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A ciência da fadiga muscular e o uso de Beta-alanina

 

  • Beta-alanina

Marcelo Calazans

Elaborado em 25/06/2017

 

RUSSI, MC. A ciência da fadiga muscular e o uso de Beta-alanina. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2017.

 

Para compreendermos bem o papel da Beta-alanina na suplementação, que é atualmente muito utilizada para retardar a fadiga muscular durante a prática de atividades físicas, temos que primeiro entender de forma breve como funcionam alguns dos processos envolvidos na fadiga muscular.

 

As causas da fadiga muscular que pode ocorrer durante um exercício, podem ser de origem central (SNC, nervo motor, junção neuromuscular), ou ser causada de forma local, portanto, podemos dizer que o próprio músculo pode acabar tendo dificuldade de manter seus mecanismos de contração[1].

 

Nós aqui vamos abordar a causa da fadiga local, na qual a ação acontece localizada na própria musculatura.

 

O nosso corpo trava uma batalha diariamente para manter equilibrado em vários meios corpóreos o pH, que podemos chamar de equilíbrio ácido-base ou de homeostase do pH[2].

 

O símbolo definido por pH, significa "potencial de hidrogênio", e ele indica se uma solução é ácida, neutra ou alcalina (básica). Como mostra a figura abaixo:

 

Escala PH

 

O valor do pH é determinado pela quantidade de ions de hidrogênio (H+), e ele é medido em uma escala que varia de 0 a 14, 7 seria um pH neutro, 0 (zero) muito ácido e 14 sem acidez nenhuma, ou seja, alcalino[2].

 

Dentro dos nossos músculos, o pH tem um papel muito importante, e serve de índice para algo que veremos a seguir.

 

Em condições de repouso, ou seja, quando o musculo não está executando nenhuma tarefa, o seu pH intramuscular é neutro (em torno de 7). Durante exercícios mais intensos o pH intramuscular tende a se tornar mais ácido, e podemos dizer que o pH intramuscular cai a medida que a intensidade e o uso da musculatura se torna mais intenso[3].

 

A glicose é uma importante fonte de energia para o nosso corpo, e vamos citar duas formas do corpo utilizar a glicose para prover energia, uma delas dependente do oxigênio (aeróbica), e outra não dependente do oxigênio (anaeróbica)[4].

 

Na nossa musculatura, existem fibras de contração rápida e de contração lenta.

 

As fibras de contração rápida são as mais usadas nos exercícios de levantamento de peso e corridas de curtas distâncias, e essas fibras de contração rápida, acabam obtendo sua energia quase que na sua totalidade no uso da glicose de forma anaeróbica (sem oxigênio).

 

Existe uma vantagem de se obter a energia para os músculos através do uso da glicose por via anaeróbica, pois ela ocorre muito mais rapidamente do que o uso por via aeróbica. Em exercícios de levantamento de peso, a predominância é de termos a via anaeróbica utilizada pelas fibras de contração rápida, e isso devido ao fato dessas fibras terem uma capacidade maior de gerar força do que as fibras de contração lenta[4].

 

Mas o uso da glicose por via anaeróbica, apesar de mais rápido, tem desvantagens.

 

Na falta do oxigênio, quando ocorre então o uso da glicose por via anaeróbica, as células musculares podem desviar o metabolismo do piruvato para produzir ácido lático, esse ácido lático por sua vez terá de ser dissociado em H+ e lactato para que a energia possa ser produzida[5].

 

Esse processo que ocasiona a elevação nos índices de H+, é um dos responsáveis pelo aumento da acidez e da fadiga muscular na hora dos treinos, e essa pode ser apontada como uma desvantagem.

 

Pois o processo gerado pela dissociação do ácido lático que originou H+, irá desestabilizar o pH muscular estável que antes tinha um pH neutro de cerca de 7, que irá decair para cerca de 6 deixando o conteúdo intracelular do músculo mais ácido, isso contribui para um processo que irá culminar em diminuição da glicólise e fadiga muscular[5].

 

Contradizendo o que muitos pensam, alguns estudos revelam que não é o acúmulo do ácido lático e nem do lactato o responsável direto pelo aumento da acidez e da fadiga muscular[6]. Estudos e bibliografias apontam, que a diminuição do pH intramuscular que aumenta a acidez causada pelo índice elevado de H+, é que acaba por levar ao aumento da fadiga muscular[5,6,7,8].

