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O Mal Hábito na Dependência dos Suplementos

 

  • O Mal Hábito na Dependência dos Suplementos

Marcelo Calazans

Elaborado em 22/07/2016

 

O avanço do uso indiscriminado e muitas vezes exagerado dos Suplementos Alimentares, está cada vez mais enraizado nas academias, e isso graças a disseminação do perfil físico estereotipado do corpo magro com altos níveis de volume e tônus muscular[1].

 

Existe no nosso mundo atual, uma forte pressão da própria sociedade e da mídia que colabora para um aumento no uso de Suplementos Alimentares principalmente por jovens e adolescentes[2].

 

A grande maioria dos jovens acredita na eficácia dos Suplementos Alimentares[3,4], mas estudos demostram que eles estão mais preocupados com a estética física[5,6], o que faz com que eles busquem as academia mais pelo fator estético do que pela saúde física[7].

 

Já é conhecido o fato de que os nutrientes são os responsáveis pelos resultados que as pessoas vão obter nas academias, mas os nutrientes podem muito bem vir da alimentação e não necessariamente dos suplementos.

 

Essa febre de conquista de um melhor perfil estético, faz com que as pessoas acabem deixando as vezes de lado, o principal, que é a alimentação, pois como o próprio nome já diz, o Suplemento Alimentar é algo que vem apenas para suplementar, ou seja, complementar uma boa alimentação que já estaria em curso.

 

Muitas vezes nós aqui nesses longos anos em que acompanhamos a musculação, cansamos de ver casos no qual as pessoas se esquecem de dar atenção para a alimentação, e acabam dando ênfase ao suplemento achando que ele vai resolver todos os problemas, e essa pessoa no final acaba saindo frustrada com seus objetivos de melhoria do perfil físico, e isso não é tão incomum quanto parece.

 

Tudo parte da alimentação, e se uma determinada pessoa consegue suprir totalmente a demanda de todos os nutrientes que ela necessita para obter a melhoria do perfil físico vindo apenas da alimentação, podemos dizer que neste caso os suplementos são dispensáveis.

 

Agora existem casos mais específicos, em que algumas pessoas podem ter uma demanda maior de algum nutriente, aí sim uma suplementação seria indicada, mas podemos dizer que é muito difícil um iniciante que se alimenta de forma adequada ter uma demanda maior de algum nutriente que faça com que ele precise necessariamente usar algum suplemento.

 

Vamos exemplificar com alguns suplementos mais conhecidos.

 

Whey Protein:

 

A proteína é formada por aminoácidos, e esses aminoácidos divididos entre aminoácidos essenciais e não essenciais, os aminoácidos que nós não podemos sintetizar são conhecidos como aminoácidos essenciais e são requeridos na dieta[9], daí surge uma classificação da proteína, na qual a proteína que tem uma maior quantidade de aminoácidos essenciais é tida como uma proteína de alto valor biológico[8].

 

O whey protein pode ser considerado uma proteína de alto valor biológico[10], o que faz com que seu uso pelos praticantes de musculação seja interessante, e isso quando a demanda por maiores quantidades de proteína de alto valor biológico de uma determinada pessoa for grande. Neste caso, o aumento do aporte proteico ingerido suplementando whey protein é algo que se torna muito interessante.

 

Mas será que apenas isso serviria para justificar uma febre no uso de whey protein por parte dos jovens iniciantes na musculação, será que a demanda deles de uma proteína de alto valor biológico se torna tão grande a ponto de justificar uma "dependência" de whey protein como vemos comumente?

 

Além do mais, teria outro fator, e apesar de existir uma crença popular entre os atletas de que a ingestão de proteína adicional aumentaria a força e melhoraria o desempenho, algumas pesquisas não apoiam esta teoria. Se observa que a quantidade de proteína necessária para o desenvolvimento muscular durante o treinamento é facilmente obtida por uma alimentação balanceada e regular na maioria dos casos[14].

 

BCAA:

 

Aproveitando as citações acima sobre o whey protein que explica sobre os aminoácidos essenciais, o BCAA é o conjunto de 3 aminoácidos essenciais, valina, leucina e isoleucina[11], que possuem a sua importância para o praticante de musculação.

 

Mas seria a demanda de valina, leucina e isoleucina tão grande em todos os praticantes de musculação que todos eles necessitariam de suplementação de BCAA?

 

Se considerarmos que em uma boa alimentação já existem quantidades de BCAA, e de que a demanda por valina, leucina e isoleucina não é igual em todos os praticantes, podemos supor que nem todos iriam obrigatoriamente ter que ingerir suplementação de BCAA para obter benefícios e resultados.

 

Principalmente aqueles que se já utilizam o whey protein, pois é conhecido o alto teor de valina, leucina e isoleucina (BCAA) que o whey protein já contém[12,13].

 

Podem haver casos em que a suplementação de BCAA através de mais estudos seja provada e bem explicada justificando seu uso no caso de pessoas que tenham a demanda aumentada por esses 3 aminoácidos, mas isso não pode se traduzir na afirmação que vemos em certos casos no qual iniciantes se tornam "dependentes" do uso do BCAA achando que ele é a solução dos seus problemas.

