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O Exagero no consumo de Proteína

 

  • Exagero no consumo de Proteína

Marcelo Calazans

Elaborado em 21/03/2017

 

RUSSI, MC. O exagero no consumo de proteína. Matérias Musculação, São paulo, mar. 2017.

 

A ideia que uma ingestão mais elevada de nutrientes possa vir a favorecer o crescimento muscular, não é nova.

 

Na Grécia antiga já havia essa tendência de pensamento. O célebre atleta grego Mílon de Crotona (500 a 580 a.C.), já se preocupava com isso. Diz a lenda que ele ingeria com a finalidade de suplementar sua dieta diária, cerca de 9 Kg de carne e sua dieta diária totalizava cerca de 57 mil kcal[1].

 

Mas em tempos modernos, repleto de pesquisas e estudos, nós temos a condição de analisar melhor as considerações sobre as altas doses de nutrientes no favorecimento do crescimento muscular, principalmente no caso da tão superestimada Proteína.

 

São muitos os fatores que acabam por gerenciar o crescimento muscular e a síntese proteica, e a presença ou não de Proteína, é apenas um deles.

 

O crescimento muscular é algo muito complexo, que se inicia no ato do treino, pois quando treinamos e obrigamos que nossos músculos realizem um trabalho superior àquele que ele estaria dimensionado a realizar, a perturbação que o exercício traz ao músculo na hora do treinamento, desencadeia uma resposta do corpo ao estresse celular causado na musculatura, que faz o corpo reagir com a formação e liberação de vários mensageiros químicos em resposta ao estresse[2,3], que servirão posteriormente de controle para o desenvolvimento dessa musculatura.

 

Uma ação ligada ao ácido araquidônico então acontece neste momento do treino, e sinalizadores químicos incluindo prostaciclinas, citocinas, leucotrienos e prostaglandinas serão formados[3].

 

Esses sinalizadores químicos têm como uma de suas funções, estimular e ativar as células satélite a formar novos mioblastos (células percursoras de fibras musculares), que posteriormente irão se fundir com as células musculares danificadas durante o treinamento, e isso posteriormente permitirá maior síntese de proteínas e maior expansão no aumento da célula[2].

 

Perceba que são vários os passos que precisam acontecer até se chegar à síntese proteica de fato, e vários são os mecanismos que o nosso corpo usa para controlar a síntese proteica e o crescimento muscular, e isso nos leva ao entendimento, de que a síntese proteica não é proporcional à quantidade de Proteína ingerida para o caso das pessoas que ingerem Proteína além do necessário para seu caso em específico, pois o corpo utiliza de outros mecanismos para controlar a síntese proteica.

 

No corpo de todos nós, sedentários ou praticantes de atividade física, a síntese proteica acontece e é um importante processo que garante a manutenção da vida, portanto, todos nós sedentários ou praticantes de atividade física, precisamos ingerir diariamente uma quantidade de Proteína que propicie ao corpo executar todas as tarefas, inclusive a de crescimento muscular nos praticantes de musculação.

 

Portanto, é correto pensar que praticantes de atividades físicas teriam uma necessidade maior de Proteína se comparados aos sedentários[4]. Mas quanto seria essa quantidade?

 

Muitas vezes a quantidade de Proteína a ser ingerida por um praticante de musculação acaba sendo superestimada, e isso mobilizado pelo forte apelo no uso de suplementos alimentares.

 

Pessoas sedentárias (que não praticam atividades físicas), tem uma estimativa de consumo de Proteína diária de 0,8 gramas de Proteína para cada quilo corpóreo[5].

 

Já com relação aos praticantes de atividades físicas, encontraremos inúmeras recomendações sobre a ingestão de Proteína, e uma comum de se achar é a de 1 a 2 gramas diárias para cada quilo corpóreo[6].

 

No caso mais específico dos praticantes de musculação, vamos citar um estudo[7] obtido por análise de isótopos estáveis no metabolismo proteico.

 

Este estudo foi realizado com indivíduos jovens do sexo masculino entre 18 e 35 anos, praticantes de musculação há no mínimo dois anos e não usuários de esteroides anabolizantes.

 

Foram testadas as seguintes dosagens:

 

• 0,88 gramas de Proteína por quilo corpóreo por dia (0,88g/kg/dia);

 

• 1,5 gramas de Proteína por quilo corpóreo por dia (1,5g/kg/dia);

 

• 2,5 gramas de Proteína por quilo corpóreo por dia (2,5g/kg/dia).

 

Ficou determinado por este estudo, que o ideal para esses atletas foi uma dose maior do que aquela de 0,88g/kg/dia considerada usualmente para pessoas sedentárias.

