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Por dentro da Febre Amarela

 

  • Febre Amarela

Marcelo Calazans

Elaborado em 11/03/2017

 

RUSSI, MC. Por dentro da febre amarela. Matérias Musculação, São paulo, mar. 2017.

 

Fica difícil falar da Febre amarela no Brasil, sem citar o nome de um mito da ciência brasileira, o cientista Oswaldo Cruz[1], que nasceu em 5 de agosto de 1872 e faleceu aos 44 anos de idade em 11 de fevereiro de 1917[2].

 

Quem vê os atuais comentários sobre a Febre amarela no Brasil, que traz até um certo desespero prematuro por parte de alguns a procura de vacinas nos postos de saúde, pode não imaginar como a Febre amarela realmente assolou o Brasil no passado.

 

No papel de higienista, Oswaldo Cruz à frente da diretoria de saúde pública (1903 - 1909), conseguiu na época com cerca de 3 anos de trabalho, a façanha de diminuir a mortalidade por Febre amarela no Rio de Janeiro[1].

 

Historicamente podemos dizer que nas últimas décadas do século 19, o Rio de Janeiro era de fundamental importância para o Brasil, pois nesta época, um Brasil agrícola em desenvolvimento era muito dependente do Rio de Janeiro, que começava a se caracterizar como um grande centro comercial e financeiro da América.

 

Nesta época no Rio de Janeiro, eram muito comuns as epidemias de Febre amarela[1], e isso comprometia muito o desenvolvimento do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

As condições urbanas do Rio de Janeiro nesta época, eram muito propícias a proliferação de uma epidemia disseminada por mosquitos, como a Febre amarela, e era comum os higienistas da época condenarem os costumes e a estrutura urbana que havia na cidade, que eram contrárias a todas as boas políticas de saneamento e higiene.

 

Foi esse o cenário que o higienista Oswaldo Cruz enfrentou para tentar melhorar as condições sanitárias e de higiene no Rio de Janeiro, na tentativa de erradicar a Febre amarela.

 

Com a posterior produção da vacina contra a Febre amarela (cepa 17DD), que começou a ser produzida no Rio de Janeiro, e que utilizava uma amostra do vírus trazida para o Brasil em 1937 por Hugo H. Smith[3], o tratamento da Febre amarela começava a ficar mais fácil.

 

A Febre amarela é uma doença infecciosa viral que não é contagiosa, pois ela não é transmitida de pessoa para pessoa, e é disseminada por mosquitos infectados, mas especificamente os mosquitos dos gêneros haemagogus e sabethes na América, e pelo aedes na África.

 

O vírus responsável pela Febre amarela, é da espécie flavivirus, e pertence à família flaviviridae[4].

 

Até bem pouco tempo atrás, não se sabia se o vírus já existia na América, ou se havia vindo da África, mas estudos mais recentes, acabaram por indicar que o vírus se originou mesmo provavelmente na África[5].

 

Sobre a infecção, o que podemos falar, é que das pessoas infectadas, 90% acabam apresentando formas da doença mais benigna, que acabam evoluindo naturalmente para um quadro de cura. Os outros 10% acabam se tornando casos mais sérios, nos quais metade desses 10%, acabam gerando casos de óbito[5].

 

A Febre amarela foi sempre associada aos sintomas de febre e icterícia[6].

 

A icterícia é o amarelamento dos tecidos, que ocorre pelo aumento nos depósitos de bilirrubinas[7].

 

A causa da icterícia está relacionada aos problemas hepáticos, pois o fígado é responsável por metabolizar as bilirrubinas, e quando a função hepática fica prejudicada, o fígado é incapaz de metabolizar as bilirrubinas, o que faz com que elas se acumulem no corpo levando ao amarelamento dos tecidos.

 

A Febre amarela no homem ataca o fígado[5,8], e por isso causa icterícia, e daí então surgiu o nome Febre amarela, pois ela pode causar febre e o amarelamento da pele[6].

 

Os casos mais leves de Febre amarela, as vezes até passam despercebidos, pois não são suficientes para causar uma icterícia e amarelamento da pele, e nesses casos, se espera ver apenas um aumento da temperatura e dores de cabeça, que geralmente acabam evoluindo para a cura[9].

