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Anabolizantes e a saúde do seu fígado

 

  • Anabolizantes e a saúde do seu fígado

Marcelo Calazans

Elaborado em 24/06/2016 - revisado em 12/12/2016

 

RUSSI, MC. Esteroides anabolizantes e a saúde do seu fígado. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2016.

 

São vários os colaterais que os anabolizantes podem causar, e as pessoas que os usam, acabam sempre propensas a ter tais problemas, dentre esses colaterais, iremos falar aqui nesta matéria dos problemas hepáticos.

 

O maior problema neste sentido acaba sendo nos anabolizantes orais, pois diferente dos injetáveis, eles passam pelo trato digestivo antes de cair na corrente sanguínea.

 

Ao passar pelo trato digestivo, os esteroides anabolizantes orais sofrem algo que é chamado de metabolismo de primeira passagem, que é quando uma substância ingerida passa antes pelo fígado para poder então posteriormente cair na corrente sanguínea. Abaixo tem uma imagem que ilustra melhor esse processo:

 

metabolismo primeira passagem

 

Então, para proteger a substância nesta primeira passagem pelo fígado antes de cair na corrente sanguínea, alguns esteroides anabolizantes orais sofrem um processo que os torna um C-17-alfa alquilado (17aa). Eles sofrem a adição de um grupo metila no carbono 17-alfa, cuja função é proteger o hormônio na passagem pelo trato gastrointestinal, uma vez que a droga foi desenvolvida para uso oral[1].

 

O mecanismo de oxidação que leva a desativação do esteroide anabolizante na sua primeira passagem pelo fígado, está envolvido com uma enzima (17beta-ol). Podemos dizer então, que o esteroide anabolizante que passou pelo processo que o tornou um C-17-alfa alquilado (17aa), se torna resistente a oxidação pela enzima 17beta-ol, dificultando a sua desativação.[1].

 

Esse processo permite que uma porcentagem muito elevada do esteroide anabolizante possa passar para a corrente sanguínea de forma intacta, mas ele acaba também colocando uma pressão muito maior sobre o fígado neste processo.

 

Por isso que os esteroides anabolizantes orais são os mais propensos a causar problemas hepáticos, lembrando também que no caso do estanozolol, por exemplo, mesmo ele na sua forma injetável também é um 17aa igual ao estanozolol na sua forma oral, o que o deixa também sujeito à problemas hepáticos.

 

Abaixo tem uma relação de alguns anabolizantes 17aa:

 

- Dianabol;

- Estanozolol (oral e injetável);

- Oxandrolona;

- Oximetolona (Hemogenin®).

 

Algumas pessoas citam que alguns esteroides anabolizantes orais 17aa, são mais propensos a causar problemas hepáticos que outros, e se comenta que o mais tóxico seria a oximetolona (Hemogenin®) e o menos tóxico seria a oxandrolona. Algumas pessoas chegam a dizer que a oxandrolona não causa problemas hepáticos, mas isso não é verdade.

 

O exame de sangue pode ser um grande aliado para a verificação de sobrecarga hepática, e é comum e usado por médicos, no qual alguns são os marcadores hepáticos mais comumente utilizados, como por exemplo: - TGP, TGO, GGT e bilirrubinas.

 

Com um exame desses, seu médico já consegue visualizar como estaria o seu perfil de sobrecarga hepática, e é muito importante que se faça um exame desses após o uso de substâncias que possam sobrecarregar seu fígado.

 

Abaixo vou citar algumas referências e estudos que ilustram melhor como esses anabolizantes acabam por sobrecarregar o fígado:

 

Estanozolol:

 

Estudos administrando 12 mg de estanozolol por dia durante 27 semanas conseguiram demonstrar alterações clinicamente significativas nos marcadores da função hepática, incluindo TGP, TGO, GGT e bilirrubinas[2].

 

Oxandrolona:

 

Apesar de ser classificada como 17aa e, portanto, oferece sobrecarga hepática[1], algumas pesquisas dão crédito a sua fama de "a menos tóxica" dentre os esteroides anabolizantes orais.

 

Um dos laboratórios que produzia a oxandrolona como medicamento para tratamento clínico, classifica a oxandrolona como um esteroide anabolizante que não é extensivamente metabolizado pelo fígado, como outros orais 17-alfa alquilados, o que pode contribuir para sua hepatotoxicidade reduzida. Isto é evidenciado pelo fato de que mais de um terço do composto está ainda intacto quando excretado na urina[4].

 

Uma comparação da oxandrolona com outros 17-alfa alquilados, como, a metiltestosterona, noretandrolona, fluoximesterona e methandriol, demonstrou que oxandrolona alterou menos os marcadores hepáticos TGP e TGO[5].

 

Oximetolona (Hemogenin®):

 

Um estudo conduzido em 31 homens por 12 semanas de uso, demonstrou aumento significativo dos marcadores da função hepática TGP e TGO[1].

 

Em um outro estudo, um grupo de 30 pacientes usando doses diárias de 50 mg, mostraram um aumento de GGT em 17% e de 10% de bilirrubinas[3], o que também demonstra o potencial de sobrecarga hepática da oximetolona.

 

Uma outra nota a se observar é sobre a trembolona, que apesar de não ser classificada como um 17aa como os outros citados acima, e, portanto, desprovida de maiores efeitos tóxicos ao fígado, mostrou uma toxicidade hepática grave observada em fisiculturistas que abusam da trembolona[6].

 

Colaterais observados

 

O problema mais comum relacionado ao fígado e a toxidade hepática dos esteroides anabolizantes orais é a colestase[7].

