barra dúvida um
barra dúvida dois
site dúvida
logo musculação
casal fitness
lupa

Enciclopédia do Fisiculturismo

© Copyright

mail barra
Botão Menu

LinkedIn
botão calculadoras
título calculadoras
fecha calc
calculadora bf calculadora tmb calculadora imc

fecha visi

Usuários On-Line

Veja o que estão acessando

 

• não estão excluídos desta relação os acessos feitos por robôs (bots)

• contabilizados os acessos totais nos últimos 30 minutos

78
Veja detalhes

 

Contraceptivo Gestrinona e o ganho de massa muscular

 

  • Gestrinona

Marcelo Calazans

Elaborado em 02/09/2017

 

RUSSI, MC. Contraceptivo gestrinona e o ganho de massa muscular. Matérias Musculação, São paulo, set. 2017.

 

Utilizada há muito tempo, a pílula contraceptiva oral combinada tradicional (COC) que também é conhecida por pílula anticoncepcional ou mais popularmente como "pílula", é o mais famoso método medicamentoso contraceptivo que temos, e também o mais utilizado.

 

Com o passar dos anos outras modalidades contraceptivas medicamentosas foram surgindo, e vemos atualmente muito se falar sobre uma substância que não é tão nova assim, que é a Gestrinona.

 

Os primeiros estudos com a Gestrinona na Europa e América do Norte datam de 1970, onde ela foi testada clinicamente como contraceptivo. Mas devido ao alto preço da medicação na época ela não apresentou vantagens em comparação com os outros contraceptivos orais. No entanto, a partir de 1982 começou a despertar o interesse pela Gestrinona para uma outra tarefa, que foi o tratamento da endometriose[1], indicação para tratamento essa que prevalece até hoje.

 

As pílulas contraceptivas convencionais e a Gestrinona, agem influenciando o ciclo hormonal feminino, mas com algumas distinções que vamos explicar nesta matéria.

 

Os órgãos sexuais femininos além de prover a ovulação e fecundação também cumprem a função de produtores de hormônios sexuais[13].

 

Tudo se inicia no hipotálamo que é uma pequena área no cérebro que pesa cerca de 4 gramas de um total de cerca de 1,5 Kg de um cérebro adulto, mas apesar de pequeno, o hipotálamo é de essencial importância para a vida[2].

 

Ele secreta um hormônio pulsátil de nome GnRH, que interage com uma outra área do cérebro, que é a hipófise. Essa por sua vez desencadeia a liberação de duas outras substâncias, os hormônios FSH (hormônio folículo-estimulante) e o LH (hormônio luteinizante)[3].

 

Os hormônios FSH e LH são os responsáveis pelo controle do ciclo hormonal feminino, agindo na ovulação e produção dos hormônios esteroides sexuais das mulheres.

 

Acompanhem abaixo um diagrama de funcionamento deste ciclo:

 

Ciclo Menstrual Ovulação

 

Os métodos contraceptivos medicamentosos, como as pílulas anticoncepcionais e a Gestrinona, agem influenciando neste ciclo hormonal, o que acaba por impedir que a ovulação aconteça.

 

No caso das pílulas anticoncepcionais tradicionais (COC), elas agem influenciando diretamente no hipotálamo impedindo a liberação do GnRH, o que irá resultar na parada da produção do FSH e LH que provocará o bloqueio da ovulação[4].

 

Mas a ação das pílulas anticoncepcionais tradicionais (COC) além de suprimir a ovulação, também sujeitam a mulher a diminuições nas concentrações de testosterona.

 

Os anticoncepcionais tradicionais (COC) reduzem os níveis de testosterona inibindo a síntese de andrógenos ováricos e adrenais, o que faz com que a quantidade de testosterona total diminua, e associado a isso, eles aumentam os níveis de SHBG, que faz despencar os níveis de testosterona livre[5].

 

Isso é um fator que interessa diretamente às nossas leitoras praticantes de musculação, pois no meio do culturismo é comum a citação de que o uso de anticoncepcionais tradicionais diminui a eficácia e o resultado dos treinos de musculação das mulheres, fato que pode ser associado a diminuição da testosterona nestes casos.

 

A Gestrinona neste caso pode se apresentar como uma opção para esse problema, pois ela utilizada como contraceptivo e por ser um esteroide com características especiais, pode suprimir a ovulação através da sua ação contraceptiva sem prejudicar os ganhos de massa muscular das mulheres que praticam musculação.

 

A estrutura da Gestrinona se assemelha muito a um outro esteroide anabolizante utilizado no mundo do culturismo, que é a trembolona, ambas possuem o padrão de dupla ligação e apresentam a ausência do agrupamento 19-methil, a diferença entre entre elas é que a Gestrinona apresenta um agrupamento 13-ethil, enquanto a trembolona apresenta seu grupo 13-methil[12].

