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Funcionamento da Creatina e obtenção de energia

 

  • Creatina ATP-CP

Marcelo Calazans

Elaborado em 19/05/2017

 

RUSSI, MC. Funcionamento da creatina e obtenção de energia. Matérias Musculação, São paulo, mai. 2017.

 

A Creatina (ácido acético metilguanidina) é uma substância de origem proteica formada por 3 aminoácidos: glicina, arginina e metionina. Ela foi descoberta em 1832 por Michel-Eugène Chevreul[1].

 

Todos nós, praticantes ou não de atividades físicas temos Creatina no nosso corpo, e usamos ela todos os dias.

 

Há duas maneiras de se obter a Creatina, através da alimentação, e através da produção endógena de Creatina que o nosso corpo possui. Nosso organismo sintetiza uma quantidade de Creatina diariamente em todos nós.

 

Um homem adulto com cerca de 70 Kg possui aproximadamente 120 g de Creatina estocada em seu corpo[1].

 

As pessoas que consomem uma dieta tradicional, obtém através de alguns alimentos de origem animal uma taxa diária de Creatina. E o restante da Creatina necessária para o funcionamento do corpo, acaba vindo da síntese endógena de Creatina que nosso corpo faz.

 

Podemos dizer que neste caso, metade da Creatina necessária para o funcionamento do corpo vem da alimentação, e metade vem da síntese de Creatina que o corpo produz[6].

 

Através da alimentação, a Creatina é abundante em todos os tipos de carne, estima-se que haja na carne bovina por exemplo, cerca de 4,5 g por quilo de Creatina[3].

 

Antes de entendermos como a Creatina funciona, precisamos entender como a "bateria de força" de nossas células funciona.

 

Vamos chamar essa "bateria de força" a partir de agora, de "bateria ATPADP".

 

Chamamos nossa "bateria" de ATP quando ela está carregada, e de ADP quando ela está descarregada.

 

ATP e ADP são na verdade duas substâncias, chamamos o ATP de adenosina trifosfato, e o ADP de adenosina difosfato.

 

Nossas células retiram do ATP a energia que precisam para funcionar.

 

O ATP então, pode ser entendido como uma molécula de energia, que quando necessário, vai prover energia para o funcionamento da célula.

 

Após o ATP (carregado) ser utilizado como fonte de energia, esse uso transforma o ATP em ADP (descarregado).

 

Com base nisso, podemos dizer que nosso corpo converte ATP em ADP para produzir energia para as nossas células, inclusive as células musculares.

 

A conversão do ATP em ADP liberando energia, é um processo reversível. O ADP, portanto, pode ser regenerado para formar novamente um ATP, que estará pronto para liberar energia outra vez.

 

Essa regeneração (recarga) do ATP, transformando o ADP em ATP novamente, é importante, pois as células tendem a utilizar rapidamente as moléculas de ATP para produzir energia, portanto, as células são muito dependentes deste processo de regeneração (recarga)[2].

 

Até aqui já sabemos que o ATP (carregado) é quebrado para liberar energia para as células originando o ADP (descarregado), e que depois o ADP volta a ser um ATP, recarregando assim nossa "bateria de força" da célula.

 

Precisamos agora entender como essa "bateria" é recarregada, transformando o ADP (descarregado) em ATP (carregado).

 

Vamos citar três formas de recarregar essa "bateria": o sistema ATP-CP, o sistema glicolítico e o sistema oxidativo[3,4,10].

 

Quem acaba provendo substratos para que os sistemas ATP-CP, glicolítico e oxidativo funcionem, recarregando assim nossa "bateria ATP- ADP", são nada mais nada menos, que os próprios nutrientes vindos dos alimentos que ingerimos nas nossas refeições.

 

Podemos dizer com isso, que os nutrientes oriundos da nossa alimentação são de certa forma utilizados para recarregar nossa "bateria ATP-ADP".

 

Vamos entender como isso funciona, e ver onde a Creatina entra nesse aspecto e ver qual seria então a vantagem de se suplementar a Creatina.

 

A Creatina entra logo de início no sistema ATP-CP, e ela é uma substância que consegue de maneira rápida recarregar nossa "bateria" transformando novamente o ADP em ATP[10].

 

Para entender o processo, devemos saber que no nosso corpo a Creatina passa por um processo de fosforilação, originando a Creatina fosfato (CP). Estima-se que cerca de 60% a 70% do total de Creatina do corpo encontra-se na forma de Creatina fosfato[1].

 

A Creatina fosfato então se acumula, armazenando energia em potencial que pode ser usada para recarregar nossa "bateria de força" transformando o ADP em ATP.

