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O DHT e a Musculação

 

  • O DHT e a Musculação

Marcelo Calazans

Elaborado em 08/09/2016 - revisado em 09/04/2019

 

RUSSI, MC. O DHT e a musculação. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016.

 

Algumas pessoas já há bastante tempo, acusam o DHT (dihidrotestosterona) de ser prejudicial em certos pontos, como na queda de cabelo do homem[4] e também como responsável pelo câncer de próstata[5].

 

Isso causou em muitos homens, uma irritação extrema quando se comenta sobre o DHT, e em muitos casos, alguns até o classificam erroneamente como uma espécie de "veneno".

 

O DHT é um derivado da testosterona, e na figura abaixo temos toda a biossíntese necessária para que o nosso corpo produza o DHT:

 

DHT conversao

 

A testosterona através da interação com uma enzima (5-alfa redutase), é convertida em DHT (dihidrotestosterona)[6].

 

Quimicamente, podemos expressar essa conversão da seguinte forma: a enzima 5-alfa redutase libera a ligação dupla c-4-5 da testosterona através da adição de dois átomos de hidrogênio, daí se originou no nome dihidrotestosterona[3].

 

Com a crescente preocupação relacionada aos problemas nocivos que o DHT poderia causar, surgiram pesquisas e estudos para criar algo que pudesse bloquear a conversão da testosterona em DHT.

 

O laboratório farmacêutico Merck nos EUA, conseguiu a aprovação da FDA em 1992 para comercializar uma substância a base de finasterida com o nome de Proscar[3].

 

A finasterida é um inibidor da enzima 5-alfa redutase, que resulta em uma menor conversão da testosterona em DHT.

 

Em 1992, quando a FDA aprovou a comercialização da finasterida nos EUA, seria com a intenção de amenizar problemas clínicos relativos ao câncer de próstata, mas em dezembro de 1997, a FDA aprovou também a finasterida para comercialização nos EUA afim de tratar problemas de queda de cabelo[3]. Ficava assim bem evidente, que havia uma concordância de que o DHT era mesmo o grande responsável pelo câncer de próstata e pela queda de cabelo.

 

Vamos falar a seguir, sobre as consequências de se inibir a produção de DHT e relacionar isso também com a musculação.

 

Tudo parte de algo que já citamos aqui em outras matérias, que é a androgenidade. Mais detalhes podem ser lidos em uma outra matéria do site abaixo:

 

Entendendo a Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

Entendendo a Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

A androgenidade é uma das características da testosterona e de seus demais derivados sintéticos, que são utilizados como esteroides anabolizantes no mundo do fisiculturismo. Todos eles possuem sua parcela anabólica e a sua parcela androgênica, e não há meios de dissocia-las criando assim uma substância apenas anabólica. Podemos definir a androgenidade como a responsável por criar e manter as características masculinas no homem[8].

 

O DHT possui uma ação androgênica muito mais potente que a própria testosterona (3 a 4 vezes maior). Essa ação androgênica potente do DHT no homem, está presente em alguns tecidos do corpo, como o couro cabeludo, próstata, fígado e várias regiões do sistema nervoso central (SNC). O DHT representa para o corpo do homem, um mecanismo para aumentar a ação androgênica da testosterona de forma específica onde for necessário, nessas áreas, o corpo fará uma ativa conversão de testosterona em DHT, tornando assim o DHT a forma mais efetiva de ação nesses tecidos-alvos[3].

 

Para o praticante de musculação o DHT pode ser benéfico, mas muitas pessoas consideram o DHT apenas um vilão, ou para alguns, um "veneno". As pessoas dão apenas atenção para os seus colaterais.

 

Existe um papel importante do DHT no funcionamento do sistema nervoso central (SNC). Muitas células neurais possuem receptores androgênicos ativos, e dessa forma, acredita-se que possa haver uma importância específica do DHT nesta parte do corpo masculino[12].

 

Um estudo[9] foi elaborado para exemplificar a ação do DHT no sistema nervoso central (SNC).

 

Neste estudo, homens gonadectomizados foram tratados com testosterona e DHT.

 

O nível de ação nos receptores AR do SNC desses homens foi monitorado através do processo Western Blot, realizado nos extratos do sistema límbico.

 

Foi verificado que a testosterona e o DHT aumentaram significativamente a ação nos receptores AR do sistema nervoso central em cerca de 3 a 7 horas após a administração, mas apenas o DHT pôde estender esse aumento por até 21 horas.

 

Pois bem, sabemos também que existe uma forte interação entre o SNC e os músculos esqueléticos, a qual podemos chamar de sistema neuromuscular, que é de fundamental importância para o atleta. Parece haver poucas discordâncias sobre a capacidade do corpo em se adaptar ao treinamento ativando terminações nervosas no tecido muscular, adaptação essa que é dependente do sistema neuromuscular[3].

 

Portanto, os praticantes de musculação que inibem a formação do DHT de alguma forma, podem estar diminuindo a eficiência de suas rotinas. Isso pôde ser demostrado pelos relatos de fisiculturistas, que narram que o efeito normal de um ciclo de esteroides anabolizantes acaba não sendo o mesmo, quando a finasterida é adicionada à sua rotina.[3].