 

Na sua estrutura a Gestrinona é um derivado da 19-nortestosterona[6], assim como acontece com a trembolona[7], e podemos também como curiosidade citar, que a 19-nortestosterona nada mais é do que uma antiga conhecida no mundo do culturismo, a nandrolona[8].

 

O modo de ação da Gestrinona é complexo e se baseia na interação com os receptores de testosterona, progesterona e estrogênio.

 

Podemos dizer que ela possui uma ação mista agonista e antagonista dos receptores de progesterona (semelhante como que ocorre nos SPRMs), possui também uma leve atividade androgênica (testosterona) e tem propriedades antiestrogênicas[9].

 

A capacidade contraceptiva da Gestrinona também se baseia na inibição dos hormônios FSH e LH[10], que como já colocado acima, pode suprimir a ovulação.

 

Só que a Gestrinona apresenta uma vantagem em relação aos anticoncepcionais tradicionais (pílula), pois além de suprimir a ovulação, ela tem uma leve atividade androgênica[9], que pode suprir a falta da testosterona que ocorre com os anticoncepcionais tradicionais.

 

Outro ponto a se destacar, é que a Gestrinona em estudo[14] se mostrou positiva na diminuição dos níveis de SHBG, que resultou em um aumento de testosterona livre.

 

Isso pode fazer a Gestrinona prover o seu efeito contraceptivo sem prejudicar os ganhos de massa muscular das mulheres que ocorre com os anticoncepcionais tradicionais.

 

Todo esse benefício que a Gestrinona pode proporcionar, causou um alvoroço de marketing, e alguns acabaram batizando os implantes de Gestrinona de "chip milagroso".

 

Mas como todo esteroide, a Gestrinona possui seus colaterais.

 

Apesar de possuir uma leve atividade androgênica[9] apenas, essa atividade pode causar problemas em algumas mulheres, que pode evoluir para quadros de virilização, que pode causar a disfonia (engrossamento da voz) podendo ir de uma leve rouquidão até uma alteração no tom da voz, hipertrofia de clítoris (clitoromegalia) entre outros inconvenientes efeitos androgênicos[11].

 

Lembrando que os colaterais não ocorrem na mesma intensidade com todas, pois isso está relacionado com a individualidade biológica de cada uma, enquanto algumas podem não apresentar colateral nenhum, outras podem ser mais sensíveis e apresentar colaterais até com doses baixas.

 

Todo cuidado é pouco, principalmente com produtos apresentados como milagrosos, e sempre procurar a opinião de um bom profissional médico é a melhor saída.

 

Referências:

 

1 - Gestrinone -National Center for Biotechnology Information. PubChem Compound Database; CID=27812. [link] acessado em 02/09/2017.

 

2 - Sistema Nervoso - Volume 7 - Parte I - Cérebro: Coleção Netter de Ilustrações Médicas - Ted Burns, H. Royden Jones, Michael J. Aminoff, Scott L Pomeroy, 2014.

 

3 - Fisiologia, Linda Costanzo, 2014.

 

4 - Fisiologia Médica, Walter F. Boron, Emile L. Boulpaep, 2015.

 

5 - Zimmerman Y, Eijkemans MJ, Coelingh Bennink HJ, Blankenstein MA, Fauser BC. The effect of combined oral contraception on testosterone levels in healthy women: a systematic review and meta-analysis. Human Reproduction Update 2014; 20(1): 76-105.

 

6 - Berek & Novak's Gynecology, Jonathan S. Berek, 2007.

 

7 - Russi, MC. Perfil do esteroide anabolizante trembolona. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016.

 

8 - Pharmacokinetic parameters of nandrolone (19-nortestosterone) after intramuscular administration of nandrolone decanoate (Deca-Durabolin) to healthy volunteers. Wijnand HP, Bosch AM, Donker CW., Acta Endocrinol Suppl (Copenh). 1985;271:19-30.

 

9 - Progestogens in Obstetrics and Gynecology, Howard J.A. Carp, 2015.

 

10 - Endometriose: Coleção Febrasgo, Sergio Podgaec, 2015.

 

11 - Russi, MC. Os colaterais femininos com o uso de anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2016.

 

12 - Mundo Anabolico, Azenildo Moura Santos, 2007.

 

13 - Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento, Bruce M. Carlson, 2014.

 

14 - Kauppila A, Isomaa V, Rönnberg L, Vierikko P, Vihko R.,Effect of gestrinone in endometriosis tissue and endometrium., Fertil Steril. 1985 Oct;44(4):466-70 [link] acessado em 09/05/2018.

 



 

química