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O uso de Esteroides Anabolizantes no tratamento de doenças

 

  • Medicina Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 17/01/2017

 

RUSSI, MC. O uso de esteroides anabolizantes no tratamento de doenças. Matérias Musculação, São paulo, jan. 2017.

 

Os esteroides anabolizantes foram pesquisados, desenvolvidos e comercializados inicialmente como medicamentos por laboratórios farmacêuticos, na tentativa de tratar doenças auxiliando a medicina.

 

Mas o abuso que as pessoas fazem deles, visando melhorias físicas e estéticas, acabou por ofuscar essa nobre finalidade que todo esteroide anabolizante teve inicialmente.

 

Os esteroides anabolizantes, que também são chamados pela ciência médica de esteroides anabólicos androgênicos (EAA), foram e ainda são aprovados para prescrição médica. Eles são largamente utilizados na medicina clínica para o tratamento de inúmeras doenças, e existem muitos casos relatados de sucesso em diversos tratamentos[1].

 

Em diversas oportunidades, nas quais foram relatados sucessos em tratamentos médicos com o uso de esteroides anabolizantes, constatou-se que para muitas pessoas com problemas de saúde, eles acabaram fazendo a diferença, e essas pessoas através do benefício dos esteroides anabolizantes utilizados como medicamentos, obtiveram uma melhora no seu quadro clínico[1].

 

O início das pesquisas para desenvolvimento de substâncias sintéticas da testosterona, desencadeou uma corrida, e desde então, diversos laboratórios farmacêuticos realizaram muitas pesquisas.

 

Fica difícil colocar uma data precisa para o início desta corrida, mas talvez possamos colocar esse início em meados de 1935, quando a metiltestosterona foi descrita pela primeira vez[2].

 

Desde o início dessa corrida, voltada à produção de esteroides anabolizantes para tratamentos médicos na década de 1930, muita coisa evoluiu na medicina até os dias de hoje.

 

A criação de medicamentos mais modernos, acabou colaborando com a redução da indicação clínica de esteroides anabolizantes para alguns tratamentos, como é o caso do câncer de mama, e após o advento dos moduladores seletivos do receptor de estrogênio e dos inibidores de aromatase, o tratamento do câncer de mama feminino acabou indo em uma direção mais distante dos esteroides anabolizantes[1], mas ainda nos dias de hoje, os esteroides anabolizantes são produzidos, receitados e utilizados para tratar uma série de doenças.

 

Vamos abaixo relacionar e explicar alguns tratamentos realizados com a ajuda de esteroides anabolizantes:

 

Hipogonadismo e TRT (terapia de reposição de testosterona)

 

Esse é sem dúvida o maior motivo para o uso terapêutico dos esteroides anabolizantes.

 

O termo “esteroides anabolizantes”, é geralmente associado apenas às substâncias sintéticas da testosterona usadas para fins de crescimento muscular, mas não podemos nos esquecer, que tecnicamente, a nossa testosterona endógena natural que o nosso corpo produz, também é um esteroide anabolizante[14,15].

 

O hipogonadismo se caracteriza por uma baixa produção de testosterona em homens, que pode ter algumas origens diferentes.

 

A testosterona em um homem pode declinar em virtude de algo natural, e que acontece normalmente em homens na idade mais avançada.

 

Pode também ocorrer o declínio da testosterona em outras faixas etárias masculinas, e isso devido a variados problemas de saúde.

 

Os sintomas dos homens com baixa testosterona podem incluir a redução da libido, diminuição no poder de ereção, sensação de menor energia e força muscular, alterações no estado de humor, diminuição de massa óssea, perda de memória e perda muscular[3].

 

Quando o declínio nas concentrações de testosterona em um homem ocorre por causa da idade, ele se chama andropausa.

 

O início do tratamento de reposição de testosterona (TRT) ou do hipogonadismo, deve ser avaliado por um médico, mas em muitos casos a utilização de medicamentos esteroides anabolizantes à base de testosterona sintética, alivia a reverte muitos dos sintomas.

