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Entendendo a Carnitina na diminuição da gordura corporal

 

  • Carnitina

Marcelo Calazans

Elaborado em 11/07/2017

 

RUSSI, MC. Entendendo a carnitina na diminuição da gordura corporal. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2017.

 

Nosso próprio corpo tem a capacidade de produzir Carnitina, e nosso corpo faz isso utilizando dois aminoácidos essenciais presentes na nossa alimentação, que são a lisina e a metionina[1].

 

No nosso corpo, a Carnitina participa naturalmente de um processo muito importante, e ela está envolvida no metabolismo das gorduras.

 

Nós usamos constantemente a gordura como fonte de energia para nossas atividades, e isso é feito através da utilização dos ácidos graxos.

 

Os lipídios simples (gorduras) são formados de ácidos graxos e glicerol[2], e quando o nosso corpo necessita utilizar a gordura como fonte de energia, o corpo através de um processo de degradação, extrai os ácidos graxos dos lipídios simples (gorduras).

 

Nas células existe algo denominado de mitocôndria, e as mitocôndrias são as responsáveis por produzir energia, e elas podem fazer isso utilizando a glicose ou os ácidos graxos[3]. Nós aqui vamos nos concentrar nos ácidos graxos, pois eles estão de certa forma, ligados diretamente com a Carnitina que é o nosso foco.

 

Podemos classificar os ácidos graxos com relação a quantidade de átomos de carbono da sua estrutura, e temos então a seguinte classificação: ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), ácidos graxos de cadeia média (AGCM) e ácidos graxos de cadeia curta (AGCC)[4].

 

Os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) são muito presentes nos alimentos que ingerimos, enquanto os ácidos graxos de cadeia média (AGCM), são menos presentes.

 

Ácidos graxos de cadeia longa são aqueles classificados com 12 átomos de carbono ou mais[5].

 

Para que a energia possa ser produzida pelas mitocôndrias utilizando os ácidos graxos (gorduras), os ácidos graxos precisam ser transportados para dentro da mitocôndria.

 

Os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e os ácidos graxos de cadeia média (AGCM), conseguem entrar na mitocôndria sem maiores problemas[6].

 

O problema acontece com os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL), pois eles não conseguem penetrar facilmente na mitocôndria para que possam ser utilizados como fonte de energia.

 

Neste ponto que entra a Carnitina, pois a entrada dos ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) é feito através de um sistema transportador dependente da Carnitina[7].

 

Isso faz a Carnitina ser de grande importância para a utilização dos ácidos graxos (gordura) como fonte de energia. Pois a maior parte da gordura que ingerimos na nossa alimentação, e da gordura que temos estocada no nosso corpo em forma de tecido adiposo, são compostas de ácidos graxos de cadeia longa (AGCL)[7], que irão necessitar da Carnitina para que possam ser "queimadas" em forma de energia pelo nosso corpo.

 

Tanto que isso é um fato, que a deficiência de Carnitina pode causar algumas disfunções no nosso organismo.

 

A deficiência de Carnitina, pode diminuir a capacidade do nosso corpo em usar os ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) como combustível metabólico[6].

 

Existem algumas situações em que isso pode acontecer naturalmente. Podemos citar problemas hepáticos que podem comprometer a capacidade do corpo em produzir a Carnitina, casos de pessoas desnutridas ou vegetarianos estritos. Algumas situações específicas como doenças congênitas ou casos severos de hemodiálise também podem comprometer as concentrações de Carnitina no organismo[6].

 

Essa associação da Carnitina ajudando na "queima" de ácidos graxos de cadeia longa (AGCL) é que despertou a há mais de uma década o interesse desta substância para as pessoas que anseiam por diminuições do percentual de gordura corporal.

 

No entanto, seu uso como suplemento visando a diminuição da gordura corporal segundo alguns estudos, possui evidencias limitadas para suportar a teoria do emagrecimento[8,9], o que coloca em dúvida o fato de uma pessoa normal e saudável que venha a suplementar Carnitina, poder experimentar com a suplementação uma redução do percentual de gordura.

 

Mas trazemos também um estudo de 2016[10], que visa fornecer uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados, no qual estudos relevantes foram identificados por uma busca sistemática em bases de dados como a PubMed, Embase e Cochrane Central Register of Controlled Trials. Este estudo, após validar diversos materiais coletados como relevantes, concluiu que receber a Carnitina resultou em perda de peso.

 

Mas o assunto relativo a perda de peso e a suplementação com Carnitina, apesar de já ser antigo, é algo ainda bem controverso que irá render ainda diversos debates e estudos no futuro. Portanto, com o apresentado acima, deixamos nossos leitores livres para tirar suas próprias conclusões sobre a eficácia da suplementação com Carnitina para quem visa a diminuição do percentual de gordura.

 

Lembrando que a diminuição do percentual de gordura corporal deve ser vista como um todo, e não apenas de forma isolada com o uso de uma única substância, e no todo avaliado, deve constar a alimentação e a prática de atividades físicas, considerando também o auxílio de um nutricionista e de um educador físico.

 

Referências:

 

1 - Coelho, Christianne de Faria et al . Aplicações clínicas da suplementação de L-carnitina. Rev. Nutr., Campinas v.18, n.5, p.651-659, 2005.

 

2 - Nutrição e Metabolismo: A importância do consumo equilibrado dos nutrientes no processo metabólico, Adriana Lopes Peixoto, 2015.

 

3 - Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças, V Kumar, Jon C. Aster, Abbas Abbas, 2015.

 

4 - Gastrenterologia e Hepatologia de Harrison - 2.ed., Dan L. Longo, Anthony S. Fauci, 2014.

 

5 - Aspectos biológicos e geriátricos do envelhecimento, Elvo Clemente, Emílio A. Jeckel Neto, 2002.

 

6 - Bioquímica Ilustrada, Richard A. Harvey, Denise R. Ferrier, 2015.

 

7 - Bioquímica Médica, John Baynes, Marek H. Dominiczak, 2015.

 

8 - Campbell, Bill I. et al. "The Effects of a Fat Loss Supplement on Resting Metabolic Rate and Hemodynamic Variables in Resistance Trained Males: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled, Cross-over Trial." Journal of the International Society of Sports Nutrition 13 (2016): 14. PMC. Web. 8 July 2017.

 

9 - Karlic H, Lohninger A. Supplementation of L-carnitine in athletes: does it make sense? Nutrition. 2004;20(7-8):709–15.

 

10 - The effect of (L-)carnitine on weight loss in adults: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials., Pooyandjoo M, Nouhi M, Shab-Bidar S, Djafarian K, Olyaeemanesh A., Obes Rev. 2016 Oct;17(10):970-6. doi: 10.1111/obr.12436. Epub 2016 Jun 22. [link] acessado em 11/07/2017.

 



 

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