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Tribulus terrestris mitos e verdades

 

  • Tribulus terrestris mitos e verdades

Marcelo Calazans

Elaborado em 31/08/2016

 

RUSSI, MC. Tribulus terrestris mitos e verdades. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016.

 

Sempre que lemos um texto publicitário de algum produto, principalmente aqueles voltados a melhoria da forma física, temos que ler com cuidado e atenção crítica, pois esses textos costumam falar verdadeiras maravilhas sobre os produtos.

 

Nesta nossa matéria de agora, vamos falar sobre o Tribulus terrestris.

 

É bastante comum vermos citações publicitárias vindas de vendedores e fabricantes do Tribulus terrestris, como essa citada abaixo:

 

"Tribulus terrestris funciona como um auxiliar no combate da impotência, no aumento de produção de testosterona, na estimulação da libido e melhorando também assim a síntese proteica, ajudando no ganho de massa muscular."

 

Nossa intenção aqui, é colocar fatos que levem nosso leitor a analisar até que ponto isso pode ser considerado um fato totalmente verdadeiro.

 

Mas antes, vamos falar um pouco sobre o que é o Tribulus terrestris.

 

O Tribulus terrestris é uma planta herbácea rasteira que tem sua melhor adaptação em climas frios por possuir um ciclo de vida mais longo nessas regiões, ele é proveniente da Europa Meridional, porém nos dias atuais pode ser encontrado em todas as regiões[1].

 

Ele também é conhecido como viagra-natural, puncture vine, goathead (inglês) e abrojo (espanhol), ele pertencente à família zigophyllaceae[1].

 

As partes utilizadas da planta são as sementes, o fruto e a parte aérea, e seus componentes são os saponosídeos, flobaceno, flavonóides, óleos essenciais, ácido linolênico, ácido oleico e ácido elaídico.

 

Uma das formas de ação citada do Tribulus terrestris, seria o de provocar uma vasodilatação na região genital, que pode explicar seus efeitos sobre a melhora da ereção peniana, podendo também aumentar ainda a contagem de espermatozoides, tendo também um potencial de aumentar as concentração plasmáticas de testosterona, o que melhoraria possíveis resultados na evolução muscular devido ao aumento do efeito anabólico[2].

 

Analisando mais profundamente a alegação do potencial de aumento das concentrações de testosterona que o Tribulus terrestris pode causar, devemos ter em mente que todo o processo de produção de testosterona no corpo de um homem, é um processo hormonal de várias fases, e o todo desse processo, está descrito no funcionamento do eixo HPTA.

 

Para podermos analisar melhor o Tribulus terrestris, é necessário o bom entendimento do eixo HPTA.

 

O eixo HTPA se inicia no hipotálamo, passando pela pituitária e finalizando nos testículos[3], e cada um deles é responsável por controlar uma etapa da produção de testosterona que teremos no final do eixo.

 

O hipotálamo é uma pequena área do cérebro que pesa cerca de 4 g do total de 1.400 g de um cérebro humano adulto, mas sem essas 4 g do hipotálamo seria impossível se manter a vida humana[4], ele cumpre diversas tarefas, e uma delas está ligada ao eixo HPTA e a produção de testosterona no homem.

 

O hipotálamo libera um hormônio pulsátil chamado de GnRH[3], que é liberado em pulsos com intervalos de 60 a 90 minutos[5], e o GnRH vai desencadear a segunda parte do eixo HPTA, que é ligada a uma glândula muito importante do corpo que se chama pituitária.

 

A pituitária na presença do GnRH produzido pelo hipotálamo, produz dois outros hormônios, o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo-estimulante)[6].

 

Passamos assim então para a terceira fase do eixo HPTA, e finalmente o LH (hormônio luteinizante) vai informar as células de leydig nos testículos da necessidade de se produzir a testosterona.

 

Portanto, algo que venha a dar acréscimo às taxas de testosterona no corpo de um homem, deve de certa forma intervir em alguma passagem do eixo HPTA para que isso seja possível.