 

Um exemplo que podemos citar, é o caso da osteoporose em homens com hipogonadismo, e nestes casos, a administração de enantato de testosterona em doses de 250 mg a cada 21 dias, mostrou-se eficiente para aumentar a massa óssea desses homens em 5% em uma amostragem de 6 meses[4].

 

Nos EUA e no Canadá, a forma mais usual de utilização de testosterona para reposição prescrita por médicos é a testosterona de aplicação transdérmica, e ela apresenta diversas vantagens se comparada com as injeções.

 

No Brasil, existem diversas formas de reposição de testosterona para homens, mas a indicação é sempre procurar antes um médico, para que ele, de posse dos seus exames, consiga indicar a melhor terapia de reposição se necessária.

 

Anemia

 

É conhecido que os esteroides anabolizante têm um alto potencial de estimular a produção de glóbulos vermelhos do sangue, e por isso alguns casos de anemia podem ser tratados com esteroides anabolizantes[1].

 

Tipos de anemia que irão responder ao tratamento com esteroides anabolizantes incluem as anemias causadas por insuficiência renal, anemia falciforme, anemia sideroblástica ou anemia refratária, incluindo também a anemia aplástica[1].

 

Ao longo dos anos, vários medicamentos esteroides anabolizantes foram utilizados para essa finalidade, mas talvez o que ficou mais conhecido neste aspecto, foi a oximetolona[5].

 

Câncer de mama

 

Uma das formas exploradas pela ciência médica para tratar o câncer de mama, é impedir a ação do estrogênio no tecido mamário.

 

Um esteroide anabolizante que ficou conhecido para o tratamento do câncer de mama, foi a drostanolona, que foi comercializada como propionato de drostanolona nos EUA com o nome de Drolban, enquanto o laboratório farmacêutico Syntex, iria explorar comercialmente o propionato de drostanolona com o nome de Masteron em outros mercados consumidores da Europa e Ásia[6].

 

Mas a criação de novas medicações para o tratamento do câncer de mama, como os moduladores seletivos do receptor de estrogênio e os inibidores de aromatase, fez declinar a utilização de esteroides anabolizantes como medicamentos para tratar o câncer de mama[1].

 

Osteoporose

 

Esteroides anabolizantes tem como propriedade o aumento da massa óssea, e podem ser prescritos para o tratamento da osteoporose.

 

Os benefícios da terapia incluem formação de osso novo, inibição da reabsorção óssea e aumento da absorção de cálcio[7,8].

 

Essas drogas se mostraram fortes aliadas na redução da dor óssea associada com a osteoporose[8].

 

O decanoato de nandrolona foi durante muito tempo utilizado para o tratamento de osteoporose, e oferece muitos benefícios para a redução do problema e da probabilidade de fraturas[8,9].

 

É conhecido que problemas de virilização indesejáveis podem ser causados em mulheres que se utilizam de esteroides anabolizantes[10], o que confere às mulheres os indesejáveis efeitos colaterais.

 

Hoje são empregadas práticas medicamentosas menos invasivas para o tratamento da osteoporose, que é o caso do modulador seletivo do receptor de estrogênio raloxifeno[11].

 

Mas no Brasil, o decanoato de nandrolona ainda é um medicamento anabolizante de prescrição médica, vendido com o nome comercial de Deca-Durabolin®, com registro na ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (registro datado de 11/09/2017, válido até jul/2021)[16].

 

Perda de peso e massa muscular

 

Em caso de perda de peso e de massa muscular que podem clinicamente ser justificadas, o uso de esteroides anabolizantes foi por muito tempo considerado.

 

Esses problemas podem estar relacionados com corticoterapia prolongada, cirurgia extensa, infecções crônicas ou traumatismo grave[1].

