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A Saúde do Fígado e a Esteatose Hepática

 

  • O figado e a esteatose hepática

Marcelo Calazans

Elaborado em 04/03/2017

 

RUSSI, MC. A saúde do fígado e a esteatose hepática. Matérias Musculação, São paulo, mar. 2017.

 

O Fígado é uma glândula, e se constitui na maior glândula do corpo humano pesando 1,5 Kg de forma aproximada[1].

 

Podemos chamar o Fígado de laboratório químico do corpo humano, pois ele executa diversas funções no nosso corpo.

 

O Fígado é responsável por executar mais de 200 funções no nosso corpo[2], e podemos citar algumas delas:

 

- Uma das conhecidas funções do Fígado é na produção de um grosso e viscoso líquido chamado de bile, que é produzido nas células hepáticas e serve para emulsificar as gorduras que ingerimos na nossa alimentação para facilitar a sua absorção[1];

 

- Outra conhecida função do Fígado é a de armazenar a glicose em forma de glicogênio. Essa função que o Fígado executa serve para ajudar a manter as concentrações de glicose no sangue estáveis, e ele executa a tarefa de liberar o glicogênio armazenado em forma de glicose na corrente sanguínea, sempre que os níveis de glicose no sangue caem abaixo do esperado[3];

 

- Desintoxicar o corpo também é uma das funções do Fígado, pois substâncias que ingerimos como os medicamentos por exemplo, junto com outras toxinas são inativadas pelos hepatócitos[3];

 

- No nosso corpo, a desaminação dos aminoácidos essencial para a manutenção do organismo, acaba originando um subproduto nocivo, que é a amônia. O Fígado tem um papel primordial nisso, pois ele converte essa amônia em ureia para que ela possa posteriormente ser excretada[4].

 

Poderíamos citar aqui uma série de outras funções importantes do Fígado, e isso nos leva a entender a importância que o Fígado tem na manutenção da vida.

 

O Fígado é um órgão do nosso corpo conhecido por possuir um ótimo poder de regeneração[2], mas mesmo assim, algumas práticas e atividades danosas que cometemos ao longo da vida, podem comprometer o Fígado.

 

A esteatose hepática (doença hepática gordurosa)[5], ou como é mais popularmente conhecida e referenciada por "fígado gorduroso", não tem ainda estabelecida o seu grau de prevalência mundial[6], mas ela parece ser a doença hepática mais comum no ocidente[7].

 

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), ou apenas esteatose hepática, é uma condição que se caracteriza pelo acúmulo de lipídios (gordura) no interior das células hepáticas (hepatócitos)[8].

 

O termo "doença hepática gordurosa não alcoólica", foi proposto em 1980 no estudo Ludwig et al., e foi necessário a proposição deste termo, exatamente para diferenciar as pessoas que tinham na época problemas hepáticos causados pelo álcool, daquelas pessoas que possuíam problemas hepáticos relativos à obesidade e que não eram usuários de bebidas alcoólicas[9].

 

A obesidade é medida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), através do IMC – índice de massa corporal, e você utilizando nossa calculadora abaixo, poderá calcular o seu:

 

Calculadora de IMC - Índice de Massa Corporal

 

Calculadora de IMC - Índice de Massa Corporal

 

Abaixo temos a tabela de classificação do IMC divulgado pela Organização Mundial da Saúde:

 

IMCCategoria
abaixo de 16,00Magreza Grave
16,00 a 16,99Magreza Moderada
17,00 a 18.49Magreza Leve
18,50 a 24,99Peso ideal
25,00 a 29,99Sobrepeso
30,00 a 34,99Obesidade Grau I
35,00 a 39,99Obesidade Grau II
40,0 e acimaObesidade Grau III

Adapted from WHO 1995, WHO 2000 and WHO 2004 - BMI classification - World Health Organization

 

Usamos para exemplificar a relação da obesidade com a "esteatose hepática não alcoólica" um estudo do índice de massa corporal (IMC) utilizado como preditor de esteatose hepática em doadores de fígado vivos[10].

 

Foram analisados neste estudo 33 pacientes:

 

- Nenhum paciente com IMC < 25 apresentou esteatose hepática;

 

- De 9 pacientes com IMC entre 25 a 28, a esteatose foi encontrada por biópsia em 3 deles;

 

- De 17 pacientes com IMC > 28, a esteatose hepática foi encontrada por biópsia em 13 deles.

 

Percebam com isso, que fica evidente pela amostragem desse estudo, a relação da obesidade com a esteatose hepática não alcoólica.

 

Os sintomas de uma pessoa em início de esteatose hepática são muito inespecíficos e na maioria das vezes insuficientes para se fazer um diagnóstico. Raramente sintomas como prurido, náuseas e anorexia são relatados pelos pacientes[11].

