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A Melatonina o ciclo circadiano e a ciência do sono

 

  • Melatonina

Marcelo Calazans

Elaborado em 12/03/2018

 

RUSSI, MC. A Melatonina o ciclo circadiano e a ciência do sono. Matérias Musculação, São paulo, mar. 2018.

 

Alguns descrevem a Melatonina como o hormônio do sono.

 

O sono é algo muito estudado, e descrever o estado comportamental do sono na sua totalidade pode ser complexo. Esse ainda é um dos grandes desafios da neurociência moderna[1].

 

O sono está relacionado com o ciclo circadiano[2]. Nosso ciclo circadiano é composto pelo período de sono e pelo período de vigília. O período de vigília representa o período do dia em que ficamos acordados[3].

 

O termo ciclo circadiano vem do latim, “circa dies”, que em latim representava algo que durasse cerca de um dia (24 horas)[4,5].

 

Nosso corpo controla o ciclo circadiano de forma hormonal, e é neste ponto que entra a influência da Melatonina no nosso organismo[2,4].

 

A Melatonina é um hormônio produzido principalmente pela glândula pineal. A glândula pineal se situa no nosso cérebro e está localizada no teto do terceiro ventrículo, posicionada entre os dois hemisférios cerebrais[6].

 

Algo pouco citado em matérias que falam sobre a Melatonina, é que sua produção não vem exclusivamente da glândula pineal. Outras áreas do nosso corpo também podem produzir pequenas quantidades, nas quais podemos citar áreas como a retina, glândulas lacrimais, intestino grosso e linfócitos[6].

 

No nosso cérebro, a Melatonina é derivada da serotonina[7]. A serotonina é um neurotransmissor presente no nosso corpo e famosa por ser considerada como o “neurotransmissor do bem estar”[8].

 

Mas tudo parte de um simples aminoácido presente nas nossas refeições diárias, o triptofano.

 

A serotonina é sintetizada a partir do triptofano[9], e a ingestão de quantidades elevadas de triptofano aumentam as quantidades de serotonina e de Melatonina[7].

 

Pode ser daí que surgiu a “lenda” de que tomar leite morno no período noturno ajuda a dormir, pois o leite é um alimento rico em triptofano.

 

Mas, não é apenas a demanda de triptofano a responsável por controlar as concentrações de Melatonina.

 

Podemos dizer que a Melatonina é um hormônio fotossensível[10], e a sua produção é estimulada pela escuridão e inibida pela luz[11].

 

Com isso, podemos dizer que a Melatonina tem como função fisiológica primária no nosso corpo, transmitir informações sobre o ciclo diário de luz e escuridão para a nossa fisiologia corporal[12]. Em termos mais básicos, podemos dizer que é a Melatonina a responsável por informar ao nosso corpo de forma hormonal, se estamos no período noturno ou diurno.

 

Ela realiza essa tarefa devido a uma capacidade do SNC (sistema nervoso central), que através do NSQ (núcleo supraquiasmático) se liga a células ganglionares da retina nos olhos, executando assim uma foto-sincronização que regula a secreção da Melatonina[2,4].

 

Essa propriedade toda da Melatonina auxiliando no controle do sono, trouxe algo que não é novo como pensam alguns.

 

Há bem mais de uma década que se fala sobre o uso de Melatonina de forma exógena (mais comumente na forma de comprimidos), para auxiliar as pessoas na indução do sono, principalmente nos casos de insônia.

 

Nos EUA é muito comum a comercialização de Melatonina produzida por empresas de suplementos alimentares.

 

Nossa equipe avaliou dois importantes estudos[13,14] que tratam do uso de Melatonina para tratamento da insônia, e ambos apresentaram resultados positivos no combate à insônia.

 

Vamos detalhar melhor um desses estudos[13], que foi bem abrangente e realizado com 791 pessoas na sua fase ativa.

 

Os participantes do estudo foram tratados com Melatonina de libertação prolongada. Ao final do estudo, se constatou a eficácia a curto e a longo prazo da Melatonina em pacientes com insônia entre 18 e 80 anos.

 

A Melatonina de libertação prolongada foi bem tolerada durante todo o período do estudo (6 meses), e não houve problema de abstinência após a descontinuação.

 

Em um outro caso que gostaríamos de citar, avaliamos também uma revisão sistemática[15], que observou outros diversos estudos da área para apresentar uma panorama mais geral.

 

Nesta revisão, foi apresentado como conclusão que a Melatonina pode ser benéfica para os casos de insônia, mas de forma limitada, e que outras conclusões a serem tomadas sobre o assunto no futuro carecem de maiores pesquisas e estudos.

 

Nos dias atuais, existem muitas citações de alimentos ricos em Melatonina, e isso se tornou uma área muito explorada por diversos autores.

 

Essa ideia criou a “lenda” dos alimentos que ajudam na manutenção e indução do sono.

