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Os Colaterais Femininos com o uso de Anabolizantes

 

  • Os Colaterais Femininos com o uso de Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 20/07/2016

 

RUSSI, MC. Os colaterais femininos com o uso de anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016.

 

As mulheres que usam esteroides anabolizantes, podem estar sujeitas a vários colaterais. Vamos aqui nesta matéria tentar explicar de forma mais detalhada cada um deles.

 

Sabemos que a testosterona é o principal hormônio sexual masculino, ela é definida como um esteroide androgênico anabólico (EAA)[8,9,10], que além de prover o crescimento muscular, através da sua parcela andrógena, também é a responsável pelo desenvolvimento das características masculinas[9], portanto, no decorrer desse texto para melhor entendimento, vamos lembrar que a parcela andrógena é a responsável por desenvolver as características masculinas.

 

O desenvolvimento de características musculinas nas mulheres chama-se virilização[5].

 

Todos os esteroides anabolizantes conhecidos e utilizados por homens e mulheres para melhoria da performance física e estética, possuem uma parcela andrógena, pois não há como retirar totalmente essa parcela andrógena dos esteroides anabolizantes.

 

Alguns esteroides anabolizantes possuem uma parcela andrógena menor que a testosterona, enquanto outros, possuem uma parcela maior. Como exemplo, podemos citar a oxandrolona, que possui uma parcela andrógena menor que a testosterona, portanto, ela tem como característica causar menos colaterais[6], temos outros também, como por exemplo a trembolona. Um estudo analisado por nossa equipe coloca a trembolona no topo da lista da virilização, apontando ela como mais andrógena que a testosterona[7].

 

Com relação a nandrolona, avaliamos um outro estudo. Os dados sobre a virilização neste estudo, apontam que as mulheres suportaram as dosagens de decanoato de nandrolona em até 100 mg/semana, após o patamar de 100 mg/semana, os testes em mulheres foram descontinuados devido aos efeitos de virilização[14].

 

Mesmo considerando que o estudo aponta o limiar de 100 mg/semana de decanoato de nandrolona, nós do Matérias Musculação, achamos muito exagerado uma mulher não atleta (bodybuilder) pensar em 100 mg/semana de decanoato de nandrolona.

 

Lembramos também, que a virilização pode estar relacionada com o tempo de exposição, suscetibilidade da usuária e dosagem utilizada.

 

O recomendável, seria na realidade que as pessoas não usassem esteroides anabolizantes (sabemos que isso é difícil), mas nos casos femininos, se forem usar, o menos prejudicial é usar doses baixas pelo menor tempo possível.

 

Juntando nossa experiência na elaboração de material sobre o assunto, que teve seu início em diversos fóruns de fisiculturismo dentro e fora do Brasil em meados de 2002, aliada ao conhecido best-seller do “papa” dos esteroides anabolizantes William Llewellyn, vamos dar um panorama geral de quais drogas são mais propensas a causar efeito de virilização nas mulheres.

 

Nossa intenção não é fazer uma escala de virilização, pois cientificamente, não há meios de se fazer isso devido à falta de estudos especializados nessa área. Vamos, portanto, dar apenas um panorama geral baseado na literatura do “papa” dos esteroides anabolizantes William Llewellyn.

 

• Os mais propensos a causar problema de virilização seriam: dianabol, estanozolol, testosterona e trembolona.

 

• Entre os menos propensos, podemos citar: boldenona, masteron (drostanolona), nandrolona, oxandrolona e primobolan (metenolona).

 

Mas lembrem-se de que todos os esteroides anabolizantes podem causar problemas de virilização, e é muito importante prestar atenção a dose utilizada.

 

Como introdução a dois importantes colaterais, vamos falar um pouco da formação sexual do embrião no útero materno.

 

No útero materno, a parcela andrógena da testosterona já mostra sua ação, pois é através da ação da testosterona que temos o pleno desenvolvimento da genitália masculina[11]. Sem a interação e presença da testosterona na gestação, o tecido que se desenvolveria na genitália masculina, acaba dando origem a genitália feminina[1].

 

Esse é o caminho na ocorrência do primeiro colateral feminino que vamos citar aqui.

 

Não é dada tanta importância por parte das pessoas a esse colateral, mas visto a importância que nós aqui, damos às mães e a seus futuros filhos, preferimos cita-lo em primeiro lugar.

 

Uma mulher que se encontra em gestação de um embrião destinado a ser uma menina, se durante a gestação, essa mulher utilizar um esteroide anabolizante, ele com sua parcela andrógena, pode acentuar uma disfunção que as vezes acontece naturalmente na gestação, que é o desenvolvimento da genitália ambígua[2], que pode ser classificada em vários níveis, de acordo com a tabela de classificação de Prader abaixo:

 

tabela indice glicemico

 

Portanto, esse é o risco que uma mulher grávida corre se usar um esteroide anabolizante.