 

Geralmente a esteatose hepática é descoberta por acaso durante exames de rotina, ou durante a investigação de obesidade mórbida ou diabetes[11], visto que a esteatose hepática, obesidade, diabetes tipo 2 e a dislipidemia parecem ter uma origem patogênica similar[8].

 

Estágios mais avançados de esteatose hepática podem manifestar inflamação do órgão e fibrose que podem resultar em uma posterior insuficiência hepática.

 

Sabemos que o estilo de vida "moderno" que a grande maioria possui, que é caracterizado por dietas ricas em gordura, sedentarismo, uso abusivo de álcool, tabagismo e estresse, tem exercido papel importante na epidemia da obesidade[12].

 

No caso da esteatose hepática não alcoólica, o melhor remédio é prevenir e evitar a obesidade e os fatores de risco associados.

 

Agora já no caso dos alcoolistas, 90% deles apresentam esteatose hepática em algum nível segundo estudos epidemiológicos, e de 30% a 35% deles, podem evoluir para uma cirrose hepática, sendo que as mulheres são as mais suscetíveis às lesões hepáticas causadas pela ingestão alcoólica[13].

 

Para podermos ter sempre saudável o nosso Fígado que trabalha muito por nós, o melhor caminho é a prevenção.

 

Para evitar a criação de alardes, deixamos relatado que utilizar apenas o IMC para constatar uma esteatose hepática, é algo muito superficial.

 

O processo que seria mais interessante e preciso para se avaliar a ocorrência de uma esteatose hepática, seria o estudo histológico obtido por biópsia, porém as vezes sua indicação é limitada devido às possibilidades de hemorragia, e em muitos casos, ela apenas acaba sendo empregada, quando já se possui a suspeita de doença hepática[14].

 

O exame de ultrassonografia é considerado uma boa forma de diagnóstico da esteatose hepática. Um estudo verificou sua eficiência após constatar que de 20 indivíduos com diagnóstico histológico de esteatose hepática moderada ou severa, 90% deles tinham ultrassonografia hepática compatível com a esteatose[15].

 

Sendo assim, o melhor e mais seguro processo de diagnóstico de esteatose hepática, poderá seguramente ser feito e conduzido por um profissional médico, e sempre procurar um médico para diagnosticar e tratar doenças, é a melhor solução.

 

Referências:

 

1 - Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia, L. Kathleen Mahan, Sylvia Escott-Stump, Janice L Raymond, 2015.

 

2 - A Magia Da Longevidade, Mago Sidrak E Lisa Lee Olson, 2016.

 

3 - Tratado de histologia, Leslie P. Gartner, James L. Hiatt, 2011.

 

4 - Revista do hospital das clinicas, Volume 1, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1946.

 

5 - Robbins & cotran - patologia bases patológicas das doenças 8a edição, V Kumar, 2010.

 

6 - Sass DA, Chang P, Chopra KB. Nonalcoholic fatty liver disease: a clinical review. Dig Dis Sci. 2005.

 

7 - Carvalheira JBC, Saad MJA. Doenças associadas à resistência à insulina/hiperinsulinemia, não incluídas na síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab. 2006 abr.

 

8 - Soler GLN, Silva AWSM, Silva VCG, Teixeira RJ, Prevalência de esteatose hepática e consumo de álcool em participantes do Projeto Atividade Física na Vila, Rev bras med fam comunidade. Florianópolis, 2011.

 

9 - Ludwig J, Viggiano TR, McGill DB, Ott BJ. Nonalcoholic steatohepatitis. Mayo Clinic experiences with a hitherto unnamed disease. Mayo Clin Proc, 1980.

 

10 - Rinella ME, Alonso E, Rao S, Whitington P, Fryer J, Abecassis M, Superina R, Flamm SL, Blei AT., Body mass index as a predictor of hepatic steatosis in living liver donors., Liver Transpl. 2001 May.

 

11 - Diagnostico e Tratamento, Volume 3, SBCM - Sociedade Brasileira de Clínica Médica, 2007.

 

12 - Mancini MC, Halpern A. Obesidade: como diagnosticar e tratar. Rev Med Bras. 2006.

 

13 - Atualização Terapêutica de Prado, Ramos e Valle - 25ed: Diagnóstico e Tratamento - 2014/15, Durval Rosa Borges, Arnaldo Lopes Colombo, Luiz Roberto Ramos, Lydia Masako Ferreira, Ruth Guinsburg, 2016.

 

14 - Araujo, Leila Ma. Batista et al. Esteatose hepática em mulheres obesas. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, 1998.

 

15 - Foster KJ, Dewbury KC et al. The accuracy of ultrasound in detection of fatty infiltration of the liver. Br J Radiol 1980.

 



 

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