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SHBG e a Testosterona Livre

 

  • SHBG e a Testosterona Livre

Marcelo Calazans

Elaborado em 02/09/2016

 

RUSSI, MC. Entendendo o SHBG e a Testosterona livre. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016.

 

Testosterona livre e Testosterona total, são dois termos que as pessoas que já tiveram a curiosidade de olhar um exame laboratorial pedido por um médico, podem já ter visto.

 

Isso é uma coisa que de certa forma, está ligada ao fisiculturismo e à musculação, e é neste ponto que vamos nos concentrar nessa matéria de agora.

 

A Testosterona produzida naturalmente pelo nosso corpo, bem como os medicamentos e muitas das substâncias que ingerimos, encontram-se na nossa corrente sanguínea de duas formas distintas:

 

- Na forma livre, que é a forma da substância que estaria agindo no nosso corpo;

 

- Na forma ligada a alguma proteína plasmática, que é uma forma da substância que se encontra temporariamente inativa sem ação nenhuma no nosso corpo.

 

Com a Testosterona acontece da mesma forma, e apenas a Testosterona que naquele momento se encontra na forma livre, é a Testosterona que estaria cumprindo suas tarefas bioquímicas no corpo.

 

Existe uma infinidade de proteínas no plasma, e a mais importante quantitativamente e mais abundante é a albumina[1].

 

Mas existe também no caso da Testosterona, uma proteína plasmática que é mais específica para seu caso, pois a Testosterona tem uma afinidade de ligação maior à ela, que é a proteína plasmática SHBG[2].

 

A parte da Testosterona que não está na forma livre, se encontra ligada a albumina e a SHBG[2].

 

A Testosterona tem uma afinidade cerca de 1000 vezes maior com a SHBG se comparada com a albumina, mas em contrapartida, a albumina se encontra em quantidades cerca de 1000 vezes maior no plasma sanguíneo do que a SHBG, portanto, a concentração de Testosterona ligada com a albumina e ligada com a SHBG se equivalem, e a proporção seria de 45% ligada a SHBG e de 53% ligada a albumina[2].

 

Sobram então 2%, que é a quantidade de Testosterona que se encontra na forma livre agindo e cumprindo sua ação biológica no corpo do homem.

 

No corpo da mulher, o percentual de Testosterona livre é de cerca de 1%[2].

 

Mas detalhes sobre a ação biológica da Testosterona no nosso corpo, pode ser lido em uma outra matéria nossa aqui do site abaixo:

 

Entendendo a Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

Agora entra talvez a parte que acaba sendo relevante ao fisiculturismo e ao praticante de musculação:

 

Como já dissemos acima, a parte da Testosterona que se encontra na forma livre é a parte da Testosterona que estaria cumprindo suas funções biológicas no corpo[2], como por exemplo, o aumento do balanço nitrogenado, que pode resultar no tão cobiçado ganho muscular[3].

 

Partindo então desse ponto, logo nos vem à cabeça de que quanto maior a quantidade de Testosterona livre, maior poderia ser o benefício da ação da Testosterona no corpo, o que teoricamente pode ser tido como verdade.

 

Ai então que entra a parte interessante, pois podemos de certa forma manipular a SHBG, e ao manipula-la, podemos como consequência disso, manipular também a quantidade de Testosterona livre.

 

Uma forma bem comum e bastante citada, é sobre um fenômeno que acontece com o estanozolol.

 

Isso do estanozolol se tornou famoso graças a um estudo[4] realizado na Alemanha em 1989, que analisou o uso do estanozolol oral, no qual após 3 dias de administração de uma dose diária de 2 mg por quilo corpóreo em indivíduos saudáveis, a SHBG foi reduzida em cerca de 50%.

 

Essa redução da SHBG neste caso, poderia teoricamente estar disponibilizando no corpo dessa pessoa uma maior quantidade de Testosterona livre agindo ativamente.

 

Uma curiosidade sobre isso, é o que muito se comenta que essa pode ser a origem dos problemas grandes de colaterais femininos com o uso do estanozolol, que já foi discutido aqui em uma outra postagem do nosso site, e que pode ser lida abaixo:

 

Estanozolol e as Mulheres

 

Estanozolol e as Mulheres

 

Embora nesse estudo não tenha sido realizado testes com o estanozolol injetável, a forma de administração pode ter sido importante para a obtenção do resultado, pois como a SHBG é produzida no fígado, presume-se que o resultado com a versão injetável pode não ser o mesmo[2], pois apesar das duas formas do estanozolol, oral e injetável serem um 17aa, a forma oral sobre a ação do metabolismo de primeira passagem pelo fígado, que pode ser explicado melhor, caso desejem, em uma outra postagem nossa aqui do site abaixo:

 

Anabolizantes e a saúde do seu fígado

 

Anabolizantes e a saúde do seu fígado

 

Portanto, não podemos afirmar que acontece o mesmo com o estanozolol injetável.

 

No caso do estanozolol, mostramos que pode teoricamente ser possível aumentar a quantidade de Testosterona livre através da diminuição na concentração da SHBG, mas não é apenas essa forma de manipulação na SHBG que poderia aumentar a Testosterona livre.

 

Uma outra forma de se obter isso, é saturar a SHBG, e pode-se fazer isso teoricamente usando uma substância que tenha extrema afinidade pela SHBG, afinidade essa maior do que a própria Testosterona, e desta forma essa substância se ligaria de forma mais extensa com a SHBG, deixando menos SHBG para a Testosterona se ligar, sobrando assim então mais Testosterona livre.

 

Esse efeito é citado que pode ser possível com o Proviron, Turinabol oral e o próprio DHT (dihidroTestosterona)[2]. Vemos isso mais comumente citado relacionado ao Proviron, e essa é uma de suas características, e pode ter vindo daí a sua fama "lendária" que no mundo do culturismo se credita ao Proviron, dizendo que ele teria a capacidade de aumentar a libido.

 

Por isso se torna interessante para as pessoas que gostam de aprender sobre o fisiculturismo e musculação terem em mente esses conceitos.

 

Referências:

 

1 - Química Clínica, William J. Marshall, Stephen K. Bangert, Márta Lapsley, 2013.

 

2 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

3 - Bases do Treinamento de Força para Homens e Mulheres,Thomas D. Fahey, 2014.

 

4 - Sex Hormone-Binding Globulin Response to the Anabolic Steroid Stanozolol: Evidence for Its Suitability as a Biological Androgen Sensitivity Test. J Clin Endocrinol Metab 68:1195, 1989.

 



 

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