-Onset Hypogonadism.” Arab Journal of Urology 14.1 (2016): 31–36. PMC. Web. 13 Apr. 2018.

 

28 - Corona G, Maseroli E, Rastrelli G, Isidori AM, Sforza A, Mannucci E, et al. Cardiovascular risk associated with testosterone-boosting medications: a systematic review and meta-analysis. Expert Opin Drug Saf. 2014;13:1327–1351.

 

29 - Effect of testosterone treatment on bone mineral density in men over 65 years of age. Snyder PJ, Peachey H, Hannoush P, Berlin JA, Loh L, Holmes JH, Dlewati A, Staley J, Santanna J, Kapoor SC, Attie MF, Haddad JG Jr, Strom BL., J Clin Endocrinol Metab. 1999 Jun;84(6):1966-72.

 

30 - Osteoporosis and Low Bone Mineral Density in Men with Testosterone Deficiency Syndrome., Gaffney CD, Pagano MJ, Kuker AP, Stember DS, Stahl PJ., Sex Med Rev. 2015 Oct;3(4):298-315. doi: 10.1002/smrj.63. Epub 2015 Nov 10.

 

31 - Jung, Hyun Jin, and Hong Seok Shin. “Effect of Testosterone Replacement Therapy on Cognitive Performance and Depression in Men with Testosterone Deficiency Syndrome.” The World Journal of Men’s Health 34.3 (2016): 194–199. PMC. Web. 14 Apr. 2018.

 



 

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