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A Ciência do Crescimento Muscular - (como tudo acontece)

 

  • A Ciência do Crescimento Muscular

Marcelo Calazans

Elaborado em 14/11/2016 - atualizado em 06/05/2019

 

RUSSI, MC. A ciência do crescimento muscular – como tudo acontece. Matérias Musculação, São paulo, nov. 2016.

 

Em 1961, dois pesquisadores independentes realizaram estudos de microscopia eletrônica, e puderam com isso, descrever com pioneirismo as células satélites[12]. Hoje em dia, já se sabe que existem dezenas de outros fatores envolvidos com o Crescimento Muscular.

 

Os praticantes de musculação na sua grande maioria, tem um pensamento muito simplista a respeito do assunto, e as pessoas de um modo geral, as vezes desconhecem o que de real existe por traz deste processo, e algumas chegam ao ponto de pensar que é só "injetar bomba" que cresce.

 

Pacientes acometidos por algum problema de saúde, que leva a diminuição da massa muscular, podem segundo estudos, obter ganhos de massa muscular com o uso de esteroides anabolizantes sem a necessidade de treino[11].

 

Mas as pessoas normais, que não sofreram perdas de massa muscular devido a problemas de saúde, não se iludam em usar um esteroide anabolizante sem treinar, achando que apenas o anabolizante irá fazê-los crescer.

 

Esse pensamento é confirmado pelo “papa” dos esteroides anabolizantes, William Llewellyn, que cita em seu best-seller: “todos nós entendemos que o treinamento com peso é fundamental para o crescimento do tecido muscular” (Llewellyn’s, 2011).

 

Todo processo tem um início, e no processo de Crescimento Muscular, o gatilho para que o processo se inicie é o treinamento, pois até a presente data, não inventaram ainda uma pílula ou substância, que faça uma pessoa normal ter crescimento de massa muscular sem que haja a necessidade do treino.

 

O treinamento de musculação quando realizado, causa um dano celular localizado. A resposta que o corpo terá a esse dano celular, está intimamente ligado com o posterior processo de reparação ao dano causado, que no final, vai originar o Crescimento Muscular propriamente dito[1].

 

Quando treinamos visando crescimento de massa muscular, estamos obrigando nossos músculos a realizar um trabalho superior àquele que ele estaria dimensionado a realizar no momento, e a perturbação que o exercício traz para o músculo na hora do treinamento, desencadeia uma resposta do corpo ao estresse celular causado na musculatura, que faz o corpo reagir com a formação e liberação de vários mensageiros químicos em resposta ao estresse[2].

 

Durante a execução do exercício, vai ocorrer uma perturbação na camada exterior da célula muscular, que acarreta em uma reação ligada ao ácido araquidônico, neste momento, sinalizadores químicos incluindo prostaciclinas, citocinas, leucotrienos e prostaglandinas serão formados.[2].

 

O resultado de Crescimento Muscular que será obtido com um determinado treino, está intimamente ligado com a liberação desses sinalizadores químicos que deve ocorrer durante a seção de treinamento.

 

Após esse processo descrito acima, que ocorre durante o treino, entra em cena um conhecido já de muitas pessoas, que é a miostatina.

 

A maioria mais jovem não deve se lembrar, mas há cerca de 10 anos atrás, pesquisadores haviam anunciado que tinham descoberto uma forma de Crescimento Muscular sem treino, na qual eles diziam poder manipular a miostatina.

 

Criaram até suplementos inibidores da miostatina, que prometiam ganhos sem treino, mas obviamente tudo não passou de um "fake", pois na verdade, crescimento sem treino para pessoas normais nunca houve.

 

A miostatina é um conhecido inibidor do Crescimento Muscular, e esse é um dos controles que o corpo utiliza para dosar o crescimento quando acha necessário.

 

Para entender a função da miostatina, é necessário antes entender o que são as células satélites.

 

Células satélites são células dormentes que entram em atividade quando necessário, e quando são ativadas participam da fusão de novas células com a fibra muscular já existente, e estão desta forma envolvidas no processo de hipertrofia muscular[12].

 

O processo bioquímico descrito acima inicialmente, que ocorre durante o treinamento com a liberação de sinalizadores químicos, irá estimular e ativar as células satélite a entrarem no ciclo celular e formar novos mioblastos (células percursoras de fibras musculares), que irão depois se fundir com as células musculares danificadas durante o treinamento, e isso posteriormente, permitirá maior síntese de proteínas e maior aumento da célula muscular[1].

 

Acredita-se que a volta das células satélite ao seu estado de dormência (quiescência), acontece devido à miostatina, que age como um regulador chave deste processo[3,4].

