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Aprenda sobre os Termogênicos - Sineflex

 

  • Aprenda sobre os Termogênicos

Marcelo Calazans

Elaborado em 18/10/2016

 

RUSSI, MC. Aprenda sobre os termogênicos - sineflex. Matérias Musculação, São paulo, out. 2016.

 

Introdução

 

Eu não me recordo qual foi o primeiro Termogênico lançado para descrever a origem inicial desse termo, mas podemos partir de um Termogênico que ficou muito famoso no Brasil.

 

Era o Yellow Swarm, e isso há mais de uma década.

 

yellow-swarm foto

 

Ele foi comercializado no Brasil por bastante tempo, mas a ANVISA acabou por proibir suplementos a base de efedrina no Brasil, e isso definiu o fim do Yellow Swarm.

 

Ele não continha diretamente a efedrina, como vemos em medicações que ainda são vendidas no Brasil atualmente, que atuam como broncodilatadores, mas ele continha uma erva conhecida como ma-huang, que continha em sua composição a efedrina.

 

Muitos acharam que com a proibição da venda de suplementos a base de efedrina pela ANVISA, que os Termogênicos estariam acabados, mas não foi bem isso que aconteceu.

 

Vamos abaixo tentar contar melhor de maneira técnica o funcionamento de tais substâncias, e falar sobre os Termogênicos atuais do mercado com venda liberada pela ANVISA, como o Sineflex, que agem sem ter a proibida efedrina em sua composição.

 

Preparando o corpo para a batalha

 

Citar a preparação do corpo para uma batalha em se tratando de Termogênicos pode soar de forma estranha, mas acreditem, isso vai fazer todo o sentido para entendermos o modo principal de ação dos Termogênicos.

 

O nosso organismo tem uma forma de preparar o corpo para uma batalha, e existe uma substância nativa do nosso corpo, que tem ajudado desde nossos antepassados até nós mesmos nos dias atuais.

 

Essa substância é a adrenalina.

 

A adrenalina controla um estímulo que alguns de forma empírica chamam de "luta" ou "fuga", que é parecido com aquele batimento acelerado do coração que sentimos, quando tomamos um grande susto por exemplo.

 

A adrenalina consegue preparar nosso corpo para a batalha, agindo em algumas funções de nosso corpo.

 

Ela causa uma vasodilatação[1] para que o sangue possa fluir de forma mais abundante a todas as partes do corpo, ela também aumenta os batimentos cardíacos[2] para ajudar a bombear mais sangue para o corpo e músculos, ela dilata os brônquios[3] para facilitar a entrada de oxigênio no corpo, e ela também causa a lipólise[4], que é quando o corpo disponibiliza os estoques de gordura para poderem ser utilizados como fonte de energia.

 

Aí está a formula perfeita para preparar um corpo para a batalha, aumentando o fluxo de sangue e oxigênio para os músculos, e disponibilizando estoques extra de energia para que o corpo possa utilizar.

 

Pronto! Estamos agora preparados para a batalha que virá a seguir...

 

Ação nos receptores adrenérgicos

 

Todo esse processo descrito acima na preparação do corpo para a batalha, está associado com a ação da adrenalina nos receptores adrenérgicos do corpo, e lembrando também de uma coisa que será importante mais adiante, é que a noradrenalina também tem a sua ação nos receptores adrenérgicos[5].

 

De toda as ações descritas acima nesta preparação do corpo para a batalha, o que vai importar aqui para nós é a lipólise, ou seja, a disponibilização da gordura para ser utilizada como forma de energia.

 

Temos dois tipos de receptores adrenérgicos, os receptores beta e alfa, e o mais importante aqui para nós serão os receptores beta.

 

Existem 3 subtipos de receptores beta, o beta1, beta2 e beta3, mas não vamos entrar em maiores detalhes sobre os subtipos, e vamos falar de receptores beta de uma forma geral.

 

Existem diversas substâncias que agem nos receptores beta adrenérgicos, algumas naturais do nosso corpo, como a adrenalina e noradrenalina, e algumas não nativas do corpo, como o salbutamol e a efedrina.

 

O modo de ação da cafeína, que hoje está presente na maior parte dos Termogênicos vendidos no Brasil, inclusive o citado aqui na matéria, o Sineflex, também baseia o seu modo de ação nos receptores adrenérgicos, que iremos explicar melhor a seguir.

 

A ação nos receptores beta adrenérgicos causa a lipólise[6,7], e vamos explicar melhor como isso acontece.

 

Essa ação gira em torno de uma substância, a adenosina monofosfato cíclico (AMPc).

 

A AMPc controla diversas funções no nosso corpo, e entre elas a lipólise mediada pela ação nos receptores adrenérgicos[8].

 

Isso acontece da seguinte forma. Quando ocorre uma beta estimulação adrenérgica, causada por um beta agonista adrenérgico, que pode ser a adrenalina ou as outras substâncias já citadas acima, ocorre um aumento na concentração de AMPc, esse processo se dá pela presença da enzima adenilil ciclase (AC), no qual o ATP é transformado em AMPc, dando início ao processo de lipólise.

 

Não vamos ficar especificando de forma científica exatamente todo esse processo, pois isso tornaria a matéria maçante, e a ideia não é uma matéria em forma de aula de biologia.

 

Portanto, apesar da AMPc cumprir diversas funções no nosso corpo, apenas aqui para o nosso entendimento, vamos lembrar que sempre que as concentrações de AMPc estiverem aumentadas, poderemos estar estimulando a lipólise.

