barra dúvida um
barra dúvida dois
site dúvida
logo musculação
casal fitness
lupa

Enciclopédia do Fisiculturismo

© Copyright

mail barra
Botão Menu

LinkedIn
botão calculadoras
título calculadoras
fecha calc
calculadora bf calculadora tmb calculadora imc

fecha visi

Usuários On-Line

Veja o que estão acessando

 

• não estão excluídos desta relação os acessos feitos por robôs (bots)

• contabilizados os acessos totais nos últimos 30 minutos

46
Veja detalhes

 

Os Colaterais Femininos com o uso de Anabolizantes

 

  • Os Colaterais Femininos com o uso de Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 20/07/2016

 

RUSSI, MC. Os colaterais femininos com o uso de anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016.

 

As mulheres que usam esteroides anabolizantes, podem estar sujeitas a vários colaterais, vamos aqui nesta matéria tentar explicar de forma mais detalhada cada um deles.

 

Como introdução a dois importantes colaterais, vamos falar um pouco da formação sexual do embrião no útero materno.

 

Sabemos que a testosterona é o principal hormônio sexual masculino, e a testosterona é definida como um esteroide androgênico anabólico (EAA) que além de prover o crescimento muscular, também através da sua parcela andrógena, é o responsável pelo desenvolvimento das características masculinas (Ghaphery, 1995), portanto, no decorrer desse texto para melhor entendimento, vamos lembrar que a parcela andrógena é a responsável por desenvolver as características masculinas.

 

O desenvolvimento de características musculinas nas mulheres chama-se virilização[5].

 

Todos os esteroides anabolizantes conhecidos e utilizados por homens e mulheres para melhoria da performance física e estética, possuem uma parcela andrógena, pois não há como dissociar totalmente essa parcela andrógena nos esteroides anabolizantes.

 

Em comparação com a testosterona que é a nossa referência, temos esteroides anabolizantes que possuem uma parcela andrógena maior ou menor que a testosterona, e como exemplo podemos citar a oxandrolona, que possui uma parcela andrógena bem menor que a testosterona, portanto, carregando consigo a tendência de causar menores colaterais, e temos também outros, como por exemplo a trembolona, que afirmam algumas fontes que seria cerca de 5 vezes mais andrógena que a testosterona, elevando assim os riscos de colaterais bem acima da média.

 

Já no útero materno, a parcela andrógena da testosterona mostra sua ação, pois é através da ação da testosterona que se tem o pleno desenvolvimento da genitália masculina. Sem a interação e presença da testosterona na gestação, o tecido que se desenvolveria na genitália masculina, acaba dando origem a genitália feminina[1].

 

Esse é o caminho da ocorrência do primeiro colateral feminino que vamos citar aqui.

 

Nem é dado a esse colateral tanta importância por parte das pessoas, mas visto a importância que nós aqui damos às mães e a seus futuros filhos, preferimos cita-lo em primeiro lugar.

 

Uma mulher que se encontra em gestação de um embrião que seria uma menina, se durante a gestação tiver a presença de um esteroide anabolizante, ele com sua parcela andrógena pode acentuar uma disfunção que as vezes acontece naturalmente na gestação, que é o desenvolvimento da genitália ambígua[2], que pode ser classificada em vários níveis, de acordo com a tabela de classificação de Prader abaixo:

 

tabela indice glicemico

 

Portanto, esse é o risco de uma mulher grávida que venha a utilizar um esteroide anabolizante.

 

Outro colateral ligado a isso também, e que vamos aproveitar o assunto para citar, é a conhecida hipertrofia de clitóris (clitoromegalia).

 

A relação da hipertrofia de clitóris com a genitália ambígua é grande, pois acima quando estávamos descrevendo a genitália ambígua, falamos que parte do tecido que formaria a genitália masculina na gestação, sem a interação e presença da testosterona, se desenvolveria e acabaria dando origem a genitália feminina.

 

O tecido do embrião no útero materno envolvido nisso é o tubérculo genital. Na presença da testosterona, o tubérculo genital origina parte do pênis, e na ausência da testosterona, o tubérculo genital origina o clitóris[1].

 

Portanto, uma mulher adulta ainda possui no seu clitóris, uma tendência a responder pelos estímulos andrógenos da testosterona, e isso devido a herança das épocas da sua gestação no útero materno, e depois de adulta se exposta a doses altas de testosterona ou de outro esteroide anabolizante que possua e carregue características androgênicas, o tecido que forma seu clitóris pode responder a esses estímulos, que é o que caracteriza os problemas de hipertrofia de clitóris (clitoromegalia)[2].

 

Outro conhecido problema colateral que as mulheres enfrentam quando utilizam esteroides anabolizantes é a disfonia (alterações vocais).

 

Na puberdade, o responsável pelo desenvolvimento das características vocais dos homens é a testosterona com sua parcela de ação androgênica (Goji et al., 2009), e é exatamente nesse ponto que se inicia a diferenciação do tom de voz da mulher e do homem.

 

Portanto, uma mulher adulta, tem em suas cordas vocais e em seus órgãos responsáveis pela voz, a capacidade de responder aos estímulos andrógenos da testosterona, e se depois de adulta ela for exposta a doses elevadas de testosterona ou qualquer outro esteroide anabolizante com sua parcela andrógena, o tecido dos órgãos vocais e cordas vocais dessa mulher, ainda podem responder aos estímulos andrógenos causando alterações no tom de voz dessa mulher, que é o colateral da disfonia causado pelo uso de esteroides anabolizantes que vemos em alguns casos de mulheres[2].

