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Manual da TPC Feminina

 

  • Manual da TPC Feminina

Marcelo Calazans

Elaborado em 10/08/2016

 

RUSSI, MC. Manual da TPC feminina. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016.

 

Antes de entrarmos mais profundamente na parte que fala do ciclo hormonal feminino e TPC Feminina, vamos explicar uma parte do ciclo hormonal masculino e do eixo HPTA, que servirá de ilustração para entendermos os próximos passos sobre a TPC Feminina.

 

Quando se fala de TPC masculina, muito se comenta sobre o eixo HPTA do homem.

 

No caso dos homens, é exatamente a interrupção do eixo HPTA que causa o problema masculino de baixa testosterona pós ciclo[1].

 

O eixo HTPA nos homens se inicia no hipotálamo, passando pela pituitária e finalizando nos testículos[2], e cada um deles é responsável por controlar uma etapa da produção de testosterona que teremos no final do eixo.

 

No corpo masculino, o hipotálamo libera um hormônio chamado de GnRH[2], e o GnRH vai desencadear a segunda parte do eixo HPTA, que é ligada a uma glândula muito importante do corpo que se chama pituitária.

 

A pituitária na presença do GnRH produzido pelo hipotálamo, produz dois outros hormônios, o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo-estimulante)[3]. No caso dos homens, o LH é o responsável por indicar aos testículos a necessidade de se produzir de testosterona, enquanto o FSH atua estimulando a espermatogênese[10].

 

Até a parte da produção do GnRH pelo hipotálamo e da produção do LH e FSH pela pituitária, acontece de forma semelhante tanto nos homens quanto nas mulheres.

 

A diferença começa daqui para a frente, e no caso feminino, o GnRH liberado pelo hipotálamo vai estimular também a liberação do FSH (hormônio folículo-estimulante) pela pituitária, e aqui então se inicia a diferença entre os dois sexos, pois na mulher, o FSH tem a função de estimular o desenvolvimento do folículo de graaf ovarianos e a sua produção de estrogênio[4].

 

Para detalhar melhor, podemos dizer que o hipotálamo da mulher libera o GnRH, esse irá agir na pituitária (ou hipófise)[6] originando a liberação do LH e do FSH. Isso acaba dando início ao ciclo hormonal da mulher, desde a ovulação até uma possível fecundação do óvulo, e a posterior menstruação caso o óvulo não seja fecundado[5], como mostra a figura abaixo que exemplifica uma parte do ciclo menstrual feminino:

 

Ciclo Menstrual Ovulação

 

A descaracterização e quebra do funcionamento regular desse ciclo hormonal da mulher, é o que causa o conhecido problema de inconsistência hormonal na mulher durante o uso de esteroides anabolizantes, que leva muitas vezes a uma amenorreia (parada do ciclo menstrual).

 

Isso acontece devido a um fator parecido com o dos homens, pois é conhecido o fato de que todo anabolizante, uns mais e outros menos, tem o potencial de intervir com a liberação de GnRH pelo hipotálamo[1].

 

Nos homens essa interferência irá causar uma possível diminuição na produção natural de testosterona pelos testículos, e na mulher, pode ocasionar a quebra do equilíbrio de todo ciclo hormonal que leva a problemas como o da amenorreia (parada do ciclo menstrual).

 

Para entendermos melhor o tema TPC Feminina, devemos considerar também, que a mulher possui uma produção de testosterona natural endógena, assim como os homens (mas em menor escala), e a testosterona no corpo feminino é produzida pelo córtex da glândula adrenal e também pelos ovários[8].

 

No sistema reprodutor feminino durante o ciclo menstrual da mulher, o LH (hormônio luteinizante) estimula a produção de androstenediona e de testosterona nas células da teca. Na fase folicular precoce do ciclo menstrual, o corpo feminino produz cerca de 144 µg de testosterona, também é produzida testosterona nas fases pré-ovulatória e média-lútea do ciclo menstrual, nas concentrações de 171 µg e 126 µg respectivamente[9].

