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Problemas Emocionais e Depressão causados pelos Anabolizantes

 

  • Problemas Emocionais e Depressão causados pelos Anabolizantes

Marcelo Calazans

Elaborado em 27/08/2016 - revisado em 18/03/2019

 

RUSSI, MC. Problemas emocionais e depressão causados pelos anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016.

 

Os homens comentam muito sobre a ginecomastia e a queda de cabelo, mas existe um outro problema, que preocupa muito o público masculino, que é a baixa testosterona pós ciclo de esteroides anabolizantes. Já no caso das mulheres, a hipertrofia de clitóris e as alterações vocais, são as frequentes reclamações entre o público feminino.

 

Esses são todos problemas que ocorrem a nível físico, mas nos esquecemos na maioria das vezes, de falar dos colaterais que ocorrem a nível emocional, e a depressão talvez seja a mais comentada nesse aspecto.

 

Nosso emocional é dependente de algo que chamamos de química cerebral[5], e a nossa química cerebral é influenciada pelo que chamamos de neurotransmissores[6].

 

Os neurotransmissores são substâncias responsáveis por efetuar uma sinalização bioquímica no nosso cérebro[1].

 

Qualquer mudança na química cerebral alterando a concentração de alguns de nossos neurotransmissores, pode afetar nosso estado de humor.

 

Apesar de alguns especialistas afirmarem que o diagnóstico da depressão vai além de um desajuste químico no cérebro[7], sabemos que a depressão pode se originar em decorrência do desequilíbrio nas concentrações de um neurotransmissor chamado serotonina[1].

 

Sabemos também hoje em dia, da capacidade dos esteroides anabolizantes em alterar nossa química cerebral, afetando principalmente as concentrações dos neurotransmissores serotonina[4] e dopamina[2,3], podendo ser esta a causa, dos relatos até elevados de pessoas que narram seus problemas de depressão durante e após um ciclo de esteroides anabolizantes.

 

Literaturas e estudos trazem bem referenciado o problema da depressão causado durante e após um ciclo de esteroides anabolizantes[2,4,17,20], sendo que após o ciclo, a depressão geralmente é creditada à baixa testosterona e inibição do eixo HPTA, que são frequentes quando o ciclo de esteroides anabolizantes é descontinuado[17,20].

 

A testosterona, esteroide anabolizante androgênico natural do corpo do homem e da mulher[21], através da sua ação androgênica, pode influenciar e alterar a química cerebral, desta forma, alguns distúrbios emocionais e até psiquiátricos podem ser relacionados com a influência dos esteroides anabolizantes androgênicos[8].

 

Portanto, seria interessante entendermos o que viria a ser a parcela androgênica dos esteroides anabolizantes.

 

Todo esteroide anabolizante, inclusive a própria testosterona natural do nosso corpo, tem a sua parcela anabólica e a sua parcela andrógena. A parcela anabólica, é aquela responsável pelo aumento da síntese proteica, que é apontada como uma das responsáveis pelo crescimento e manutenção da massa muscular, enquanto a parcela andrógena, é aquela que carrega as características sexuais masculinas[22].

 

Como já dito, todos os esteroides anabolizantes conhecidos que são usados no mundo do fisiculturismo, possuem sua parcela anabólica e sua parcela andrógena, e todos eles, direta ou indiretamente são derivados da testosterona, e para melhor compreensão desse aspecto, recomendamos a leitura de uma outra matéria nossa aqui do site:

 

Entendendo a Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

Entendendo a Testosterona e os demais Esteroides Anabolizantes

 

Não há como dissociar totalmente as parcelas anabólica e andrógena de um esteroide anabolizante, e criar assim, um esteroide anabolizante apenas anabólico sem a sua parcela andrógena.

