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Suplemento MCT - Triglicerídeos de Cadeia Média

 

  • MCT

Marcelo Calazans

Elaborado em 07/05/2018

 

RUSSI, MC. Triglicerídeos de cadeia média. Matérias Musculação, São paulo, mai. 2018.

 

O que vemos hoje sendo vendido nas prateleiras das lojas de suplemento com o nome MCT, é a abreviação de um termo em inglês muito utilizado na área de saúde.

 

Medium Chain Triglycerides (MCT), ou em português, Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM), são moléculas formadas por três ácidos graxos saturados que possuem de 6 a 12 átomos de carbono[1].

 

Para compreendermos melhor o MCT, devemos primeiro partir de um conhecimento básico sobre os ácidos graxos.

 

Sendo assim, vamos primeiramente explicar de forma básica a composição dos ácidos graxos.

 

Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos que são encontrados esterificando os lipídios naturais[2], e eles podem ser classificados de acordo com o número de carbonos da sua composição[3].

 

Podemos dividir os ácidos graxos aqui para nós em dois grupos:

 

- Os AGCM - ácidos graxos de cadeia média (entre 6 e 12 carbonos) e os AGCL - ácidos graxos de cadeia longa (entre 14 a 22 carbonos)[4].

 

Abaixo segue uma tabela demonstração com alguns ácidos graxos e suas composições.

 

Composição Ácido Graxo
C20:0 Ácido araquídico
C18:0 Ácido esteárico
C16:0 Ácido palmítico
C14:0 Ácido mirístico
C12:0 Ácido láurico
C10:0 Ácido cáprico
C8:0 Ácido caprílico

 

Vamos citar dois exemplos que existem na tabela acima.

 

O ácido láurico C12:0, é um ácido graxo de cadeia média pois possui 12 carbonos, já o ácido palmítico C16:0, é um ácido graxo de cadeia longa pois possui mais de 12 carbonos.

 

Resumindo então, temos que o Suplemento MCT é formado por ácidos graxos de cadeia média (AGCM), enquanto os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) formam os TCL (triglicerídeos de cadeia longa).

 

Para compreendermos agora o benefício da ingestão do Suplemento MCT, teremos que entender o processo envolvido na absorção dos ácidos graxos.

 

Nos alimentos que ingerimos diariamente existe uma grande abundância de TCL (triglicerídeos de cadeia longa), que são formados por ácidos graxos de cadeia longa (AGCL)[5].

 

Em comparação, podemos dizer que os ácidos graxos contidos no Suplemento MCT são absorvidos de forma mais eficiente que os ácidos graxos contidos nos alimentos que ingerimos diariamente[5].

 

A velocidade de absorção intestinal dos AGCM contidos no Suplemento MCT é similar à da glicose[1], o que torna o MCT bem superior às formas de gordura que encontramos usualmente na nossa dieta.

 

Isso acontece, pois os ácidos graxos contidos no Suplemento MCT não necessitam da lipólise pancreática para serem absorvidos, desta forma, eles podem ser absorvidos de forma intacta pelas células do intestino[5]. Outra coisa que facilita também o processo, é o fato de não haver a necessidade da formação de micelas para que os ácidos graxos contidos no Suplemento MCT sejam absorvidos[6].

 

A biodisponibilidade digestiva dos ácidos graxos do Suplemento MCT é maior se comparada com as outras formas de lipídios (gordura) geralmente encontrados na nossa alimentação. Isso ocorre, pois, os ácidos graxos do MCT na sua forma livre após a digestão, seguem direto para o fígado através da veia porta, o que os torna disponíveis para serem utilizados pelos tecidos periféricos[7].

 

Todo esse mecanismo eficiente de absorção envolvido no Suplemento MCT, é que faz dele hoje em dia muito cotado pelos praticantes de atividades físicas.

 

Existe um outro produto utilizado como suplemento, que possui característica similar, o óleo de coco.

 

O óleo de coco também é abundante em ácidos graxos de cadeia média (AGCM), e mais de 40% da sua composição é de ácido láurico (C12:0)[8].

 

Mas apesar de semelhantes com relação ao benefício, o Suplemento MCT ainda pode ser considerado superior.

 

Isso acontece, pois, o Suplemento MCT é constituído pelos ácidos graxos caprílico (C8:0) e cáprico (C10:0) apenas.

 

Percebam que o ácido láurico (C12:0) do óleo de coco possui 12 carbonos, enquanto os ácidos caprílico (C8:0) e cáprico (C10:0) do Suplemento MCT, possuem 8 e 10 carbonos respectivamente, e isso pode se tornar uma vantagem.

 

Os ácidos graxos com quantidade menor de carbonos, possuem uma solubilidade maior em água[9], e isso parece exercer importante influência nos mecanismos que administram a absorção dos ácidos graxos[10].

 

Todo conteúdo descrito acima, coloca em evidência a funcionalidade dos ácidos graxos de cadeia média (AGCM) contidos no Suplemento MCT, mas mesmo assim, sabemos que algumas pessoas baseadas em conceitos “gordurofóbicos”, ainda desclassificam toda e qualquer forma de gordura saturada.

 

Isso geralmente é colocado, devido ao citado potencial danoso que as gorduras saturadas têm com relação ao sistema cardiovascular.

 

Mas vamos apresentar um estudo[11] que narra fatos animadores com relação ao MCT e os problemas cardiovasculares.

 

Este estudo foi realizado com homens e mulheres entre 19 e 50 anos que possuíam IMC entre 27 e 33. Eles foram divididos em 2 grupos, e os grupos de teste foram divididos entre azeite e MCT.

