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Lorcasserina - Novo medicamento no combate a Obesidade

 

  • Lorcasserina e Obesidade

Marcelo Calazans

Elaborado em 22/12/2016

 

RUSSI, MC. Lorcasserina no combate a obesidade. Matérias Musculação, São paulo, dez. 2016.

 

A obesidade é definida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como excesso de gordura corporal resultante de um balanço energético positivo[1].

 

A obesidade pode ocasionar diversos problemas, entre eles podemos citar elevação da pressão arterial, colesterol e triglicerídeos aumentados, resistência à insulina podendo levar a uma diabetes tipo 2, riscos de doenças coronarianas, acidente vascular cerebral isquêmico entre outras, tais como, lesões osteoarticulares e dificuldade respiratória[1].

 

O carro chefe dos medicamentos liberados pela ANVISA no combate a obesidade no Brasil ainda é a sibutramina, mas aos poucos vão aparecendo outras opções.

 

A Lorcasserina foi divulgada como aprovada no Diário Oficial da União - Resolução - RE Nº 3.385, de 15 de dezembro de 2016.

 

Segundo o portal da ANVISA notícias: "O Belviq® (cloridrato de lorcasserina hemihidratado) é indicado como adjuvante à dieta de redução de calorias e atividade física aumentada para o controle de peso crônico em pacientes adultos com índice de massa corporal (IMC) inicial de 30 kg/m² ou maior (obeso); ou pacientes com sobrepeso com IMC maior ou igual a 27 kg/m², na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, doença cardiovascular, diabetes tipo 2 controlado com agentes hipoglicemiantes orais, ou apneia do sono."

 

Vamos ver como a Lorcasserina funciona.

 

No nosso corpo, nossas emoções, muitas de nossas ações e alguns de nossos hábitos, são controladas por algo que denominamos de química cerebral[2], e a nossa química cerebral é influenciada pelo que chamamos de neurotransmissores[3].

 

Portanto, qualquer mudança mesmo que sutil nas concentrações normais de nossos neurotransmissores, pode nos causar grandes alterações comportamentais influenciando em muitos de nossos hábitos.

 

Um dos nossos neurotransmissores que é muito explorado com relação ao mecanismo da perda de peso, é a serotonina.

 

A serotonina estimula o centro da saciedade localizado no hipotálamo ventromedial[4].

 

Alguns medicamentos antidepressivos, como a fluoxetina e sertralina, que tendem a aumentar a ação da serotonina via inibição da sua recaptação, já são apontados como atuantes na bioquímica do apetite, e em alguns casos, são apontados como responsáveis pela redução do apetite[5].

 

A Lorcasserina é uma molécula que age como agonista seletivo do receptor de serotonina 5-HT2c[6].

 

Quando aumentamos no SNC (sistema nervoso central) a atividade serotoninérgica via ação nos receptores 5-HT2c, conseguimos modular um sistema de nome POMC, que por sua vez acaba sendo responsável por controlar nosso balanço calórico.

 

Estudos realizados em animais, sugerem que nos ratos, a falta de ação nos receptores 5-HT2c acaba por reduzir a TMB (taxa metabólica basal), em seres humanos, estudos sugerem que a ação agonista nos receptores 5-HT2c pode aumentar a TMB (taxa metabólica basal) e a termogênese, embora nem todos concordem com essa alegação[7,8].

 

Na indicação da Lorcasserina para tratamento clínico, o principal meio de ação envolvido é a diminuição da ingestão calórica através do aumento da saciedade.

 

Um estudo[9] feito entre homens e mulheres totalizando 3.182 pessoas, todas obesas com IMC na faixa de 30 e 45, que aliado ao uso da Lorcasserina executaram também exercícios físicos regulares, participaram divididos em dois grupos, um grupo usando placebo e outro grupo usando a Lorcasserina.

 

Ao final do estudo, o grupo que havia se tratado com a Lorcasserina, conseguiu uma diminuição maior da gordura corporal se comparado ao grupo que fez uso do placebo.

 

Mas deixando o alerta aqui, que mesmo se tratando de um novo medicamento voltado ao controle da obesidade, não devemos vê-lo como a pílula "mágica" do emagrecimento, pois observem no estudo apresentado[9], que as pessoas mesmo se submetendo ao estudo, elas eram praticantes de atividades físicas regulares.

 

Nós deixamos esse alerta, para que nossos leitores não pensem em iniciar uma corrida desenfreada a esse medicamento, achando que apenas ele de forma isolada será o único responsável pela perda de gordura, pois a perda de gordura ainda é, e sempre será um conjunto de vários fatores, nos quais a prática de uma atividade física é sempre recomendada.

 

Outro alerta é com relação a automedicação, e antes de iniciar o uso de qualquer medicamento, o indicado é procurar a ajuda médica.

 

Referências:

 

1 - Segurança Alimentar e Nutricional, Cassiano Oliveira da Silva, Daurea Abadia De-Souza, Grazieli Benedetti Pascoal, Luana Padua Soares, 2015.

 

2 - Pense e Enriqueça para Mulheres, Sharon Lechter, 2015.

 

3 - Nutrição, Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003 pg-502.

 

4 - Psicofármacos - Aristides Volpato Cordioli, Carolina Benedetto Gallois, Luciano Isolan, 2015.

 

5 - Farmacologia Integrada - Roberto De Lucia, 2016.

 

6 - Smith SR, Prosser WA, Donahue DJ, Morgan ME, Anderson CM, Shanahan WR; APD356-004 Study Group. Lorcaserin (APD356), a selective 5-HT(2C) agonist, reduces body weight in obese men and women. Obesity (Silver Spring). 2009;17(3):494-503.

 

7 - Bays HE. Lorcaserin and adiposopathy: 5-HT2c agonism as a treatment for 'sick fat' and metabolic disease. Expert Rev Cardiovasc Ther. 2009;7(11):1429-45.

 

8 - André M. Faria, Marcio C. Mancini, Maria Edna de Melo, Cintia Cercato, Alfredo Halpern, Progressos recentes e novas perspectivas em farmacoterapia da obesidade, 2010.

 

9 - Smith SR, Weissman NJ, Anderson CM, Sanchez M, Chuang E, Stubbe S, et al. Behavioral Modification and Lorcaserin for Overweight and Obesity Management (BLOOM) Study Group. Multicenter, placebo-controlled trial of lorcaserin for weight management. Behavioral Modification and Lorcaserin for Overweight and Obesity Management (BLOOM) Study Group. N Engl J Med. 2010;363:245–56.

 



 

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