barra dúvida um
barra dúvida dois
site dúvida
logo musculação
casal fitness
lupa

Enciclopédia do Fisiculturismo

© Copyright

mail barra
Botão Menu

LinkedIn
botão calculadoras
título calculadoras
fecha calc
calculadora bf calculadora tmb calculadora imc

fecha visi

Usuários On-Line

Veja o que estão acessando

 

• não estão excluídos desta relação os acessos feitos por robôs (bots)

• contabilizados os acessos totais nos últimos 30 minutos

90
Veja detalhes

 

Arginina no cansaço e como Ergogênico

 

  • Arginina

Marcelo Calazans

Elaborado em 30/12/2017

 

RUSSI, MC. Arginina no cansaço e como ergogênico. Matérias Musculação, São paulo, dez. 2017.

 

O aminoácido Arginina, assim como outros aminoácidos, estão presentes nos alimentos que fazem parte das nossas refeições.

 

Existem aminoácidos não essenciais e aminoácidos essenciais.

 

Os aminoácidos essenciais são aqueles que precisamos obrigatoriamente ingerir na nossa dieta, pois nosso corpo não tem a capacidade de sintetiza-los. Já os aminoácidos não essenciais, além da possibilidade de serem obtidos por ingestão dietética, nosso corpo também tem a capacidade de sintetiza-los[1].

 

O aminoácido Arginina é considerado um aminoácido não essencial, pois nosso corpo tem a capacidade de sintetiza-lo[2], mas algumas literaturas e estudos, apresentam a Arginina como um aminoácido semi-essencial[3].

 

A razão para isso, é que a ingestão dietética de Arginina pode se tornar a principal contribuinte para que os níveis de Arginina se mantenham estáveis, uma vez que sua taxa de síntese pode não aumentar para compensar a oferta inadequada[4].

 

Na nossa dieta, os aminoácidos são ingeridos através da proteína que está contida nas nossas refeições. Podemos dizer então, que toda proteína é formada por unidades chamadas de aminoácidos, e uma das funções dos aminoácidos é a formação de proteínas específicas, como por exemplo, os próprios tecidos do nosso corpo, incluindo o nosso tecido muscular[5,6].

 

Mas além de servirem como “matéria prima” para a construção dos nossos tecidos corporais, podemos classificar os aminoácidos como substâncias importantes para uma série de outras reações bioquímicas no nosso organismo, e é esse o caso da Arginina.

 

Nas reações bioquímicas, a Arginina pode ser utilizada para produzir uma variedade de compostos biologicamente ativos. Podemos citar dois conhecidos dos praticantes de musculação, o óxido nítrico e a creatina, e outros como a agmatina, citrulina, glutamato, ornitina e as poliaminas[7,8].

 

Ela atua na desintoxicação da amônia no organismo[9], e isso é importante pois o acúmulo de amônia pode causar alguns efeitos nocivos à saúde.

 

A hiperamonemia, que se caracteriza como uma condição em que se verifica níveis elevados de amônia no sangue, pode causar um aumento na entrada de amônia no cérebro causando transtornos neurológicos.

 

Em recém-nascidos afetados pelo aumento de amônia, é comum se observar letargia, irritabilidade e até convulsões. Já em adultos podemos observar déficit intelectual, ataxia, distúrbios comportamentais entre outros[10].

 

Essas condições neurológicas desencadeadas pelo excesso de amônia, podem ter dado crédito à Arginina para tratamento clínico da astenia, que corresponde a um termo médico que se refere a fadiga física, que pode levar a uma diminuição da potência funcional de um indivíduo.

 

Encontramos no mercado diversos medicamentos a base de Arginina que prometem melhorias da astenia atuando no combate à fadiga.

 

O papel da Arginina na diminuição das concentrações de amônia, pode estar relacionado com a sua participação no ciclo da ureia, mas devemos ressaltar, que o próprio ciclo da ureia é capaz de produzir a Arginina[2], pois como já dito anteriormente, a Arginina não é considerada um aminoácido essencial.

 

Alguns estudos realizados em modelos animais e humanos, relacionam a administração de Arginina com a diminuição da amônia.

 

Foi observada uma diminuição da amônia na administração de Arginina[11,12,13] em todos os estudos que avaliamos. Observamos também uma diminuição do lactato[11,13], que pode nos levar a supor com base nestes estudos, que o mecanismo de ação da Arginina no combate à fadiga pode estar também associado com a prevenção da acidemia lática[11].