 

A supressão da liberação de GnRH no hipotálamo, com consequente parada da produção de LH e FSH, que leva a mulher a uma possível interrupção do ciclo menstrual, pode também comprometer a produção de testosterona no corpo feminino, de forma semelhante ao que ocorre com os homens que fazem uso de esteroides anabolizantes.

 

No homem algumas práticas medicamentosas como a utilização de HCG, SERM´s, inibidores de aromatase entre outros, são comumente adotados, como podemos ver abaixo em uma outra postagem nossa aqui do site que fala sobre a TPC masculina.

 

Manual da TPC Masculina

 

Manual da TPC Masculinas

 

Mas no caso das mulheres, o tratamento medicamentoso para tentar restabelecer o ciclo hormonal feminino lesado pelo anabolizante, encontra mais resistência que o caso dos homens.

 

Sabemos que o clomifeno e o tamoxifeno se ligam bloqueando os receptores de estrogênio (RE) no hipotálamo, fazendo com que o hipotálamo volte a produzir novamente em níveis normais o GnRH, inibindo assim o feedback negativo do estrógeno, que ocorre principalmente no hipotálamo[7], que é uma prática muito adotada pelos homens em uma TPC na tentativa de restabelecer a produção de testosterona natural[1].

 

Mas nós aqui não pensamos da mesma forma no caso das mulheres, pois seguimos um conhecido pensamento publicado pelo Dr. Michael Scally, que é contra o uso de SERM´s (clomifeno e tamoxifeno) ou inibidores de aromatase (anastrozol) no caso das mulheres, pois no caso das mulheres que possuem um ciclo hormonal mais complexo que o dos homens, existe o pensamento de que isso poderia mais prejudicar do que ajudar.

 

A indicação do Dr. Michael Scally, é que a mulher vá descontinuando nas semanas finais o anabolizante de forma gradual, na tentativa de fazer com que o próprio corpo feminino consiga reverter sozinho a situação e retornar normalmente o seu ciclo hormonal.

 

Mas há casos em que mesmo fazendo essa tentativa menos invasiva do Dr. Michael Scally, que o ciclo menstrual e hormonal da mulher não volta ao normal, aí nessas situações, nós indicamos que antes da mulher pensar em usar medicamentos por conta própria, que ela procure um médico, e contando tudo a ele como aconteceu e ele solicitando exames laboratoriais, aí sim, ele poderia pensar em algo medicamentoso para tratar esse caso no qual o colateral do uso de esteroides anabolizantes foi mais persistente.

 

Agora vamos aqui fazer um alerta

 

Com as atletas de competição no fisiculturismo, ou até mesmo com as mulheres que vivem da exposição de seus corpos na televisão e na mídia, é comum ao final de um ciclo com esteroides anabolizantes, para se evitar a perda de massa muscular, que elas continuem hormonizadas, ou seja, pós ciclo elas não fazem TPC nenhuma, e ao final do ciclo elas continuam utilizando em pequenas doses "terapêuticas" algum anabolizante, que até poderia ser a testosterona.

 

Mas prestem bem atenção, pois isso pode até se aplicar às mulheres que são do meio do fisiculturismo, como as atletas de competição, ou mulheres que vivem da exposição de seus corpos na televisão e na mídia, mas isso não se aplica à todas as mulheres normais.

 

Pois mesmo considerando que pequenas doses de testosterona podem não causar efeitos de virilização nas mulheres, mesmo assim, isso pode fazer com que a plena recuperação do ciclo hormonal feminino seja atrasada, pois essa testosterona mesmo utilizada em doses pequenas pós ciclo, pode continuar a inibir a produção correta do GnRH pelo hipotálamo[1], o que iria retardar ou até impedir a plena recuperação do ciclo hormonal feminino após o termino do ciclo com esteroides anabolizantes.

 

As atletas de competição do fisiculturismo fazem uma coisa bem parecida, que no fisiculturismo é chamado de "Blast and Cruise", mas elas sabem que neste período de "Blast and Cruise", em que irão se manter hormonizadas por um longo tempo, não haverá provavelmente a normalização do ciclo hormonal e menstrual.

 

Mas você cara leitora do nosso site, que não é atleta de competição e não vive da exposição do seu corpo na televisão e na mídia, não caia nesse equívoco que alguns sugerem na internet.

