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Óleo de Cártamo e a polêmica do CLA

 

  • óleo de cártamo

Marcelo Calazans

Elaborado em 16/10/2017

 

RUSSI, MC. Óleo de cártamo e a polêmica do CLA. Matérias Musculação, São paulo, out. 2017.

 

O CLA (ácido linoleico conjugado), foi um suplemento alimentar vendido em massa no Brasil por muito tempo indicado para diminuição da gordura corporal.

 

Mas com a divulgação do informe técnico n. 23, de 17 de abril de 2007 feito pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sua comercialização na época foi suspensa.

 

Com a suspensão da comercialização, outros produtos da mesma linha foram lançados pelas empresas de suplementos para comercialização, e podemos citar o Óleo de cártamo como exemplo.

 

Vamos explicar a relação entre o CLA, o Óleo de cártamo e o ácido linoleico, mas antes, para facilitar o entendimento, vamos dar uma breve explicação sobre alguns conceitos básicos dos ácidos graxos que serão importantes.

 

O ácido linoleico (LA) também conhecido como ômega-6, e o ácido alfa-linolênico também conhecido como ômega-3, são na verdade dois ácidos graxos[1].

 

Os ácidos graxos se originam dos lipídios simples[2] contidos na gordura que ingerimos e na gordura que se encontra acumulada em nosso corpo.

 

Cerca de 40% da energia que utilizamos nas nossas atividades físicas diárias vem dos ácidos graxos[3].

 

Podemos ver aqui uma primeira importante função dos ácidos graxos, que é a de prover energia para o nosso corpo.

 

Mas além de servirem como provedores de energia, alguns ácidos graxos cumprem tarefas específicas no nosso corpo, que é o que acontece com os ácidos graxos da família ômega-3 e ômega-6.

 

Ômega-3 e ômega-6 são na verdade duas famílias compostas por vários ácidos graxos, mas podemos dizer que os mais importantes ácidos graxos dessas famílias são os ácidos linoleico e alfa-linolênico[4].

 

Várias são as funções executadas pelos ácidos graxos da família ômega-3 e ômega-6. Podemos citar a manutenção das membranas celulares, funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos, eles participam também da transferência do oxigênio atmosférico para o plasma sanguíneo, participando inclusive da síntese da hemoglobina e da divisão celular[5,6].

 

O CLA ou ácido linoleico conjugado se refere a uma mistura de isômeros do ácido linoleico[7] com ligações duplas separadas por um grupo metileno geralmente nas posições 9 – 11 ou 10 – 12, podendo ser uma configuração cis ou trans[8].

 

Um estudo de 2015[8] traz a informação de que o CLA em modelos experimentais demostrou a capacidade de reduzir os níveis de gordura corporal, melhorar o perfil glicêmico bem como atenuar casos de aterosclerose.

 

Apesar de alguns estudos[9] em humanos com o CLA não terem apresentado resultados significativos, outros já trazem um panorama mais favorável. Podemos citar um outro material de estudo[10] que demostrou uma redução significativa do IMC com a suplementação de 6,4 g de CLA ao dia.

 

Esse mesmo estudo[10] com o Óleo de cártamo, que apresenta em sua formulação uma abundante quantidade de ácido linoleico, relata uma perda média de 6,3% de gordura na região do tronco no período em que foi realizado o teste, apresentando assim como favorável o uso do Óleo de cártamo com a finalidade de perda de peso.

 

Ao contrário do que muitos pensam, nosso tecido adiposo onde a gordura do nosso corpo é estocada, não é um tecido inerte que apenas serve de reservatório de gordura, pois ele na verdade é um tecido metabolicamente ativo[11].

 

O nosso tecido adiposo é um órgão endócrino funcional, que age liberando substâncias chamadas adipocinas que atuam controlando a homeostase energética, resistência à insulina, inflamação sistêmica, aterogênese e regulam o mecanismo central da fome[12].

 

Como exemplo de adipocina, podemos citar uma bem conhecida, a leptina.

 

Após a sua descoberta em 1994[13], viralizou pouco tempo depois até como modismo na internet a citação da leptina ao que se refere à perda de gordura.

