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Aromatização, Estrogênio e sua função no homem

 

  • Aromatização, Estrogênio e sua função no homem

Marcelo Calazans

Elaborado em 29/08/2016

 

RUSSI, MC. A aromatização o Estrogênio e a sua função no homem. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016.

 

O Estrogênio está presente em ambos os sexos, sendo mais predominante no sexo feminino.

 

Quando citamos a palavra Estrogênio, estamos na realidade nos referindo aos estrogênios fisiológicos, que é uma classe de substâncias. O estradiol (E2) é considerado o principal estrógeno dos seres humanos[1], e a estrona (E1) e o estriol (E3), completam a classe dos estrogênios fisiológicos[1,2]. Mas essa relação não para por aí, e poderíamos também citar o E4 (estetrol)[2].

 

Assim como a testosterona, o Estrogênio também é um esteroide[3], e ambos são derivados do colesterol, como mostra a figura abaixo:

 

biossíntese colesterol estrogenio

 

A testosterona e o Estrogênio possuem uma estrutura química muito similar, e no corpo do homem um processo bioquímico chamado aromatização, faz uma pequena alteração na testosterona originando assim o Estrogênio, esse processo bioquímico de transformação da testosterona em Estrogênio, é feito a partir da interação da testosterona com uma enzima, a enzima aromatase[4].

 

Essa atividade de aromatização ocorre em várias partes do corpo masculino, incluindo tecido adiposo (gordura)[5], fígado[6], nas gônadas (testículos)[7], SNC (sistema nervoso central)[8] e na musculatura esquelética[9], sendo que o mais importante sitio de aromatização apontado é o tecido adiposo.

 

Os homens possuem também doses regulares de Estrogênio no corpo, e essas doses quando aumentadas, costumam causar alguns colaterais inconvenientes.

 

São citados como colaterais do Estrogênio aumentado no corpo do homem a retenção de água, o acúmulo de gordura e a ginecomastia[4].

 

Com relação a gordura corporal, são vários os mecanismos de ação do Estrogênio na influência dos níveis de gordura que vemos relatados, e ainda não está bem claro qual é o modo de ação exato do Estrogênio neste processo[10], mas ele é conhecido e colocado por muitos como o responsável pelo acúmulo de gordura corporal em várias situações[11,12,13].

 

A testosterona natural (endógena) no corpo do homem se converte em Estrogênio, como já citado acima. Da mesma forma, a testosterona utilizada no mundo do fisiculturismo de forma exógena como esteroide anabolizante, passa também pelo mesmo processo de aromatização e conversão em Estrogênio.

 

O mesmo processo ocorre também com alguns outros esteroides anabolizantes utilizados comumente para ganho de massa muscular, o que pode se tornar uma preocupação para os usuários.

 

Como exemplos de esteroides anabolizantes que também aromatizam como a testosterona, vamos citar apenas dois, a boldenona e a nandrolona (Deca).

 

A boldenona aromatiza cerca de 50% em comparação com a testosterona, e a nandrolona aromatiza cerca de 20% dentro da mesma comparação[14].

 

Só que é observada uma retenção de água muito maior com a nandrolona (Deca) em comparação com a boldenona, mas isso não se dá apenas por causa do Estrogênio neste caso, pois alguns autores[4], colocam que o efeito da progesterona quando aumentada no corpo do homem, teria em algumas situações, os mesmos colaterais sentidos com o Estrogênio, e podemos citar a retenção de água como exemplo.

 

Sabendo então que a Deca (nandrolona) tem um acentuado efeito progestênico[15], podemos apontar esse como o maior responsável pela retenção de água causada pela nandrolona (Deca).

 

No mundo do culturismo, uma coisa que é bem comum para evitar esse problema causado pelos colaterais do Estrogênio, é utilizar medicações que evitam que a testosterona passe pelo processo bioquímico de aromatização, que de certa forma, iria causar possivelmente uma diminuição nas taxas de Estrogênio.

 

Esses medicamentos são conhecidos como inibidores de aromatase (IA), e como exemplo podemos citar três deles, anastrozol, letrozol e exemestano.

 

Só que uma coisa que algumas pessoas não sabem, é que o Estrogênio no corpo do homem também cumpre tarefas importantes, que podem ajudar o praticante de musculação.

 

Por isso que o recomendado, é que se caso a pessoa sinta a necessidade de baixar o Estrogênio em um ciclo de esteroides anabolizantes, que faça tudo apenas para normalizar as taxas de Estrogênio e deixa-las dentro dos níveis normais, e que não faça com que elas baixem além do necessário. Para isso, exames e acompanhamento médico podem ser uma melhor opção antes de se pensar em uma automedicação.

 

► Vamos a seguir citar algumas funções positivas do Estrogênio para o praticante de musculação.

