barra dúvida um
barra dúvida dois
site dúvida
logo musculação
casal fitness
lupa

Enciclopédia do Fisiculturismo

© Copyright

mail barra
Botão Menu

LinkedIn
botão calculadoras
título calculadoras
fecha calc
calculadora bf calculadora tmb calculadora imc

fecha visi

Usuários On-Line

Veja o que estão acessando

 

• não estão excluídos desta relação os acessos feitos por robôs (bots)

• contabilizados os acessos totais nos últimos 30 minutos

134
Veja detalhes

 

A Meia-Vida dos Esteroides Anabolizantes

 

  • A Meia Vida dos Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 18/08/2016

 

Você está na busca da "meia-vida perfeita"?? Vou contar um pouco da minha saga de mais de uma década em busca da "meia-vida perfeita".

 

Mas antes, vamos falar um pouco sobre o que é a meia-vida.

 

A meia-vida é um importante marcador da farmacologia. Através da meia-vida, podemos calcular diversos marcadores farmacocinéticos. Para saber mais sobre isso e sobre como a meia-vida influencia outros importantes marcadores da farmacologia, eu sugiro a leitura de uma outra matéria nossa abaixo:

 

Farmacocinética dos Esteroides Anabolizantes

 

Farmacocinética dos Esteroides Anabolizantes

 

Para simplificar e dar continuidade aqui nesta matéria, vou colocar abaixo uma breve definição do que é a meia-vida.

 

A meia-vida (T1/2) é o tempo que a concentração plasmática de um fármaco no corpo demora para atingir 50% da dose inicial ingerida[1].

 

Como exemplo, vamos supor que uma pessoa ingeriu 100mg de um fármaco com meia-vida de 12 horas.

 

Passadas 12 horas da ingestão inicial, a pessoa teria a metade da dose inicial ingerida, ou seja, 50mg. Decorridas mais 12 horas, a dose cairia novamente pela metade, deixando a pessoa com 25mg da dose inicial de 100mg ingerida. A dose inicial de 100mg cairia pela metade a cada 12 horas, até que toda a dose inicial ingerida fosse eliminada do corpo[9].

 

Em meados de 2002, eu comecei a pesquisar e estudar o assunto, pois logo percebi, que para se compreender muitos dos fatores relativos aos esteroides anabolizantes, precisávamos conhecer primeiro a meia-vida. Por esse motivo, eu estive por muitos anos na “busca da meia-vida perfeita”. Vou contar um pouco para vocês sobre a saga da minha busca e ilustrar as conclusões que obtive ao longo dos anos.

 

Eu iniciei com uma teoria que ficou muito famosa no início dos anos 2000, que foi difundida pelo conhecido Bill Roberts (bacharel em microbiologia e ciência celular; PhD em química medicinal).

 

A grande maioria dos esteroides anabolizantes injetáveis, encontram-se em veículo oleoso e eles são esterificados, e a esterificação é a associação da substância à um éster, e dependendo do éster escolhido podemos ter uma meia-vida diferente para a substância.

 

Abaixo temos uma tabela de alguns ésteres acompanhado da quantidade de átomos de carbono da sua estrutura:

 

ÉsterCarbonos
Acetato2
Propionato3
Enantato7
Cipionato8
Decanoato10
Undecilenato11

 

Teoricamente, quanto maior a quantidade de átomos de carbono, maior a meia-vida que aquele éster pode proporcionar. Daí surgiu então a teoria do Bill Roberts, que colocou que para se ter a meia-vida correta de um éster, bastava multiplicar o número de carbonos por 1,5.

 

Com isso, por exemplo, poderíamos dizer que o decanoato de nandrolona (Deca), que tem como éster o decanoato com 10 átomos de carbono, teria 15 dias de meia-vida.

 

Isso foi levado como regra por bastante tempo, e ainda hoje mais de uma década depois, tem gente falando em 15 dias de meia-vida para o decanoato.