 

Abaixo, vamos colocar uma tabela para referência que quantifica a relação anabolismo/androgenidade dos mais conhecidos esteroides anabolizantes (baseado na literatura de William Llewellyn's):

 

SubstânciaRelação
Boldenona100/50
Dianabol (Metandrostenolona)90-210/40-60
Estanozolol320/30
Hemogenin (Oximetolona)320/45
Masteron (Drostanolona)62-130/25-40
Deca (Nandrolona)125/37
Oxandrolona322-630/24
Primobolan (Metenolona)88/44-57
Testosterona100/100
Trembolona500/500

 

A química existente por traz das atividades comportamentais nos seres humanos é bem complexa, e a bioquímica da agressividade ainda é algo bem estudado.

 

Não são todas as pessoas que relatam aumento de agressividade com o uso de esteroides anabolizantes, pelo que podemos acompanhar, mas o aumento da agressividade e irritabilidade são apontados como decorrentes da ação andrógena dos esteroides anabolizantes na química cerebral[8,19].

 

O fato dos homens serem mais agressivos que as mulheres, atribuiu ao longo dos anos aos efeitos andrógenos, mais especificamente a testosterona, a responsabilidade pelos comportamentos agressivos[16].

 

Explicando de uma forma mais fisiológica, podemos dizer que a ação andrógena sobre a amígdala e o hipotálamo, que são áreas responsáveis pelo controle da agressividade, poderia ser a explicação para o aumento da agressividade relacionada com a ação andrógena da testosterona[17]. A atuação andrógena afetando também o córtex orbitofrontal[18], que é uma área estudada e citada como controladora dos impulsos, pode também explicar a ação da testosterona e dos andrógenos no aumento e controle da agressividade.

 

Alguns estudos mais recentes[13], já correlacionam a função do estrogênio nos processos de aumento da agressividade, e não é somente a parcela andrógena dos esteroides anabolizantes, que pode estar relacionada com a tendência agressiva.

 

Mas ainda é amplamente citada a influência da testosterona, com sua parcela androgênica, atuando no controle da agressividade[8,15].

 

Como dito anteriormente, a química existente por traz dos problemas comportamentais nos seres humanos é muito complexa para deduzirmos algo muito simplista, pois além da ação da testosterona na indução da agressividade, não podemos descartar a ação de outros fatores, como os mensageiros químicos neurotransmissores, nos quais a influência da dopamina, também é apontada como colaboradora nos processos de aumento da agressividade[14].

 

Essa complexidade toda, que existe por traz do comportamento social agressivo, pode talvez explicar porquê, que algumas pessoas não se tornam agressivas ao utilizar esteroides anabolizantes.

 

A obra de "Brian Corrigan - Anabolic steroids and the mind, 1996", ainda lista outros distúrbios que podem ocorrer. Ele ressalta a euforia, melhora na confiança, aumento de energia e autoestima, com aumento da motivação e do entusiasmo, predisposição para suportar dor, inclusive a dor para treinar. Efeitos mais graves podem se manifestar, levando ao aparecimento do comportamento antissocial, hostil e violento[8].

 

Também é colocado por outros especialistas, o fato dos esteroides anabolizantes poderem causar em pessoas propensas, casos de síndrome de narcisismo extremado[9], narcisismo esse que quando extremo, é colocado por estudiosos da psiquiatria criminal como a causa de uma série de delitos.

 

Não estamos dizendo que isso vai necessariamente ocorrer com todas as pessoas, pois pessoalmente, em mais de uma década em que acompanho o assunto, já vi relatados quadros de aumento de agressividade e de irritação, mas que não ocorrem de forma igual com todas as pessoas, e alguns não chegam a demostrar tais efeitos, e isso devido a individualidade biológica que cada um tem na sua reação aos esteroides anabolizantes.

 

Outro problema é colocado por alguns como síndrome comportamental de abstinência, a vigorexia[10,11], que leva à obsessão pelo corpo perfeito[12], no qual a pessoa nunca está contente com a quantidade de massa muscular que possui, e sempre vai ter a tendência de se achar pequena, apesar de já estar com o corpo muito desenvolvido muscularmente.

