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Picolinato de Cromo no Emagrecimento e Atividade Física

 

  • Picolinato de Cromo

Marcelo Calazans

Elaborado em 18/03/2017

 

RUSSI, MC. Picolinato de cromo no emagrecimento e atividade física. Matérias Musculação, São paulo, mar. 2017.

 

Introdução

 

Já é bem comentado há décadas o uso do cromo por pessoas que anseiam diminuições no seu percentual de gordura.

 

A forma mais comum atualmente de se encontrar o cromo, é na forma na forma de Picolinato de cromo. O Picolinato de cromo é uma forma orgânica completamente biodisponível de cromo.

 

O cromo nada mais é do que um mineral, e como todos os minerais conhecidos (ferro, cobre, zinco, sódio, cálcio...), o cromo possui sua necessidade diária de ingestão, e ele executa diversas tarefas no corpo humano.

 

A IDR (ingestão diária recomendada) é a quantidade de uma determinada vitamina ou mineral que o corpo necessita ao longo do dia para cumprir suas funções normalmente, e uma ingestão inferior a essa quantidade, pode provocar problemas à saúde.

 

Atualmente a ingestão diária recomendada (IDR) do cromo segundo a ANVISA é de 35 mcg[1], mas no passado, a IDR do cromo divulgada pela ANVISA, era bem superior a 35 mcg[2], como ainda encontramos colocada em alguns locais mais antigos.

 

A ANVISA atualmente segue o mesmo padrão da IDR do cromo divulgada pela "The National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine"[3], que é a de 35 mcg (µg/d).

 

Com relação às suas funções no corpo humano, podemos citar a sua colaboração no metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas, sendo que seu principal meio de ação apontado é no metabolismo dos carboidratos[4,5].

 

Atuando no metabolismo dos carboidratos, o cromo se relaciona de forma mais específica com a captação da glicose pelas células de tecidos-alvo[6].

 

O cromo age na formação do GTF (fator de tolerância à glicose)[6], e 1959, estudos já comentavam sobre a necessidade da ingestão de cromo para a manutenção da tolerância normal à glicose em mamíferos, que deu origem nos dias atuais, às pesquisas que envolvem o cromo no metabolismo glicídico[7].

 

De certa forma, podemos dizer que o cromo a nível celular facilita a ligação da insulina ao seu receptor[8], e pode-se dizer que é desta forma que ele regula a captação da glicose nas células.

 

Isso pôde ser demonstrado em diabéticos acamados em leitos hospitalares alimentados via nutrição parenteral (feita por via endovenosa). Em 1977, observações feitas nesses pacientes constataram o agravamento do quadro de diabetes, devido ao fato da falta de cromo que na época existia neste tipo de nutrição[9,10].

 

O Cromo para o Esportista

 

Para o praticante de atividades físicas, o cromo também executa importante tarefa, pois durante o exercício o cromo é mobilizado de seus estoques corporais para aumentar a captação da glicose pelas células musculares[6], modulando assim, a afinidade das células à glicose.

 

Isso pode ser demonstrado, pelo fato de que a concentração plasmática de cromo pode ser aumentada durante a prática de exercícios aeróbicos prolongados, mantendo-se ainda elevada após cerca de 2 horas depois do término da atividade[4].

 

O cromo pode ajudar ainda a favorecer a via anabólica por meio do aumento da afinidade à insulina, que irá estimula a captação de aminoácidos, tendo como consequência a síntese proteica, e com isso, pode auxiliar no aumento da resposta adaptativa da própria atividade física, podendo levar a melhorias no tônus muscular[6].

 

O Cromo para o emagrecimento

 

De todos os efeitos do cromo o mais procurado é sem dúvida o efeito visando emagrecimento, efeito esse que é muito comentado.

 

Acredita-se em uma possível colaboração do cromo na redução do peso corporal via diminuição do percentual de gordura. Existem comentários de que o cromo também é tido como supressor do apetite, e que ajuda na produção de calor pelo corpo, o que aumentaria o gasto de energia contribuindo para a perda de peso[11].

 

A forma de ação fisiológica que o cromo teria na diminuição da gordura corporal ainda não é bem compreendida, o que faz com que os reais efeitos do cromo na composição corporal e diminuição da gordura sejam controversos[6,12].

 

Algumas pessoas explicam a ação fisiológica do cromo na diminuição do percentual de gordura, justificando essa ideia perante ao fato de que o cromo a nível celular facilita a ligação da insulina ao seu receptor.

 

Vamos abaixo citar 3 estudos que relacionam o uso do cromo com o emagrecimento

 

Estudo 1[11]:

 

Neste estudo feito com um total de 622 participantes, foram testadas dosagens de 200 mcg, 400 mcg, 500 mcg e 1000 mcg de Picolinato de cromo.

 

Dos participantes, 346 receberam o Picolinato de cromo e 276 receberam placebo apenas.

 

Os participantes do estudo que receberam o Picolinato de cromo, perderam cerca de 1 Kg a mais do que os participantes que receberam apenas o placebo, mas se constatou que não foi evidenciada melhora na perda de peso ao aumentar a dose de Picolinato de cromo acima de 200 mcg.

 

Portanto podemos dizer que neste caso, a dosagem de 200 mcg de cromo ofereceu um favorecimento para a perda de peso.

 

Estudo 2[13]:

 

O estudo foi realizado com 122 indivíduos, no qual 62 receberam 400 mcg de Picolinato de cromo, e outros 60 indivíduos receberam placebo.

 

Todos os indivíduos participantes do estudo foram obrigados a monitorar de forma rigorosa a sua ingestão calórica diária e as suas atividades físicas, rotina essa então que já se constituía em uma rotina propícia à perda de peso independentemente do uso do cromo.

