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Entendendo o eixo HPTA e a produção de Testosterona

 

  • O eixo HPTA e a produção de Testosterona

Marcelo Calazans

Elaborado em 24/11/2016

 

RUSSI, MC. Entendendo o eixo HPTA e a produção de testosterona. Matérias Musculação, São paulo, nov. 2016.

 

A produção de testosterona no corpo de um homem, bem como o funcionamento do eixo hormonal HPTA que é o responsável pela produção da testosterona, estão ligados ao sistema endócrino do corpo masculino.

 

O sistema endócrino é composto por glândulas que secretam os hormônios, e os hormônios secretados são mensageiros químicos que levam informações a diversas partes do corpo, controlando funções vitais no nosso corpo, como, o crescimento e desenvolvimento, reprodução, manutenção do meio interno, produção e armazenamento de energia[1] entre muitas outras.

 

No corpo masculino, o crescimento e desenvolvimento, bem como a reprodução, são controlados através do eixo HPTA.

 

Aqui nesta matéria de agora, vamos explicar melhor a importância e o funcionamento do eixo HPTA.

 

O eixo hipotálamo-pituitária-testicular (HPTA), ou HPT como também é referenciado por alguns, consiste em um eixo hormonal de várias fases. Neste eixo existe a participação importante de três regiões do corpo masculino que fazem parte do nosso sistema endócrino, o hipotálamo, a pituitária e os testículos.

 

O hipotálamo é uma pequena área no nosso cérebro que pesa cerca de 4 gramas de um total de cerca de 1,5 Kg de um cérebro adulto, mas apesar de pequeno, o hipotálamo é de essencial importância para a vida[2].

 

Ele exerce papel fundamental no controle de várias coisas importantes à vida, como o controle de fluídos e eletrólitos no corpo, ajudando no controle da temperatura corporal, exercendo papel fundamental na nossa alimentação e metabolismo e sendo também muito importante no controle da reprodução[2].

 

Das funções do hipotálamo, aquela que mais vai nos importar aqui nesta matéria, é a parte relacionada com a reprodução, que entre outras coisas, está ligada também com a produção de testosterona controlada pelo eixo HPTA.

 

O hipotálamo libera um hormônio pulsátil chamado de GnRH[3], que é liberado em pulsos com intervalos de 60 a 90 minutos[4].

 

O GnRH é o hormônio que inicia todo o processo do eixo HPTA.

 

Passemos então adiante no eixo, e agora o GnRH liberado pelo hipotálamo, irá acionar uma segunda etapa do eixo, no qual a glândula pituitária, ou hipófise[5], ao receber a informação química passada pelo GnRH, dará início a produção de dois outros hormônios, o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo-estimulante)[6].

 

Até este ponto, essa química de produção hormonal tanto no homem quanto na mulher, acaba tendo muitas semelhanças, mas a partir desse momento, as distinções começam a ocorrer, pois os hormônios LH e FSH no homem e na mulher acabam por cumprir funções diferentes.

 

Passaremos adiante então para finalmente chegarmos na porção final do eixo HTPA, que são os testículos.

 

Os testículos possuem dois agrupamentos de células, as células de leydig e as células de sertoli, que respondem respectivamente aos sinais químicos do LH e do FSH[6].

 

O LH tem a função de informar as células de leydig do testículo da necessidade de se produzir a testosterona[7]. Podemos dizer que as concentrações de LH e de testosterona no corpo de um homem se correlacionam positivamente, e aumentos nos níveis de LH sempre precedem aumentos nos níveis de testosterona[8].

 

Já o FSH tem como alvo as células de sertoli, regulando assim a espermatogênese[7], que acaba resultando no final na produção dos espermatozoides[6].

 

Poderíamos pensar que por termos chegado ao final com a produção da testosterona e dos espermatozoides, que o eixo HTPA teria terminado, mas na verdade ele é um eixo dinâmico, cíclico e contínuo.

 

O corpo tem em uma de suas tarefas, manter o que chamamos de homeostase, que é um controle, um equilíbrio, e este equilíbrio também existe no eixo HPTA.

 

Esse equilíbrio deve existir para que o organismo possa controlar a quantidade de testosterona produzida no corpo de um homem. A homeostase do eixo HPTA, sempre irá forçar para manter as taxas de testosterona no corpo do homem equilibradas, nunca muito baixas e nem tão pouco elevadas demais.

 

Pois a testosterona baixa, pode ser tão prejudicial ao bom funcionamento do corpo de um homem, quanto a testosterona elevada demais.

 

Portanto existe uma regulagem no eixo HPTA, que acontece através de um feedback enviado em resposta ao eixo, e é assim que o corpo regula a homeostase do eixo HPTA, definindo a quantidade de testosterona que deve ser produzida.

 

A testosterona no corpo do homem passa por uma transformação bioquímica, e podemos dizer que a testosterona e o estrogênio possuem uma estrutura química muito similar, e no corpo do homem um processo bioquímico chamado aromatização, faz uma pequena alteração na testosterona originando assim o estrogênio, esse processo bioquímico de transformação da testosterona em estrogênio, é feito a partir da interação da testosterona com uma enzima, a enzima aromatase[9].