 

"Vocês devem estar se perguntando, mas cadê a testosterona aí no processo?"

 

Calma, pois antes dos hormônios anabólicos entrarem em cena para realizar o seu papel, uma série de reações todas dentro da sua ordem devem ocorrer, e é exatamente por isso, que uma pessoa não ganha massa muscular apenas se entupindo de esteroides anabolizantes, pois na verdade, antes da ação do esteroide anabolizante (testosterona) ser necessária e começar a cumprir seu papel, o corpo deve se preparar para isso.

 

"Ouvimos falar bastante sobre os receptores, e eles são realmente muito importantes."

 

A liberação dos sinalizadores químicos descritos acima, que ocorre no gatilho inicial do treinamento, controla a densidade de receptores no tecido alvo, afim de preparar o tecido treinado para receber a ação dos esteroides anabolizantes (testosterona). Regular a densidade de receptores nos tecidos, é importante, pois é dessa forma que o corpo impede que os hormônios anabólicos atuem em áreas do corpo que não necessitam dessa ação[1].

 

Outra coisa muito comentada, é com relação à duração de um ciclo. Já ouviram falar, que um ciclo de esteroides anabolizantes perde o seu rendimento em ganho de massa muscular após um período (algumas semanas)?

 

► Isso acontece, pois o corpo tem mecanismos que preparam e regulam o tecido muscular dosando e equilibrando a ação dos hormônios anabólicos, e não adianta ter milhões de litros de esteroides anabolizantes no corpo, pois o corpo utiliza de outros mecanismos para controlar e dosar o Crescimento Muscular.

 

Porque, se não fosse assim, as pessoas iriam crescer indefinidamente enquanto estivessem utilizando esteroides anabolizantes, e iria ter andando pelas ruas uma infindável legião de gigantes, que na verdade, não é o que acontece, pois sabemos da dificuldade de se obter ganhos de massa muscular mesmo para as pessoas que treinam, se alimentam corretamente, tem boa disciplina e fazem uso de esteroides anabolizantes.

 

Pois bem, após o tecido já estar preparado nas etapas citadas acima para receber a ação dos fatores de crescimento e esteroides anabolizantes (testosterona), começa a ação anabólica propriamente dita, que é mediada por uma infinidade de substâncias, que inclui os esteroides anabolizantes (testosterona), insulina, IGF-1, interleucina, FGF, MGF, HGF e TNF[13,14,15,16].

 

"Este é efetivamente o momento em que seu organismo está reparando as células danificadas durante o treino, e que o Crescimento Muscular está acontecendo dentro do seu corpo."

 

Claro que a intrincada rede de acontecimentos que ocorrem dentro do seu corpo neste momento envolvendo todas essas substâncias no processo, não será possível citarmos aqui em detalhes, pois devido a sua complexidade, o entendimento de seus processos demanda um conhecimento muito avançado da fisiologia do corpo humano, que não é a intenção dessa presente matéria.

 

Mas vamos dar mais detalhes de uma forma básica sobre alguns desses elementos envolvidos no processo.

 

Insulina

 

A insulina é bastante conhecida por sua ação no controle da glicemia, mas a insulina ajuda a promover o anabolismo muscular, cumprindo um importante papel no transporte de nutrientes pelo corpo[13].

 

Prostaglandinas

 

Muitas pessoas que estudam a função das prostaglandinas no Crescimento Muscular, apenas as colocam onde nós colocamos no início aqui desta matéria, que é na função de sinalizador químico no momento do exercício[2], mas elas também ajudam em outros pontos posteriores da construção muscular.

 

Podemos inclui-las também, como colaboradoras no processo de síntese proteica atuando como estímulo positivo na formação do IGF-1[5].

 

IGF-1

 

Ele é um fator de crescimento semelhante a insulina com efeitos anabólicos.

 

O IGF-1 aumenta a síntese de proteínas e permite a proliferação e diferenciação das células satélite.

 

Ele parece ter também uma sinergia de ação com as prostaglandinas.

 

A prostaglandina F2 alfa (PGF2 alfa), parece regular a afinidade do IGF ao receptor, e a prostaglandina E2 (PGE2), parece atuar na síntese local do IGF-1[6,7,8].

 

HGF

 

O HGF é um fator de crescimento encontrado na superfície externa da célula, essas células após a lesão estimulada pelo treinamento, acabam por liberar o HGF, e ajudam assim a desencadear a ativação das células satélites[9].

 

A prostaglandina E2 (PGE2) também parece estar ligada com a maior liberação do HGF[10].

 

Conclusão

 

Notem que as substâncias insulina, IGF-1, interleucina, FGF, MGF, HGF, TNF e os esteroides anabolizantes (testosterona), possuem uma extensa ligação no seu meio de ação, que irá dar origem ao Crescimento Muscular.

