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Veja como o anticoncepcional interfere na musculação

 

  • anticoncepcional musculação

Marcelo Calazans

Elaborado em 24/07/2018

 

RUSSI, MC. Veja como o anticoncepcional interfere na musculação. Matérias Musculação, São paulo, jul. 2018.

 

Para entender bem essa relação, devemos primeiro compreender de forma breve o processo hormonal feminino.

 

Ao contrário do homem, a mulher foi agraciada pela natureza com o dom da concepção, e para que isso seja possível, uma série de reações hormonais devem ocorrer no corpo feminino.

 

Periodicamente, toda mulher em idade fértil experimenta o que popularmente conhecemos por menstruação, mas o que nos interessa neste caso são as reações hormonais que acontecem durante todo o ciclo menstrual.

 

O ciclo menstrual compreende as alterações fisiológicas e hormonais que ocorrem nas mulheres com a finalidade de se obter a reprodução humana[1].

 

A duração de um ciclo menstrual é de aproximadamente 28 dias, nesta fase diversos hormônios são criados. Neste processo também ocorre a ovulação, caso o óvulo seja fecundado ele pode dar início a uma gravidez, e caso isso não ocorra o final do ciclo pode resultar em uma menstruação[2].

 

O que interessa para nós aqui neste caso, são os hormônios que são criados na mulher durante esse ciclo menstrual.

 

Vários hormônios esteroides são produzidos durante o ciclo menstrual de uma mulher, entre eles podemos citar o estrogênio, a progesterona e a testosterona[2].

 

Tudo se inicia em uma região do cérebro chamada de hipotálamo com a liberação pulsátil do GnRH. Posteriormente na glândula pituitária, o GnRH irá ativar a liberação de dois outros hormônios responsáveis por controlar todo o ciclo menstrual feminino, que são o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo estimulante)[3].

 

No folículo ovariano da mulher, existem dois tipos de células responsáveis pela produção dos hormônios, as células da teca e as células da granulosa.

 

Como a base de conhecimento para desenvolvermos nosso assunto aqui é a testosterona, vamos nos concentrar apenas na produção da testosterona durante o ciclo menstrual.

 

O LH estimula as células da teca a produzir um hormônio chamado androstenediona, posteriormente essa androstenediona se difunde para as células da granulosa. Neste ponto o FSH irá estimular as células da granulosa a converter a androstenediona no nosso produto final, a testosterona[3].

 

Na fase folicular precoce do ciclo menstrual, o corpo feminino produz cerca de 144 µg de testosterona, também é produzida testosterona nas fases pré-ovulatória e média-lútea do ciclo menstrual, nas concentrações de 171 µg e 126 µg respectivamente[2].

 

Mas não é apenas do ciclo menstrual que se origina a testosterona da mulher.

 

As glândulas suprarrenais também contribuem com a produção de andrógenos no corpo feminino, e podemos considerar que parte da testosterona circulante das mulheres jovens saudáveis vem dos ovários e uma outra parte se origina nas glândulas suprarrenais[4,5].

 

A testosterona é conhecida por influenciar diretamente a quantidade de massa muscular nos homens, mas na mulher, a testosterona também influencia na massa muscular.

 

Apesar do processo de crescimento muscular ser amplo e complexo, podemos dizer que a testosterona e os demais andrógenos influenciam no processo de crescimento e adaptação muscular também nas mulheres[6,7,8], e a diminuição da testosterona nas mulheres já é apontada como a responsável por intensificar a perda de massa e qualidade muscular[6].

 

Os contraceptivos orais combinados, mais conhecidos como “pílula”, têm a função de impedir a ovulação afim de evitar a gravidez.

 

Para impedir a ovulação, eles podem agir no hipotálamo impedindo a liberação do GnRH que por sua vez irá diminuir a secreção do LH e do FSH pela pituitária, que limitará o funcionamento do ciclo menstrual[9]. Desta forma, eles também reduzem os níveis dos andrógenos, incluindo a própria testosterona[10].