 

“Mas como isso seria possível, se a Melatonina é um hormônio produzido pelo corpo humano?”

 

Essa “lenda”, como é colocada por alguns, se torna real quando vemos que a Melatonina pode existir fora do corpo humano, e ser parte integrante de alimentos de origem animal e vegetal.

 

Após ser considerada por muito tempo, uma substância produzida exclusivamente pelo corpo humano, alguns estudos atualmente colocam que ela pode existir naturalmente fora do nosso corpo[16].

 

Com o aumento do interesse pela Melatonina, pelos motivos relativos ao sono já citados acima, nas últimas décadas, a Melatonina foi testada em diversos alimentos, e para a surpresa de muitos, ela foi identificada em alimentos de origem animal e vegetal[17,18].

 

Muitos alimentos, como o leite, são citados como coadjuvantes na indução do sono, por terem concentrações elevada de triptofano, como bem já dissemos acima.

 

Mas, como afirmam alguns, existem alimentos que podem ajudar na indução do sono de forma direta, e isso por terem em sua composição doses de Melatonina.

 

Alimentos com Melatonina é um assunto relativamente novo, e mais estudos e pesquisas no futuro ainda serão conduzidos para evidenciar melhor esses fatos.

 

Nossa posição pessoal sobre a Melatonina é positiva, pois existem estudos e relatos positivos avaliados por nós ao longo de bastante tempo.

 

Um alerta que fazemos, é que não usem comprimidos de Melatonina por conta própria, pois procurar um médico para pedir melhores esclarecimentos e seguir a recomendação médica, é sempre a melhor saída.

 

Referências:

 

1 - Rechtschaffen A, Bergmann BM. Sleep deprivation in the rat: an update of the 1989 paper. Sleep. 2002;25(1):18-24.

 

2 - Aloe, Flávio; Azevedo, Alexandre Pinto de; Hasan, Rosa. Mecanismos do ciclo sono-vigília. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 27, supl.1, p. 33-39, May 2005.

 

3 - Equilíbrio hormonal: Como perder peso entendendo seus hormônios e metabolismo, Scott Isaacs, 2015.

 

4 - Russi, MC. A ciência do sono e sua importância na musculação. Matérias Musculação, São paulo, abr. 2017.

 

5 - Circadian Physiology, Second Edition, Roberto Refinetti, PhD., 2016.

 

6 - Maganhin, Carla Cristina e Carbonel, Adriana e Halley Hatty, Juliana e Fuchs, Luiz e Oliveira-Júnior, Itamar e Simões, Manuel e S. Simões, Ricardo e C. Baracat, Edmund e Soares, José. (2008). Efeitos da melatonina no sistema genital feminino: breve revisão.

 

7 - Medicina E Biologia Do Sono, Sergio Tufik, Editora Manole Ltda, 2008.

 

8 - Casos Clínicos em Psiquiatria, Eugene C. Toy, Debra Klamen, Artmed Editora, 1 de jan de 2014.

 

9 - Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, Mark F. Bear, Barry W. Connors, Michael A. Paradiso, 2017.

 

10 - Equilíbrio hormonal, Recupere equilíbrio hormonal, libido, sono e emagreça, The Blokehead, Babelcube Inc., 3 de mar de 2016.

 

11 - Imagem do Encéfalo, Thomas P. Naidich, Mauricio Castillo, Soonmee Cha, James G. Smirniotopoulos, 2015.

 

12 - The basic physiology and pathophysiology of melatonin., Claustrat B, Brun J, Chazot G., Sleep Med Rev. 2005 Feb;9(1):11-24.

 

13 - Wade AG, Crawford G, Ford I, McConnachie A, Nir T, Laudon M, Zisapel N. Prolonged release melatonin in the treatment of primary insomnia: evaluation of the age cut-off for short- and long-term response. Curr Med Res Opin. 2011.

 

14 - Garfinkel D, Zisapel N, Wainstein J, Laudon M. Facilitation of benzodiazepine discontinuation by melatonin: A new clinical approach. Arch Intern Med. 1999.

 

15 - Costello, Rebecca B et al. “The Effectiveness of Melatonin for Promoting Healthy Sleep: A Rapid Evidence Assessment of the Literature.” Nutrition Journal 13 (2014). [link] acessado em 12/03/2018.

 

16 - Meng, Xiao et al. “Dietary Sources and Bioactivities of Melatonin.” Nutrients vol. 9,4 367. 7 Apr. 2017. [link] acessado em 05/06/2019.

 

17 - Tan DX, Zanghi BM, Manchester LC, Reiter RJ., Melatonin identified in meats and other food stuffs: potentially nutritional impact., J Pineal Res. 2014 Sep;57(2):213-8. [link] acessado em 05/06/2019.

 

18 - Reiter RJ, Tan DX., Melatonin: an antioxidant in edible plants., Ann N Y Acad Sci. 2002 May;957:341-4. [link] acessado em 05/06/2019.

 



 

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