 

Assim sendo, conforme nossa célula vai usando o ATP como energia, e consequentemente os níveis de ATP começam a diminuir, nosso corpo usa a Creatina fosfato para recuperar o ATP convertendo novamente o ADP em ATP[5], recarregando assim de forma rápida nossa "bateria de força".

 

Essa forma descrita acima de recuperar o ATP recarregando a nossa "bateria ATP – ADP", é muito importante para o praticante de musculação.

 

Os sistemas glicolítico e oxidativo citados acima, também tem o potencial de recuperar o ATP recarregando nossa "bateria ATP – ADP", mas o sistema ATP-CP, apresenta a vantagem de ser extremamente rápido neste processo, pois ele necessita apenas de uma reação química[4,10].

 

Mas apesar do sistema ATP-CP dependente da Creatina apresentar a vantagem de ser rápido na recuperação do ATP[4,10], ele tem uma desvantagem.

 

A desvantagem é que a duração da energia provida por ele é curta, e a quantidade de Creatina fosfato presente na célula pode prover energia de contrações máximas por apenas 8 a 10 segundos[5].

 

A reserva da Creatina apesar de limitada, pode prover rápida recuperação do ATP por curto período, e acaba assim servindo como uma espécie de "tampão" temporário, pois enquanto outros sistemas, como o glicolítico por exemplo, não entraram ainda em cena para começar a recuperar o ATP de forma sustentada, a Creatina sustenta essa recuperação enquanto os outros sistemas não entraram ainda em plena atividade[8].

 

Como conclusão com relação à suplementação com Creatina, ela traz a ideia de que suplementar a Creatina aumentando suas reservas no corpo, seria uma melhor fonte de obtenção de energia na hora do exercício, (Greenhaff et al., 1993) sugere que a Creatina pode ajudar a manter os níveis de ATP mais estáveis durante exercícios de esforço máximo[9].

 

Pois como já dito, cerca de 60% a 70% da Creatina total se encontra na forma de Creatina fosfato, e acredita-se então, que aumentando a concentração de Creatina no corpo, poderia consequentemente também aumentar a quantidade de Creatina fosfato, e com isso poder-se-ia conseguir uma maior fonte de energia rápida para a recuperação do ATP na hora do exercício físico.

 

Alguns estudos sugerem que a suplementação com Creatina pode aumentar a concentração de Creatina no corpo em cerca de 10% a 20%, mas há outros ainda mais otimistas, que sugerem um aumento de cerca de 50%, e isso mesmo em pessoas não vegetarianas[3,7], e em vegetarianos, esse aumento poderia ser estimado em cerca de 60%[3].

 

Referências:

 

1 - Creatina - Melvin H. Willians, Richard B. Kreider, J. David Branch, Editora Manole Ltda, 2000.

 

2 - Reece, J. B., Urry, L. A., Cain, M. L., Wasserman, S. A., Minorsky, P. V., and Jackson, R. B. (2011). The regeneration of ATP. In Campbell biology (10th ed., pp. 151). San Francisco, CA: Pearson.

 

3 - Peralta, José; Amancio, Olga Maria Silverio. A creatina como suplemento ergogênico para atletas. Rev. Nutr., Campinas, v. 15, n. 1, p. 83-93, Jan. 2002.

 

4 - Treinamento de Força para o Desempenho Humano, T. Jeff Chandler, Lee E. Brown, 2009.

 

5 - Anatomia e Fisiologia de Seeley, Cinnamon VanPutte, Jennifer Regan, Andrew Russo, 2016.

 

6 - Wyss M and Kaddurah-Daouk R. Creatine and creatinine metabolism. Rev . Physiol. 80:1107-213, 2000.

 

7 - Burke, E., Berning, J. Nutritional ergogenics aids. In: Burke, E., Berning, J. Training nutrition. Carmel : Cooper P.G., 1996.

 

8 - Houston, M. Biochemical energetics. In: Houston, M. Biochemistry primer for exercise science. Champaign : Human Kinetics, 1995.

 

9 - Greenhaff, P., Bodin, K., Harris, R., Hultman, E., Jones, D.D., Mcintyre, D. The influence of oral creatine supplementation on muscle creatine resynthesis following intense contraction in man. Journal of Physiology, Masson, 1993.

 

10 - Nutrição e suplementação esportiva: Aspectos metabólicos, fitoterápicos e da nutrigenômica, Fábio Medici Lorenzeti, Luiz Carlos Carnevali Júnior, Ricardo Zanuto, 2011.

 



 

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