 

Pois quando o Dr. Michael Scally, na sua conhecida publicação em que ele cita não concordar com o uso medicamentoso de SERM´s (clomifeno e tamoxifeno) ou inibidores de aromatase (anastrozol) no caso das mulheres, em nenhum momento nessa publicação, ele afirma que é para a mulher trocar o uso de SERM´s (clomifeno e tamoxifeno) pós-ciclo, por algum esteroide anabolizante utilizado em pequenas doses por tempo indeterminado.

 

O texto do Dr. Michael Scally a que me refiro, pode ser lido na íntegra abaixo:

 

"Post Cycle Therapy (PCT) for Female Steroid Users?

 

June 18, 2013 By Michael Scally, M.D.

 

Q: What would post cycle therapy (PCT) be like for female steroid users and for what reasons?

 

A: In the case of pre-menopausal females, tapering the anabolic-androgenic steroids (AAS) would be the best treatment.

 

Anabolic steroid administration, like males, causes the HPGA to shutdown. However, stopping the AAS will produce menopausal like symptoms, therefore tapering until menses returns is best. The labs follicle stimulating hormone (FSH), luteneizing hormone (LH), progesterone (P) and estradiol (E2) will be the best indicator. They will show if the HPGA is affected adversely. In marked contrast to a man, the period typically returns within 1-2 months and will occur while tapering.

 

I would NOT suggest "selective estrogen receptor modulators" (SERMs) or aromatase inhibitors (AIs) for a woman! NEVER! It is the equivalency of forcing them into menopausal symptoms. The HPGA/HPTA are very different. In fact, SERM/AI (such as Nolvadex and Arimidex) are used in Breast Cancer, which includes a significant number of adverse effects. Decreasing E2 in a man is far different from doing the same in a female. E2 and P are the main female hormones. Just imagine how a man feels that receives Androgen Deprivation Therapy (ADT) for Prostate Cancer."

 

Pois essa pratica de trocar a TPC Feminina pelo uso de algum anabolizante em pequenas doses para se evitar a perda da massa muscular ganha com o ciclo, pode resultar naquilo que já dissemos acima e explicamos, que pode fazer com que o ciclo hormonal e menstrual da mulher não se restabeleça ou demore mais ainda para se restabelecer.

 

Prestem bastante atenção, procurem sempre um médico para maiores informações e exames, pois somente eles podem ser responsáveis pela sua saúde.

 

Cuide bem da sua saúde.

 

Referências:

 

1 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

2 - 4 Horas por Semana - O Corpo, Timothy Ferriss, 2011.

 

3 - Química Clínica, William J. Marshall, Stephen K. Bangert, Márta Lapsley, 2013.

 

4 - Saúde da Mulher e Enfermagem Obstétrica, Deitra Leonard Lowdermilk, Shannon E. Perry , 2011.

 

5 - Seus Filhos o Sexo e Voce, Imideo G. Nerici, 1988.

 

6 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

7 - Inhibition of luteinizing hormone secretion by testosterone in men requires aromatization for its pituitary but not its hypothalamic effects: evidence from the tandem study of normal and gonadotropin-releasing hormone-deficient men. Pitteloud N, Dwyer AA, DeCruz S, Lee H, Boepple PA, Crowley WF Jr, Hayes FJ. J Clin Endocrinol Metab. 2008 Mar;93(3):784-91. Epub 2007 Dec 11.

 

8 - Fernandes, César Eduardo et al . Síndrome de insuficiência androgênica: critérios diagnósticos e terapêuticos. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo , v. 33, n. 3, p. 152-161, 2006.

 

9 - Beverly G Reed, MD and Bruce R Carr, MD., The Normal Menstrual Cycle and the Control of Ovulation, Last Update: May 22, 2015. [link] acessado em 10/07/2018.

 

10 - Institute of Medicine (US) Committee on Assessing the Need for Clinical Trials of Testosterone Replacement Therapy; Liverman CT, Blazer DG, editors. Testosterone and Aging: Clinical Research Directions. Washington (DC): National Academies Press (US); 2004.

 



 

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