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Irritabilidade causada por Esteroides Anabolizantes

 

  • Anabolizantes Irritabilidade

Marcelo Calazans

Elaborado em 20/12/2016

 

RUSSI, MC. Irritabilidade causada por esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, dez. 2016.

 

Entender por completo o complexo sistema comportamental da agressividade e irritabilidade dos seres humanos, é uma coisa bem difícil, pois isso é algo bem abrangente, e novas pesquisas e estudos estão sempre sendo conduzidas neste aspecto.

 

O fato dos homens terem uma tendência maior para a agressividade se comparados às mulheres, acabou atribuindo desta forma à testosterona (andrógeno), a parcela de culpa por esse fator, e isso pelo fato de sabermos que a testosterona é mais abundante no sexo masculino[1].

 

Mas hoje em dia já se sabe que podem haver outros mecanismos que exercem essa ação.

 

Nossas emoções e muitas de nossas ações, são controladas por algo que denominamos de química cerebral[2], e a nossa química cerebral é influenciada pelo que chamamos de neurotransmissores[3].

 

Portanto, qualquer mudança mesmo que sutil nas concentrações normais de nossos neurotransmissores, pode nos causar grandes alterações comportamentais.

 

Alguns estudos associam a agressividade e irritabilidade com a parcela andrógena da testosterona, relacionado a agressividade a uma possível ação direta da testosterona no receptor AR[14], já outros estudos, conduzem a linha de pensamento de que não é apenas a testosterona a responsável direta por isso.

 

Mas não podemos descartar a já citada ação da testosterona na química cerebral[4]. Existe uma explicação fisiológica para essa ação da testosterona, e podemos dizer que a ação andrógena da testosterona no cérebro sobre a amígdala e o hipotálamo, que são áreas responsáveis pelo controle da agressividade, poderia ser a explicação para o aumento da agressividade relacionada com a ação andrógena da testosterona[5]. A atuação andrógena afetando também o córtex orbitofrontal[6], que é uma área estudada e colocada como controladora dos impulsos, pode também explicar a ação da testosterona e dos andrógenos no aumento e controle da agressividade.

 

Em homens adultos, técnicas de neuroimagem que permitiram a visualização das funções cerebrais, mostraram que a testosterona tem uma ação direta sobre a amígdala, e que isso pode estar relacionado com as tendências agressivas e com a ação direta dos andrógenos nesta alteração comportamental[15].

 

Todos os esteroides anabolizante utilizados no culturismo, tem a sua parcela andrógena igual a testosterona, uns mais e outros menos, e abaixo tem uma tabela que cita a relação anabolismo/androgenidade dos mais conhecidos esteroides anabolizantes (baseado na literatura de William Llewellyn's):

 

SubstânciaRelação
Boldenona100/50
Dianabol (Metandrostenolona)90-210/40-60
Estanozolol320/30
Hemogenin (Oximetolona)320/45
Masteron (Drostanolona)62-130/25-40
Deca (Nandrolona)125/37
Oxandrolona322-630/24
Primobolan (Metenolona)88/44-57
Testosterona100/100
Trembolona500/500

 

Quando acima citamos o caso dos neurotransmissores afetando na química cerebral, estávamos exatamente nos referindo ao fato de que não podemos apenas creditar diretamente à parcela andrógena dos esteroides anabolizantes, o fator agressividade, pois como dito, a avaliação disso é complexa demais.

 

O neurotransmissor serotonina é associado a agressividade, e quanto menor for a sua ação no nosso cérebro, maiores são as tendências de comportamentos agressivos[7].

 

Outro neurotransmissor, a dopamina, também é associada a agressividade demostrada em seres humanos, e alterações na sua concentração estão associadas a distúrbios comportamentais[8].

 

Já é conhecido há bastante tempo o potencial que os esteroides anabolizantes têm em modular a ação da serotonina e da dopamina no nosso cérebro, e isso é apontado em pesquisas como ponto de influência no aumento da agressividade em usuários de esteroides anabolizantes[9,10,11,12].

 

Mas como dito anteriormente, entender toda a complexa rede que influencia no aumento da agressividade em seres humanos, é difícil.

 

Um hormônio tido até então apenas por potencializar as características femininas, passaria longe de ser cogitado como influente no aumento da agressividade, mas nos dias de hoje, já se comenta sobre a capacidade do estrogênio em influenciar nas tendências agressivas também[13].

