barra dúvida um
barra dúvida dois
site dúvida
logo musculação
casal fitness
lupa

Enciclopédia do Fisiculturismo

© Copyright

mail barra
Botão Menu

LinkedIn
botão calculadoras
título calculadoras
fecha calc
calculadora bf calculadora tmb calculadora imc

fecha visi

Usuários On-Line

Veja o que estão acessando

 

• não estão excluídos desta relação os acessos feitos por robôs (bots)

• contabilizados os acessos totais nos últimos 30 minutos

67
Veja detalhes

 

Todo Anabolizante é um Medicamento

 

  • Todo Anabolizante é um Medicamento

Marcelo Calazans

Elaborado em 26/06/2016

 

A palavra "anabolizantes", é até de certo ponto uma palavra mítica, e as pessoas, a sociedade e a mídia utilizam de forma até exagerada essa palavra.

 

Sempre que uma pessoa com o corpo mais avantajado muscularmente, uma mulher com as curvas mais delineadas ou atletas que acabam tendo um rendimento acima do esperado são observadas, essas pessoas acabam virando alvo da sociedade e da mídia, e logo as palavras "anabolizantes" ou "esteroides" aparecem para rotular essas pessoas, e isso cria nas pessoas a ideia de que anabolizante é uma coisa ruim, ou para alguns até uma droga ou até levando ao extremo do exagero, um veneno.

 

Pobres inocentes essas pessoas, que na sua ignorância do conhecimento sobre o assunto, acabam por rotular de forma totalmente equivocada e premeditada os anabolizantes.

 

Todo anabolizante foi criado com a intenção de ser um medicamento para uso clínico na medicina ajudando na solução dos problemas de saúde e doenças.

 

Os anabolizantes mais famosos que conhecemos, foram todos pesquisados, sintetizados, produzidos e inicialmente comercializados por laboratórios farmacêuticos e lançados no mercado como medicamentos para uso clínico.

 

Para as pessoas que desconhecem o assunto, e costumam rotular as pessoas citando de forma equivocada as palavras "anabolizantes" ou "esteroides", falar que eles são medicamentos deveria soar como um verdadeiro absurdo, pois devem pensar: - "como assim? anabolizante é remédio?".

 

Pois bem, eles são remédios sim, e nada melhor do que conhecimento e estudos para mostrar, e é isso que vamos fazer aqui nesta matéria.

 

Vamos abaixo citar os anabolizantes mais conhecidos, e explicar o histórico de criação de cada um deles com as devidas referências para validar os pensamentos.

 

Propionato de Testosterona:

Descrito pela primeira vez em 1935, dois anos mais tarde ele seria lançado no mercado como medicação com o nome de Testoviron pelo laboratório Schering AG na Alemanha[5].

No Brasil para venda como medicamento e tratamento clínico, temos as formas de testosterona mais comuns vendidas nas farmácias com o nome de Durateston® e Deposteron®.

 

Dianabol (Metandrostenolona):

O Dianabol foi desenvolvido pelo médico Norte Americano John Bosley Ziegler e lançado nos EUA em 1958, pela indústria farmacêutica Ciba como medicamento para o tratamento clínico[1].

 

Masteron (Propionato de Drostanolona):

Ele foi descrito pela primeira vez em 1959[2], e lançado no mercado pela empresa farmacêutica Syntex como medicamento para tratamento de câncer de mama, e isso devido ao seu potencial antiestrogênico.

 

Hemogenin® (Oximetolona):

A oximetolona foi descrita pela primeira vez em 1959[2], e lançada como medicação nos EUA em meados de 1960, e até hoje é comercializada no Brasil como medicamento para tratamento de anemia e baixa produção de glóbulos vermelhos.

 

Estanozolol:

O estanozolol foi descrito pela primeira vez em 1959[3], e lançado como medicamento pelo laboratório farmacêutico Winthrop em 1961[4,5].

O estanozolol ainda nos dias atuais é receitado e vendido como medicação no Brasil de forma manipulada em farmácias de manipulação.

 

Deca Durabolin® (decanoato de nandrolona):

Ela foi descrita pela primeira vez em 1960, e foi lançada como medicamento para tratamento clínico em 1962[6].

A Deca Durabolin® ainda é vendida atualmente nas farmácias no Brasil como medicamento para tratamento clínico.