 

Mas acontece que com isso o Bill Roberts criou uma regra fixa, e o quesito meia-vida não é uma "ciência exata", pois várias coisas podem influenciar na meia-vida, como o local da aplicação intramuscular e o volume em ml injetado[3]. Portanto, não demorou muito para virem outras teorias com regras mais flexíveis.

 

Eu continuava então na minha saga em busca da "meia-vida perfeita", e quando eu percebi que a coisa não era tão fácil assim, e que não bastava apenas multiplicar a quantidade de átomos de carbono por 1,5 para obter o "número mágico", confesso que fiquei um pouco decepcionado na época.

 

Alguns anos após, em meados de 2004, a primeira pessoa que me lembro em fóruns no Brasil que trouxe a ideia de meia-vida diferente, foi um colega que eu tive, que na época, fez a seguinte postagem abaixo:

 

"HALF-LIFE FAQ

 

By : Kusanagi (Iron Pump)

 

Logo abaixo vai uma tabela simples mas que serve apenas para consulta e você notará que é bem diferente das tabelas que seguem por ae:

 

Propionato de testosterona 2 dias

Fenilpropionato de testosterona 3 dias

Isocaproato de testosterona 4 dias

Decanoato de testosterona 7 dias

Decanoato de nandrolona 6-7 dias

Cipionato de testosterona 6 dias

Enantato de testosterona 5 dias

Undecilenato de Boldenona 7 dias

Acetato de Trembolona 2 dias

 

Por que esses valores são tão baixos em relação as tabelas anteriores?

 

Simplesmente porquê as tabelas anteriores eram com base na teoria de um famoso escritor sobre esteroides o Bill Roberts, que formulou anos atrás que para saber a meia-vida de um esteroide era apenas multiplicar a quantidade de carbonos do éster por 1.5, ou seja, o propionato de testosterona que tem três carbonos no éster teria então 3 dias de meia vida e o decanoato de testosterona teria 15 dias. Infelizmente seu metabolismo não sabe matemática, nem essa fórmula que parece ser simples, mas não funciona na prática. Então essa tabela é totalmente ultrapassada já que hoje já se tem estudos "in vivo" para quase todas as drogas existentes no mercado, tendo valores muito mais confiáveis do que os propostos na teoria do Bill Roberts."

 

Essa postagem dele acabou viralizando, e hoje dezenas de outros locais na internet trazem o mesmo texto exatamente igual.

 

Voltando à minha saga na busca pela "meia-vida perfeita", eu ainda não me dava por contente, e continuava a pesquisar sobre o assunto.

 

Percebi então, que não havia um consenso mesmo entre os especialistas, laboratórios farmacêuticos e literaturas, e foi quando realmente me dei por conta, de que, por se tratar de uma coisa que não pode ser medida exatamente através de parâmetros numéricos fixos, pois várias coisas influenciam na meia-vida, não haveria uma forma de eu descobrir a tão sonhada "meia-vida perfeita".

 

Mas claro que cheguei às minhas conclusões sobre isso ao longo desses anos todos. Vou citar abaixo uma planilha com a meia-vida de algumas substâncias mais comuns, acompanhadas das devidas referências:

 

Substância ml mg Local Meia-Vida Referência
Acetato de Trembolona 3 dias[4]
Cipionato de Testosterona 8 dias[5,7]
Decanoato de Nandrolona4 100Glúteo7 dias[3]
Decanoato de Nandrolona1 100Glúteo7,7 dias[3]
Decanoato de Nandrolona1 100Deltoide12 dias[3]
Dianabol 6 horas[2]
Estanozolol Injetável 1 dias[2]
Estanozolol Oral 9 horas[2]
Fenilpropionato de Nandrolona4 100Glúteo2,4 dias[3]
Oxandrolona 8 a 12 horas[6]
Oximetolona 8 horas[2]
Propionato de Drostanolona1 252 dias[5]
Propionato de Testosterona 2 dias[5]
Undecanoato de Boldenona 14 dias[2]

 

Reparem acima na tabela a parte em que eu deixei destacada sobre a Deca (decanoato de nandrolona), e percebam como o local da aplicação intramuscular e o volume em ml injetado influenciam na meia-vida da substância.