 

Podem ocorrer outros casos mais sérios, mas porém ainda com gravidade moderada, e nestes casos junto com as dores de cabeça e aumento da temperatura, outros sintomas como: náuseas, vômito e icterícia podem aparecer, e apenas uma parcela desses casos, podem acabar evoluindo para casos de gravidade mais elevada[9].

 

A Sociedade Brasileira de Infectologia publicou um informativo[10] em 13/02/2017, que traz o seguinte resumo sobre a situação epidemiológica de Febre amarela no Brasil:

 

Foram notificados 1170 casos, nos quais 847 estavam em investigação, 93 haviam sido descartados e 230 confirmados. Destes 230 confirmados, 4 eram no estado de São Paulo, 25 no Espírito Santo e 201 em Minas Gerais. Eles informaram também, que a taxa de mortalidade nos casos confirmados é de 34,3%.

 

A maneira mais eficiente de se evitar a Febre amarela, é por meio da vacinação.

 

Pessoas não vacinadas que estão morando ou que irão viajar para as áreas apontadas como de risco de transmissão, correm o risco de contrair a doença.

 

Mas isso não é ainda quadro para extremo alarde, e mesmo diante do atual quadro, a coordenadora do programa nacional de imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues ao falar para o blog da saúde do Ministério da Saúde[11], informa que não haverá mudança no esquema de vacinação contra a Febre amarela, e ela deixa claro que a população que não vive nas áreas de risco ou não pretende marcar viagem para essas áreas, não precisa buscar neste momento a vacina.

 

O Ministério da Saúde publicou em janeiro de 2017, uma relação das áreas com indicação para a vacinação, que pode ser vista clicando no link abaixo:

 

- Municípios conforme áreas de recomendação para vacinação contra febre amarela (acessado em 11/03/2017)

 

Com relação ao esquema de vacinação, a coordenadora do programa nacional de imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, deu a seguinte declaração:

 

"O esquema da febre amarela é de duas doses, tanto para adultos quanto para crianças. As crianças devem receber as vacinas aos nove meses e aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é de uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira."

 

Sobre as contraindicações da vacina, ela não deve ser utilizada em crianças menores de 6 meses, em pessoas acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até 6 meses de idade. Ela também não é indicada para pacientes que estão em tratamento de câncer e pessoas com o sistema imunológico comprometido, salvo exceção feita para as pessoas que vivem nas áreas de risco ou irão viajar para essas áreas, pois aí neste caso, essas pessoas devem procurar um médico para avaliar o risco x benefício dessa vacinação[11].

 

Nossa indicação aqui aos leitores, é que na dúvida sobre quaisquer informações relacionadas à Febre amarela, é que procurem um profissional médico para que ele possa indicar qual o melhor a se fazer em cada caso, pois procurar informação direto com um médico de sua confiança, é sempre a melhor opção.

 

Referências:

 

1 - Oswaldo Cruz: a construção de um mito na ciência brasileira, Nara Britto, SciELO - Editora FIOCRUZ, 1 de jan de 1995.

 

2 - A Extraordinária História do Brasil - Daniel Rodrigues Aurélio, 2010.

 

3 - Febre amarela: a doença e a vacina, uma história inacabada, Jaime Larry Benchimol SciELO - Editora FIOCRUZ, 1 de jan de 2001.

 

4 - Westaway EG, Briton MA, Gaidamovich SY, Horzinek MC, Igarashi A, Kaariainen L, Lvov DK, Porterfield JL, Russell PK, Trent DW. Flaviviridae. Intervirology, 1985.

 

5 - Febre amarela, Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropica, 2003.

 

6 - Microbiologia Médica e Imunologia, Warren Levinson, 2016.

 

7 - Gastrenterologia e Hepatologia de Harrison, Dan L. Longo, Anthony S. Fauci, 2014.

 

8 - Trabalhando com a Educação Infantil, Flávia Teixeira de Moraes Editora da ULBRA, 2002.

 

9 - Manual de vigilância epidemiológica de febre amarela, Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 1999.

 

10 - Febre amarela - Informativo Sociedade Brasileira de Infectologia, 2017 [link] acessado em 10/03/2017.

 

11 - Saiba quem deve se vacinar contra a febre amarela - Blog da Saúde do Ministério da Saúde, Publicado: Quinta, 19 de Janeiro de 2017, 17h41 [link] acessado em 10/03/2017.

 



 

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