 

Entender esse processo de aromatização é importante para compreendermos o controle da homeostase do eixo HPTA, porque junto com a testosterona, o estrogênio (estradiol), cumpre um importante papel na regulagem de quanta testosterona o eixo HPTA deve produzir.

 

É bem comum vermos citações até um pouco simplistas, mas nem por isso incorretas, de que o estrogênio se liga à receptores no hipotálamo, limitando assim a produção pulsátil do GnRH. Isso faria com que o eixo HPTA no final produzisse menos testosterona, e que seria essa a forma do corpo controlar a homeostase do eixo HPTA e a produção de testosterona. Portanto, o feedback negativo que é exercido pelo estrogênio no eixo HPTA para regular a produção de testosterona, ocorreria no hipotálamo.[10].

 

Mas nunca podemos deixar de observar que existem inúmeros estudos que devemos considerar, e analisando outros estudos e referências, vemos que o controle da homeostase do eixo HPTA vai um pouco mais além disso.

 

Ambos, a testosterona e o estrogênio têm influência direta na regulação e supressão do eixo HPTA por feedback.

 

A testosterona é citada como menos influente que o estrogênio na regulação e supressão do eixo HPTA por feedback[6].

 

Mas nem por isso a testosterona estaria fora desse papel, pois é citado em estudo, que apesar do estrogênio ter papel fundamental na regulação do eixo HPTA por feedback, uma parte desse feedback pode ser creditado à própria ação direta da testosterona, e não seria então apenas o estrogênio sozinho, o responsável pela supressão do eixo HPTA[11].

 

Outra coisa que também podemos observar através do fruto de estudos, é que não há assim tanta concordância que a supressão do eixo HPTA causada pelo estrogênio ocorra apenas a nível do hipotálamo.

 

Estudos sugerem que a pituitária é também um importante local de feedback negativo de estrogênios em homens no que se trata da supressão do eixo HPTA[12].

 

Portanto, a partir destes dados, concluímos que no homem, o estrogênio tem locais duplos de supressão do eixo HPTA, atuando no hipotálamo para diminuir a frequência de pulso GnRH, e na pituitária para diminuir a capacidade de resposta ao GnRH, diminuindo assim o fluxo do LH[13], e com isso diminuindo a produção de testosterona.

 

Percebam que manter estável a homeostase do eixo HPTA é uma coisa muito delicada, e por isso que a inclusão via exógena de qualquer esteroide anabolizante, que é feita quando os homens se utilizam de tais substância visando melhorias físico estéticas no caso dos praticantes de musculação, pode acarretar em severos problemas, que é comum de vermos em homens que tem a sua produção natural de testosterona prejudicada perante o uso de esteroides anabolizantes.

 

Todos os esteroides anabolizantes quando utilizados em doses mais elevadas que são comuns em ciclos visando crescimento muscular, terão a tendência de suprimir o eixo HPTA quebrando a sua homeostase e diminuindo a produção natural de testosterona desse homem[6,9].

 

Por isso que devemos pensar muito antes de partir para a utilização de esteroides anabolizantes, pois ao usa-los, estaremos quebrando esse sensível equilíbrio hormonal que nosso corpo luta tanto para manter equilibrado.

 

Referências:

 

1 - Fundamentos de enfermagem - Patricia Potter, Anne Perry, 2014.

 

2 - Sistema Nervoso - Volume 7 - Parte I - Cérebro: Coleção Netter de Ilustrações Médicas - Ted Burns, H. Royden Jones, Michael J. Aminoff, Scott L Pomeroy, 2014.

 

3 - 4 Horas por Semana - O Corpo, Timothy Ferriss, 2011.

 

4 - Histologia E Biologia Celular, Abraham L. Kierszenbaum, 2012.

 

5 - Bioquímica Médica - John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

6 - Anabolic Steroids a question of muscle - Dr. Michael Scally, 2008.

 

7 - Endocrinologia de Harrison - J. Larry Jameson, 2014.

 

8 - Foresta C, Bordon P, Rossato M, Mioni R, Velduis JD. Specific linkages among luteinizing hormone, follicle-stimulating hormone, and testosterone release in the peripheral blood and human spermatic vein, 1997.

 

9 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

10 - Inhibition of luteinizing hormone secretion by testosterone in men requires aromatization for its pituitary but not its hypothalamic effects: evidence from the tandem study of normal and gonadotropin-releasing hormone-deficient men. Pitteloud N, Dwyer AA, DeCruz S, Lee H, Boepple PA, Crowley WF Jr, Hayes FJ. J Clin Endocrinol Metab. 2008 Mar;93(3):784-91. Epub 2007 Dec 11.

 

11 - Finkelstein JS, Whitcomb RW, O'Dea LS, Longcope C, Schoenfeld DA, Crowley WF Jr. - Sex steroid control of gonadotropin secretion in the human male. I. Effects of testosterone administration in normal and gonadotropin-releasing hormone-deficient men., 1991.

 

12 - Finkelstein JS, O'Dea LStL, Whitcomb RW, Crowley WF. Sex steroid control of gonadotropin secretion in the human male. II. Effects of estradiol administration in normal and gonadotropin-deficient men., 1991.

 

13 - Hayes FJ, Seminara SB, Decruz S, Boepple PA, Crowley WF Jr. - Aromatase inhibition in the human male reveals a hypothalamic site of estrogen feedback., 2000.

 



 

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