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Os riscos da Ginecomastia causada por Esteroides Anabolizantes

 

  • Ginecomastia causada por Esteroides Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 12/07/2016

 

RUSSI, MC. Os riscos da ginecomastia causada por esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016.

 

Introdução

 

Seguindo com a nossa contribuição na preservação da saúde dos colegas praticantes de musculação, vamos alertar para mais um problema causado pelos esteroides anabolizantes, a Ginecomastia.

 

A Ginecomastia é definida pelo aumento da mama masculina, provocado por um aumento do componente glandular[1]. Podemos também descrevê-la, como um desenvolvimento irregular do tecido mamário no homem, semelhante ao desenvolvimento mamário natural que ocorre nas mulheres.

 

Abaixo temos uma imagem que mostra como se apresenta a ginecomastia no homem:

 

fases de ginecomastia

 

Naturalmente, a Ginecomastia pode ocorrer em um homem devido à uma disfunção hormonal. Como exemplo, podemos citar a Ginecomastia puberal, que pode ser discreta, mas que acontece em cerca de 50% dos homens na puberdade, provavelmente por um desequilíbrio hormonal no homem desta faixa etária[1].

 

No mundo do fisiculturismo, encontraremos três hormônios relacionados como a Ginecomastia causada por esteroides anabolizantes (estrogênio, progesterona e prolactina). Vamos explicar cada um dos três de forma separada.

 

Estrogênio

 

No corpo do homem, o estrogênio também se faz presente, apesar de ser um hormônio mais abundante no sexo feminino.

 

Entre os tipos estudados de estrogênios, podemos citar o estradiol, a estrona e o estriol, que são os mais conhecidos e relacionados. Aqui nessa matéria, quando nos referirmos ao estrogênio, estaremos mais especificamente nos referindo ao estradiol, que é considerado o mais importante dos três.

 

No corpo masculino ocorre uma transformação bioquímica que se chama aromatização, e nessa transformação, a testosterona através da ação da enzima aromatase se converte em estrogênio[2].

 

A atividade de aromatização ocorre em várias partes do corpo masculino, incluindo tecido adiposo (gordura)[3], fígado[4], nas gônadas (testículos)[5], SNC (sistema nervoso central)[6] e na musculatura esquelética[7]. Sendo que o tecido adiposo, é apontado como o local mais importante de aromatização.

 

O estrogênio é muito semelhante estruturalmente se comparado à testosterona, e o estrogênio possui apenas uma pequena diferença estrutural. É exatamente nessa diferença que a enzima aromatase atua, originando assim o estrogênio.[2].

 

Não podemos considerar o estrogênio um vilão no corpo masculino, pois estudos apontam que ele também tem as suas funções no corpo do homem, apesar de que normalmente, encontra-se em taxas muito mais baixas no corpo masculino em comparação com o corpo feminino. Mas quando em doses muito acima do normal, pode causar efeitos colaterais adversos no homem, e um desses efeitos, é a Ginecomastia[2].

 

O usuário de esteroides anabolizantes, pode desenvolver a Ginecomastia. Um dos motivos para isso, poderia ser o fato de que alguns esteroides anabolizantes também aromatizam e se convertem em estrogênio, da mesma forma que ocorre com a nossa testosterona natural.

 

Um exemplo disso vem da própria testosterona, que quando utilizada como esteroides anabolizante (Durateston, Deposteron), vai obviamente aromatizar, e formar uma quantidade maior de estrogênio no corpo do homem, podendo deixar esse homem propenso a uma Ginecomastia.

 

Segue abaixo alguns outros exemplos de esteroides anabolizantes que aromatizam:

 

Boldenona:

 

- A Boldenona aromatiza cerca de 50% em comparação com a testosterona[8].

 

Nandrolona (Deca):

 

- A nandrolona aromatiza cerca de 20% em comparação com a testosterona[8].

 

Mas há casos de anabolizantes que não aromatizam. Isso ocorre porque eles são incapazes de interagir com a enzima aromatase para originar o estrogênio. Podemos citar como exemplos a oxandrolona, o estanozolol e a drostanolona (Masteron)[2].

 

Progesterona

 

Algumas pessoas citam a progesterona como responsável também pela Ginecomastia (“Ginecomastia progestênica”), apesar de alguns estudos afirmarem, que a relação da progesterona com a Ginecomastia ainda não é bem clara[24].

 

Existem alguns esteroides anabolizantes que por característica agem no corpo igual a progesterona, ou seja, eles possuem efeitos progestênicos, e podemos citar como exemplo a nandrolona (Deca)[25].

 

Mas é citado por especialistas, que aquilo que exerce papel fundamental na ocorrência da “Ginecomastia progestênica”, seria a ação conjunta entre a progesterona e o estrogênio, e muitas vezes nessa ação, se retirarmos a parcela estrogênica, a progesterona sozinha não seria capaz de causar tais problemas[2].