 

Uma dessas formas seria através do incremento do LH, que é citado por algumas pessoas que falam sobre o Tribulus terrestris. Se realmente houvesse um incremento desse LH, poderia haver no final um aumento das taxas de testosterona, mas por mais que nós aqui pesquisássemos uma referência científica que nos falasse o mecanismo de ação fisiológica em que o Tribulus terrestris atua no incremento do LH, não achamos nada de científico para que pudéssemos nos embasar e compartilhar com nossos leitores.

 

É exatamente por esse motivo, que algumas pessoas colocam que são escassas as pesquisas que mostram sua eficácia[1], fato que concordamos exatamente por acharmos inconclusivos todos os materiais que pesquisamos sobre a forma de ação do Tribulus terrestris atuando na fisiologia do corpo masculino e no eixo HPTA.

 

Nós encontramos alguns estudos que tentaram demonstrar alguns resultados do Tribulus terrestris, e vamos compartilhar com vocês:

 

Em um estudo[7] feito em primatas com o extrato de Tribulus terrestris, após a sua administração, se identificou um aumento de cerca de 52% nas taxas de testosterona, e ao final do estudo experimental se concluiu que os aumentos de testosterona poderiam qualificar o Tribulus terrestris para ser usado em casos de disfunção erétil.

 

Um outro estudo[8] na Bulgária desta vez conduzido em seres humanos do sexo masculino entre 20 a 36 anos, os homens foram submetidos a administração oral de Tribulus terrestris em doses de 20 mg/kg e 10mg/kg por dia durante 4 semanas.

 

A dose de testosterona nesses homens foi medida 24 horas antes da suplementação, e após o início da suplementação com Tribulus terrestris novas medições de testosterona foram feitas às 24 horas, 72 horas, 240 horas, 408 horas e 576 horas, e não foi apontada diferença significativa no aumento das taxas de testosterona.

 

Um outro estudo[9] foi conduzido na Austrália com 22 jogadores de rúgbi em treinamento de pré-temporada.

 

Os jogadores foram divididos aleatoriamente em 2 grupos de 11, e um dos grupos teve a administração de 450 mg/dia de Tribulus terrestris, enquanto o outro grupo teve a administração de placebo.

 

Após cinco semanas de treinamento, a força e a massa magra aumentaram significativamente sem diferenças entre os grupos. Este estudo então concluiu que a suplementação de Tribulus terrestris não contribui para o aumento da massa muscular e não tem efeito androgênico.

 

Fonte dos estudos [7,8,9] [link] acessado em 31/08/2016.

 

Por isso tudo que a eficácia do Tribulus terrestris é muito controversa, o que podemos aqui é narrar nossa experiência de muito anos na musculação vendo relatos de pessoas, e o que podemos somando nossas experiências colocar, é que existem sim relatos bons de pessoas com o uso do Tribulus terrestris, mas em contrapartida, já ouvimos diversas vezes pessoas após várias tentativas de uso negando os efeitos positivos do Tribulus terrestris.

 

Referências:

 

1 - A importância da atenção farmacêutica no uso do medicamento fitoterápico tribulus terrestris - ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013

 

2 - Tribulus terrestris, Josym M., 2008.

 

3 - 4 Horas por Semana - O Corpo, Timothy Ferriss, 2011.

 

4 - Sistema Nervoso - Volume 7 - Parte I - Cérebro: Coleção Netter de Ilustrações Médicas, H. Royden Jones, Ted Burns, Michael J. Aminoff, Scott L Pomeroy, 2014.

 

5 - Histologia E Biologia Celular, Abraham L. Kierszenbaum, 2012.

 

6 - Química Clínica, William J. Marshall, Stephen K. Bangert, Márta Lapsley, 2013.

 

7 - Gauthaman K, Ganesan AP. The hormonal effects of Tribulus terrestris and its role in the management of male erectile dysfunction--an evaluation using primates, rabbit and rat. Phytomedicine. 2008;15(1-2):44-54.

 

8 - Neychev VK, Mitev VI. The aphrodisiac herb Tribulus terrestris does not influence the androgen production in young men. J Ethnopharmacol. 2005;101(1-3):319-23.

 

9 - Rogerson S, Riches CJ, Jennings C, et al. The effect of five weeks of Tribulus terrestris supplementation on muscle strength and body compostition during preseason training in elite rugby league players. J Strength Cond Res. 2007;21(2):348-53.

 



 

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