 

O corpo tem algumas maneiras de diminuir essa acidez aumentando novamente o pH para retardar a fadiga, e é deste ponto que daremos início a explicação que entra em maiores detalhes sobre a Beta-alanina.

 

A Beta-alanina é atualmente um suplemento muito utilizado para a melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade[9,10,11,12,13].

 

Nos casos em que a Beta-alanina foi utilizada, ela se mostrou eficaz no aumento da carnosina, que pode atuar como atenuante da acidez intramuscular durante os exercícios de alta intensidade[10,11,14]. Com isso, a Beta-alanina mostrou ter efeitos benéficos na melhora do desempenho no exercício físico[7].

 

O potencial da Beta-alanina através da carnosina em diminuir a acidez intramuscular na hora do exercício, está ligado ao seu atual e comentado benefício de retardar a fadiga muscular durante os exercícios intensos.

 

Como conclusão, podemos colocar que apesar da área de pesquisa da Beta-alanina ser algo relativamente recente, ela é crescente, e mais estudos ainda serão conduzidos para termos um aspecto mais amplo do seu modo de ação.

 

Mas já podemos dizer com os estudos apresentados aqui, que a Beta-alanina pode ajudar em muitos casos retardando a fadiga muscular, e auxiliando nos treinos dos praticantes de atividades físicas.

 

Referências:

 

1 - Periodizaçao No Treinamento Esportivo, Tudor O. Bompa, 2001.

 

2 - O Fator pH, Rita Boavida, 2016.

 

3 - Fisiologia do exercício intermitente de alta intensidade, Emerson Franchini, 2010.

 

4 - Biologia celular e molecular, Gerald Karp, 2005.

 

5 - Fisiologia Médica, Walter F. Boron, Emile L. Boulpaep, 2015.

 

6 - E. Santos; Blanco Herrera, Jose. Fisiologia da fadiga muscular: Quebrando paradigmas. Educação Física em Revista (Brasília), v. 3, p. 3, 2009 [link] acessado em 24/06/2017.

 

7 - Culbertson, Julie Y. et al. "Effects of Beta-Alanine on Muscle Carnosine and Exercise Performance:A Review of the Current Literature." Nutrients 2.1 (2010): 75–98. PMC. Web. 22 June 2017.

 

8 - Hultman E., Sahlin K. Acid-base balance during exercise. Exerc. Sports Sci. Rev. 1980;8:41–128.

 

9 - Stout J.R., Cramer J.T., Mielke M., O'Kroy J.A., Torok D., Zoeller R.F. Effects of twenty-eight days of beta-alanine and creatine monohydrate supplementation on the physical working capacity at neuromuscular fatigue threshold. J. Strength Cond. Res. 2006.

 

10 - Derave W., Ozdemir M.S., Harris R.C., Pottier A., Reyngoudt H., Koppo K., Wise J.A., Achten E. Beta-alanine supplementation augments muscle carnosine content and attenuates fatigue during repeated isokinetic contraction bouts in trained sprinters. J. Appl. Physiol. 2007.

 

11 - Hill C.A., Harris R.C., Kim H.J., Harris B.D., Sale C., Boobis L.H., Kim C.K., Wise J.A. Influence of beta-alanine supplementation on skeletal muscle carnosine concentrations and high intensity cycling capacity. Amino Acids. 2007.

 

12 - Kendrick I., Harris R., Kim J.J., Kim C., Dang V., Lam T., Bui T., Smith M., Wise J. The effects of 10 weeks of resistance training combined with beta-alanine supplementation on whole body strength, force production, muscular endurance and body composition. Amino Acids. 2008.

 

13 - Zoeller R.F., Stout J.R., O'Kroy J.A., Torok D.J., Mielke M. Effects of 28 days of beta-alanine and creatine monohydrate supplementation on aerobic power, ventilatory and lactate thresholds, and time to exhaustion. Amino Acids. 2007.

 

14 - Harris R.C., Tallon M.J., Dunnett M., Boobis L., Coakley J., Kim H.J., Fallowfield J.L., Hill C.A., Sale C., Wise J.A. The absorption of orally supplied beta-alanine and its effect on muscle carnosine synthesis in human vastus lateralis. Amino Acids. 2006.

 

 



 

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