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A Prolactina e a Cabergolina na Musculação

 

  • prolactina cabergolina

Marcelo Calazans

Elaborado em 16/06/2014 - atualizado em 21/03/2019

 

Vemos muitos comentários sobre problemas relacionados com a Prolactina no fisiculturismo e na musculação, é comum vermos também, algo que empiricamente se batizou de "ginecomastia por prolactina". Devemos ainda lembrar, que existem referências que apontam que altas doses de Prolactina podem inibir o eixo HPTA, o que torna esse assunto interessante para as pessoas que buscam informação sobre TPC (terapia pós-ciclo).

 

Sugerimos aos nossos leitores, que acompanhem também posteriormente, a nossa matéria que fala sobre a TPC (terapia pós-ciclo), para que fique mais fácil entender essa relação entre Prolactina e TPC:

 

Manual da TPC Masculina

 

Manual da TPC Masculina

 

Primeiramente, vamos analisar o que as pessoas comentam, sobre os mecanismos envolvidos no aumento da Prolactina em ciclos de esteroides anabolizantes.

 

Existe muita discussão sobre o mecanismo de ação que envolve o aumento da Prolactina por usuários de esteroides anabolizantes, e algumas pessoas insistem em afirmar, que alguns anabolizantes com acentuado efeito progestênico, como a nandrolona e a trembolona, poderia ser a causa do aumento nos níveis de Prolactina.

 

Mas o que temos relacionando a Prolactina com a ação progestênica em algumas literaturas[2,3,4,5], é a capacidade da progesterona em antagonizar com a Prolactina, portanto, não há bases concretas ainda, para se afirmar que o efeito progestênico da nandrolona e da trembolona, seriam responsáveis por aumentos de Prolactina, embora, alguns empiricamente afirmem que isso acontece.

 

Segundo algumas referências, a chave para o aumento da Prolactina nos homens usuários de esteroides anabolizantes, seria ainda o aumento do estrogênio[6,7,8].

 

Algumas pessoas utilizam um conhecido estudo[12], que mostra o potencial que o decanoato de nandrolona em doses acima das doses clínicas, pôde atingir. Verificou-se neste estudo, que o decanoato de nandrolona demonstrou afetar a expressão dos transcritos de genes dos receptores dopaminérgicos.

 

Desta forma, algumas pessoas associam esse efeito causado pela nandrolona neste estudo, com seu efeito progestênico, e creditam a mesma propriedade à trembolona, citando com isso que ambas, nandrolona e trembolona, por afetarem receptores dopaminérgicos, teriam a capacidade de aumentar as concentrações de Prolactina.

 

A citação que aponta que os esteroides anabolizantes em um sentido geral alteram a ação da serotonina[13] e da dopamina[14], já é conhecida há bastante tempo, e isso não ocorre apenas com a nandrolona e a trembolona, e esse fato ocorre também, por exemplo, com o estanozolol[14]. Portanto, nada de concreto citado neste estudo[12], explica o aumento da Prolactina que observamos em alguns relatos de uso de trembolona, e a explicação disso, ainda carece de maiores estudos e esclarecimentos.

 

Mas considerando a ação progestênica da nandrolona e da trembolona[17], um fato que não podemos deixar de comentar sobre a Prolactina, é que a progesterona é considerada um neuroesteroide[15], e já existem estudos que apontam que a progesterona pode ter uma modulação dopaminérgica, e desta forma, ela poderia estar afetando as concentrações de Prolactina[16].

 

Isso pode servir de alento, para talvez podermos explicar a relação da trembolona, com os possíveis aumentos na Prolactina que vemos relatados no mundo do culturismo.

 

Achar estudos científicos concretos e bem referenciados, que apontem uma relação direta entre a trembolona e os aumentos de Prolactina, é incomum. O que podemos citar, é um estudo[20] que comenta sobre o aumento da Prolactina em usuários que abusaram no uso de esteroides anabolizantes em um sentido geral.

 

Vamos agora analisar, a possibilidade da Prolactina causar o que se batizou por "ginecomastia por prolactina".

 

Naturalmente no corpo do homem, segundo algumas literaturas, algumas disfunções hormonais que podem aumentar a Prolactina, como o hipotireoidismo grave, podem estar associadas à ginecomastia[1], mas não é bem clara e compreendida a ação direta da Prolactina no aumento da glândula mamária no homem, causando uma ginecomastia, assim como acontece com a ação do estrogênio.

 

Alguns estudos afirmam que a Prolactina não influencia diretamente no aparecimento da ginecomastia[18,21], mas em contrapartida, algumas literaturas[19], colocam que um dos sintomas da hiperprolactinemia, que se caracteriza como excesso na produção de Prolactina, pode ser a ginecomastia.

 

Com relação ao problema da Prolactina inibir o eixo HPTA, podendo diminuir a produção natural de testosterona, esse problema é bem comentado e bastante referenciado em muitas literaturas.