 

Existe também, outro colateral ligado a genitália ambígua que vamos aproveitar o momento para explicar, a conhecida hipertrofia de clitóris (clitoromegalia).

 

A relação da hipertrofia de clitóris com a genitália ambígua é grande, pois acima quando estávamos descrevendo a genitália ambígua, falamos que parte do tecido que formaria a genitália masculina na gestação, sem a interação e presença da testosterona, se desenvolveria e acabaria dando origem a genitália feminina.

 

O tecido do embrião no útero materno, envolvido neste processo, é o tubérculo genital. Na presença da testosterona, o tubérculo genital origina parte do pênis, e na ausência da testosterona, o tubérculo genital origina o clitóris[1].

 

Portanto, uma mulher adulta ainda possui em seu clitóris, uma tendência a responder pelos estímulos andrógenos da testosterona, e isso devido a herança das épocas da sua gestação no útero materno, e depois de adulta, se exposta a doses altas de testosterona ou de outro esteroide anabolizante que possua características androgênicas, o tecido que forma seu clitóris pode responder a esses estímulos, que é o que caracteriza os problemas de hipertrofia de clitóris (clitoromegalia)[2].

 

Outro conhecido problema colateral, que as mulheres enfrentam quando utilizam esteroides anabolizantes, é a disfonia (alterações vocais).

 

Na puberdade, o responsável pelo desenvolvimento das características vocais dos homens é a testosterona com sua parcela de ação androgênica[12], e é exatamente neste ponto, que se inicia a diferenciação no tom de voz da mulher e do homem.

 

Consequentemente, uma mulher adulta, tem em suas cordas vocais e em seus órgãos responsáveis pela voz, a capacidade de responder aos estímulos andrógenos da testosterona, e se depois de adulta ela for exposta a doses elevadas de testosterona ou qualquer outro esteroide anabolizante com sua parcela andrógena, o tecido dos órgãos vocais e cordas vocais dessa mulher, ainda podem responder aos estímulos andrógenos causando alterações no tom de voz, que é o colateral da disfonia causado pelo uso de esteroides anabolizantes que vemos em alguns casos femininos[2].

 

Tanto a hipertrofia de clitóris, quando as alterações no tom de voz, em muitos casos em que acompanhamos, se o uso do esteroide anabolizante é interrompido, esse efeito colateral pode regredir, mas há casos nos quais a mulher insiste em dar continuidade ao uso do esteroide anabolizante, mesmo percebendo que o colateral ocorreu, e nesses casos, os efeitos podem se tornar irreversíveis.

 

Crescimento de pelos (hirsutismo) também é um colateral desagradável que pode ocorrer nas mulheres, pois existem nas mulheres áreas da pele sensíveis aos andrógenos[2], e isso pode acarretar o crescimento de pelos nessas regiões.

 

Outro colateral bem comum é a irregularidade menstrual (amenorreia), isso pode ocorrer devido a um fato já conhecido, que é o potencial inibitório que os esteroides anabolizantes têm sobre dois hormônios, o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo-estimulante)[13].

 

O LH e o FSH são importantes hormônios que estão envolvidos em todo processo de ovulação e menstruação nas mulheres. O fato dos esteroides anabolizantes terem o potencial de inibir a produção desses dois hormônios, pode ser a origem da amenorreia nas mulheres[13].

 

Isso pode levar as pessoas a pensar em uma TPC (terapia pós ciclo) feminina, que no caso masculino como comparação, tem como intuito restaurar o eixo HPTA dando origem novamente a produção natural de testosterona no homem.

 

No caso das mulheres, uma prática muito apreciada por nós aqui, é a conduta colocada pelo Dr. Michael Scally. Ele não indica tratamento medicamentoso para mulheres na TPC, como SERMS (tamoxifeno e clomifeno) e inibidores de aromatase (anastrozol). Ele indica que a mulher vá descontinuando gradualmente a dose do esteroide anabolizante no final do ciclo, para que assim, o próprio corpo feminino consiga sozinho reverter o problema e restabelecer o ciclo hormonal feminino.

 

Mas há casos em que essa prática menos invasiva colocada pelo Dr. Michael Scally, acaba não surtindo efeito, e nesses casos antes da mulher pensar em utilizar uma medicação por conta própria, recomendamos uma visita ao médico, para que ele de posse de exames possa indicar o que seria mais seguro e adequado na tentativa de fazer retornar ao normal a menstruação e o ciclo hormonal feminino.

 

Outro colateral bem comentado pelas garotas que se utilizam de esteroides anabolizantes, são as alterações no estado de humor.