 

Prolactina

 

Algumas pessoas também costumam comentar sobre uma Ginecomastia causada pelo aumento de um hormônio chamado prolactina, que se batizou no meio da musculação de "Ginecomastia por prolactina".

 

Vamos avaliar até onde essa ideia tem fundamentos.

 

A prolactina desempenha importante papel no desenvolvimento normal do tecido mamário e na produção de leite materno na mulher[10], mas prestem bem atenção que a citação diz "desenvolvimento normal do tecido mamário"; será então, que a prolactina poderia causar um desenvolvimento anormal no tecido mamário, causando uma Ginecomastia?

 

Naturalmente no corpo do homem, segundo algumas literaturas, algumas disfunções hormonais que podem aumentar a prolactina, como o hipotireoidismo grave, podem estar associadas à Ginecomastia[9], mas não é bem clara e compreendida a ação direta da prolactina no aumento da glândula mamária no homem causando uma Ginecomastia, assim como acontece com a ação do estrogênio.

 

Existem muitos estudos que não relacionam a prolactina diretamente com a Ginecomastia[11,26], por isso que o termo empírico criado, “Ginecomastia por prolactina”, é questionável.

 

Outro paradigma, está relacionado com a forma na qual os esteroides anabolizantes aumentam a prolactina em seus usuários. Algumas pessoas insistem em afirmar que alguns anabolizantes com acentuado efeito progestênico, como a nandrolona e a trembolona, por exemplo, poderia ser a causa do aumento nos níveis de prolactina.

 

Mas o que temos relacionando a prolactina com a ação progestênica, é aquilo que encontramos em literaturas[10,12,14], que aponta a propriedade da progesterona em antagonizar com a prolactina, portanto, não há bases ainda para se afirmar que o efeito progestênico da nandrolona e da trembolona seriam responsáveis por aumentos de prolactina, embora, alguns afirmem que isso acontece.

 

A chave para o aumento da prolactina nos homens usuários de esteroides anabolizantes, seria ainda o aumento do estrogênio[15,16,17].

 

Algumas pessoas utilizam um conhecido estudo[18], que mostra o efeito do decanoato de nandrolona em doses elevadas. Neste estudo, se verificou que o decanoato de nandrolona, demonstrou afetar a expressão dos transcritos de genes dos receptores dopaminérgicos.

 

Desta forma, algumas pessoas associam o resultado desse estudo da nandrolona com o seu efeito progestênico, e creditam a mesma propriedade à trembolona, citando com isso que ambas, nandrolona e trembolona por afetarem receptores dopaminérgicos, teriam a capacidade de aumentar as concentrações de prolactina.

 

A citação que aponta que os esteroides anabolizantes em um sentido geral alteram a ação da serotonina[19] e da dopamina[20], já é conhecida há bastante tempo, e isso não ocorre apenas com a nandrolona e a trembolona. A mesma citação é feita também com relação ao estanozolol[20].

 

O próprio estudo em questão[18], cita que eles já haviam encontrado alterações nas densidades de receptores de dopamina, com esteroides anabolizantes num modo geral, e não apenas com a nandrolona.

 

Portanto, nada de concreto citado neste estudo[18], explica o aumento da prolactina que observamos em alguns relatos de uso de trembolona. Usar esse estudo para justificar aumentos de prolactina causados por trembolona e nandrolona, nos parece equivocado.

 

Uma outra coisa dentro do contexto relacionado à prolactina, que não poderíamos deixar de citar, é que a progesterona é considerada um neuroesteroide[21]. Já existem estudos que apontam que a progesterona pode ter uma modulação dopaminérgica, e que de alguma forma, ela poderia estar afetando as concentrações de prolactina[22].

 

Não é incomum encontrar algumas literaturas[23], que citam a possibilidade da progesterona estar relacionada com reduções na concentração de Dopamina.

 

Isso pode servir de alento, para talvez podermos explicar a relação da trembolona com possíveis aumentos na prolactina que vemos relatados no mundo do culturismo.

 

Conclusão

 

Nós do Matérias Musculação, recomendamos que as pessoas sempre evitem a automedicação. Procurar um médico para auxílio em um caso de Ginecomastia, é sempre a melhor opção.

 

Indicações de medicamentos são comuns em fóruns, e muitos usuários indicam medicações como SERM´s e cabergolina de forma equivocada e indiscriminada.

 

Acreditem apenas em diagnósticos de médicos especialistas.

 

Muitos estudos e literaturas, não sustentam a tese da Ginecomastia causada diretamente pela prolactina[11,24,26] ou pela progesterona[2,24] de forma isolada atuando no tecido mamário. Tomem cuidado com diagnósticos desse tipo realizado por internautas, pois somente um profissional médico capacitado pode ser responsável pela sua saúde.

 

Baseado em algumas referências[2,11,13,24,26], podemos dizer que os termos “Ginecomastia progestênica” e “Ginecomastia por prolactina”, que foram criados empiricamente dentro do culturismo, são equivocados.

