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Leucina isolada e Crescimento Muscular

 

  • Leucina

Marcelo Calazans

Elaborado em 19/02/2019

 

RUSSI, MC. Leucina isolada e crescimento muscular. Matérias Musculação, São paulo, fev. 2019.

 

Na musculação, a proteína é geralmente associada com o ganho de massa muscular, e muitos apontam uma relação direta entre a proteína e os resultados obtidos no culturismo[1].

Para explicar melhor o mecanismo de ação da Leucina no corpo do praticante de musculação, teremos que explicar um pouco mais sobre a proteína.

A proteína é formada por unidades chamadas de aminoácidos, e podemos dizer que a proteína é uma sequência de aminoácidos agrupados com extrema precisão[2].

Os aminoácidos que o nosso organismo utiliza para formar as proteínas do nosso corpo, podem ser encontrados nos alimentos que ingerimos. Temos basicamente dois grupos de aminoácidos: os aminoácidos essenciais e os não-essenciais.

As proteínas contidas nos alimentos que ingerimos, são formadas por cerca de vinte aminoácidos, mas nove desses aminoácidos são considerados essenciais, pois o nosso corpo não é capaz de produzi-los, e devemos obrigatoriamente ingeri-los todos os dias em nossas refeições[3].

Os nove aminoácidos essenciais são: histidina, isoleucina, Leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina[3].

A grosso modo, podemos dizer que nossos músculos são formados por proteína, pois esses vinte aminoácidos que comentamos acima, são utilizados para compor a nossa proteína muscular[4].

A partir desse momento, já podemos elaborar uma pergunta que será importante para entender o restante dessa matéria:

“Se a nossa proteína muscular é composta por esses vinte aminoácidos, porque seria importante ingerir a Leucina sozinha de forma isolada?”

Para começar a responder essa pergunta, precisamos primeiro de uma breve explicação sobre a síntese proteica.

A síntese proteica pode ser traduzida em “produção de proteína”, que ocorre num processo em que o nosso organismo organiza de forma precisa os aminoácidos necessários para formar uma determinada proteína[5].

Em indivíduos considerados magros (baixo % de gordura), a musculatura esquelética representa cerca de 50% do peso corporal, ela é a responsável pela nossa locomoção e movimentação[6]. É a nossa musculatura esquelética que treinamos em uma seção de musculação.

Nossos músculos esqueléticos são compostos por proteínas estruturais, miosina, actina e demais enzimas mitocondriais. E o processo que mantem a nossa proteína muscular, também é a síntese de proteínas[6].

Podemos dizer, desta forma, que o processo de crescimento muscular que buscamos nas academias, é desencadeado no pós-treino através da síntese proteica.

Vários hormônios podem influenciar a síntese proteica muscular, como a insulina[7], GH e IGF-1[6].

Mas o hormônio “queridinho” dos praticantes de musculação é sem dúvida a testosterona, que é apontada como a responsável pelo aumento da massa muscular esquelética via estimulação da síntese de proteína muscular[8].

Agora sabemos, portanto, que a síntese proteica é essencial para quem deseja praticar musculação e obter crescimento de massa muscular, e sabemos também o que ela representa.

Podemos concluir com isso, que a proteína que origina a síntese proteica é mesmo importante para o praticante de musculação, e que ingerir doses diárias corretas de proteína em nossas refeições é indicado, pois assim teremos todos os aminoácidos necessários para que nosso crescimento muscular aconteça.

Mas a pergunta sobre a importância de ingerir a Leucina de forma isolada ainda persiste, e agora temos as condições para responde-la.

Apesar de todos os aminoácidos terem a sua importância na síntese de proteínas, a Leucina parece ser o “gatilho” inicial que dispara todo o processo de síntese proteica[9]. São vários os estudos que apontam uma importância significativa da Leucina nesse processo[10,11,12].

Hoje em dia, já se sabe da existência de uma substância chamada mTOR (mammalian target of rapamycin). Essa substância é responsável pelo controle de muitas funções celulares, atuando inclusive no crescimento geral do nosso corpo[13,14].

O mTOR regula diversos processos relacionados com a síntese proteica[15], e a Leucina demonstrou estimular a via de sinalização anabólica do mTOR[16].

Por esse motivo, a Leucina é cotada hoje como um aminoácido funcional, indo além da sua participação básica na síntese proteica[17].