 

Tanto a hipertrofia de clitóris, quando as alterações no tom de voz, em muitos casos em que acompanhamos, se o uso do esteroide anabolizante é interrompido, esse efeito colateral pode regredir, mas há casos nos quais a mulher insiste em dar continuidade ao uso do esteroide anabolizante mesmo percebendo que o colateral ocorreu, e nesses casos, os efeitos podem se tornar irreversíveis.

 

Crescimento de pelos (hirsutismo) também é um colateral desagradável que pode ocorrer nas mulheres, pois existe nas mulheres áreas da pele sensíveis aos andrógenos[2], e isso pode acarretar o crescimento de pelos nessas regiões.

 

Outro colateral bem comum é a irregularidade menstrual (amenorreia), isso pode se dar devido ao fato já conhecido do potencial inibitório que os esteroides anabolizantes tem na produção de dois hormônios, o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo-estimulante)[2].

 

O LH e o FSH são importantes hormônios que estão envolvidos em todo processo de ovulação e menstruação nas mulheres, e o fato dos esteroides anabolizantes terem o potencial de inibir a produção desses dois hormônios, pode ser a origem desse problema de amenorreia nas mulheres.

 

Isso é que leva as pessoas a pensarem em TPC (terapia pós ciclo) feminina, que no caso dos homens como comparação, tem como intuito restaurar o eixo HPTA dando origem novamente na produção natural de testosterona.

 

No caso das mulheres, uma prática muito apreciada por nós aqui, é a conduta colocada pelo Dr. Michael Scally, que não cita o uso medicamentoso de nada para mulheres na TPC, como SERMS (tamoxifeno e clomifeno) e inibidores de aromatase (anastrozol), e sim que a mulher vá descontinuando gradualmente a dose do esteroide anabolizante no final do ciclo, para que assim o próprio corpo feminino consiga sozinho reverter o problema e restabelecer então o ciclo hormonal feminino.

 

Mas há casos em que essa prática menos invasiva colocada pelo Dr. Michael Scally, acaba não surtindo efeito, e nesses casos antes da mulher pensar em utilizar uma medicação por conta própria, recomendamos uma visita ao médico, para que ele de posse de exames possa indicar o que seria mais seguro e adequado na tentativa de fazer retornar ao normal a menstruação e o ciclo hormonal feminino.

 

Outro colateral bem comentado pelas garotas que se utilizam de esteroides anabolizantes, são as alterações no estado de humor.

 

Sabemos que é creditado ao homem uma maior característica agressiva, e isso tem sido parcialmente atribuído ao efeito andrógeno da testosterona que existe em maiores níveis nos homens em comparação com as mulheres[3], portanto, não é incomum mulheres relatarem alterações de humor, irritação e até aumento de agressividade com o uso de esteroides anabolizantes.

 

Por via de regra, os colaterais nas mulheres seriam mais acentuados, quanto maior for a parcela andrógena do esteroide anabolizante utilizado.

 

Citando como base a testosterona, podemos exemplificar com esteroides anabolizantes menos andrógenos que a testosterona, a oxandrolona, o estanozolol, a metenolona (Primobolan) e a boldenona.

 

Como exemplo de mais andrógeno, colocado por muitos como 5 vezes mais andrógeno que a testosterona, podemos colocar a trembolona, que na nossa visão não seria indicado ao público feminino.

 

A própria testosterona não é tão indicada para as mulheres normais, que são aquelas que não são atletas, que não vivem do fisiculturismo e que não estão ligadas com a forma física e exposição de seus corpos em televisão e campanhas publicitárias. Se bem que em doses baixas, já vimos o uso de testosterona por mulheres normais sem muitos riscos de colaterais, mas podendo optar por coisas mais brandas, como a oxandrolona por exemplo, não teria tanta necessidade de uma mulher se aventurar no uso de testosterona para melhoria do perfil e performance física.

 

Foi citado acima o estanozolol como tendo um baixo perfil androgênico, e por tanto nos levaria a pensar em baixos colaterais do estanozolol nas mulheres, mas não é o que acabam apontando as centenas de relatos femininos do uso do estanozolol que já acompanhamos, e isso teria sim uma explicação.

 

Uma pesquisa[4] realizada, apontou com o estanozolol oral, uma diminuição da proteína plasmática SHBG que transporta a testosterona pelo corpo e, desta forma, tendo menores concentrações de SHBG no corpo, sobraria mais testosterona livre para agir, o que pode ser a causa do aumentado efeito colateral das mulheres com o uso do estanozolol.

 

Devemos também lembrar, que os colaterais não ocorrem de forma igual com todas as pessoas, e isso devido a individualidade biológica de cada um, e já verificamos colaterais grandes em mulheres com baixas doses de oxandrolona, enquanto outras com doses mais elevadas não apresentam os mesmos colaterais.

 

Mas recomendamos sempre cautela nas doses e ciclos que as garotas costumam montar.

 

Referências:

 

1 - Rotinas em Ginecologia, Fernando Freitas, 2009.

 

2 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

3 - Behavioural effects of androgen in men and women. Christiansen K. J Endocrinol. 2001 Jul;170(1):39-48.

 

4 - Sex hormone-binding globulin response to the anabolic steroid stanozolol: Evidence for its suitability as a Biological androgen sensitivity test. G Sinnecker, S Kohler. Journal of Clin Endo Metab. 68: 1195,1989.

 

5 - Diagnostico e Tratamento Volume 2, Antonio Carlos Lopes, 2006.

 



 

química