 

Cafeína

 

Como citado no início, a efedrina não é mais autorizada pela ANVISA para ser vendida como suplemento Termogênico no Brasil, mas a cafeína sim.

 

A cafeína é o composto mais usado nos Termogênicos a venda no Brasil, inclusive parte integrante do Sineflex, que é o Termogênico que citamos no início da matéria.

 

Já foi colocado acima, no tópico que explica a ação nos receptores adrenérgicos, a importância da ação beta adrenérgica para a lipólise, e foi dito também, que a cafeína estaria de certa forma envolvida neste processo quando utilizada como Termogênico.

 

Apesar de algumas pessoas de forma empírica, até falarem que a cafeína teria uma ação direta nos receptores beta adrenérgicos, não é bem assim que as literaturas trazem isso.

 

A cafeína ainda é uma substância muito estudada e cercada de mitos e controvérsia, e vamos procurar trazer para os nossos leitores, apenas fatos documentados em literaturas e estudos que podem ser apresentados como referências.

 

A cafeína é uma metilxantina com efeitos estimulantes[9] que já é conhecida desde os anos de 1820, mas os seus efeitos como estimulante, só foram melhor detalhados em 1981, quando seus efeitos de bloqueio na ação da adenosina foram correlacionados com seus efeitos estimulatórios do SNC (sistema nervoso central)[10].

 

A cafeína teria um potencial de ação beta adrenérgica na forma indireta, diferente da forma direta de ação da adrenalina e noradrenalina.

 

Pois é colocado por algumas literaturas, que a ação estimulatória da cafeína no SNC, poderia estar contribuindo para que houvesse uma liberação de catecolaminas, nas quais poderíamos citar a adrenalina e a noradrenalina[11,12,13]. É citado que a ação da cafeína na liberação de noradrenalina acontece, provavelmente pelo antagonismo da cafeína no receptores de adenosina[14].

 

Teríamos aí então, a ação indireta da cafeína nos receptores beta adrenérgicos, e isso levando em consideração o fato de que ela tem a capacidade de liberação das catecolaminas adrenalina e noradrenalina, que poderiam desta forma estimular a lipólise.

 

Existe ainda uma função que a cafeína possui, e que pode intervir na lipólise.

 

Nós explicamos acima na seção que fala sobre a ação nos receptores adrenérgicos, que para nosso entendimento aqui, sempre que tivéssemos aumentadas as quantidades de AMPc, nós poderíamos estar com isso, estimulando a lipólise.

 

Falamos também da enzima adenilil ciclase (AC), que transforma o ATP em AMPc.

 

Pois bem, nós temos uma outra enzima, que faz quase o oposto, pois ela acaba diminuindo as concentrações de AMPc, e é a enzima fosfodiasterase, que hidrolisa o AMPc desativando-o.

 

A cafeína tem a capacidade de diminuir as concentrações de fosfodiasterase[15], fazendo com que a vida ativa do AMPc seja maior, e com isso podendo de certa forma estimular a lipólise.

 

Essa, caros leitores, é a explicação da ação dos Termogênicos, dando ênfase à cafeína que é muito usada nos dias atuais nos suplementos a venda no Brasil com a liberação da ANVISA, e que é parte integrante do suplemento Sineflex, que estamos aqui hoje apresentando para vocês.

 

Referências:

 

1 - Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada - Dee Unglaub Silverthorn, 2009.

 

2 - Anatomia e Fisiologia Para Leigos, Siegfried, Donna Rae, 2010.

 

3 - Dime qué te duele y te diré por qué - Michel Odoul, 2000.

 

4 - Corpo Humano : Fundamentos de anatomia e fisiologia - 8ed Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson, 2012.

 

5 - Anatomia e Fisiologia de Seeley - Cinnamon VanPutte, Jennifer Regan, Andrew Russo, 2016.

 

6 - Barbe P, Millet L, Galitzki J. In situ assessment of the role of beta1, beta2, and beta3-adrenoceptors in the control of lipolysis and nutritive blood flow in human subcutaneous adipose tissue. Br J Pharmacol 1996.

 

7 - Lafontan M, Berlan M. Fat cell adrenergic receptor and the control of white and brown fat cell function. J Lipid Res 1993.

 

8 - Coppack SW, Jensen MD, Miles JM. In vivo regulation of lipolysis in humans. J Lipid Res 1994.

 

9 - Rang & Dale Farmacologia Rang Rang, James M. Ritter, Rod J. Flower, Graeme Henderson, 2015.

 

10 - Daly JW – Caffeine analogs: biomedical impact. Cell Mol Life Sci, 2007.

 

11 - Terapias Holísticas No Esporte - Ronald Moller, 2001.

 

12 - Manual da Saúde: 150 perguntas e respostas sobre exercício saudável - Alexandre Vieira, 2014.

 

13 - Benowitz, N. L., Jacob, P., Mayan, H., et alii. (1995). Sympathomimetic effects of paraxanthine and caffeine in humans. Clin Pharmacol Ther, 58, pp. 684-691.

 

14 - Kalsner S, Frew RD, Smith GM., Mechanism of methylxanthine sensitization of norepinephrine responses in a coronary artery. Am J Physiol 1975 Jun;228(6):1702-1707.

 

15 - Gilman AG, Rall TW, Nies AS, Taylor P. 1990.

 



 

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