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A Maltodextrina com suas funções e características

 

  • Maltodextrina com suas funções e características

Marcelo Calazans

Elaborado em 15/07/2016

 

RUSSI, MC. Maltodextrina com suas funções e características. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016.

 

O carboidrato na forma de glicose e glicogênio é o principal combustível utilizado pelo corpo durante os treinos de força, portanto é muito importante que suas reservas de carboidrato estejam sempre em alta antes de iniciar seus treinos[1].

 

Treinar com baixas reservas de glicose e glicogênio vai fazê-lo chegar ao ponto de fadiga mais rapidamente e o rendimento de seus treinos não será o mesmo, por isso existe a importância de uma boa alimentação para o praticante de musculação que visa ganhos de massa e volume muscular em seus treinos[1].

 

É comum pessoas que se submetem a dietas low carbo narrarem problemas de performance em seus treinos de musculação.

 

Considerando que o ideal é a alimentação da pessoa estar provendo a quantidade correta de carboidratos ao longo do dia em uma frequência de refeições adequada, não deve ser adotado como prática, a ingestão bebidas à base de Maltodextrina antes do treino.

 

Mas vamos falar também da ingestão de Maltodextrina pós-treino, e antes de entrarmos em maiores detalhes sobre a Maltodextrina que é um carboidrato, vamos entender um pouco melhor os carboidratos.

 

Para ilustrar o nosso exemplo, vamos compreender essas 3 classes de carboidratos, que são os monossacarídeos (carboidrato simples), dissacarídeos e polissacarídeos (carboidrato complexo).

 

Vamos partir do amido, que é um carboidrato polissacarídeo encontrado nas plantas[2]. Através de um processo de hidrólise esse polissacarídeo pode ser degradado chegando a ser um dissacarídeo, e depois de vários processos de hidrólise ele finalmente vai chegar a ser um monossacarídeo, que é um carboidrato simples, desta forma, não conseguimos mais degrada-lo por hidrólise gerando carboidratos menores[3].

 

Se torna necessário entender esse processo, para saber como um carboidrato pode ser absorvido pelo corpo. Como exemplo de entendimento aqui para nós, os monossacarídeos (carboidrato simples), que podemos citar como exemplo a glicose, são aqueles que serão absorvidos pelo intestino[4], portanto, se ingerirmos um amido, que é um polissacarídeo (carboidrato complexo), ele em tese deveria ser quebrado por hidrólise até se tornar um monossacarídeo, para poder então ser absorvido pelo intestino.

 

Isso nos leva a pensar que a absorção de um polissacarídeo seria mais lenta que a de um monossacarídeo. Daí surgiu a ideia de classificar os carboidratos pelo chamado IG (índice glicêmico).

 

O IG (índice glicêmico) nada mais é do que uma classificação baseada no seu imediato efeito de aumento de glicose sanguínea[5], e ele representa o quanto que a glicose, que é um carboidrato também, aumenta no sangue logo após a ingestão de um determinado carboidrato (CAMPOS, 2000).

 

Sabemos que a Maltodextrina é considerada como um carboidrato complexo, o que nos levaria a pensar que ela possui um IG (índice glicêmico) baixo, mas na verdade, ela é um carboidrato obtido da hidrólise parcial do amido[10,11], e que é, portanto, facilmente quebrado, e apesar dela não ser um carboidrato simples ela possui um índice glicêmico alto[8,12].

 

Outro carboidrato muito utilizado como suplemento é a dextrose, que na verdade acaba sendo colocada, como a própria glicose com outro nome, e que é um carboidrato monossacarídeo (carboidrato simples) [6], o que nos faria pensar então, que o índice glicêmico da dextrose seria muito mais alto do que o da Maltodextrina, fato que na prática não é bem verdade, se considerarmos algumas colocações.

 

Algumas pessoas colocam o IG (índice glicêmico) da Maltodextrina e da dextrose bem próximos, veja abaixo o exemplo de um quadro com suas referências que traz o IG de alguns conhecidos nossos:

 

tabela indice glicemico

Referências da Tabela [13] [7] [8] [9]

 

O alto índice glicêmico da Maltodextrina, pode ser talvez explicado, pelo fato de que mesmo ela sendo um oligossacarídeo, ela consegue disponibilizar rapidamente glicose livre para ser absorvida, diferentemente de outros oligossacarídeos, como a rafinose, que precisa ser fermentada por microrganismos no intestino[14].

 

Considerando então que o IG (índice glicêmico) da dextrose e da Maltodextrina podem ser considerados como bem próximos, vemos que então não seria correto afirmar, como alguns vendedores de suplementos afirmam, que ao ingerir a dextrose (glicose), que ela elevaria a glicose no corpo muito mais rápido do que a Maltodextrina, tanto é que algumas literaturas colocam que a glicose e a Maltodextrina parecem ser igualmente efetivas em melhorar o desempenho em algumas práticas desportivas[10].