 

Estudos mais antigos[16] já vinham provando o que hoje é citado, de que deve haver uma sinergia de ação entre os andrógenos e os estrogênios a nível cerebral, para que as tendências agressivas comportamentais possam ser instaladas.

 

Voltando ao que dissemos acima sobre a ação androgênica no hipotálamo, alguns estudos afirmam que a ação da testosterona nos receptores AR, que estão principalmente em alguns neurônios hipotalâmicos, associado a um processo de aromatização em estrogênios no SNC (sistema nervoso central), determinam um aumento na agressividade[17].

 

Alguns estudos também sugerem, a importância da ação direta nos receptores de estrogênio (ER) na química cerebral dos comportamentos de irritabilidade e agressividade[14].

 

Após todas essas colocações, constatamos que o aumento da agressividade por envolver diversos mecanismos de ação no corpo humano, não pode ser analisado de forma isolada, considerando assim apenas um fator, dada a extrema complexidade que existe no seu meio de ação.

 

Sobre as chances de ocorrerem ataques agressivos em usuários de esteroides anabolizantes, e acompanhando o assunto há bem mais de uma década, podemos dizer que nem todas pessoas reagem igual, e não dá para falar pelas observações que fizemos, que todas as pessoas que se utilizam de esteroides anabolizantes se tornam agressivas. O mais comum de se observar em alguns casos, são aumentos de irritabilidade, no qual tendências agressivas, são menos comuns de se observar. Havendo casos também em que mesmo as irritabilidades nem chegam a ocorrer.

 

Mas existem sim casos isolados mais extremos de desvios comportamentais listados em literaturas[4].

 

Referências:

 

1 - Behavioural effects of androgen in men and women. Christiansen K. J Endocrinol. 2001 Jul;170(1):39-48.

 

2 - Pense e Enriqueça para Mulheres, Sharon Lechter, 2015.

 

3 - Nutrição, Frances Sienkiewicz Sizer, Eleanor Whitney, 2003 pg-502.

 

4 - Corrigan B. Anabolic steroids and the mind. Med J Aust 1996.

 

5 - William Llewellyn's, Anabolics E-Book Edition 2011.

 

6 - Exogenous testosterone enhances responsiveness to social threat in the neuralcircuitry of social aggression in humans. Hermans EJ, Ramsey NF, van Honk J. Biol Psychiatry. 2008 Feb 1;63(3):263-70. Epub 2007 Aug 28.

 

7 - Agressão Como Oportunidade - Rudiger Dahlke, 2003.

 

8 - Fundamentos de Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento - Stuart C. Yudofsky, Robert E. Hales, 2014.

 

9 - Tucci P, Morgese MG, Colaianna M, Zotti M, Schiavone S, Cuomo V, et al. Neurochemical consequence of steroid abuse: stanozolol-induced monoami­nergic changes. Steroids 2012.

 

10 - Talih F, Fattal O, Malone D Jr. Anabolic steroid abuse: psychiatric and phy­sical costs. Cleve Clin J Med 2007.

 

11 - Daly RC, Su T, Schmidt PJ, Pickar D, Murphy DL, Rubinow DR. Cerebrospinal fluid and behavior changes after methyltestosterone administration: preliminary findings. Arch Gen Psychiatry 2001.

 

12 - Kindlundh AM, Lindblom J, Nyberg F., Chronic administration with nandrolone decanoate induces alterations in the gene-transcript content of dopamine D(1)- and D(2)-receptors in the rat brain., Brain Res. 2003.

 

13 - Brian C. Trainor, M. Sima Finy, Randy J. Nelsonb, Rapid effects of estradiol on male aggression depend on photoperiod in reproductively non-responsive mice, 2008 Jan; 53(1): 192–199.

 

14 - Rebecca L. Cunningham, Augustus R. Lumia, Marilyn Y. McGinnis - Androgen Receptors, Sex Behaviour, and Aggression, 2012.

 

15 - Menelaos L. Batrinos, Testosterone and Aggressive Behavior in Man, 2012.

 

16 - Finney HC, Erpino MJ., Synergistic effect of estradiol benzoate and dihydrotestosterone on aggression in mice, 1976.

 

17 - Giammanco M, Tabacchi G, Giammanco S, Di Majo D, La Guardia M., Testosterone and aggressiveness, 2005.

 



 

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