 

A colestase é uma disfunção na qual o fluxo da bile torna-se diminuído, e isso geralmente devido à obstrução dos ductos biliares.

 

Os primeiros sintomas da colestase podem incluir perda de apetite, mal-estar, náuseas e vômitos, prurido (coceira/comichão) e dor abdominal superior, podendo evoluir para a icterícia colestática, que pode ser observada pelo amarelamento do branco dos olhos e da pele, que se caracteriza pelo acúmulo de bilirrubinas no sangue devido a disfunção hepática[1].

 

Casos mais graves são raros, mas podem incluir peliose hepática[8] que se caracteriza pela ocorrência cistos ou cavidades preenchidas de sangue.

 

A hipertensão da veia portal que pode levar a uma hemorragia[9] também é uma possibilidade considerada grave, que pode ser causada pelo aumento da pressão arterial na veia devido à um fluxo de sangue obstruído.

 

Casos de tumores também podem ser considerados, como casos de adenoma hepatocelular[10] caracterizado por tumor benigno no fígado.

 

Alguns casos de carcinoma hepatocelular[11] também podem ser considerados, que seria um tumor maligno no fígado.

 

Conclusão

 

Nós acompanhamos o assunto sobre esteroides anabolizante há mais de uma década, e geralmente as pessoas com as dosagens comumente utilizadas, acabam não tendo problemas hepáticos graves e suportando o uso, mas existem casos sim que foram relatados de problemas hepáticos com algumas pessoas.

 

Citado em estudos, podemos comentar a existência do relato de um homem do sexo masculino com 35 anos de idade, que apresentou carcinoma hepatocelular (CHC) decorrente de um adenoma hepático pré-existente após o uso de esteroides anabolizantes visando melhorias físico estéticas[12].

 

Casos de óbito relatados e confirmados de pessoas usuárias de esteroides anabolizantes que tiveram problemas de fígado são raros, mas podemos relacionar um aqui, que é o caso do jovem Paul Hartill de 25 anos, que teve a sua morte causada por um câncer no fígado, e segundo os indícios das pesquisas realizadas após a sua morte, inquérito e opinião do médico legista, a causa teria sido o uso de esteroides anabolizantes[1,13].

 

Devemos lembrar de que as pessoas não reagem todas iguais aos esteroides anabolizantes, e que a individualidade biológica de cada um faz os colaterais serem diferentes nas pessoas. Portanto, você não sabe como você vai reagir de forma específica ao colateral de toxidade hepática.

 

Mas considere o fato, de que apesar da maioria das pessoas nas doses comumente utilizadas suportem relativamente bem a toxidade hepática, pode ser que você, seja um desses casos de pessoa que não suporta, por isso, que todo cuidado é pouco.

 

Se caso mesmo assim a pessoa se decidir por usar, certifique-se que você não possui um fígado com problemas antes, pois isso pode agravar o seu problema, não use junto com essas substâncias outras coisas que sobrecarregam o fígado, como no caso de pessoas que utilizam bebidas alcoólicas junto com o ciclo de esteroides anabolizantes, tente fazer tudo com acompanhamento médico, e sempre tome muita cautela, e lembre-se, problemas sempre podem acontecer.

 

Referências:

 

1 - William Llewellyn's, Anabolics, E-Book Edition 2011.

 

2 - The influence of 6 months of oral anabolic steroids on body mass and respiratory muscles in undernourished COPD patients. Ivone Martins Ferreira, Ieda Verreschi et al. CHEST 114 (1) July 1998 19-28.

 

3 - Long-term oxymetholone use in HIV patients not associated with significanthepatotoxicity. Hengge UR et al. Poster presented at the Third International Conference on Nutrition and HIV Infection; April 22-25, 1999; Cannes, France.

 

4 - Studies on anabolic steroids. II--Gas chromatographic/mass spectrometric characterization of oxandrolone urinary metabolites in man. Masse R, Bi HG,Ayotte C, Dugal R. Biomed Environ Mass Spectrom. 1989.

 

5 - Methyltestosterone, related steroids, and liver function. DeLorimier, Gordan G,Lowe R. et al. Arch Int. Med 116 (1965).

 

6 - Cholestasis induced by Parabolan successfully treated with the molecular adsorbent recirculating system. Anand JS et al. ASAIO 2006. JanFeb;52(1):117-8.

 

7 - Anabolic-androgenic steroids and liver injury. M Sanchez-Osorio et al. LiverInternational ISSN 1478-3223 p. 278-82.

 

8 - Peliosis hepatis in a young adult bodybuilder. Cabasso A. Med Sci Sports Exerc. 1994 Jan;26(1):2-4.

 

9 - Bleeding esophageal varices associated with anabolic steroid use in an athlete.Winwood PJ et al. Post-Grad Med J 1990; 66:864-65.

 

10 - Benign liver-cell adenoma associated with long-term administration of an androgenic-anabolic steroid (methandienone). Hernandez-Nieto L, Bruguera M, Bombi J, Camacho L, Rozman C. Cancer. 1977 Oct;40(4):1761-4.

 

11 - Hepatocellular carcinoma in the non-cirrhotic liver. Evert M, Dombrowski F.Pathologe. 2008 Feb;29(1):47-52.

 

12 - Gorayski P, Thompson CH, Subhash HS, Thomas AC., Hepatocellular carcinoma associated with recreational anabolic steroid use., Br J Sports Med. 2008.

 

13 - Bodybuilder death steroids warnin, Set/2008 [link] acessado em 12/12/2016.

 



 

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