 

Agora vamos falar um pouco da Maltodextrina pós treino, que é um período em que é muito comentada a importância da ingestão de um carboidrato de alto IG (índice glicêmico).

 

É muito citado pelas pessoas em geral, o fato de ser imprescindível aproveitar a "janela de oportunidades" aberta logo após o treino para ingerir uma Maltodextrina, e isso para refazer os estoques de energia do corpo gastos na musculação. Vamos analisar até que ponto isso é verdadeiro.

 

É citado em "Guia Completo de Treinamento de Força, Anita Bean", que a pessoa deve começar a repor as suas energias pós-treino assim que possível, uma vez que a produção e o estoque de glicogênio são mais rápidos nas 2 primeiras horas após o treino[1].

 

Mas é dito também, que para uma reposição mais eficiente de glicogênio, não adianta pensar nesta reposição apenas após o treino, pois mesmo depois do treino, a pessoa deverá continuar a se alimentar normalmente e fazer uma ingestão regular de carboidratos ao longo do dia nas suas refeições, e mesmo para quem ingeriu a Maltodextrina imediatamente após o treino, se a pessoa não continuar se alimentando com fontes de carboidrato de forma constante e periódica pós-treino ao longo do dia, a recuperação pós-treino e a recarga total dos estoques de energia do corpo, serão mais lentos[1].

 

Ao tentar interpretar a citação colocada acima deste livro, não fica a ideia de que é extremamente necessário ingerir Maltodextrina imediatamente após o treino, como alguns comentam.

 

Também não fica a ideia de que existe uma "janela de oportunidade" que se abre e fecha rapidamente logo após o treino para repor os estoques de glicogênio, visto o fato que é comentado, que a ingestão regular de carboidratos ao longo do dia, colabora para a plena recuperação dos estoques de energia utilizados durante o treino.

 

Isso nos deixa mais livres e não tão dependentes de suplementos, pois já vimos inúmeras vezes colegas em nossas experiências de observação, que obtiveram evoluções físicas sem o uso de suplemento.

 

Podemos afirmar então, que é possível sim haver grandes evoluções musculares nas pessoas que baseiam seu treino apenas na alimentação sem o uso de nenhum suplemento alimentar.

 

Mas nós aqui, depois de tudo isso colocado, caso a pessoa for se utilizar de Maltodextrina, o melhor período para utilização na nossa opinião é pós-treino, e antes do treino, procurar ter seguido todas as refeições sólidas possíveis nos seus horários corretos antes de treinar.

 

Lembrando que não são todos que podem ingerir qualquer suplemento alimentar, e antes de qualquer ingestão de suplementos, devemos ver junto à um profissional da área de saúde se não temos nenhuma restrição alimentar específica, e deixar sempre bem claro que o melhor processo para se ter uma boa rotina montada de alimentação e suplementação, é sempre procurando um bom nutricionista.

 

Referências:

 

1 - Guia Completo de Treinamento de Força, Anita Bean, 1999.

 

2 - Glossário ilustrado de botânica, Mário Guimarães Ferri, Nanuza Luiza de Menezes, 1981.

 

3 - Química Orgânica, Francis A. Carey, 2009.

 

4 - Fisiologia, Linda Costanzo, 2014.

 

5 - Longevidade, Jeferson Correa Porto, 2008.

 

6 - Nutrição Contemporânea, Gordon M. Wardlaw, Anne M. Smith, 2013.

 

7 - Holub I, Gostner A, Theis S, Nosek L, Kudlich T, Melcher R, et al. Novel findings on the metabolic effects of the low glycaemic carbohydrate isomaltulose Palatinose. Br J Nutr. 2010;10312:1730-7.

 

8 - Livesey G, Tagami H. Interventions to lower the glycemic response to carbohydrate foods with a low-viscosity fiber resistant maltodextrin: meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2009;891:114-25.

 

9 - Johannsen NM, Sharp RL. Effect of preexercise ingestion of modified cornstarch on substrate oxidation during endurance exercise. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2007;173:232-43.

 

10 - Nutrição Aplicada ao Esporte: Estrategias nutricionais que favorecem o desempenho em diferentes modalidades, Monise Viana Abranches, 2015.

 

11 - Alimenta tus Pedaladas - Nutrición Ciclista: La Biblia de la Alimentación para el Ciclista, Chema Arguedas Lozano, 2010.

 

12 - Lajolo, F.M.; Menezes, E.W Carbohidratos en alimentos regionales ibero-americanos, 2006 pg:393.

 

13 - Fontan, Jeniffer dos Santos; Amadio, Marselle Bevilacqua. O uso do carboidrato antes da atividade física como recurso ergogênico: revisão sistemática. Rev Bras Med Esporte, São Paulo , v. 21, n. 2, p. 153-157, Apr. 2015. [link] acessado em 15/07/2016.

 

14 - Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição, Sonia Tucunduva Philippi, 2015.



 

química