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Consumo de Glúten a doença celíaca e a intolerância

 

  • Glúten

Marcelo Calazans

Elaborado em 26/01/2017

 

RUSSI, MC. Consumo de glúten a doença celíaca e a intolerância. Matérias Musculação, São paulo, jan. 2017.

 

O mercado de produtos sem Glúten é algo que tem crescido muito nos últimos anos, e alguns especialistas[1] colocam isso em avaliação.

 

Até que ponto, isso seria impulsionado pelas pessoas que tem a real necessidade de retirar o Glúten da dieta por um problema de saúde, e até que ponto, isso poderia ser considerado um modismo.

 

É comum nos dias de hoje, dietas sem Glúten indicadas para todos, incluindo as pessoas que não possuem restrições clínicas comprovadamente desfavoráveis ao consumo do Glúten. Como exemplo de restrição clínica, podemos citar o caso das pessoas portadoras da doença celíaca.

 

Vamos nessa matéria tentar explicar todos esses pontos.

 

O início dessa explicação deve primeiramente trazer à tona a explicação sobre a doença celíaca, para mostrar porquê que algumas pessoas não podem ingerir o Glúten.

 

A doença celíaca é uma doença autoimune, que é desencadeada pela ingestão do Glúten. Nas pessoas geneticamente predispostas, isso pode representar um grave problema[2].

 

A descrição mais clássica da doença celíaca data de 1888, e foi feita por Samuel Gee, e foi por ele definida como "afecção celíaca" com a seguinte descrição: -"indigestão crônica encontrada em pessoas de todas as idades, especialmente em crianças entre 1 e 5 anos"[3].

 

Mas até então, não havia associação da patologia "afecção celíaca" com o consumo de Glúten, e foi durante a Segunda Guerra Mundial, que tais efeitos foram associados ao Glúten, pois durante o racionamento de trigo que ocorreu no período da guerra, se observou que os problemas haviam diminuído[3].

 

Isso veio a ser comprovado anos depois com a criação da biopsia do intestino delgado peroral, e desta forma, foram comprovadas as suspeitas de que o Glúten, era mesmo o responsável pelos distúrbios causados nas pessoas portadoras de doença celíaca[4].

 

O Glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio e na cevada[5], ele é constituído por gliadina e glutenina, que juntas somam 85% da fração proteica da farinha de trigo[2].

 

A doença celíaca, ou espru celíaco, é uma condição inflamatória do intestino delgado, na qual o padrão mais clássico da doença, é o achatamento das vilosidades do intestino delgado, que é causado por reações imunológicas induzidas pelo Glúten nas pessoas portadoras de doença celíaca[6].

 

O intestino delgado tem a função de absorver os nutrientes dos alimentos durante o processo de digestão, e as vilosidades do intestino delgado, tem a função de ampliar a superfície intestinal responsável pela absorção dos nutrientes[7].

 

Abaixo segue uma imagem que demostra o dano nas vilosidades:

 

vilosidades intestinais

 

O dano que o Glúten causa nas vilosidades intestinais das pessoas portadoras de doença celíaca é considerável, e isso pode causar diversos problemas às pessoas.

 

Os problemas clínicos mais comuns citados na doença celíaca, são aqueles que tem como origem a má absorção de nutrientes, como por exemplo a anemia, atraso no crescimento, deficiência de vitaminas e minerais, osteoporose e perda de peso geral[8].

 

O diagnóstico da doença celíaca deve ser feito por um profissional da área de saúde habilitado para isso, e se diagnosticada a doença, a pessoa deve junto a um nutricionista formular uma dieta que possibilite conviver com o problema, pois o tratamento para as pessoas que possuem a doença celíaca, é retirar da dieta os alimentos que contém Glúten.

 

Por causa desse problema que as pessoas portadoras de doença celíaca têm, que consiste em convivem com uma necessidade nutricional diferenciada sem Glúten, é que a lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003 foi criada. O texto da lei cita a "obrigatoriedade de os produtos alimentícios comercializados informar sobre a presença de glúten, como medida preventiva e de controle da doença celíaca".

 

Foi essa lei que trouxe uma coisa bem conhecida, que vemos nos rótulos dos produtos nos supermercados, que são as informações "contém Glúten" ou "não contém Glúten".

 

Mas, e quanto às pessoas que não são portadoras da doença celíaca? Elas devem retirar também o Glúten da dieta?

 

- Segundo um parecer técnico[9] do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3), a retirada do Glúten da dieta deve ser aplicada exclusivamente aos portadores de doença celíaca, e eles colocam que "a recomendação indiscriminada para restrição ao consumo de glúten não encontra, atualmente, respaldo na ciência da nutrição e está em desacordo com o Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar".

 

Uma outra informação que não podemos deixar de citar, é que existem casos documentados de problemas com o Glúten, que ocorrem em pessoas não portadoras de doença celíaca, e que é batizado em alguns estudos, como intolerância ao Glúten[1].

 

A intolerância ao Glúten afeta também negativamente as pessoas, mas nesse caso, essas pessoas afetadas não testam positivo para a doença celíaca. Algumas pessoas que tem apenas a intolerância ao Glúten, são capazes ainda de ingerir pequenas quantidades de Glúten[1].

 

Estimasse que cerca de 5% a 10% da população pode ter intolerância ao Glúten em algum nível[10].

 

Outra pesquisa colocada recentemente, aponta para outro ponto negativo do Glúten, que é chamada de ataxia de Glúten, que é uma disfunção neurológica que afeta a coordenação, que no caso dos atletas, pode resultar em graves problemas no desenvolvimento esportivo[10].

