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Alopecia (queda de cabelo) com Esteroides Anabolizantes

 

  • Queda Cabelo

Marcelo Calazans

Elaborado em 13/09/2017

 

RUSSI, MC. Alopecia com esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, set. 2017.

 

Os esteroides anabólicos androgênicos (EAA), ou simplesmente como são mais conhecidos, esteroides anabolizantes, são recursos ergogênicos farmacológicos que prejudicam o homem acentuando a queda de cabelo.

 

A calvície pode ser chamada também de Alopecia androgenética (AAG). Ela é a causa mais comum de queda de cabelo em ambos os sexos[1].

 

Essa queda, se caracteriza por uma alteração no ciclo do cabelo que leva a miniaturização do folículo piloso, que vai aos poucos convertendo os fios de cabelo em fios cada vez mais finos, curtos e menos pigmentados[2], como mostra a figura abaixo:

 

Queda de Cabelo

 

A ação andrógena já é apontada desde 1940 como a principal causa da Alopecia androgenética, ela é conhecida como uma desordem causada pela ação dos andrógenos[2].

 

O alvo primário de ação dos andrógenos no folículo piloso do couro cabeludo, é provavelmente a papila dérmica, que possui receptores específicos que reagem ao estímulo dos andrógenos[3].

 

Vamos explicar o que vem a ser uma ação andrógena.

 

Um bom exemplo de substância natural do corpo que desempenha função andrógena, é a nossa testosterona natural endógena.

 

Nossa testosterona natural tem a sua parcela andrógena e a sua parcela anabólica, e ambas são responsáveis por diferentes funções no corpo humano. Podemos citar como função anabólica o aumento de massa muscular, e como função andrógena todas aquelas que estão associadas às características masculinas, como por exemplo, o padrão do tom de voz masculino, crescimento de barba entre outras[4].

 

No corpo do homem, em algumas situações em que é necessária uma ação andrógena mais potente, o corpo converte a testosterona em um andrógeno mais forte, que é o DHT (di-hidrotestosterona). O DHT é cerca de 3 a 4 vezes mais potente que a testosterona[5].

 

Essa conversão é feita através de uma enzima de nome 5-alfa redutase, e a interação da testosterona com essa enzima resultada na di-hidrotestosterona (DHT)[6].

 

Quimicamente, podemos expressar essa conversão explicando que a enzima 5-alfa-redutase libera a ligação dupla c-4-5 da testosterona através da adição de dois átomos de hidrogênio na sua estrutura, daí se originou no nome dihidrotestosterona[5].

 

O DHT (di-hidrotestosterona) é apontado como um colaborador direto no aumento da queda de cabelo[2], isso devido ao seu forte potencial andrógeno, que em alguns locais do corpo, como o couro cabeludo, pode trazer inconvenientes[5].

 

Os esteroides anabolizantes utilizados no fisiculturismo para fins de crescimento muscular, possuem todos também sua parcela andrógena e anabólica, assim como a nossa testosterona natural[4].

 

A parcela andrógena e anabólica dos esteroides anabolizantes muda de composto para composto, como podemos ver na tabela abaixo, que mostra a relação anabólica/androgênica dos mais conhecidos esteroides anabolizantes (baseado na literatura de William Llewellyn's):

 

SubstânciaRelação
Boldenona100/50
Dianabol (Metandrostenolona)90-210/40-60
Estanozolol320/30
Hemogenin (Oximetolona)320/45
Masteron (Drostanolona)62-130/25-40
Deca (Nandrolona)125/37
Oxandrolona322-630/24
Primobolan (Metenolona)88/44-57
Testosterona100/100
Trembolona500/500

 

Ao contrário do que pensam alguns, todos os esteroides anabolizantes podem trazer problemas de calvície, pois assim como o DHT, que é o maior responsável por esse problema, todos tem potencial andrógeno em algum nível[5].

 

Mas claro que se considerarmos que o DHT tem um forte potencial andrógeno, fica óbvio o porquê que ele é cotado como o "vilão" da queda de cabelo.

 

Alguns esteroides anabolizantes também interagem com a enzima 5-alfa redutase originando uma forma di-hidro, assim como acontece com a testosterona.

 

Podemos citar como exemplo a boldenona na sua conversão para di-hidroboldenona, mas que possui uma taxa reduzida de conversão[7].

 

O Dianabol (metandrostenolona) também se converte em uma forma di-hidro através da interação com a enzima 5-alfa redutase, que origina a di-hidromethandrostenolona[5], conversão essa que ocorre em pequenas quantidades apenas[8].

 

Existem anabolizantes que não se convertem em DHT, pois eles não interagem com a enzima 5-alfa redutase e não originam uma forma di-hidro. Isso ocorre com os esteroides anabolizantes que foram derivados do próprio DHT para serem sintetizados. Como é o caso do estanozolol, do Masteron (drostanolona), oxandrolona e metenolona (Primobolan)[5].

 

Pessoalmente, frequentei diversos fóruns de fisiculturismo no Brasil e no exterior, e fui moderador e frequentador de fóruns de fisiculturismo por mais de 10 anos.