 

Quantidades altas de Prolactina, podem inibir a produção de LH e FSH pela hipófise[9], isso faz com que haja uma diminuição na produção de testosterona pelos testículos. Podemos dizer com isso, que homens que possuem doses elevadas de Prolactina, podem ter problemas na produção de testosterona.

 

Existe uma forma de baixar a Prolactina em um homem através de medicação, e para termos uma diminuição dos níveis de Prolactina, podemos ter a mão a cabergolina, que é vendida no Brasil com o nome de Dostinex®, que age como agonista dos receptores D2 de dopamina[10], e é muito eficiente no que se trata de diminuição da Prolactina. Outras fontes até apontam que em alguns casos, a regularização do estrogênio, poderia também de certa forma, contribuir com a diminuição dos níveis de Prolactina[11].

 

Mas evite a automedicação, e antes de partir para qualquer ação medicamentosa com a cabergolina para diminuir a Prolactina, deve-se fazer um exame para ver em que grau estaria o problema, e ver se isso realmente aconteceu.

 

O mais indicado é um médico ser consultado para essa finalidade, pois é bem comum vermos pessoas que estão fazendo um ciclo de trembolona, por exemplo, já quererem usar a cabergolina ("só porque ouviu alguém falar que era bom"), sem nem saber se está ou não, com a Prolactina aumentada.

 

Referências:

 

1 - Rotinas em Endocrinologia, Sandra Pinho Silveiro, Fabíola Satler, 2015.

 

2 - Fisiologia Médica, por Hershel Raff,Michael G. Levitzky, 2012.

 

3 - Fisiologia Endócrina - 4.ed. Patricia E. Molina AMGH Editora, 2014.

 

4 - ENADE Comentado 2007: Nutrição EDIPUCRS - pag 21.

 

5 - Corpo Humano : Fundamentos de anatomia e fisiologia - 8ed -Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson Artmed Editora, 2012 - pag 615.

 

6 - Effects of estrogen on the release of gonadotropins and prolactin in male pseudohermaphrodites. Barbarino A, De Darinis L et al. J endocrinol Invest. 1979 Jan-Mar;2(1):41-4.

 

7 - Estrogen-dependent plasma prolactin response to gonadotropin-releasing hormone in intact and castrated men. Barbarino A, De Marinis L. et al. J Clin Endocrinol Metab. 1982 Dec;55(6):1212-6.

 

8 - Effects of progesterone administration on follicle-stimulating hormone and prolactin release in estrogen treated eugonadal adult men. Mancini A, De Marinis.

 

9 - Sauder SE, Frager M, Case GD, Kelch RP, Marshall JC, Abnormal patterns of pulsatile luteinizing hormone secretion in women with hyperprolactinermia and amenorrhea: Responses to bromocriptine, J Clin Endocrinol Metab 59:941, 1984.

 

10 - Endocrinologia de Harrison, J. Larry Jameson, 2014.

 

11 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition, 2011.

 

12 - Kindlundh AM, Lindblom J, Nyberg F., Chronic administration with nandrolone decanoate induces alterations in the gene-transcript content of dopamine D(1)- and D(2)-receptors in the rat brain., Brain Res. 2003 Jul 25;979(1-2):37-42. [link] acessado em 21/03/2019.

 

13 - Daly RC, Su T, Schmidt PJ, Pickar D, Murphy DL, Rubinow DR. Cerebrospinal fluid and behavior changes after methyltestosterone administration: preliminary findings. Arch Gen Psychiatry 2001.

 

14 - Tucci P, Morgese MG, Colaianna M, Zotti M, Schiavone S, Cuomo V, et al. Neurochemical consequence of steroid abuse: stanozolol-induced monoaminergic changes., Steroids. 2012 Feb;77(3):269-75. [link] acessado em 21/03/2019.

 

15 - Compêndio de Psiquiatria - 11ed: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica - Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock, Pedro Ruiz, 2016.

 

16 - Lonstein JS, Blaustein JD., Immunocytochemical investigation of nuclear progestin receptor expression within dopaminergic neurones of the female rat brain, J Neuroendocrinol. 2004 Jun;16(6):534-43.

 

17 - Russi, MC. Perfil do esteroide anabolizante trembolona. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016 [link] acessado em 10/05/2018.

 

18 - Kumanov F., Prolactin secretion and gynecomastia., Vutr Boles. 1983;22(6):103-10. [link] acessado em 21/03/2019.

 

19 - Urologia geral de Smith e Tanagho, Jack W. McAninch, Tom F. Lue, 2014.

 

20 - Yu, Ji-Guo et al. “Effects of long term supplementation of anabolic androgen steroids on human skeletal muscle” PloS one vol. 9,9 e105330. 10 Sep. 2014. [link] acessado em 21/03/2019.

 

21 - Niewoehner, Catherine B and Anna E Schorer. “Gynaecomastia and breast cancer in men” BMJ (Clinical research ed.) vol. 336,7646 (2008): 709-13. [link] acessado em 21/03/2019.

 

Fonte da minha postagem original

 



 

química