 

Ficou também determinado que a elevação da dose proteica de 1,5g/kg/dia para 2,5g/kg/dia, não trouxe benefício adicional quanto ao ganho muscular, ficando assim definido que para o caso dos praticantes de musculação examinados no estudo, a dose de Proteína recomendável é uma dose superior a 0,88g/kg/dia e inferior a 2,5g/kg/dia.

 

Isso ilustra o que já havíamos dito acima, que o nosso corpo usa diversos mecanismos para controlar a síntese proteica, e a síntese proteica não é proporcional à quantidade de Proteína ingerida para o caso das pessoas que ingerem Proteína além do necessário para seu caso em específico.

 

Mas alguém ainda pode pensar, que por treinar há muito tempo, e por ter anseios maiores na musculação se comparado aos jovens do estudo mostrado que treinavam há apenas 2 anos, que precisaria então de maiores quantidades de Proteína.

 

Alguns estudos[8] sugerem que o treinamento de força consistente com um estímulo anabólico que leva a síntese proteica, acaba por aumentar a eficiência no uso da Proteína, reduzindo a necessidade de Proteína na dieta.

 

É esse o tipo de pensamento que nos leva a crer, que mesmo os praticantes de musculação mais avançados, não precisarão de exorbitantes 4 gramas de Proteína por quilo corpóreo por dia, como comentam e sugerem alguns.

 

Mas o que acontece então com a Proteína que ingerimos a mais e que não foi usada para a construção muscular?

 

Quando uma pessoa ingere mais Proteína do que necessita, pode acarretar que o excesso será convertido e armazenado em forma de gordura, e o excedente de nitrogênio oriundo do excesso, será excretado pela urina[9,10].

 

A Proteína, portanto, que foi ingerida a mais e acumulada em forma de gordura ou até mesmo utilizada como fonte de energia, vai passar por um processo chamado desaminação, que é um processo pelo qual o aminoácido libera o seu grupo amina na forma de amônia[11].

 

Só que devemos considerar que a amônia tem uma toxidade elevada para o SNC (sistema nervoso central), portanto o fígado, tem uma ação primordial neste caso, pois ele é o responsável por transformar essa amônia em ureia, para que depois essa ureia possa ser excretada pelos rins[12], o que pode nos levar a pensar neste caso, em uma sobrecarga dos rins e do fígado nos casos de ingestão de Proteína além do necessário[11].

 

Portanto, isso descredencia o forte modismo do mundo do culturismo e da musculação, em que alguns simplesmente se veem habituados de tal forma aos suplementos proteicos, quase beirando uma situação de dependência desses suplementos.

 

No caso das pessoas que necessitam de um aporte proteico maior na dieta, e que não podem por algum motivo obtê-lo apenas com a alimentação diária, ou no caso de pessoas que necessitam de uma suplementação de Proteína com maior valor biológico (no caso do whey protein), os suplementos podem sim ajudar, desde que o habito de usa-los não se torne uma dependência.

 

A melhor forma de decidir sobre isso, é procurando a ajuda de um bom nutricionista de sua confiança para esclarecer melhor todos esses pontos, pois esse profissional poderá com certeza ajudá-lo a se decidir.

 

Referências:

 

1 - Pulcinelli, Adauto João, História e evolução da musculação. Brasília, 2009 [link] acessado em 21/03/2017.

 

2 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

3 - Initial events in exercise-induced muscular injury. Med Sci Sports Exerc 22(4), 1990.

 

4 - Lemon PWR, MacDougall JD, Tarnopolsky MA, Atkinson SA. Effect of dietary of dietary protein and body building exercise on muscle mass and strength gains. Can J Sports Sci 1990.

 

5 - Nutrição, Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003.

 

6 - Lemon, P.W.R.. Nutrition Reviews. Vol 54, n°4, 1996.

 

7 - Maesta, Nailza et al . Efeito da oferta dietética de proteína sobre o ganho muscular, balanço nitrogenado e cinética da 15N-glicina de atletas em treinamento de musculação. Rev Bras Med Esporte, Niterói ,v.14, n.3, p.215-220, June 2008 [link] acessado em 21/03/2017.

 

8 - Phillips SM, Protein requirements and supplementation in strength sports, 2004.

 

9 - Marangon, A F. C.; Welker, A F. "Otimizando a perda de gordura corporal durante os exercícios". In: Universitas – Ciências da Saúde. Vol. 1, n. 2, 2003.

 

10 - Marzzoco, A., Torres, B. B. Bioquímica Básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 1990.

 

11 - Russi, MC. Tudo sobre a Proteína. Matérias Musculação, São paulo, out. 2016 [link] acessado em 21/03/2017.

 

12 - Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica: Avaliação e Assistência dos Problemas Clínicos - Sharon L. Lewis, Margaret M. Heitkemper, Shannon Ruff Dirksen, Linda Bucher, 2013.

 



 

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