 

Após o final do estudo e avaliando ambos os grupos na sua perda de peso, concluiu-se que a suplementação de cromo pode melhorar significativamente a composição corporal e diminuir o percentual de gordura.

 

Estudo 3[14]:

 

Nem todos os estudos com o cromo são assim tão otimistas.

 

Um estudo conduzido com pessoas da marinha do EUA (79 homens, 16 mulheres), foi realizado em teste duplo-cego controlado por placebo e que teve uma duração de 16 semanas.

 

Os participantes desse estudo já realizavam programas de condicionamento físico, que foram realizados em bases da marinha pelo menos 3 vezes na semana, e com a duração mínima de 30 minutos de exercício aeróbio por dia.

 

Ao final das 16 semanas, todos os participantes do estudo, independentemente de estarem usando cromo ou não, tinham perdido uma pequena quantidade de peso e gordura corporal, e o grupo que se utilizou do cromo, não mostrou uma redução significativamente maior de peso e gordura.

 

Como conclusão final, eles definiram que o Picolinato de cromo não era eficaz para ajudar nos programas de perda de peso da marinha em geral.

 

Conclusão dos estudos:

 

O cromo na nossa opinião com base nos estudos, se utilizado na dosagem de 200 mcg, pode ajudar as pessoas na diminuição da gordura corporal, desde que elas já estejam fazendo uma rotina de dieta e exercícios físicos com ênfase na diminuição da gordura corporal.

 

Notem que todos os estudos citam como efetivas as dosagens entre 200 mcg e 400 mcg.

 

No Brasil, a ANVISA na portaria nº 32 de 13 de janeiro de 1998[15], definiu que suplementos de vitaminas ou minerais, como por exemplo os suplementos de Picolinato de cromo, não podem exceder 100% da IDR (ingestão diária recomendada).

 

Atualmente a ingestão diária recomendada (IDR) do cromo segundo a ANVISA é de 35 mcg[1], por isso que muitos dos suplementos vendidos no Brasil a base de Picolinato de cromo, vem na dosagem de 35 mcg, que em comparação com os estudos acima que mostraram eficiência da diminuição da gordura corporal, é uma dosagem baixa, pois os estudos efetivos mostrados aqui, foram conduzidos com dosagens de 200 mcg a 400 mcg.

 

Considerações Finais

 

Nossa posição aqui, não é a de afirmar e nem a de negar a eficácia de nenhum suplemento alimentar vendido atualmente no Brasil, pois nossa postura ética, visa nos manter imparciais com relação a isso.

 

Portanto, com base nos dados científicos baseados em referências colocados acima, cabe ao nosso leitor decidir se os atuais suplementos a base de Picolinato de cromo vendidos no Brasil, podem ou não ser efetivos para o seu caso específico de perda de gordura corporal.

 

O correto antes de se partir para o uso de qualquer suplemento alimentar, é procurar a orientação de um profissional da área de saúde de sua confiança para maiores informações, e não baseiem sua decisão de tomar algo ou não, apenas tendo como base textos e matérias lidas por conta própria e na opinião de colegas.

 

Sua saúde é seu maior patrimônio.

 

Referências:

 

1 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Consulta Pública nº 80, de 13 de dezembro de 2004, D.O.U de 17/12/2004 [link] acessado em 18/03/2017.

 

2 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Portaria nº 33, de 13 de janeiro de 1998, D.O.U de 16/01/1998 [link] acessado em 18/03/2017.

 

3 - Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, National Academies - Dietary Reference Intakes (DRIs): Recommended Dietary Allowances and Adequate Intakes, Vitamins [link] acessado em 18/03/2017.

 

4 - Clarkson PM. Effects of exercise on chromium levels: Is supplementation required? Sports Med 1997.

 

5 - Stoeker BJ. Chromium. In: Shils ME, Olson JA, Shike M, Ross AC, editors. Modern nutrition in health and disease. 9a ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Williams, 1999;277-82.

 

6 - Mariana Rezende Gomes, Marcelo Macedo Rogero e Julio Tirapegui, Considerações sobre cromo insulina e exercício físico - Rev Bras Med Esporte _ Vol. 11, Nº 5 – Set/Out, 2005.

 

7 - Schwartz K, Mertz W. Chromium III and the glucose tolerance factor. Arch Biochem Biophys 1959;85:292-96.

 

8 - Evans GW, Bowman TD. Chromium picolinate increases membrane fluidity and rate of insulin internalization. J Inorg Biochem 1992;46:243-50.

 

9 - Anderson RA. Essentiality of chromium in humans. Sci Total Envir 1989.

 

10 - Chowdhury S, Pandit K, Roychowdury P, Bhattachary A. Role of chromium in human metabolism, with special reference to type 2 diabetes. JAPI 2003.

 

11 - Hongliang Tian, Xiaohu Guo, Xiyu Wang, Zhiyun He, Rao Sun, Sai Ge, Zongjiu Zhang, Chromium picolinate supplementation for overweight or obese people, 2012 [link] acessado em 18/03/2017.

 

12 - Anderson RA, Effects of chromium on body composition and weight loss, 1998.

 

13 - A randomized, double-masked, placebo-controlled study of the effects of chromium picolinate supplementation on body composition: A replication and extension of a previous study Kaats, Gilbert R. et al.Current Therapeutic Research, Volume 59, Issue 6, 379 - 388 [link] acessado em 18/03/2017.

 

14 - Trent LK, Thieding-Cancel D., Effects of chromium picolinate on body composition, J Sports Med Phys Fitness. 1995 Dec;35(4):273-80 [link] acessado em 18/03/2017.

 

15 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Portaria nº 32, de 13 de janeiro de 1998 [link] acessado em 18/03/2017.

 



 

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