 

Temos visto associado à Arginina um potencial ergogênico há bastante tempo, sugerindo que ela possa beneficiar os praticantes de atividades físicas.

 

Alguns aspectos da Arginina já foram relacionados como ergogênicos ao longo do tempo, como o seu envolvimento na síntese de creatina, seu papel na secreção de hormônio do crescimento e o seu envolvimento com a produção de óxido nítrico[9].

 

Vamos avaliar esses aspectos ergogênicos da Arginina de forma detalhada.

 

Hormônio do Crescimento (GH)

 

Nas ciências médicas, infusão é o termo relacionado com a injeção lenta de uma substância diluída em meio líquido, que pode ser administrada por via endovenosa.

 

É documentado em estudos que a infusão de Arginina pode aumentar a secreção de hormônio do crescimento na pituitária anterior[14,15].

 

Esse aumento seria possível devido ao fato da Arginina poder modular a secreção endógena de somatostatina[16].

 

Porém, com a suplementação de Arginina por via oral, o efeito não parece ser tão positivo.

 

Um teste feito em indivíduos do sexo masculino ingerindo apenas a Arginina em doses de 1,2 gramas, demostrou que não houve aumento nas concentrações de hormônio do crescimento[17].

 

Mas quando a Arginina foi administrada junto com o aminoácido lisina em doses de 1,2 gramas, se observou um aumento de hormônio do crescimento na escala de cerca de 8 vezes em 90 minutos[18].

 

Portanto, os estudos que avaliam a eficácia da administração oral isolada de Arginina e seu impacto no aumento de hormônio do crescimento não são conclusivos, e estudos posteriores se tornam necessários para maiores comprovações.

 

Creatina

 

Arginina, glicina e metionina são os aminoácidos envolvidos com a produção da creatina no nosso corpo.

 

A creatina demostrou ser benéfica para uso como substância ergogênica[19], mas precisamos ver, até que ponto podemos dizer que a administração via oral de Arginina aumentaria as nossas reservas endógenas de creatina.

 

Alguns estudos colocam que é improvável que a administração de Arginina via oral de forma isolada aumente nossas reservas de creatina de forma suficiente para atuar como ergogênica neste sentido[9].

 

Óxido Nítrico (NO)

 

Durante muito tempo o carro chefe das industrias de suplementos foi a exploração de formas administráveis orais de Arginina prometendo melhorias no desempenho dos treinos devido ao comentado potencial da Arginina em liberar óxido nítrico, e isso devido ao efeito de vasodilatação que poderia se originar após o uso.

 

A ideia é que essa vasodilatação poderia favorecer a entrega de nutrientes e oxigênio aos músculos durante o treino, o que posteriormente poderia melhorar a recuperação muscular e síntese proteica[20].

 

A Arginina é o precursor natural do óxido nítrico no nosso corpo[21], mas devemos questionar, até que ponto a suplementação oral de Arginina poderia aumentar as concentrações de óxido nítrico causando a tão famosa vasodilatação benéfica que os produtos dessa linha prometiam aos praticantes de atividades físicas.

 

Algumas disfunções orgânicas que levam ao risco da aterosclerose, como colesterol elevado, hipertensão e tabagismo, poderiam se beneficiar com a suplementação de Arginina devido ao fato de haver uma estimulação na produção endógena de óxido nítrico, que pode inibir a aterogênese e, portanto, poderia ser benéfica em pacientes com fatores de risco para aterosclerose[22,23].

 

Mas em indivíduos saudáveis que querem apenas se beneficiar do uso ergogênico da Arginina no aumento do NO pode ser diferente.

 

Apesar de estudos no passado terem avaliado como positivo o uso ergogênico da Arginina visando aumentos na concentração de NO, outras fontes afirmam que é prematuro recomendar a suplementação de Arginina visando melhorias na biossíntese de NO para indivíduos saudáveis que visam apenas resultados ergogênicos auxiliando nas atividades físicas[20].

 

Conclusão

 

Com base nos estudos que verificamos, parece ser correto afirmar que a Arginina pode trazer melhoras no quesito combate ao excesso de amônia, e ainda ajudar na prevenção da acidemia lática. O que faz a Arginina hoje ser vendida no mercado como medicamento para o tratamento clínico da astenia.

 

Mas concluímos prematuro afirmar que a Arginina teria efeitos ergogênicos positivos no que tange à sua relação com o GH, NO e creatina.

 

Como estamos falando de um aminoácido precursor de inúmeras substâncias biologicamente ativas, mais estudos futuros certamente ainda estarão por vir, que poderão validar ou não o uso da Arginina para melhorias ergogênicas ajudando nas atividades físicas de indivíduos saudáveis.