 

Por outro lado, dois estudos que avaliamos[10,11], dizem que não existe correlação direta entre níveis elevados de DHT e benefícios no tecido musculoesquelético.

 

Mas devemos analisar, que os estudos não foram realizados com os exercícios de musculação que estamos acostumados a utilizar para crescimento muscular no fisiculturismo, portanto, não podemos mensurar a exatidão desses estudos no que se refere aos praticantes de musculação.

 

Podem ser esses pontos levantados acima, que fizeram o “papa” dos esteroides anabolizantes William Llewellyn's, em seu best-seller, citar que “Inibir a formação de DHT durante um ciclo de testosterona, pode inadvertidamente interferir com os ganhos de massa muscular e força” (Llewellyn’s, 2011).

 

Não podemos deixar de ressaltar, que há casos, que o benefício clínico do uso da finasterida supera os possíveis problemas que ela pode causar nas rotinas de um praticante de musculação, e essa decisão deve ficar sob a responsabilidade do seu médico.

 

Devemos ressaltar também, que devido às individualidades biológicas de cada um, podem haver casos em que diminuições nas concentrações de DHT não tragam efeitos adversos ao praticante de musculação.

 

Um erro comum que precisamos relatar, é que introduzir a finasterida no ciclo de esteroides anabolizantes achando que ela vai evitar totalmente os problemas de queda de cabelo, é um equívoco, pois não é apenas o DHT com sua parcela andrógena que irá agir acelerando um possível problema de queda de cabelo. A própria parcela andrógena do esteroide anabolizante utilizado, também poderá contribuir para acelerar problemas de queda de cabelo[3,7], portanto, para poupar seus cabelos, fique longe dos esteroides anabolizantes.

 

Apesar de existirem hoje em dia diversos estudos[1,2], que apontam que a relação entre terapia de reposição de testosterona e o câncer de próstata não é mais tão alarmante assim, sempre que uma pessoa pensar em fazer uso de um esteroide anabolizante, com ou sem o uso de finasterida, a pessoa deve ter a plena certeza de não estar acometida de nenhum problema de próstata, por menor que ele seja.

 

Se caso uma pessoa, mesmo usando a finasterida durante um ciclo de esteroides anabolizantes, estiver acometida de algum problema de próstata, mesmo que pequeno, isso pode ser o estopim para que o quadro se agrave.

 

Portanto, todo cuidado é pouco antes de pensar em utilizar esteroides anabolizantes, e a nossa recomendação aqui, é sempre deixar claro que o melhor é não usar.

 

Referências:

 

1 - Fenely, M.R., Carruthers, M. - Is testosterone treatment good for the prostate? Study of safety during long-term treatment. J Sex Med. 2012;9:2138 [link] acessado em 08/09/2016.

 

2 - Jacques Baillargeon, Yong-Fang Kuo, Xiao Fang , Vahakn B. Shahinian - Long-term Exposure to Testosterone Therapy and the Risk of High Grade Prostate Cancer, American Urological Association 2015 [link] acessado em 08/09/2016.

 

3 - William Llewellyn's, Anabolics, E-Book Edition 2011.

 

4 - Oráculo - Super Interessante, Felipe Van Deursen, 6 de ago de 2015.

 

5 - Câncer de Próstata: Novos Caminhos para a Cura, Luiz Alberto Fagundes, 2002.

 

6 - Patologia: Uma Abordagem por Estudos de Casos, Howard Reisner, 2015.

 

7 - Russi, MC. Alopecia com esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, set. 2017 [link] acessado em 08/01/2018.

 

8 - Russi, MC. A testosterona e os demais esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016. [link] acessado em 08/01/2018.

 

9 - Lu S, Simon NG, Wang Y, Hu S., Neural androgen receptor regulation: effects of androgen and antiandrogen., J Neurobiol. 1999 Dec;41(4):505-12. [link] acessado em 08/02/2018.

 

10 - Page ST, Amory JK, Bowman FD, Anawalt BD, Matsumoto AM, Bremner WJ, Tenover JL., Exogenous testosterone (T) alone or with finasteride increases physical performance, grip strength, and lean body mass in older men with low serum T.J Clin Endocrinol Metab. 2005 Mar;90(3):1502-10. Epub 2004 Nov 30. [link] acessado em 08/02/2018.

 

11 - Borst, Stephen E. et al. “Musculoskeletal and Prostate Effects of Combined Testosterone and Finasteride Administration in Older Hypogonadal Men: A Randomized, Controlled Trial.” American Journal of Physiology - Endocrinology and Metabolism 306.4 (2014). [link] acessado em 08/02/2018.

 

12 - Pan, Wensen et al. “Effects of dihydrotestosterone on synaptic plasticity of the hippocampus in mild cognitive impairment male SAMP8 mice.” Experimental and therapeutic medicine vol. 12,3 (2016): 1455-1463. [link] acessado em 09/04/2019.

 



 

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