 

O Estrogênio, por sua vez, continua sendo o responsável primário pelo crescimento mamário[13].

 

Referências:

 

1 - Sistema Endócrino - Volume 2: Coleção Netter de Ilustrações Médicas - William F. , Jr. Young, 2015.

 

2 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition, 2011.

 

3 - Aromatization of androgens by muscle and adipose tissuein vivo. Longcope C, Pratt JH, Schneider SH, Fineberg SE. J Clin Endocrinol Metab 1978 Jan;46(1):146-52.

 

4 - The aromatization of androstenedione by human adiposeand liver tissue. J Steroid Biochem. 1980 Dec;13(12):142731.

 

5 - Aromatase expression in the human male. Brodie A, Inkster S, Yue W. Mol Cell Endocrinol 2001 Jun 10;178(1-2):23-8.

 

6 - A review of brain aromatase cytochrome P450. LephartED. Brain Res Brain Res Rev 1996 Jun;22(1):1-26.

 

7 - Aromatization by skeletal muscle. Matsumine H, Hirato K, Yanaihara T, Tamada T, Yoshida M. J Clin Endocrinol Metab 1986 Sep;63(3):717-20.

 

8 - Biosynthesis of Estrogens, Gual C, Morato T, Hayano M, Gut M, and Dorfman R. Endocrinology 71 1962.

 

9 - Rotinas em Endocrinologia, Sandra Pinho Silveiro, Fabíola Satler, 2015.

 

10 - Fisiologia Médica, Hershel Raff, Michael G. Levitzky, 2012.

 

11 - Niewoehner, Catherine B, and Anna E Schorer. “Gynaecomastia and breast cancer in men.” BMJ (Clinical research ed.) vol. 336,7646 (2008). [link] acessado em 13/05/2019.

 

12 - Fisiologia Endócrina - 4.ed. Patricia E. Molina AMGH Editora, 2014.

 

13 - LaMarca, Heather L, and Jeffrey M Rosen. “Estrogen regulation of mammary gland development and breast cancer: amphiregulin takes center stage.” Breast cancer research : BCR vol. 9,4 (2007): 304. [link] acessado em 13/05/2019.

 

14 - Corpo Humano : Fundamentos de anatomia e fisiologia - 8ed -Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson Artmed Editora, 2012 - pag 615.

 

15 - Effects of estrogen on the release of gonadotropins and prolactin in male pseudohermaphrodites. Barbarino A, De Darinis L et al. J endocrinol Invest. 1979 Jan-Mar;2(1):41-4.

 

16 - Estrogen-dependent plasma prolactin response to gonadotropin-releasing hormone in intact and castrated men. Barbarino A, De Marinis L. et al. J Clin Endocrinol Metab. 1982 Dec;55(6):1212-6.

 

17 - Effects of progesterone administration on follicle-stimulating hormone and prolactin release in estrogen treated eugonadal adult men. Mancini A, De Marinis.

 

18 - Kindlundh AM, Lindblom J, Nyberg F., Chronic administration with nandrolone decanoate induces alterations in the gene-transcript content of dopamine D(1)- and D(2)-receptors in the rat brain., Brain Res. 2003 Jul 25;979(1-2):37-42. [link] acessado em 14/05/2019.

 

19 - Daly RC, Su T, Schmidt PJ, Pickar D, Murphy DL, Rubinow DR. Cerebrospinal fluid and behavior changes after methyltestosterone administration: preliminary findings. Arch Gen Psychiatry 2001.

 

20 - Tucci P, Morgese MG, Colaianna M, Zotti M, Schiavone S, Cuomo V, et al. Neurochemical consequence of steroid abuse: stanozolol-induced monoaminergic changes. Steroids 2012.

 

21 - Compêndio de Psiquiatria - 11ed: Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica - Benjamin J. Sadock, Virginia A. Sadock, Pedro Ruiz, 2016.

 

22 - Lonstein JS, Blaustein JD., Immunocytochemical investigation of nuclear progestin receptor expression within dopaminergic neurones of the female rat brain, J Neuroendocrinol. 2004 Jun;16(6):534-43.

 

23 - Erotismo, Sexualidade, Casamento e Infidelidade - Zampieri, Ana Maria Fonseca, 2004.

 

24 - Cuhaci, Neslihan et al. “Gynecomastia: Clinical evaluation and management.” Indian journal of endocrinology and metabolism vol. 18,2 (2014). [link] acessado em 11/05/2019.

 

25 - Reel JR, Humphrey RR, Shih YH, Windsor BL, Sakowski R, Creger PL, Edgren RA., Competitive progesterone antagonists: receptor binding and biologic activity of testosterone and 19-nortestosterone derivatives., Fertil Steril. 1979 May;31(5):552-61. [link] acessado em 11/05/2019.

 

26 - Kumanov F., Prolactin secretion and gynecomastia., Vutr Boles. 1983;22(6):103-10. [link] acessado em 13/05/2019.

 



 

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