 

O estanozolol também é curioso neste aspecto, e abaixo tem uma explicação.

 

O estanozolol injetável é fornecido em suspensão aquosa, contendo partículas micrométricas em suspensão, e um detalhe interessante a se constatar com relação à meia-vida do estanozolol injetável, é que podem haver discrepâncias no tamanho dessas partículas, podendo isso influenciar de forma sutil na meia-vida do estanozolol injetável de acordo com seu processo de fabricação e, por isso, não é difícil encontrar certas divergências nas opiniões sobre a meia-vida do estanozolol injetável[5].

 

Um exemplo disso que podemos colocar, baseia-se no estanozolol produzido para uso veterinário, que tem as suas partículas micrométricas que se encontram em suspensão aquosa um pouco menos refinadas em comparação ao Winstrol que era produzido pela Zambon da Espanha[5], fato que pode também influenciar na meia-vida do produto, que pôde realmente ser constatado na meia-vida um pouco maior que algumas experiências em uso animal do estanozolol injetável demostraram[8].

 

Ao pesquisarem sobre o assunto, reparem que mesmo entre literaturas, laboratórios farmacêuticos e especialistas, existe uma certa divergência, e isso pode ocorrer devido ao número grande de variáveis que podem existir, podendo assim influenciar na meia-vida de uma substância.

 

Portanto, se você está à procura da "meia-vida perfeita" como eu estive por mais de uma década, esqueça em obter um número exatamente preciso que funcione perfeitamente para todos os casos, pois isso nunca será igual a uma ciência exata, como na matemática por exemplo, que 2 + 2 será sempre 4, pois nosso organismo e a infinidade de variáveis que podem mudar nossa reação biológica às diversas substâncias, fazem com que o nosso corpo não saiba fazer cálculos aritméticos perfeitos.

 

Referências:

 

1 - Basic Pharmacology: Understanding Drug Actions and Reactions, Maria A. Hernandez, Ph.D., Appu Rathinavelu, Ph.D., CRC Press, 14 de fev de 2006.

 

2 - John Campbell and Andrew Preston, Steroids and other drugs used to enhance performance and image, 2016. [link] acessado em 19/03/2019.

 

3 - Charles F. Minto, Christopher Howe, Susan Wishart, Ann J. Conway and David J. Handelsman; Pharmacokinetics and Pharmacodynamics of Nandrolone Esters in Oil Vehicle: Effects of Ester, Injection Site and Injection Volume, Journal of Pharmacology and Experimental Therapeutics April 1, 1997, 281 (1) 93-102. [link] acessado em 31/07/2018.

 

4 - Dan Chaiet, Trenbolone Acetate, Medically Reviewed by William Llewellyn, Jul 25, 2018. [link] acessado em 19/03/2019.

 

5 - William Llewellyn's, Anabolics, E-Book Edition 2011.

 

6 - Bula da Oxandrolona produzida para Upsher-Smith Laboratóries, Inc Maple Grove, MN 55369 pela Pharmaceutics International, Inc. Hunt Valley, MD 21031 Revised 0615 USA.

 

7 - Bula do Deposteron (cipionato de testosterona) EMS Sigma Pharma LTDA. [link]

 

8 - Soma, L. R., Uboh, C. E., Guan, F., Mcdonnell, S. and Pack, J. (2007), Pharmacokinetics of boldenone and stanozolol and the results of quantification of anabolic and androgenic steroids in race horses and nonrace horses. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics, 30: 101-108.

 

9 - Susa ST, Preuss CV. Drug Metabolism. [Updated 2018 Nov 23]. [link] acessado em 11/03/2019.

 

 



 

química