 

Hipercalórico:

 

É fato já comentado por muitos, que uma pessoa muito abaixo do peso que visa a necessidade de aumento no seu volume muscular com treinos de musculação, não pode se dar ao luxo de ter uma baixa ingestão calórica na sua dieta.

 

Neste caso em muitas oportunidades acaba entrando o hipercalórico, e o uso desse suplemento é mais indicado para o praticante que tem extrema dificuldade de se alimentar corretamente, e que não esteja acima do peso[15].

 

Realmente quando a necessidade calórica do praticante de musculação acaba sendo alta, e esse praticante não consegue obter essas calorias da dieta por ter algum impedimento, o hipercalórico acaba se tornando uma boa saída, mas sempre antes de se pensar em utilizar um hipercalórico, a pessoa deve primeiramente verificar se não consegue obter as calorias necessárias vinda apenas da dieta, e se esforçar para acertar sua alimentação, e aí caso persistindo a carência calórica da dieta, fazer uso de um hipercalórico pode ser uma boa saída.

 

Maltodextrina:

 

A maltodextrina nada mais é do que uma forma de carboidrato, e o carboidrato na forma de glicose e glicogênio, é o principal combustível utilizado pelo corpo durante os treinos de força, portanto é muito importante que suas reservas de carboidrato estejam sempre em alta antes de iniciar seus treinos[16].

 

Algo que se criou ao longo do tempo sobre a maltodextrina, é o comentado fato de que poderia existir uma pequena "janela de oportunidade" logo após o treino para se refazer as reservas de energia gastas com a musculação, "janela de oportunidades" essa, que se fecharia rapidamente no período após o treino, e que a pessoa precisaria se aproveitar rápido disso fazendo uso então de maltodextrina imediatamente após o treino.

 

Atualmente, não se acredita tanto nessa rápida "janela de oportunidades" imediatamente após o treino, mas se comenta que de certa forma, é mesmo importante começar a repor as energias gastas com a musculação logo após o treino, mas que as 2 primeiras horas logo após o treino são boas para essa reposição, e não apenas imediatamente, e que a completa reposição das energias gastas com o treino, está também sujeita a toda rotina de alimentação que a pessoa faz ao longo do dia, e para se ter a plena recuperação das energias gastas com o treino, as refeições frequentes ao longo do dia também são de suma importância[16].

 

Portanto, isso pode vir a descartar a "maltodependência" que muitas pessoas adquiriram ao longo dos anos, em que elas não se veem de forma alguma treinando sem levar consigo para a academia sua "garrafinha" com maltodextrina para uso imediatamente pós treino.

 

Achamos importante colocar esses fatos, não porque somos contra o uso de suplementos, mas somos contra a "dependência" que muitas pessoas adquiriram com relação aos suplementos, e muitos casos desses de dependência, são de pessoas que nem se alimentam de forma correta, e acham que o suplemento irá corrigir, ou até contam com eles para substituir algumas refeições ao longo do dia.

 

O ideal é ter toda sua rotina de alimentação e suplementação bem encaixada, e para isso, não hesite em procurar a ajuda de um bom nutricionista para poder auxilia-lo na montagem da sua dieta e suplementação diária.

 

Referências:

 

1 - Saba FKF. Determinantes da prática de exercício físico em academias de ginástica [Tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1999.

 

2 - Stricker PR. Sports training issues for the pediatric athlete. Petriatr Clin N Am 2002;49:793-802.

 

3 - Hirschbruch, MD. Consumo de suplementos por jovens freqüentadores de academias de ginástica em São Paulo [Tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2003.

 

4 - Stephens MB, Olsen C. Ergogenic supplements and health risk behaviours. J Fam Pract 2001;50:696-9.

 

5 - Middleman AB, Vazquez I, Durant RH. Eating patterns, physical activity, and attempts to change weight among adolescents. J Adolesc Health 1998;22:22-37.

 

6 - Neumark-Sztainer D, Story M, Falkner NH, Beuhring T, Resnick MD. Sociodemographic and personal characteristics of adolescents engaged in weight loss and weight/muscle gain behaviours: who is doing what? Prev Med 1999;28:40-50.

 

7 - Vieira VCR, Priore SE, Fisberg M. A atividade física na adolescência. Adolesc Latinoam 2002;3.

 

8 - Soja Qualidade de Vida e Saúde com Prazer e Sabor, Mario Bouyssounade Rivas, 2006.

 

9 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

10 - Dieta com Whey Protein, Georgia Bachi, 2013.

 

11 - Bioquímica: Libro de Texto con Aplicaciones Clínicas, Thomas M. Devlin, 2004.

 

12 - Marshall, K. Therapeutic Applications of Whey Protein. Alternative Medicine Review, vol.9, n, 02, 2004.

 

13 - Sgarbieri, V.C. Propriedades fisiológicas-funcionais das proteínas do soro do leite. Rev. Nutr., Campinas, 17(4):379-409, out./dez., 2004.

 

14 - Mahan LK, Escott-Stump S. Alimentos, Nutrição & Dietoterapia. São Paulo: Roca, 2005.

 

15 - Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta & Superação, Leandro Paiva, 2009.

 

16 - Guia Completo de Treinamento de Força, Anita Bean, 1999.

 



 

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