 

Oxandrolona:

Ela foi citada pela primeira vez por Raphael Pappo em 1962[7], e lançada pela gigante farmacêutica G.D. Searle & Co. como medicamento em 1964[5].

A oxandrolona ainda é encontrada nos dias de hoje no Brasil vendida como medicamento manipulado em farmácias de manipulação.

 

Primobolan (enantato de metenolona):

A metenolona foi citada pela primeira vez em 1960[8] e em 1962[9] ela foi lançada pelo laboratório farmacêutico Squibb como medicação para tratamento clínico.

 

Boldenona:

Apesar de hoje em dia ser utilizada apenas no tratamento clínico veterinário, a boldenona foi sintetiza pela Farmacêutica Ciba em 1949, e logo após seria lançada como medicação para tratamento clínico em humanos[5], mas com a aparição de outras substâncias que suplantaram ela no tratamento clínico humano, depois de um tempo ela passou a ser utilizada apenas para uso veterinário, semelhante ao estanozolol, que tem a sua utilização até hoje para tratamento clínico veterinário e humano também.

 

Como as propriedades terapêuticas dos anabolizantes podem mudar um pouco entre eles, nós vamos citar um resumo geral das aplicações clínicas dos anabolizantes no tratamento de doenças como medicamento, que tem sido utilizado ao longo do tempo (baseado na obra literária de William Llewellyn's):

 

- Insuficiência androgênica masculina;

- Reposição hormonal (TRT) em homens de meia idade;

- Criptorquidia em adolescentes;

- Menorragia (sangramento menstrual pesado);

- Câncer de mama;

- Osteoporose;

- Anemia caracterizada pela deficiência na produção de glóbulos vermelhos;

- Reconstrução da massa muscular pós problema clínico;

- Administração agressiva de corticosteroides;

- Doença degenerativa;

- Atraso constitucional do crescimento e da puberdade em meninos;

- Nanismo causado por deficiência da pituitária;

- Promoção do crescimento de tecido magro durante uma doença catabólica;

- Suporte para a manutenção da massa magra em pacientes com AIDS;

- Síndrome de turner em meninas.

 

Foram citadas acima algumas das aplicações que os anabolizantes tiveram ao longo dos anos na ajuda da medicina no tratamento de doenças, mas teriam mais ainda para citar.

 

Nos dias atuais, essas indicações ficaram mais reduzidas, visto que o desenvolvimento de medicações mais modernas para o tratamento de algumas doenças acabou sendo obtido.

 

É o caso por exemplo do câncer de mama, que depois que drogas mais modernas como os moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMS) e os inibidores de aromatase foram desenvolvidos, o uso de esteroides anabolizantes androgênicos, como era o caso do Masteron (drostanolona), acabou sendo abandonado para essa função.

 

Lembrando que todos anabolizantes que são vendidos nas farmácias do Brasil, só podem por determinação da ANVISA ser vendidos com a retenção da receita médica junto às farmácias, e qualquer outra forma de comercialização de tais medicamentos é crime previsto em lei.

 

O que fez então dos medicamentos anabolizantes os escolhidos de atletas e praticantes de musculação para melhora do perfil físico?

 

- Foi obviamente o seu potencial anabolizante, e essas pessoas acabam por utilizar de forma Off-Label uma substância anabolizante para poder melhorar sua performance física, substância essa, que originalmente não havia sido projetada para esse propósito.

 

Referências:

 

1 - John D. Fair, "Isometrics or Steroids? Exploring New Frontiers Of Strength in the Early 1960s , Journal of Sport History - 1993.

 

2 - 2-Methyl and 2-hydroxymethylene-androstane derivatives. Ringold HJ et al. JAm Chem Soc 1959.

 

3 - Clinton R. O. et al. J. Amer chem. Soc. 81 1959.

 

4 - U.S.Patent # 3,030,358.

 

5 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

6 - De Visser, J. et al. Acta Endocrin. (Kbh.) 35 (1960).

 

7 - M. Fox et al. J. Clin Endocrinol Metab 22 (1962).

 

8 - Wiechert R.et al.Chem Ber. 93 (1960).

 

9 - Methenolone enanthate, Summary of information for clinical investigators, New Brunswick, NJ. The Squibb Institute for Medical Research, April 15, 1962.

 



 

química