Talvez seja isso, que contribui para a crescente fama da Leucina existente no mundo do culturismo.

O futuro desse assunto é promissor, e devemos aguardar as descobertas que estarão por vir nos próximos anos.

Referências:

1 - Maestá, Nailza et al . Efeito da oferta dietética de proteína sobre o ganho muscular, balanço nitrogenado e cinética da 15N-glicina de atletas em treinamento de musculação. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v.14, n.3, p. 215-220, June 2008.

2 - Berg JM, Tymoczko JL, Stryer L. Biochemistry. 5th edition. New York: W H Freeman; 2002. Section 3.2, Primary Structure: Amino Acids Are Linked by Peptide Bonds to Form Polypeptide Chains. [link] acessado em 19/02/2019.

3 - National Research Council (US) Subcommittee on the Tenth Edition of the Recommended Dietary Allowances. Recommended Dietary Allowances: 10th Edition. Washington (DC): National Academies Press (US); 1989. 6, Protein and Amino Acids. [link] acessado em 19/02/2019.

4 - Wolfe, Robert R. “Branched-chain amino acids and muscle protein synthesis in humans: myth or reality?” Journal of the International Society of Sports Nutrition vol. 14 30. 22 Aug. 2017. [link] acessado em 19/02/2019.

5 - Berg JM, Tymoczko JL, Stryer L. Biochemistry. 5th edition. New York: W H Freeman; 2002. Section 29.1, Protein Synthesis Requires the Translation of Nucleotide Sequences Into Amino Acid Sequences. [link] acessado em 19/02/2019.

6 - Institute of Medicine (US) Committee on Military Nutrition Research. The Role of Protein and Amino Acids in Sustaining and Enhancing Performance. Washington (DC): National Academies Press (US); 1999. 6, Regulation of Muscle Mass and Function: Effects of Aging and Hormones. [link] acessado em 19/02/2019.

7 - Biolo G, Declan Fleming RY, Wolfe RR., Physiologic hyperinsulinemia stimulates protein synthesis and enhances transport of selected amino acids in human skeletal muscle., J Clin Invest. 1995 Feb;95(2):811-9. [link] acessado em 19/02/2019.

8 - Brodsky IG, Balagopal P, Nair KS., Effects of testosterone replacement on muscle mass and muscle protein synthesis in hypogonadal men--a clinical research center study., J Clin Endocrinol Metab. 1996 Oct;81(10):3469-75. [link] acessado em 19/02/2019.

9 - Breen, L and T A Churchward-Venne. “Leucine: a nutrient 'trigger' for muscle anabolism, but what more?” Journal of physiology vol. 590,9 (2012): 2065-6. [link] acessado em 19/02/2019.

10 - Norton LE, Layman DK., Leucine regulates translation initiation of protein synthesis in skeletal muscle after exercise., J Nutr. 2006 Feb;136(2):533S-537S. [link] acessado em 19/02/2019.

11 - Columbus, Daniel A et al. “Leucine is a major regulator of muscle protein synthesis in neonates” Amino acids vol. 47,2 (2014): 259-70. [link] acessado em 19/02/2019.

12 - Rieu, Isabelle et al. “Leucine supplementation improves muscle protein synthesis in elderly men independently of hyperaminoacidaemia” Journal of physiology vol. 575,Pt 1 (2006): 305-15. [link] acessado em 19/02/2019.

13 - NCI Dictionary of Cancer Terms, mTOR, U.S. Department of Health and Human Services, National Institutes of Health. [link] acessado em 19/02/2019.

14 - Hall MN., mTOR-what does it do?, Transplant Proc. 2008 Dec. [link] acessado em 19/02/2019.

15 - Wang X, Proud CG., The mTOR pathway in the control of protein synthesis., Physiology (Bethesda). 2006 Oct;21:362-9. [link] acessado em 19/02/2019.

16 - Sport Supplement Reference Guide, William Llewellyn, Molecular Nutrition Llc, 2009.

17 - Duan Y, Li F, Liu H, Li Y, Liu Y, Kong X, Zhang Y, Deng D, Tang Y, Feng Z, Wu G, Yin Y., Nutritional and regulatory roles of leucine in muscle growth and fat reduction., Front Biosci (Landmark Ed). 2015 Jan 1;20:796-813. [link] acessado em 19/02/2019.



 

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