 

Podemos atribuir a esse mecanismo de ação, parte dos comentários que vemos comumente divulgados sobre o fato de que os contraceptivos orais combinados (pílula), diminuem a eficácia dos treinos de musculação das mulheres que se utilizam desse método contraceptivo.

 

Essa testosterona circulante que explicamos acima que o corpo feminino produz, pode ser chamada aqui para nós de testosterona total.

 

Vamos chama-la de testosterona total para explicar um outro ponto que acaba sendo prejudicado pelos contraceptivos orais combinados, que é relativo a baixa da testosterona livre.

 

Muitas das substâncias que ingerimos, bem como substâncias endógenas que o nosso corpo produz, se encontram na nossa corrente sanguínea de duas formas diferentes. Na forma livre e na sua forma total[11].

 

A parcela da substância que se encontra na sua forma livre, é a parte da substância que estará cumprindo no corpo sua tarefa bioquímica[11].

 

Com isso podemos presumir, que quanto maior a parcela livre da substância na corrente sanguínea, maior seria a parcela daquela substância agindo no momento.

 

O mesmo ocorre com a testosterona, e a parcela da testosterona que não está na sua forma livre, se encontra ligada a uma proteína plasmática chamada SHBG[12].

 

Portanto, podemos com isso supor que quanto menor a quantidade de SHBG, maior a quantidade de testosterona livre agindo bioquimicamente no corpo.

 

Neste ponto entra o outro problema dos contraceptivos orais combinados, pois eles tendem a aumentar a SHBG[10], o que deixaria também a mulher com quantidades menores de testosterona na sua forma livre agindo no corpo.

 

O processo de crescimento muscular é amplo e complexo como já havíamos comentado, mas esse apanhado de explicações colocado aqui, dá um panorama resumido do porquê que os contraceptivos orais combinados (pílula) podem diminuir o rendimento das mulheres praticantes de musculação.

 

Referências:

 

1 - Alterações Hormonais, Maria Helena Guedes, 2015.

 

2 - Beverly G Reed, MD and Bruce R Carr, MD., The Normal Menstrual Cycle and the Control of Ovulation, Last Update: May 22, 2015. [link] acessado em 24/07/2018.

 

3 - Dhanalakshmi K. Thiyagarajan; Rebecca Jeanmonod., Physiology, Menstrual Cycle, Last Update: April 29, 2018.

 

4 - Mazer NA., Testosterone deficiency in women: etiologies, diagnosis, and emerging treatments., Int J Fertil Womens Med. 2002 Mar-Apr;47(2):77-86.

 

5 - Fernandes, César Eduardo et al . Síndrome de insuficiência androgênica: critérios diagnósticos e terapêuticos. Rev. psiquiatr. clín., São Paulo, v. 33, n. 3, p. 152-161, 2006.

 

6 - Esteroides sexuais e músculo esquelético, Hans Wolfgang Halbe, Donaldo Cerci da Cunha, Adriana Halbe Mori, Diagn Tratamento. 2013;18(1):15-20.

 

7 - Levante Pesos Para Perder Peso, Kathy Smith, 2002.

 

8 - Farmacologia Integrada, Roberto De Lucia (Org.) Clube de Autores, 29 de jul de 2010.

 

9 - Danielle B. Cooper; Rotimi Adigun., Oral Contraceptive Pills, Last Update: April 20, 2017.

 

10 - Zimmerman, Y. et al. “The Effect of Combined Oral Contraception on Testosterone Levels in Healthy Women: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Human Reproduction Update 20.1 (2014): 76–105. PMC. Web. 20 July 2018.

 

11 - Russi, MC. Entendendo o SHBG e a Testosterona livre. Matérias Musculação, São paulo, set. 2016. [link] acessado em 24/07/2018.

 

12 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 



 

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