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A Glutamina o Catabolismo e suas funções

 

  • Glutamina Overtraining

Marcelo Calazans

Elaborado em 10/06/2017

 

RUSSI, MC. Glutamina o catabolismo e suas funções. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2017.

 

A Glutamina é um aminoácido que na sua forma livre, se constitui o mais abundante aminoácido do corpo humano, tanto no plasma como no tecido muscular[1].

 

Para entendermos um pouco melhor o que é a Glutamina, devemos ver uma breve explicação sobre a proteína.

 

A proteína é um importante macronutriente[2] encontrado em nossa alimentação.

 

Toda proteína é formada por unidades chamadas de aminoácidos. A função mais importante dos aminoácidos é na formação de proteínas específicas, como por exemplo, os próprios tecidos do nosso corpo, nos quais podemos citar o tecido muscular[3,4].

 

Os aminoácidos podem ser classificados em aminoácidos essenciais e não essenciais[5]. Os aminoácidos essenciais, são aqueles que devem existir na nossa alimentação obrigatoriamente, pois nosso corpo não tem a capacidade de sintetiza-los[6].

 

Abaixo temos uma relação dos conhecidos aminoácidos essenciais e não essenciais:

 

EssenciaisNão-Essenciais
FenilalaninaÁcido Aspártico
HistidinaÁcido Glutâmico
IsoleucinaAlanina
LeucinaArginina
LisinaAsparagina
MetioninaCisteína
TreoninaGlicina
TriptofanoGlutamina
ValinaProlina
 Serina
 Tirosina

 

A Glutamina é classificada como um aminoácido não essencial, pois o nosso corpo tem a capacidade de sintetiza-la. Mas o fato da Glutamina estar envolvida em muitas funções no nosso corpo, e o fato de situações específicas demandarem maiores quantidades de Glutamina, faz ela ser considerada essencial em alguns casos[7].

 

Essas situações específicas em que a demanda de Glutamina é maior, podem incluir cirurgias, traumas e exercícios físicos exaustivos[8,9].

 

Portanto, já no início podemos observar um importante fato de interesse dos nossos leitores praticantes de atividades físicas, que é a afirmação feita acima, de que exercícios físicos intensos podem demandar uma quantidade maior de Glutamina.

 

Os benefícios e funções da Glutamina no nosso corpo não param por aí. Podemos também colocá-la como importante no funcionamento do cérebro, intestino e sistema imunológico.

 

No cérebro a Glutamina é encontrada em abundância, e sua função no SNC (sistema nervoso central) é de fundamental importância como percursor de alguns neurotransmissores[10].

 

No SNC, a concentração de Glutamina nos líquidos intersticial e cefalorraquidiano é maior do que a de qualquer outro aminoácido[11].

 

Ainda no SNC, ela participa da formação de um importante neurotransmissor, o glutamato (ácido glutâmico)[10].

 

A Glutamina age ativamente em áreas do corpo que possuem células que se dividem rapidamente, como células do sistema imunológico e do intestino. Uma deficiência de Glutamina, pode acarretar problemas no sistema imunológico e intestino[12].

 

A importância da Glutamina no funcionamento de nossas células é grande, pois é conhecida a sua capacidade de servir como fonte de combustível para as células[18].

 

Podemos citar como exemplo de células o enterócito, que é um tipo de célula epitelial da camada superficial do intestino delgado e do intestino grosso, bem como as células do sistema imunológico[18].

 

Outra importante contribuição em que alguns relacionam a função da Glutamina, é na prevenção do catabolismo proteico.

 

O catabolismo proteico (degradação das proteínas) é o processo contrário ao anabolismo criador de proteínas específicas, como por exemplo os próprios tecidos do nosso corpo incluindo os tecidos musculares.

 

A degradação das proteínas (catabolismo) durante o exercício físico é considerada elevada[13,14,15]. Neste ponto a Glutamina pode ser interessante devido ao seu comentado papel na melhora do balanço nitrogenado através da redução do catabolismo proteico[16].

 

Alguns de nossos leitores já devem ter ouvido falar de overtraining, que é caracterizado como um excesso de treinamento, e que pode ocorrer no exagero da prática física e quando os devidos intervalos de recuperação física e descanso não são respeitados.

 

Alguns sintomas podem aparecer neste caso, como a fadiga, irritabilidade, problemas com o sono, queda no desempenho físico e até casos relatados de depressão[17].

 

O overtraining não afeta apenas a parte atlética do praticante, e sim também diretamente a saúde em alguns pontos, e são verificados maiores casos de infecções neste período devido a quedas no sistema imunológico[17].