 

Eu sei, portanto, que em fóruns e outros locais da internet, é comum pessoas dizendo “que anabolizantes derivados do DHT fazem cair mais cabelo”, mas isso não se traduz em realidade. Como aponta o best-seller do "papa" dos esteroides anabolizantes William Llewellyn's, que fala que a oxandrolona e a metenolona (Primobolan), que são derivadas do DHT, são boas escolhas para quem deseja minimizar os problemas de queda de cabelo.

 

Como já dissemos acima, a ação andrógena tem papel primordial na ocorrência da Alopecia androgenética (queda de cabelo). O alvo primário de ação dos andrógenos no folículo piloso do couro cabeludo, é provavelmente a papila dérmica, que possui receptores específicos que reagem ao estímulo dos andrógenos, é isso que provavelmente provoca a queda de cabelo[2].

 

Os esteroides anabolizantes citados acima que são derivados do DHT (oxandrolona e Primobolan), possuem uma parcela de ação andrógena pequena (como mostra a tabela fixada acima), e também não se convertem em uma forma di-hidro por não interagirem com a enzima 5-alfa redutase, portanto, eles seriam os menos propensos a causar problemas de queda de cabelo.

 

Isso pôde novamente ser confirmado, no best-seller do "papa" dos esteroides anabolizantes William Llewellyn's, que cita que o segredo para se tratar com esteroides anabolizantes e a queda de cabelo, é tentar ao máximo reduzir a ação andrógena no couro cabeludo.

 

É exatamente esse pensamento, que faz algumas pessoas afirmarem que é um mito dizer que esses esteroides anabolizantes derivados do DHT, fazem "cair mais cabelo", pois eles são apenas derivados do DHT, e não agem como o próprio DHT e não possuem a mesma carga androgênica do DHT.

 

Salvo a uma exceção feita ao estanozolol, pois ele é apontado como causador de problemas andrógenos mais fortes em mulheres, que é constatado através de relatos.

 

Um estudo conduzido com 25 pessoas saudáveis, mostrou uma redução de 48,4% na SHBG após 3 dias de uso do estanozolol oral[9], lembrando que não foi utilizado o estanozolol injetável no estudo para comparação, portanto, os dados que informamos foram obtidos com o estanozolol oral.

 

Isso faria sobrar uma quantidade de testosterona livre maior do que o normal, o que pode ser a causa dos frequentes relatos de colaterais andrógenos aumentados que as mulheres possuem com o uso do estanozolol.

 

Mesmo considerando que o papel dos andrógenos na queda de cabelo feminina ainda não é bem claro[2], esse problema isolado com o estanozolol, poderia estar acentuando problemas de queda de cabelo feminino com estanozolol, com citam algumas pessoas.

 

Mas queremos deixar claro que todos os esteroides anabolizantes, uns mais e outros menos, podem estar propensos a causar quedas de cabelo[5].

 

Um recurso muito utilizado para se evitar a queda de cabelo é a finasterida.

 

A finasterida é um inibidor da enzima 5a-redutase, que age bloqueando a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT)[10].

 

Essa propriedade da finasterida fez dela uma escolha já de muitos anos no combate a queda de cabelo, e muitas pessoas se utilizam da finasterida para se prevenir dos problemas de queda de cabelo em ciclos de esteroides anabolizantes.

 

Mas devemos ressaltar que a eficácia da finasterida em ciclos de esteroides anabolizantes, se aplica a ciclos feitos com a testosterona usada de forma exógena[5], pois de nada vai adiantar usar a finasterida em ciclos com esteroides anabolizantes que não se convertem em DHT, como é o caso do estanozolol, do Masteron (drostanolona), oxandrolona e metenolona (Primobolan).

 

Referências:

 

1 - Hair Growth disorders. In: Wolff, Klaus; Goldsmith, Lowell A.; Katz, Stephen I.; Gilchrest, Barbara A.; Paller, Amy S.; Leffell, David J, editors. Fitzpatricks dermatology in general medicine. 7th ed. New York: McGraw-Hill; 2008. p.766-9.

 

2 - Entendendo a alopecia androgenética, Fabiane Mulinari-Brenner, Gabriela Seidel, Themis Hepp, 2011.

 

3 - Evaluation and treatment of male and female pattern hair loss. J Am Acad Dermatol. 2005;52(2):301-11.

 

4 - Russi, MC. A testosterona e os demais esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, ago. 2016.

 

5 - William Llewellyn's, Anabolics, E-Book Edition 2011.

 

6 - Patologia: Uma Abordagem por Estudos de Casos, Howard Reisner, 2015.

 

7 - Metabolism of boldenone in man: gas chromatographic/mass spectrometric identification of urinary excreted metabolites and determination of excretion rates. Schanzer, Donike. Bol Mass Spec. 21 (1992):3-16.

 

8 - Relative imporance of 5alpha reduction for the androgenic and LH-inhibitingactivities of delta-4-3-ketosteroids. Steroids 29 (1997):331-48.

 

9 - Sex hormone-binding globulin response to the anabolic steroid stanozolol: Evidence for its suitability as a Biological androgen sensitivity test. G Sinnecker, S Kohler. Journal of Clin Endo Metab. 68: 1195,1989.

 

10 - Urologia geral de Smith e Tanagho, Jack W. McAninch, Tom F. Lue, 2014.

 



 

química