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Óleo de Coco, Emagrecimento, Colesterol e Gordura Saturada

 

  • Óleo de Coco

Marcelo Calazans

Elaborado em 10/11/2016

 

RUSSI, MC. Óleo de coco, emagrecimento, colesterol e gordura saturada. Matérias Musculação, São paulo, nov. 2016.

 

Quando tratamos da saúde, bem-estar, estética física e obesidade, tratamos de assuntos com um alto grau de conceitos até "míticos", e vamos aqui tentar esclarece-los da melhor forma possível.

 

Vamos iniciar quebrando o mito no qual se comenta que o colesterol é apenas uma coisa ruim.

 

Veremos onde nosso corpo diariamente é dependente do colesterol, e que nós nem sabíamos.

 

Primeiramente, devemos falar que o colesterol serve de matéria-prima para a construção de inúmeras substâncias no nosso corpo.

 

Observem na imagem abaixo as substâncias que são derivadas do colesterol:

 

Síntese Colesterol

 

Acima na imagem temos alguns esteroides sintetizados a partir do colesterol[1,2], e podemos citar um tipo de esteroide, que são os esteroides anabólicos androgênicos (EAA), cujo o qual a testosterona que nosso corpo produz naturalmente, faz parte[3].

 

Portanto, sem colesterol não haveria testosterona e estrogênio, e sem testosterona e estrogênio não haveria reprodução, portanto, o colesterol cumpre importante função neste aspecto.

 

Na verdade, nós devemos muito ao colesterol.

 

O colesterol é basicamente um lipídio (gordura), e ele se torna importante para outras coisas no nosso corpo, além da sua já comentada acima, função de servir como matéria-prima na produção dos esteroides.

 

Podemos citar a sua importância também na formação da vitamina D, na qual através da ação dos raios ultravioletas do sol no tecido subcutâneo, acaba-se produzindo a vitamina D em um processo em que o colesterol é a chave[2].

 

Outra participação importante que o colesterol tem, é na formação da membrana celular de um grande número de células do nosso corpo. Podemos citar os hepatócitos (células encontradas no fígado) e em maior escala nos eritrócitos (glóbulos vermelhos do sangue)[4].

 

Agora já podemos compreender que o colesterol não é apenas uma coisa ruim.

 

Para que o colesterol chegue a todas as partes do nosso corpo, e que possa assim cumprir suas funções no organismo, ele tem de ser transportado, e essa função de transporte do colesterol fica a cargo das lipoproteínas[5].

 

É difícil achar alguém que nunca tenha ouvido falar em "colesterol bom" e "colesterol ruim", que é um modo bem popular de se expressar, e confesso que já ouvi isso sendo dito até por profissionais da área de saúde, e costumam colocar que o HDL é o "colesterol bom", e o LDL é o "colesterol ruim".

 

Mas na verdade não seria bem isso. O HDL e o LDL são na verdade lipoproteínas responsáveis por transportar o colesterol pelo sangue[5], para que ele possa chegar aos locais do corpo em que será necessária a sua utilização.

 

As lipoproteínas HDL e LDL são compostas por fosfolipídios, triglicerídeos, colesterol e proteína.

 

Mas só que as concentrações de cada elemento (fosfolipídios, triglicerídeos, colesterol e proteína) mudam em cada uma das lipoproteínas HDL e LDL, como pode ser visto na imagem abaixo:

 

HDH e LDL

 

Mas não basta sabermos apenas que o LDL carrega uma quantidade de colesterol maior do que o HDL, para classificarmos o LDL como ruim.

 

Entender a aterogênese também é importante, e ela é um processo que age na formação de lesões ateromatosas, que são lesões fibrogordurosas no revestimento das artérias, que colabora como agravante no processo de retenção do colesterol oxidado no interior das artérias formando placas.

 

Alguns estímulos estão cotados para desencadear lesões ateromatosas, como a hipertensão, hiperlipidemia (nível elevado de gordura/colesterol no sangue), toxinas oriundas da fumaça do cigarro entre outros[6].

 

O LDL também está ligado à aterogênese, pois ele está envolvido como fator agravante no aumento do processo da aterogênese[7].

 

São esses os fatos que acabaram dando ao LDL o apelido de "colesterol ruim".

 

Direcionando agora nossa atenção para o Óleo de coco, podemos dizer para a surpresa de alguns, que o Óleo de coco (coco nucifera) é na verdade uma gordura saturada, o que pode causar espanto em alguns, pois as pessoas geralmente associam gordura saturada com "coisas ruins".