 

Referências:

 

1 - Anatomia e Fisiologia, Edith Applegate, Editora Elsevier Brasil, 21 de set de 2012.

 

2 - Ah Mew N, Simpson KL, Gropman AL, et al. Urea Cycle Disorders Overview. 2003 Apr 29.

 

3 - Arginine: Clinical potential of a semi-essential amino acid., Appleton J., Altern Med Rev. 2002 Dec;7(6):512-22.

 

4 - L-Arginine: A semiessential amino acid., Gene Bruno, M.S., M.H.S, 2012. [link] acessado em 29/12/2017.

 

5 - Coomes, M. W. in Devlin, T. M. Manual de Bioquímica com Correlações Clínicas. São Paulo: Edgard Blucher, 1998.

 

6 - Hirschbruch, Márcia Daskal; Carvalho, Juliana Ribeiro. Nutrição Esportiva: uma visão prática. São Paulo: Manole, 2002.

 

7 - Tong BC, Barbul A. Cellular and physiological effects of arginine. Mini Reviews in Medicinal Chemistry. 2004;4:823–32.

 

8 - Wu G, Morris SM. Arginine metabolism: nitric oxide and beyond. Biochem J. 1998;336:1–17.

 

9 - Campbell, Bill I, Paul M La Bounty, and Mike Roberts. “The Ergogenic Potential of Arginine.” Journal of the International Society of Sports Nutrition 1.2 (2004): 35–38. PMC. Web. 27 Dec. 2017.

 

10 - Hyperammonemia, Jasvinder Chawla, MD, MBA, Medscape Neurology Dec 06, 2017 [link] acessado em 29/12/2017.

 

11 - Arginine protection against ammonia toxicity in exhausted rat., Krishna Mohan P, Indira K, Rajendra W., Indian J Physiol Pharmacol. 1987 Jan-Mar;31(1):63-9.

 

12 - Mechanism of arginine protection against ammonia intoxication in the rat., Goodman MW, Zieve L, Konstantinides FN, Cerra FB., Am J Physiol. 1984 Sep;247(3 Pt 1):G290-5.

 

13 - L-arginine reduces exercise-induced increase in plasma lactate and ammonia., Schaefer A, Piquard F, Geny B, Doutreleau S, Lampert E, Mettauer B, Lonsdorfer J., Int J Sports Med. 2002 Aug;23(6):403-7.

 

14 - Merimee TJ, Rabinowitz D, Riggs L, et al. Plasma growth hormone after arginine infusion. Clinical experiences. N Engl J Med. 1967;276:434–9.

 

15 - Hembree WC, Ross GT. Arginine infusion and growth-hormone secretion. Lancet. 1969;1(7584):52.

 

16 - Alba-Roth J, Muller OA, Schopohl J, et al. Arginine stimulates growth hormone secretion by suppressing endogenous somatostatin secretion. J Clin Endocrinol Metab. 1988;67:1186–9.

 

17 - Suminiski RR, Robertson RJ, Goss FL, et al. Acute effect of amino acid ingestion and resistance exercise on plasma growth hormone concentration in young men. Int J Sport Nutr. 1997;7:48–60.

 

18 - Isidori A, Lo Monaco A, Cappa M. A study of growth hormone release in man after oral administration of amino acids. Curr Med Res Opin. 1981;7:475–81.

 

19 - Russi, MC. Funcionamento da creatina e obtenção de energia. Matérias Musculação, São paulo, mai. 2017.

 

20 - Alvares TS, Meirelles CM, Bhambhani YN, Paschoalin VM, Gomes PS. L-arginine as a Potential Ergogenic Aid in Healthy Subjects. Sports Med. 2011;41(3):233–248.

 

21 - Enzymes of the L-arginine to nitric oxide pathway., Stuehr DJ1., J Nutr. 2004 Oct;134(10 Suppl):2748S-2751S; discussion 2765S-2767S.

 

22 - Creager M, Gallagher S, Girerd X, Coleman S, Dzau V, Cooke J. L-Arginine improves endothelium-dependent vasodilation in hypercholesterolemic humans. J Clin Invest. 1992;90(4):1248–1253.

 

23 - Lerman A, Burnett J, Higano S, McKinley L, Holmes D. Long-term L-Arginine supplementation improves small-vessel coronary endothelial function in humans. Circulation. 1998;97(21):2123–2128.

 



 

química