 

Além das outras recomendações, que fazemos comumente aqui sobre os colaterais dos esteroides anabolizantes, essa apresentada aqui agora, deve ser considerada e observada com atenção.

 

Referências:

 

1 - Neurotransmissores, Maria Helena Guedes, 2015.

 

2 - Tucci P, Morgese MG, Colaianna M, Zotti M, Schiavone S, Cuomo V, et al. Neurochemical consequence of steroid abuse: stanozolol-induced monoaminergic changes. Steroids 2012. [link] acessado em 18/03/2019.

 

3 - Talih F, Fattal O, Malone D Jr. Anabolic steroid abuse: psychiatric and physical costs. Cleve Clin J Med 2007. [link] acessado em 18/03/2019.

 

4 - Daly RC, Su T, Schmidt PJ, Pickar D, Murphy DL, Rubinow DR. Cerebrospinal Fluid and Behavioral Changes After Methyltestosterone Administration: Preliminary Findings. Arch Gen Psychiatry. 2001;58(2):172–177. [link] acessado em 18/03/2019.

 

5 - Pense e Enriqueça para Mulheres, Sharon Lechter, 2015.

 

6 - Nutrição, Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003 pg-502.

 

7 - Diga Não à Depressão, Miguel Lucas, 2014.

 

8 - Corrigan B. Anabolic steroids and the mind. Med J Aust 1996. [link] acessado em 18/03/2019.

 

9 - Porcerelli JH, Sandler BA. Narcisism and empathy in steroid users. Am J Psychiatry 1995.

 

10 - Brower KJ, Eliopulos GA, Blow FC, Catlin DH, Beresford TP. Evidence for physical and psychological dependence on anabolic androgenic steroids in eight weight lifters. Am J Psychiatry 1990.

 

11 - Copeland J, Peters R, Dillon P. Anabolic-androgenic use disorders among a sample of Australian competitive and recreational users. Drug Alcohol Depend 2000.

 

12 - Vigorexia, Elias Antonio Santos, 2005.

 

13 - Brian C. Trainor, M. Sima Finy, Randy J. Nelsonb, Rapid effects of estradiol on male aggression depend on photoperiod in reproductively non-responsive mice, Horm Behav. 2008 Jan; 53(1): 192–199.

 

14 - Schwartzer JJ, Melloni RH Jr., Anterior hypothalamic dopamine D2 receptors modulate adolescent anabolic/androgenic steroid-induced offensive aggression in the Syrian hamster., ehav Pharmacol. 2010 Jul;21(4):314-22. [link] acessado em 18/03/2019.

 

15 - Batrinos, Menelaos L. “Testosterone and aggressive behavior in man” International journal of endocrinology and metabolism vol. 10,3 (2012): 563-8. [link] acessado em 18/03/2019.

 

16 - Behavioural effects of androgen in men and women. Christiansen K. J Endocrinol. 2001 Jul;170(1):39-48.

 

17 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

18 - Exogenous testosterone enhances responsiveness to social threat in the neuralcircuitry of social aggression in humans. Hermans EJ, Ramsey NF, van Honk J. Biol Psychiatry. 2008 Feb 1;63(3):263-70. Epub 2007 Aug 28.

 

19 - Rebecca L. Cunningham, Augustus R. Lumia, Marilyn Y. McGinnis - Androgen Receptors, Sex Behaviour, and Aggression, 2012.

 

20 - Kanayama, Gen et al. “Long-term psychiatric and medical consequences of anabolic-androgenic steroid abuse: a looming public health concern?” Drug and alcohol dependence vol. 98,1-2 (2008): 1-12. [link] acessado em 18/03/2019.

 

21 - Russi, MC. Dossiê: colaterais dos esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, dez. 2018. [link] acessado em 18/03/2019.

 

22 - Rodrigo Pedroso da Silva, Paulo e Danielski, Ricardo e Czepielewski, Mauro. (2002). Anabolic steroids in sports. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 8. 235-243. [link] acessado em 18/03/2019.

 



 

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