 

A gordura saturada é determinada pela consistência que ela atinge em temperatura ambiente, e quanto mais dura a gordura ficar em temperatura ambiente, maior será seu grau de saturação.

 

A American Heart Association[8] recomendava em 2006, que a ingestão de gordura saturada deveria estar presente na dieta em um nível menor que 7%, devido aos riscos que geralmente são citados sobre a ingestão da gordura saturada.

 

Para entendermos agora melhor os benefícios do Óleo de coco, vamos ter que entender um pouco sobre ácidos graxos.

 

Ácidos graxos podem ser classificados como saturados e insaturados[9].

 

Mas devemos observar que os ácidos graxos saturados podem ser divididos em dois grupos, os AGCM - ácidos graxos de cadeia média (entre 6 e 12 carbonos) e os AGCL - ácidos graxos de cadeia longa (entre 14 a 22 carbonos)[9].

 

Abaixo temos uma tabela com alguns ácidos graxos e sua classificação:

 

ComposiçãoÁcido Graxo
C20:0Ácido araquídico
C18:0Ácido esteárico
C16:0Ácido palmítico
C14:0Ácido mirístico
C12:0Ácido láurico
C10:0Ácido cáprico
C8:0Ácido caprílico

 

Já existem estudos[10] que classificam os ácidos graxos saturados de cadeia média (AGCM), como não sendo tóxicos aos seres humanos, e até uma determinada quantidade, são seguros de serem consumidos.

 

Atualmente veremos pessoas e citações de outros autores, que não colocam mais como ruim a gordura saturada, como era conhecida até pouco tempo atrás, e até tratada como "venenosa".

 

Alguns chegam a associar a má fama errada que a gordura saturada adquiriu, graças a uma errônea pesquisa intitulada "Seven Countries Study" elaborada em 1958 pelo pesquisador Ancel Keys, a qual especialistas atuais chamam-na de tendenciosa.

 

O Óleo de coco é uma gordura saturada, e em temperatura ambiente ele se mantem semi-sólido, e é comum ele ficar sólido e branco quando colocado em baixas temperaturas.

 

Algumas pessoas costumam elogiar os benefícios do Óleo de coco, devido ao fato dele conter alto grau de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), no qual mais de 40% da sua composição é de ácido láurico.

 

Veremos então que a vantagem de se ingerir ácidos graxos de cadeia média (AGCM), é que eles não representam tanta ameaça no aumento do colesterol sanguíneo, pois eles representam uma forma mais rápida de ingestão de energia, pois ao contrário dos ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), os de cadeia média tem uma absorção no intestino de velocidade similar à da glicose. Através da veia porta eles são direcionados diretamente para o fígado, e então são metabolizados, não sendo responsáveis pelo aumento do colesterol sérico[9,11].

 

Os ácidos graxos de cadeia média (AGCM), não são dependentes da ação da lipase pancreática, e são assim absorvidos no intestino de forma mais rápida do que os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL)[11,12,13], e podemos colocar essa como a forma de ação em que os ácidos graxos de cadeia média (AGCM) se sobressaem aos de cadeia longa, no que diz respeito ao combate do aumento do colesterol sanguíneo.

 

Foi exatamente isso que fez com que o Óleo de coco ganhasse o mercado como produto de ponta atualmente no que diz respeito a "gordura boa".

 

Partindo das colocações feitas acima, podemos dizer que se comparado a outras formas de gordura, o Óleo de coco pode de certa forma influenciar na melhoria do perfil lipídico e regular o colesterol das pessoas.

 

Agora devemos analisar a relação do Óleo de coco com a diminuição da gordura corporal, que é um pouco mais desprovido de estudo para comprovação.

 

Mas temos um estudo[14] feito para demonstrar a eficácia do Óleo de coco como suplementação dietética em de mulheres com circunferências de cintura maior que 88 cm (obesidade abdominal).

 

O ensaio clínico envolveu 40 mulheres na faixa etária entre 20 a 40 anos, e elas foram divididas em dois grupos, e foi feita uma amostragem randomizada duplo-cego nesses dois grupos, na qual um grupo fez a suplementação de Óleo de coco, e o outro óleo de soja, e isso por um período de 12 semanas.

 

Ambos os grupos fizeram dieta hipocalórica (com baixas calorias) e caminhada de 50 minutos por dia.