 

Podemos facilmente explicar isso com as referências que já citamos acima, e já afirmamos que as quantidades de Glutamina pós exercícios físicos intensos podem estar diminuídas, e já referenciamos também a importância da Glutamina para o funcionamento do sistema imunológico.

 

Portanto, podemos colocar em discussão, que os problemas relatados de quedas do sistema imunológico em pessoas portadoras da síndrome do overtraining, podem estar relacionados com as baixas quantidades de Glutamina adquirida por essas pessoas devido as incessantes baterias de treinos exaustivos sem o devido tempo de recuperação física.

 

Conclusão

 

O fato da Glutamina se encontrar diminuída nos praticantes de atividades físicas intensas, sugere que uma suplementação com Glutamina nesses casos poderia se tornar interessante.

 

Contudo, não podemos afirmar com os estudos postados acima, que a Glutamina pode influenciar de forma positiva todas as pessoas praticantes de atividades físicas, mas ela pode se tornar útil no caso dos praticantes que precisam de uma quantidade maior de Glutamina devido a prática de atividades físicas de alta intensidade, podendo agir com seu efeito anticatabólico e de melhoria do sistema imunológico, ajudando no combate a infecções principalmente nos casos de síndrome do overtraining.

 

Portanto, nós achamos que a Glutamina pode ser útil ao praticante de musculação e de atividades físicas em determinadas situações.

 

Referências:

 

1 - Cruzat, Vinicius Fernandes; Petry, Éder Ricardo; Tirapegui, Julio. Glutamina: aspectos bioquímicos, metabólicos, moleculares e suplementação. Rev Bras Med Esporte, Niterói, v. 15, n. 5, p. 392-397, Oct. 2009.

 

2 - Goldman Cecil Medicina - Lee Goldman, Andrew I. Schafer, 2014.

 

3 - Coomes, M. W. in Devlin, T. M. Manual de Bioquímica com Correlações Clínicas. São Paulo: Edgard Blucher, 1998.

 

4 - HirschbruchH, Márcia Daskal; Carvalho, Juliana Ribeiro. Nutrição Esportiva: uma visão prática. São Paulo: Manole, 2002.

 

5 - Guyton E Hall Tratado De Fisiologia Médica, John E. Hall, Arthur C. Guyton, 2011.

 

6 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

7 - Fundamentos da Odontologia em Ambiente Hospitalar / UTI, Antonio Silva, Teresa Márcia Morais, 2015.

 

8 - Wray CJ, Mammen JMV, Hasselgren P. Catabolic response to stress and potential benefits of nutrition support. Nutrition. 2002.

 

9 - Santos RVT, Caperuto EC, Costa Rosa LFBP. Effects of acute exhaustive physical exercise upon glutamine metabolism of lymphocytes from trained rats. Life Sci. 2007.

 

10 - Roles of glutamine in neurotransmission, Albrecht J1, Sidoryk-Wegrzynowicz M, Zielinska M, Aschner M. Neuron Glia Biol. 2010.

 

11 - Glutamine in the central nervous system: function and dysfunction, Albrecht J1, Sonnewald U, Waagepetersen HS, Schousboe A., Front Biosci. 2007 Jan 1;12:332-43.

 

12 - Yudkoff, Marc et al. "Ketosis and Brain Handling of Glutamate, Glutamine and GABA." Epilepsia 49.Suppl 8 (2008): 73–75. PMC. Web. 9 June 2017.

 

13 - Institute of Medicine (US) Committee on Military Nutrition Research. The Role of Protein and Amino Acids in Sustaining and Enhancing Performance. Washington (DC): National Academies Press (US); 1999. 11, Physical Exertion, Amino Acid and Protein Metabolism, and Protein Requirements.

 

14 - Branched-chain amino acids augment ammonia metabolism while attenuating protein breakdown during exercise, MacLean DA1, Graham TE, Saltin B., Am J Physiol. 1994 Dec;267(6 Pt 1):E1010-22.

 

15 - Increased rates of muscle protein turnover and amino acid transport after resistance exercise in humans, Biolo G1, Maggi SP, Williams BD, Tipton KD, Wolfe RR., Am J Physiol. 1995 Mar;268(3 Pt 1):E514-20.

 

16 - Pacifico, Stefânia Lucizani; Leite, Heitor Pons; CarvalhoO, Werther Brunow de. A suplementação de glutamina é benéfica em crianças com doenças graves?. Rev. Nutr., Campinas, v. 18, n. 1, p. 95-104, Feb. 2005.

 

17 - Estratégias de nutrição e suplementação no esporte, Simone Biesek, Letícia Azen Alves, Isabela Guerra, 2015.

 

18 - Role of Glutamine in Protection of Intestinal Epithelial Tight Junctions, RadhaKrishna Rao and Geetha Samak, 2011.

 



 

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