 

Sabemos que em seres humanos e também em estudos com animais, a resistência à leptina é mesmo apontada como uma possível causa da obesidade[14].

 

Além da leptina, podemos citar outras adipocinas, como a adiponectina, omentina, resistina, vaspina e visfatina, e apesar de o mecanismo de ação dessas substâncias ainda não ser totalmente claro para os pesquisadores, podemos afirmar que elas estão relacionadas com mecanismos que gerenciam o excesso e a distribuição da gordura corporal[12,18].

 

Deste ponto surge uma possível explicação de uma ação do ácido linoleico e do CLA na diminuição da gordura corporal.

 

O processo estaria envolvido com um grupo de receptores, os receptores PPAR (peroxisome proliferator-activated receptor), que são muito estudados atualmente no campo da biologia molecular.

 

Os receptores PPAR controlam os aspectos envolvidos na adipogênese, metabolismo lipídico, inflamação e manutenção da homeostase metabólica[15].

 

Existem subtipos de receptores PPAR, mas no nosso caso aqui, estaremos falando sobre o PPARγ, que é o subtipo de PPAR mais abundante no tecido adiposo.

 

Os receptores PPARγ, que são reguladores chave da homeostase lipídica, e portanto estão ligados com o controle da obesidade, podem ser ativados por um grupo diverso de compostos, entre eles os ácidos graxos[16].

 

A ação nos receptores PPARγ, está direta e indiretamente ligada ao processo de produção das adipocinas[17] no tecido adiposo.

 

Sabendo então, que o CLA e o ácido linoleico tem afinidade com os receptores PPARγ[8,10,16], podemos expressar a ação do ácido linoleico e do CLA no controle da obesidade.

 

Isso poderia estar ligado a uma adipocina que já mencionamos acima, a adiponectina, que é responsável por agir regulando o balanço energético[18].

 

O ácido linoleico pode ser chave no processo de controle da adiponectina, pois através da sua ação nos receptores PPARγ, pode-se alterar a transcrição que origina o RNAm[10] que modula a forma como as adipocinas são sintetizadas.

 

Este é um ramo de pesquisa ainda novo e muito inexplorado, e maiores pesquisa e estudos ainda serão necessários para expressar como a suplementação de óleos dietéticos pode atuar na modulação das adipocinas controlando alguns efeitos como a obesidade.

 

Apesar do ácido linoleico poder, como dito acima, estar associado ao controle das adipocinas, que pode se traduzir em benefício no controle da obesidade, alguns especialistas não concordam com a suplementação isolada de ácido linoleico (ômega-6) e nem do Óleo de cártamo por ser rico em ômega-6.

 

Nossa alimentação, segundo alguns especialistas e estudos[19,20], deve conter níveis equilibrados de ômega-3 e ômega-6.

 

Mas um fato ocorreu nas últimas três décadas, que foi o aumento na ingestão de ômega-6 e a diminuição na ingestão de ômega-3[19].

 

Essa mudança no equilíbrio entre os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, pode ser a causa do aumento das doenças inflamatórias crônicas, como a doença hepática gordurosa não alcoólica, doenças cardiovasculares, obesidade, doença inflamatória intestinal, artrite reumatóide e alzheimer[20].

 

Como nossa função aqui não é polemizar e nem ditar regras comportamentais de alimentação e suplementação, e nos cabe através de estudos e referências apenas apresentar os fatos, deixamos com o apresentado acima nossos leitores livres de interpretação, para que vocês mesmos tirem suas conclusões sobre os benefícios do uso de óleos dietéticos.

 

Fazemos ainda mais um alerta, de que não se baseiem em textos lidos por conta própria e nem na opinião de colegas para utilizar nenhum produto dietético. E façam isso apenas baseado na opinião de um profissional da área de saúde de sua confiança, pois apenas ele pode ser responsável pela manutenção da sua saúde.

 

Referências:

 

1 - Nutrição Contemporânea - Gordon M. Wardlaw, Anne M. Smith, 2013.