 

Todas essas características negativas do Glúten apresentadas acima, contribuíram na nossa opinião para desencadear esse verdadeiro modismo atual de rejeição ao Glúten. Porém, nos casos em que há realmente necessidade de retirar o Glúten, ele deve ser evitado.

 

Mas, e quanto às pessoas que não manifestam problemas clínicos comprovados com a ingestão do Glúten, essas pessoas deveriam também retirar o Glúten da dieta apenas visando a melhoria da boa forma física e estética?

 

É comum na área de saúde, encontrarmos pessoas que afirmam que o Glúten causa inchaço, aumento de celulite e barriga, e que a retirada do glúten da dieta melhora o funcionamento intestinal, e isso pelo fato do glúten ser uma proteína de difícil digestão.

 

Em favor desses ferrenhos defensores das dietas sem Glúten para todos, inclusive para as pessoas que não demonstram problemas clínicos com a ingestão do Glúten, o que podemos dizer, é que existem estudos em modelos animais, que apontam um benefício na redução da gordura corporal associada a dietas sem Glúten, mas mesmo assim, esses pesquisadores apontam que a associação direta entre Glúten e o peso corporal, ainda é algo inconsistente[11].

 

No mundo fitness, a prática da retirada do Glúten não é incomum, mas podemos ver a opinião da atleta e musa fitness Eva Andressa, que em seu livro[12], cita que nos períodos de competição, mesmo sem a retirada do Glúten da dieta, ela conseguia como cita, "ficar com o Shape impecável".

 

Um estudo conduzido em atletas de resistência não portadores de doença celíaca, feito em uma amostragem a curto prazo, identificou que a dieta sem Glúten não mostrou benefício nenhum nos quesitos testados, pois não houve efeito sobre o desempenho dos atletas, sintomas gastrointestinais, lesão intestinal ou qualquer tipo de marcadores inflamatórios[13].

 

Mas claro que o fato de haverem defensores ferrenhos das dietas sem Glúten para todos, isso com certeza no futuro, vai alimentar a ciência de muitos estudos que ainda estarão por vir, e com isso, conclusões mais concretas sobre o benefício das dietas sem Glúten para todos poderão ser melhor compreendidas.

 

A conclusão que fazemos, é que inicialmente ao ter qualquer suspeita de doença celíaca ou intolerância, a pessoa deve procurar um profissional da área de saúde para se ter um diagnóstico, e neste caso, se o diagnóstico for positivo, a procura pela ajuda de um bom nutricionista para auxiliar na elaboração de uma dieta sem Glúten, é de extrema importância.

 

Como nossa função aqui não é polemizar e sim informar, gostaríamos de dizer àqueles que não possuem restrições clínicas ao consumo do Glúten, que a decisão de ingerir alimentos com Glúten ou sem Glúten, apenas pensando na boa forma física e estética, deve ser tomada junto à um profissional habilitado para isso. Não baseiem a sua decisão apenas em leituras feitas por conta própria, ou opinião de colegas.

 

Referências:

 

1 - Go Gluten-free: Diets for Athletes and Active People., Harris, Margaret M. Ph.D., M.S., H.C.; Meyer, Nanna Ph.D., R.D., C.S.S.D., FACSM., ACSM's Health and Fitness Journal: January/February 2013 - Volume 17 - Issue 1 - p 22–26. [link] acessado em 01/05/2019.

 

2 - Araujo, Halina Mayer Chaves et al . Doença celíaca, hábitos e práticas alimentares e qualidade de vida. Rev. Nutr., Campinas , v. 23, n. 3, p. 467-474, jun. 2010.

 

3 - Sdepanian, Vera Lucia; Morais, Mauro Batista de; Fagundes-Neto, Ulysses. Doença celíaca: a evolução dos conhecimentos desde sua centenária descrição original até os dias atuais. Arq. Gastroenterol., São Paulo , v. 36, n. 4, p. 244-257, Dec. 1999.

 

4 - Rubin CE, Brandborg LL, Phelps PC, Taylor HC. Studies of celiac disease. The apparent identical and specific nature of the duodenal and proximal jejunal lesion in celiac disease and idiopathic sprue. Gastroenterology, 1960.

 

5 - Guia Mitos e Verdades dos Alimentos, On Line Editora, 3 de ago de 2016.

 

6 - Diagnóstico e Tratamento das Doenças Imunológicas, Mario Geller, Morton Scheinberg, 2015.

 

7 - Histologia e Biologia Celular - Abrahan L. Kierszenbaum, 2012.

 

8 - Sistema Endócrino - Volume 2: Coleção Netter de Ilustrações Médicas, William F., Jr. Young, 2015.

 

9 - Restrição ao consumo de Glúten - Parecer CRN-3. [link] acessado em 01/05/2019.

 

10 - Hadjivassiliou M, Sanders DS, Grunewald RA, Woodroofe N, Boscolo S, Aeschlimann D. Gluten sensitivity: From gut to brain. Lancet Neurol. 2010;9:318Y30.

 

11 - Freire RH, Fernandes LR, Silva RB, Coelho BS, de Araújo LP, Ribeiro LS, Andrade JM, Lima PM, Araújo RS, Santos SH, Coimbra CC, Cardoso VN, Alvarez-Leite JI., Wheat gluten intake increases weight gain and adiposity associated with reduced thermogenesis and energy expenditure in an animal model of obesity., 2015. [link] acessado em 08/05/2019.

 

12 - Dicas Fitness: Falando de boa forma e saúde, Eva Andressa, 2011.

 

13 - Lis D, Stellingwerff T, Kitic CM, Ahuja KD, Fell J., No Effects of a Short-Term Gluten-free Diet on Performance in Nonceliac Athletes., Med Sci Sports Exerc. 2015 Dec;47(12):2563-70. [link] acessado em 08/05/2019.

 



 

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