 

O mecanismo de Crescimento Muscular todo que descrevemos aqui, vai muito além daquilo que as pessoas pensam ser apenas treinar, comer e dormir, e internamente, uma série muito grande de reações bioquímicas são desencadeadas, todas as vezes que treinamos e damos início ao processo.

 

Referências:

 

1 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

2 - Armstrong RB., Initial events in exercise-induced muscular injury., Med Sci Sports Exerc. 1990 Aug;22(4):429-35. [link] acessado em 03/05/2019.

 

3 - McCroskery S, Thomas M, Maxwell L, Sharma M, Kambadur R., Myostatin negatively regulates satellite cell activation and self-renewal., J Cell Biol. 2003 Sep 15;162(6):1135-47. Epub 2003 Sep 8. [link] acessado em 03/05/2019.

 

4 - Wozniak AC, Kong J, Bock E, Pilipowicz O, Anderson JE., Signaling satellite-cell activation in skeletal muscle: markers, models, stretch, and potential alternate pathways., Muscle Nerve. 2005 Mar;31(3):283-300. [link] acessado em 03/05/2019.

 

5 - Fournier T, Riches DW, Winston BW, Rose DM, Young SK, Noble PW, Lake FR, Henson PM., Divergence in macrophage insulin-like growth factor-I (IGF-I) synthesis induced by TNF-alpha and prostaglandin E2., J Immunol. 1995 Aug 15;155(4):2123-33. [link] acessado em 03/05/2019.

 

6 - Harada SI, et al., The role of prostaglandins in bone formation., Connect Tissue Res. 1995;31(4):279-82. [link] acessado em 03/05/2019.

 

7 - Hakeda Y, Harada S, Matsumoto T, Tezuka K, Higashino K, Kodama H, Hashimoto-Goto T, Ogata E, Kumegawa M., Prostaglandin F2 alpha stimulates proliferation of clonal osteoblastic MC3T3-E1 cells by up-regulation of insulin-like growth factor I receptors., J Biol Chem. 1991 Nov 5;266(31):21044-50. [link] acessado em 03/05/2019.

 

8 - McCarthy TL, Centrella M, Raisz LG, Canalis E., Prostaglandin E2 stimulates insulin-like growth factor I synthesis in osteoblast-enriched cultures from fetal rat bone., Endocrinology. 1991 Jun;128(6):2895-900. [link] acessado em 03/05/2019.

 

9 - Tatsumi R, Sheehan SM, Iwasaki H, Hattori A, Allen RE., Mechanical stretch induces activation of skeletal muscle satellite cells in vitro., Exp Cell Res. 2001 Jul 1;267(1):107-14. [link] acessado em 03/05/2019.

 

10 - Takahashi, M et al. “Hepatocyte growth factor as a key to modulate anti-ulcer action of prostaglandins in stomach.” The Journal of clinical investigation vol. 98,11 (1996). [link] acessado em 03/05/2019.

 

11 - Supasyndh, Ouppatham et al. “Effect of oral anabolic steroid on muscle strength and muscle growth in hemodialysis patients.” Clinical journal of the American Society of Nephrology : CJASN vol. 8,2 (2012). [link] acessado em 03/05/2019.

 

12 - Yablonka-Reuveni, Zipora. “The skeletal muscle satellite cell: still young and fascinating at 50.” The journal of histochemistry and cytochemistry : official journal of the Histochemistry Society vol. 59,12 (2011). [link] acessado em 03/05/2019.

 

13 - Fujita, Satoshi et al. “Effect of insulin on human skeletal muscle protein synthesis is modulated by insulin-induced changes in muscle blood flow and amino acid availability.” American journal of physiology. Endocrinology and metabolism vol. 291,4 (2006). [link] acessado em 03/05/2019.

 

14 - Chen, Xia, and Susan L Thibeault. “Role of tumor necrosis factor-alpha in wound repair in human vocal fold fibroblasts.” The Laryngoscope vol. 120,9 (2010). [link] acessado em 03/05/2019.

 

15 - Iida, Keiji et al. “Muscle mechano growth factor is preferentially induced by growth hormone in growth hormone-deficient lit/lit mice.” The Journal of physiology vol. 560,Pt 2 (2004). [link] acessado em 03/05/2019.

 

16 - Brodsky IG, Balagopal P, Nair KS., Effects of testosterone replacement on muscle mass and muscle protein synthesis in hypogonadal men--a clinical research center study., J Clin Endocrinol Metab. 1996 Oct;81(10):3469-75. [link] acessado em 03/05/2019.

 



 

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