 

O Estrogênio pode oferecer um quadro favorável, pois ele afeta os níveis e a disposição da glicose 6-fosfato desidrogenase (G6PD), uma enzima diretamente ligada à utilização da glicose, que ajuda no crescimento do tecido muscular e na recuperação pós-treino[16,17].

 

Durante o período de regeneração muscular, pós-treino, os níveis de G6PD aumentam drasticamente. Acredita-se que isso represente um mecanismo para o corpo melhorar a recuperação muscular quando necessário[4].

 

Outro fator, estaria relacionado com o IGF-1 e o GH, pois o Estrogênio também é citado por desempenhar um importante papel na produção do IGF-1[4] e na função do GH[19].

 

Um estudo com o tamoxifeno[18], que visava através do seu efeito antiestrogênico diminuir a ação do Estrogênio em seus receptores, constatou que a diminuição da ação do Estrogênio também acabou por diminuir os níveis de GH e IGF-1[4].

 

Portanto, concluímos com isso, que qualquer droga que venha a diminuir as concentrações de Estrogênio, como o anastrozol, ou que de alguma forma, venha bloquear a ação do Estrogênio, como os SERM´s, poderia estar contribuindo para causar os problemas citados acima relacionados ao IGF-1 e ao GH.

 

Em um outro estudo[20], no qual se relacionou o Estrogênio com a ação do receptor androgênico (AR), foi sugerido que o Estrogênio pode ter diretamente estimulado a produção de receptores androgênicos (AR), ou talvez, colaborado para minimizar o esgotamento do receptor.

 

Por isso tudo, desaconselhamos práticas que visam baixar drasticamente o Estrogênio. É muito comum em fóruns, vermos indicações exageradas de medicamentos para baixar ou bloquear a ação do Estrogênio.

 

Lembrem-se, quando o assunto é saúde, confiem apenas em um médico especializado e evitem a automedicação.

 

Referências:

 

1 - Michael E. Baker, What are the physiological estrogens?., Steroids Volume 78 Issue 3, March 2013, Pages 337-340. [link] acessado em 19/04/2019.

 

2 - Shimizu Y., Estrogen: estrone (E1), estradiol (E2), estriol (E3) and estetrol (E4), Nihon Rinsho. 2010 Jul;68 Suppl 7:448-61. [link] acessado em 19/04/2019.

 

3 - Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada,Dee Unglaub Silverthorn, 2009.

 

4 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

5 - Aromatization of androgens by muscle and adipose tissuein vivo. Longcope C, Pratt JH, Schneider SH, Fineberg SE. J Clin Endocrinol Metab 1978 Jan;46(1):146-52.

 

6 - The aromatization of androstenedione by human adiposeand liver tissue. J Steroid Biochem. 1980 Dec;13(12):142731.

 

7 - Aromatase expression in the human male. Brodie A, Inkster S, Yue W. Mol Cell Endocrinol 2001 Jun 10;178(1-2):23-8.

 

8 - A review of brain aromatase cytochrome P450. LephartED. Brain Res Brain Res Rev 1996 Jun;22(1):1-26.

 

9 - Aromatization by skeletal muscle. Matsumine H, Hirato K, Yanaihara T, Tamada T, Yoshida M. J Clin Endocrinol Metab 1986 Sep;63(3):717-20.

 

10 - Endocrinologia Pediátrica, Mark A. Sperling, 2015.

 

11 - Glenville, Marilyn PhD, Fat arround the middle. 2011.

 

12 - Equilíbrio hormonal - Recupere equilíbrio hormonal, libido, sono e emagreça já, The Blokehead, 2016.

 

13 - Effects of testosterone and estrogens on deltoid and trochanter adipocytes in two cases of transsexualism. Vague J, Meignen J.M. and Negrin J.F. Horm. Metabol. Res. 16 (1984) 380-381.

 

14 - Biosynthesis of Estrogens, Gual C, Morato T, Hayano M, Gut M, and Dorfman R. Endocrinology 71 1962.

 

15 - Competitive progesterone antagonists: receptor binding and biologic activity oftestosterone and 19-nortestosterone derivatives. Reel JR, Humphrey RR, Shih YH, Windsor BL, Sakowski R, Creger PL, Edgren RA. Fertil Steril 1979 May;31(5).

 

16 - Pentose Cycle Activity in Muscle from Fetal, Neonatal and Infant Rhesus Monkeys. Arch Biochem Biophys. 1966.

 

17 - The pentose phosphate pathway in regenerating skeletal muscle. Biochem. 1978.

 

18 - Influence of tamoxifen, aminoglutethimide and goserelin on human plasma IGF-1 levels in breast cancer patients. J steroid Biochem. 1992.

 

19 - Activation of the somatotropic axis by testosterone in adult males: Evidence for the role of aromatization. J Clin. Endocrinol Metab. 1993.

 

20 - Modulation of the cytosolic androgen receptor in striated muscle by sex steroids. Endocrinology. 1984.

 



 

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