 

Nos EUA, a oxandrolona é a droga mais comumente prescrita para essa finalidade, e já houve também relatos de uso de estanozolol e nandrolona em outras localidades[1].

 

Deficiência no crescimento

 

Para alguns casos em que o crescimento linear de um adolescente foi interrompido antes das extremidades dos ossos longos se fundirem, o uso de esteroides anabolizantes pode ser empregado[12].

 

Mas deve-se prestar muita atenção ao caso, e isso deve ser apenas feito sob orientação médica, pois diferente do que pensam os jovens, não é adicionar o esteroide anabolizante de qualquer maneira que irá fazê-lo crescer sem parar.

 

O uso incorreto de esteroides anabolizantes por adolescentes, pode acarretar em um problema conhecido como a parada do crescimento, que ocorre quando a mineralização completa da cartilagem de crescimento no disco epifisário, acontece antes do tempo previsto, fazendo com que esse jovem provavelmente não atinja o total desenvolvimento da sua estatura linear[13].

 

Conclusão

 

O uso incorreto de esteroides anabolizantes por atletas, que é considerado doping, ou o uso que é feito por pessoas que apenas querem melhorar a estética física, acabou ao longo dos anos por denegrir a imagem dos medicamentos esteroides anabolizantes, e apesar de que hoje não são mais tão empregados na medicina como antigamente, eles ainda têm importantes funções clínicas no tratamento de doenças.

 

Um alerta a se fazer, é que não se deve buscar a automedicação de nenhuma forma, ainda mais quando ela é feita por um medicamento tão recheado de colaterais, como os esteroides anabolizantes.

 

Referências:

 

1 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

2 - Herstellung des 17-metyl-testosterons und anderer Androsten- und Androstanderivate. Ruzicka L, Goldberg MW. Et al. Helv Chim Acta 18 1935.

 

3 - Age related testosterone level changes and male andropause syndrome. WuCY, Yu TJ, Chen MJ. Chang Gung Med J. 2000.

 

4 - Osteoporosis in male hypogonadism: responses to androgen substitution differamong men with primary and secondary hypogonadism. Schubert M, Bullmann C et al. Horm Res. 2003.

 

5 - Russi, MC. Perfil do esteroide anabolizante hemogenin®. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016. [link] acessado em 17/01/2017.

 

6 - Russi, MC. Perfil do esteroide anabolizante masteron. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016. [link] acessado em 17/01/2017.

 

7 - Anabolic steroids in postmenopausal osteoporosis. Need AG et al. Wien Med Wochenschr. 1993.

 

8 - Nandrolone decanoate: pharmacological properties and therapeutic use in osteoporosis. Geusens P. Clin Rheumatol. 1995.

 

9 - Effects of nandrolone decanoate on bone mass in established osteoporosis. Passeri M, Pedrazzoni M, Pioli G, Butturini L, Ruys AH, Cortenraad MG. Maturitas. 1993.

 

10 - Russi, MC. Os colaterais femininos com o uso de anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016. [link] acessado em 17/01/2017.

 

11 - Russi, MC. SERMs: clomifeno, raloxifeno e tamoxifeno. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016. [link] acessado em 17/01/2017.

 

12 - Oxandrolone therapy in constitutionally delayed growth and puberty. Bio-Technology General Corporation Cooperative Study Group. Wilson DM, McCauley E, Brown DR, Dudley R. Pediatrics. 1995.

 

13 - Russi, MC. Atraso no crescimento causado por esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, nov. 2016. [link] acessado em 17/01/2017.

 

14 - Actividad física y salud, Sara Márquez Rosa, 2013.

 

15 - Vermeulen A., Plasma levels and secretion rate of steroids with anabolic activity in man., Environ Qual Saf Suppl. 1976;(5):171-80 [link] acessado em 20/03/2019.

 

16 - Consultas - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Deca-Durabolin, registrado em 11/09/2017 [link] acessado em 20/03/2019.

 



 

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