 

2 - Nutrição e Metabolismo: A importância do consumo equilibrado dos nutrientes no processo metabólico, Adriana Lopes Peixoto, 2015.

 

3 - Sistema Tegumentar, Bryan E. Anderson, 2014.

 

4 - Martin, Clayton Antunes et al . Ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 e ômega-6: importância e ocorrência em alimentos. Rev. Nutr., Campinas , v. 19, n. 6, p. 761-770, Dec. 2006.

 

5 - Youdim KA, Martin A, Joseph JA. Essential fatty acids and the brain: possible health implications. Int J Dev Neurosci. 2000.

 

6 - Yehuda S, Rabinovitz S, Carasso RL, Mostofsky DI. The role of polyunsaturated fatty acids in restoring the aging neuronal membrane. Neurobiol Aging. 2002.

 

7 - Mourao, Denise Machado et al . Ácido linoléico conjugado e perda de peso. Rev. Nutr., Campinas, v. 18, n. 3, p. 391-399, June 2005.

 

8 - Lehnen, Tatiana Ederich et al. “A Review on Effects of Conjugated Linoleic Fatty Acid (CLA) upon Body Composition and Energetic Metabolism.” Journal of the International Society of Sports Nutrition 12 (2015).

 

9 - Atkinson R. Conjugated linoleic acid for altering body composition and treating obesity. In: Yuraweez M, Mossoba M, Kramer J, Pariza M, Nelson G, editors. Advances in conjugated linoleic acid research. Champaign, IL: AOCS Press; 1999. P.353-438.

 

10 - Norris, Leigh E et al. “Comparison of Dietary Conjugated Linoleic Acid with Safflower Oil on Body Composition in Obese Postmenopausal Women with Type 2 Diabetes Mellitus.” The American Journal of Clinical Nutrition 90.3 (2009): 468–476. PMC. Web. 14 Oct. 2017.

 

11 - Specific metabolic rates of major organs and tissues across adulthood: evaluation by mechanistic model of resting energy expenditure, Am J Clin Nutr. 2010.

 

12 - Adipocinas: uma visão geral dos seus efeitos metabólicos, Amélio Godoy-Matos, Ivan Cruz, Rafael da Costa, Wellington Silva Júnior, Brazilian Adipokines Study Group, Revista HUPE, Rio de Janeiro, 2014;13(1):54-60.

 

13 - Masuzaki H, Ogawa Y, Sagawa N, Hosoda K, Matsumoto T, Mise H, et al. Nonadipose tissue production of leptin: leptin as a novel placenta-derived hormone in humans. Nat Med. 1997 Sep;3(9):1029-33.

 

14 - Cuidados Pré e Pós Operatórios na Cirurgia da Obesidade, Renato Souza da Silva, Nilton Tokio Kawahara, 2005.

 

15 - Wang, Limei et al. “Natural Product Agonists of Peroxisome Proliferator-Activated Receptor Gamma (PPARγ): A Review.” Biochemical Pharmacology 92.1 (2014).

 

16 - Kliewer, Steven A. et al. “Fatty Acids and Eicosanoids Regulate Gene Expression through Direct Interactions with Peroxisome Proliferator-Activated Receptors α and γ.” Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 94.9 (1997).

 

17 - Mirzaei, Khadijeh et al. “Crosstalk between Circulating Peroxisome Proliferator-Activated Receptor Gamma, Adipokines and Metabolic Syndrome in Obese Subjects.” Diabetology and Metabolic Syndrome 5 (2013).

 

18 - Obesity and Inflammatory Adipokines: Practical Implications for Exercise Prescription, Wagner Luiz do Prado, Mara Cristina Lofrano, Lila Missae Oyama, Ana Raimunda Dâmaso, Rev Bras Med Esporte – Vol. 15, No 5 – Set/Out, 2009.

 

19 - Patterson, E. et al. “Health Implications of High Dietary Omega-6 Polyunsaturated Fatty Acids.” Journal of Nutrition and Metabolism 2012.

 

20 - An Increase in the Omega-6/Omega-3 Fatty Acid Ratio Increases the Risk for Obesity, Simopoulos AP, Nutrients. 2016 Mar 2.

 



 

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