 

Sabemos que é creditado ao homem uma maior característica agressiva, e isso tem sido parcialmente atribuído ao efeito andrógeno da testosterona que existe em maiores níveis nos homens em comparação com as mulheres[3], assim sendo, não é incomum mulheres relatarem alterações de humor, irritação e até aumento de agressividade com o uso de esteroides anabolizantes.

 

No sentido geral, podemos dizer como via de regra, que os colaterais nas mulheres serão mais acentuados, quando a parcela andrógena do esteroide anabolizante utilizado for maior.

 

A própria testosterona não é indicada para as mulheres normais, que são aquelas que não são atletas (bodybuilder), que não vivem do fisiculturismo e que não estão ligadas com a exposição de seus corpos em televisão e campanhas publicitárias. Se bem que em doses baixas, já vimos o uso de testosterona por mulheres normais sem muitos riscos de colaterais, mas podendo optar por coisas mais brandas, como a oxandrolona por exemplo, não teria a necessidade de uma mulher se aventurar no uso de testosterona para melhoria do perfil físico.

 

Em particular no estanozolol, é apontado um baixo perfil androgênico e, portanto, isso nos levaria a pensar em baixos colaterais do estanozolol nas mulheres, mas não é isso que acabam apontando as centenas de relatos femininos do uso do estanozolol que já acompanhamos, e isso teria uma explicação.

 

Uma pesquisa[4] realizada, apontou com o estanozolol oral, uma diminuição da proteína plasmática SHBG que transporta a testosterona pelo corpo e, desta forma, tendo menores concentrações de SHBG no corpo, sobraria mais testosterona livre para agir, o que pode ser a causa do aumentado efeito colateral das mulheres com o uso do estanozolol.

 

Devemos também salientar, que os colaterais não ocorrem de forma igual com todas as pessoas, e isso devido a individualidade biológica de cada um. Já verificamos colaterais graves em mulheres com baixas doses de oxandrolona, enquanto outras com doses mais elevadas, não apresentam os mesmos colaterais.

 

Você nunca saberá como o seu corpo irá reagir, por isso, todo cuidado é pouco, e o melhor para a saúde é sempre ficar longe dos esteroides anabolizantes.

 

Referências:

 

1 - Rotinas em Ginecologia, Fernando Freitas, 2009.

 

2 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

3 - Behavioural effects of androgen in men and women. Christiansen K. J Endocrinol. 2001 Jul;170(1):39-48.

 

4 - Sex hormone-binding globulin response to the anabolic steroid stanozolol: Evidence for its suitability as a Biological androgen sensitivity test. G Sinnecker, S Kohler. Journal of Clin Endo Metab. 68: 1195,1989.

 

5 - Diagnostico e Tratamento Volume 2, Antonio Carlos Lopes, 2006.

 

6 - Hart DW, Wolf SE, Ramzy PI, et al. Anabolic effects of oxandrolone after severe burn. Ann Surg. 2001;233(4):556–564. [link] acessado em 10/07/2019.

 

7 - Neumann F., Pharmacological and endocrinological studies on anabolic agents., Environ Qual Saf Suppl. 1976;(5):253-64. [link] acessado em 09/07/2019.

 

8 - Esteróides anabólicos androgênicos e sua relação com a prática desportiva, Tatiana Sousa Cunha, Nádia Sousa Cunha, Maria José Costa Sampaio Moura, Fernanda Klein Marcondes, Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas (Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences) vol. 40, n. 2, abr./jun., 2004.

 

9 - Anabolic-Androgenic Steroids, Urival Magno Gomes Ferreira, Alan de Carvalho Dias Ferreira, Andréa Maria Pires Azevedo, Rafaella Lucena de Medeiros, Carlos Antonio Bruno da Silva, RBPS 2007; 20 (4) : 267-275.

 

10 - Lise, M.L.Z. et al. O abuso de esteróides anabólico-androgênicos em atletismo. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v.45, n.4, p.364-370, Dec. 1999.

 

11 - Choi J, Smitz J. Luteinizing hormone and human chorionic gonadotropin: distinguishing unique physiologic roles. Gynecol Endocrinol. 2014;30(3):174–181. [link] acessado em 09/07/2019.

 

12 - Hari Kumar KV, Garg A, Ajai Chandra NS, Singh SP, Datta R. Voice and endocrinology. Indian J Endocrinol Metab. 2016;20(5):590–594. [link] acessado em 09/07/2019.

 

13 - Russi, MC. Manual da TPC feminina. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016. [link] acessado em 09/07/2019.

 

14 - Macdonald JH, Marcora SM, Jibani MM, Kumwenda MJ, Ahmed W, Lemmey AB., Nandrolone decanoate as anabolic therapy in chronic kidney disease: a randomized phase II dose-finding study., Nephron Clin Pract. 2007;106(3):c125-35. Epub 2007 May 22. [link] acessado em 10/07/2019.

 



 

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