 

O grupo tratado com o Óleo de coco, mostrou que a diminuição do LDL e aumento do HDL bem como a redução da circunferência abdominal que obtiveram, pode ser considerada como positiva.

 

As pessoas que defendem o Óleo de coco para a redução de gordura corporal, e que são adeptos da Coconut Diet ou Coconut Oil Diet, se apegam exatamente ao fato do Óleo de coco ter as propriedades que citamos acima, nas quais falamos sobre a predominância de ácidos graxos de cadeia média (AGCM), em que mais de 40% da sua composição é de ácido láurico.

 

Citamos também acima o benefício e a supremacia que os ácidos graxos de cadeia média (AGCM) teriam sobre os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), colocando as referências de onde surgiram esses pensamentos.

 

Mas observem bem uma coisa, existe uma tendência do corpo em acumular na forma de gordura todo o excedente calórico ingerido em demasia, sendo ele na forma de carboidrato, proteína ou gordura; e lembre-se que o Óleo de coco, é uma gordura.

 

Portanto, se uma pessoa estiver em um superávit calórico, e a soma total das calorias vindas do carboidrato, proteína e gordura for muito superior àquilo que a pessoa gasta por dia de calorias nas suas atividades do dia-a-dia, independente de uma parte dessa gordura ingerida ser ou não Óleo de coco, essa pessoa vai estar correndo risco de estar acumulando gordura corporal.

 

Não estamos colocando isso para desclassificar o Óleo de coco, ao contrário disso, pois mostramos acima dados com referências que validam de certa forma o uso do Óleo de coco como positivo, e apenas colocamos isso, para que você que tem a sua dieta totalmente desbalanceada, não venha a achar que o Óleo de coco sozinho, vai fazer o milagre de propiciar com que você emagreça.

 

Pois no estudo[14] citado acima que coloca como positiva a diminuição da circunferência abdominal das pessoas envolvidas no teste clínico, foi feito com pessoas que já estavam fazendo uma dieta hipocalórica (com baixas calorias) e tinham como pratica diária a atividade física, portanto, não acreditem em "modismos" que levam ao comodismo confortável de pensar que basta apenas inserir um único elemento na dieta, que nesse caso seria o Óleo de coco, que o resultado todo acontece.

 

Pois a alimentação feita de forma correta e balanceada, e aliada a práticas saudáveis como os exercícios físicos, sempre será o fator determinante na diminuição do percentual de gordura, e um bom nutricionista e um educador físico, poderão fornecer a você as regras básicas de dieta e exercícios para se seguir e atingir seus objetivos.

 

Referências:

 

1 - Guyton & Hall Fundamentos de Fisiologia, John E. Hall, 2012.

 

2 - Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia - L. Kathleen Mahan, Sylvia Escott-Stump, Janice L Raymond, 2015.

 

3 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

4 - Biologia Molecular da Celula - Bruce Alberts, Alexander Johnson, Julian Lewis, Martin Raff, Keith Roberts, Peter Walter, 2009.

 

5 - Seja Dono de Sua Dieta - Prof. Seroca, 2008.

 

6 - Robbins Patologia Básica - Vinay Kumar, Abul K. Abbas, Jon C. Aster, 2013.

 

7 - Xavier, Hermes Toros. Efeitos da lipoproteina LDL-oxidada sobre proliferação, motilidade e angiogênese in vitro de células endoteliais de artérias coronárias humanas, São Paulo, 2003.

 

8 - American Heart Association Nutrition Committee, et al. Diet and lifestyle recommendations revision 2006: a scientific statement from the American Heart Association Nutrition Committee. Circulation. 2006;114(1):82-96.

 

9 - Santos, R.D. Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. 2013.

 

10 - Traul KA, Driedger A, Ingle DL, Nakhasi D. Review of the toxicologic properties of medium-chain triglycerides. Food Chem Toxicol. 2000;38(1):79-98.

 

11 - Mcardle WD, Katch FI, Katch VL. Sports & exercise nutrition. USA: Lippincott, Williams & Wilkins, 1999.

 

12 - Jeukendrup AE, Saris WHM, Wagenmakers AJM. Fat metabolism during exercise: a review. Part I: Fatty acid mobilization and muscle metabolism. Int J Sports Med 1998.

 

13 - Brouns F, van der Vusse GJ. Utilization of lipids during exercise in human subjects: metabolic and dietary constraints. Br J Nutr 1998.

 

14 - Assunção ML, Ferreira HS, dos Santos AF, Cabral CR Jr, Florêncio TM. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids. 2009.

 



 

química