 

Como resultado o estudo apresentou que o consumo moderado de gorduras saturadas na forma de MCT não tem efeito adverso e não aumenta o risco de doença cardiovascular.

 

O estudo demonstra uma diferenciação entre as gorduras saturadas de cadeia média e de cadeia longa, e sugere não inserirmos as gorduras saturadas de cadeia média (MCT) como causadoras de problemas cardiovasculares.

 

Os resultados também sugerem que o consumo de gorduras saturadas de cadeia média, como o Suplemento MCT, tem risco de problemas cardiovasculares similar ao azeite.

 

O assunto que envolve o consumo de MCT e o risco de doenças cardiovasculares é complexo e polêmico, e com certeza esse assunto ainda irá render muitos estudos futuramente, e por enquanto, insistimos para que você baseie a sua decisão apenas na opinião de um médico de sua confiança.

 

Vamos comentar agora algo que é muito comum vermos associado ao MCT, que é a perda de peso através da diminuição da gordura corporal.

 

Nossa equipe avaliou vários estudos, e separamos dois para apresentar.

 

No primeiro estudo[12], 24 homens com IMC entre 25 e 31 foram submetidos aos testes, eles consumiram dietas ricas em MCT e TCL (triglicerídeos de cadeia longa) por 28 dias. Os participantes tiveram seu gasto calórico medido por calorimetria indireta e a sua composição corporal analisada por ressonância magnética.

 

Ao final do estudo ficou constatado que uma dieta rica em MCT resulta em uma diminuição do tecido adiposo (gordura) se comparada a uma dieta com TCL (triglicerídeos de cadeia longa).

 

Por fim, trazemos um outro estudo[13] que correlaciona o MCT com algo muito comentado nos dias de hoje, que é o efeito termogênico.

 

Neste estudo, 10 homens com idade entre 22 e 44 anos foram testados. Eles foram alimentados com dietas contendo MCT e TCL (triglicerídeos de cadeia longa).

 

Como resultado, foi apresentado que a caloria dietética ingerida na forma de MCT estimula a termogênese em um grau maior em comparação com o TCL (triglicerídeos de cadeia longa). E esse resultado deve provavelmente estar associado ao processo de lipogênese existente no fígado.

 

Muitos dos assuntos que envolvem a saúde e a estética física são recheados de polêmicas e discussões, e esse assunto que apresentamos hoje não é uma exceção, portanto, sabemos que futuramente muitos estudos e análises sobre esse tema ainda estarão por vir.

 

Alertamos também para o fato de que a perda de peso não deve ser vista considerando somente fatores isolados, e muitas vezes apenas adicionar um único produto na rotina diária acaba não sendo o divisor de águas da perda de peso, portanto, antes de iniciar com o MCT visando diminuição da gordura corporal, verificar toda a rotina diária de alimentação, e se possível na presença de um profissional capacitado da área de saúde, é o mais aconselhável.

 

Referências:

 

1 - Ferreira, Antonio Marcio Domingues; Barbosa, Paula Edila Botelho; Ceddia, Rolando Bacis. A influência da suplementação de triglicerídeos de cadeia média no desempenho em exercícios de ultra-resistência. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v.9, n.6, p. 413-419, Nov. 2003.

 

2 - Tahin. Q.S., Importancia fisiológica e patológica dos ácidos graxos, Arq. Biol.Tecnol.,28(3)0335-361.1985.

 

3 - Nilson Evelazio de Souza, Makoto Matsushita, Jesuí Vergilio Visentainer, Ácidos graxos: Estrutura, Classificação, Nutrição e Saúde, 1998.

 

4 - Santos, R.D. Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. 2013.

 

5 - Medicina Interna de Harrison, Dennis L. Kasper, Stephen L. Hauser, J. Larry Jameson, Anthony S. Fauci, Dan L. Longo, Joseph Loscalzo, 2016.

 

6 - Gastrenterologia e Hepatologia de Harrison, Dan L. Longo, Anthony S. Fauci, 2014.

 

7 - A influência da suplementação de triglicerídeos de cadeia média no desempenho em exercícios de ultra-resistência, Antonio Marcio Domingues Ferreira, Paula Edila Botelho Barbosa, Rolando Bacis Ceddia, Rev Bras Med Esporte _ Vol. 9, Nº 6 – Nov/Dez, 2003.

 

8 - Russi, MC. Óleo de coco, emagrecimento, colesterol e gordura saturada. Matérias Musculação, São paulo, nov. 2016 [link] acessado em 07/05/2018.

 

9 - Nutrição animal: bases e fundamentos, Jose Milton Andriguetto, L. Perly, 2002.

 

10 - Fisiologia Médica, Uma Abordagem Integrada, Hershel Raff, Michael G. Levitzky, 2012.

 

11 - St-Onge, Marie-Pierre et al. “Medium Chain Triglyceride Oil Consumption as Part of a Weight Loss Diet Does Not Lead to an Adverse Metabolic Profile When Compared to Olive Oil.” Journal of the American College of Nutrition 27.5 (2008): 547–552 [link] acessado em 07/05/2018.

 

12 - St-Onge MP, Ross R, Parsons WD, Jones PJ, Medium-chain triglycerides increase energy expenditure and decrease adiposity in overweight men., Obes Res. 2003 Mar;11(3):395-402.

 

13 - Hill JO, Peters JC, Yang D, Sharp T, Kaler M, Abumrad NN, Greene HL, Thermogenesis in humans during overfeeding with medium-chain triglycerides., Metabolism. 1989 Jul;38(7):641-8.

 



 

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