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Desmistificando a Gordura e os problemas Cardíacos

 

  • Desmistificando Gordura

Marcelo Calazans

Elaborado em 25/06/2018

 

RUSSI, MC. Desmistificando a gordura e os problemas cardíacos. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2018.

 

Acho que todos nós já ouvimos falar que a gordura pode ser considerada a principal responsável pelas doenças cardiovasculares. Mas será mesmo...?

 

Essa ideia foi imposta para todos já há várias gerações, o que criou nas pessoas uma terrível “gordurofobia”. Isso não está restrito apenas às pessoas comuns da sociedade, pois muitos profissionais da área de saúde da atualidade têm ainda esse mesmo pensamento.

 

Alguns especialistas[1] colocam o início deste pensamento “gordurofóbico” em 1958, ano em que um cientista americano chamado Ancel Keys, iniciou um controverso estudo chamado “Seven Countries Study”, que visava examinar a associação entre a dieta e a doença cardiovascular.

 

Essa pesquisa serviu de referência para que gerações de profissionais repetissem inúmeras vezes aos seus pacientes que a gordura era a responsável pelos problemas cardíacos.

 

Tudo estaria perfeito se a pesquisa que formou a opinião de diversos profissionais da área de saúde, não fosse tratada hoje como uma grande mentira[2].

 

Tudo se inicia nos EUA após o ataque cardíaco do presidente Eisenhower em 1955. A mídia na época carente para esclarecer o problema, comprou facilmente as ideias de Ancel Keys, que além de brilhante cientista era um bom vendedor[3].

 

Em janeiro de 1961, Ancel Keys se torna um herói cultural nos EUA com a sua foto ilustrando a capa da revista Time, e com isso, a hipótese que relacionava os problemas cardíacos com a ingestão de gordura dietética foi aceita[3,4].

 

Pouco tempo depois, Ancel Keys publicaria seus dados apoiando que a gordura dietética era a responsável pelos problemas cardiovasculares no estudo denominado “Seven Countries Study”[5].

 

Mas ele cometeu um grave equívoco, pois para apoiar a sua ideia, ele retirou do estudo 15 países e 4 tribos indígenas, pois os dados coletados desses países e tribos não sustentavam a sua hipótese[6].

 

Muitas pessoas que nos dias de hoje ainda ajudam a proliferar a “gordurofobia”, falam sobre os problemas cardíacos que a gordura causa sem nem saber a origem inicial da ideia, e ainda de forma inadvertida repetem as palavras de Ancel Keys desconhecendo totalmente o teor inverídico da sua pesquisa.

 

Isso faz muitas pessoas nos EUA atualmente afirmarem que conceitos nutricionais que se arrastam há anos são fundamentados em “Bad Science”[1].

 

Esse é um assunto de saúde que desperta muito interesse por parte de todos, pois a doença cardíaca coronária é uma das principais causas de morte no mundo.

 

Temos relatos de inúmeros estudos sobre o assunto que foram conduzidos no passado, e futuramente esse assunto irá render ainda diversos estudos que poderão trazer novidades.

 

Atualmente, não é incomum encontrarmos citações que afirmam que a indústria açucareira teria patrocinado estudos em meados de 1965 para minimizar os primeiros sinais de que o açúcar refinado (sacarose), seria um fator de risco para a doença coronariana[7].

 

Um estudo[8] mais atual de 2018 traz uma abordagem interessante. Nele é colocado que os achados pesquisados a partir de 1990 trazem a informação de que o papel da gordura saturada nos problemas cardíacos é muito exagerado. E que as evidências que ligam os alimentos ricos em carboidratos com as doenças coronarianas se fortaleceram nos últimos tempos.

 

Eles trazem a conclusão de que os carboidratos refinados (açúcar refinado) e as bebidas açucaradas aumentam o risco de doenças relacionadas ao coração.

 

Nós não podemos deixar a “gordurofobia”, que se caracteriza como aversão à gordura nos levar para um caminho mais prejudicial, que é o que tem ocorrido nas últimas décadas.

 

Percebemos que nessas décadas passadas, as pessoas tratavam a gordura como uma verdadeira inimiga “venenosa”, deixando assim que um inimigo oculto, silencioso e muito prejudicial entrasse na sua vida e sorrateiramente prejudicasse a sua saúde, que é o carboidrato refinado (açúcar refinado)[9].

 

Como sempre gostamos de falar, a rotina alimentar de uma pessoa deve ser vista como um todo, e não considerando apenas alimentos de forma isolada[9].

 

Portanto, para elaborar uma boa dieta aliada da sua saúde, consultar profissionais da área de saúde de sua confiança é sempre a melhor opção.

 

Referências:

 

1 - Kris Gunnars, Modern Nutrition Policy Is Based on Bad Science, Authority Nutrition. [link] acessado em 08/06/2018.

 

2 - Leonardo Pires, A maior mentira do século, 4 de setembro de 2012.

 

3 - Ritterman, Jeffrey B. “To Err Is Human: Can American Medicine Learn from Past Mistakes?” The Permanente Journal 21 (2017).

 

4 - Andrade J, Mohamed A, Frohlich J, Ignaszewski A. Ancel Keys and the lipid hypothesis: From early breakthroughs to current management of dyslipidemia. B C Med J. 2009 Mar;51(2):66–72.

 

5 - Keys A. Coronary heart disease in seven countries. I. The study program and objectives. Circulation. 1970.

 

6 - Lustig RH. Fat chance: Beating the odds against sugar, processed food, obesity, and disease. New York, NY: Hudson Street Press; 2013.

 

7 - Kearns, Cristin E., Laura A. Schmidt, and Stanton A. Glantz. “Sugar Industry and Coronary Heart Disease Research: A Historical Analysis of Internal Industry Documents.” JAMA internal medicine 176.11 (2016).

 

8 - Temple, Norman J. “Fat, Sugar, Whole Grains and Heart Disease: 50 Years of Confusion.” Nutrients 10.1 (2018) [link] acessado em 08/06/2018.

 

9 - Russi, MC. Açúcar refinado: dossiê dos mitos e verdades. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2018 [link] acessado em 08/06/2018.

 



 

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