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Açúcar Refinado: Dossiê dos mitos e verdades

 

  • Açúcar

Marcelo Calazans

Elaborado em 05/06/2018

 

RUSSI, MC. Açúcar refinado: dossiê dos mitos e verdades. Matérias Musculação, São paulo, jun. 2018.

 

SUMÁRIO

 

 

Introdução

 

Algo bem comum no meio que cerca a nutrição, é vermos citações dizendo que determinados produtos fazem mal à saúde.

 

Para determinarmos uma dieta saudável, o ideal é vê-la como um todo, e não considerando apenas produtos isolados, pois em excesso, até mesmo um alimento considerado mais inofensivo pela maioria, pode afetar negativamente a dieta.

 

Podemos tomar para exemplificar essa ideia, algo voltado à farmacologia, que é uma conhecida frase do médico e físico do século XVI Paracelso (Phillipus Aureolus), que dizia que “a diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem”.

 

Podemos usar isso também na nutrição, pois vemos pessoas banindo certos alimentos, como o Açúcar Refinado, e abusando em demasia de outros alimentos tidos como mais inofensivos, e causando com isso um desajuste na dieta.

 

De uma forma um pouco desmedida, vamos apenas como exemplo, citar um produto considerado como o mais “saudável de todos”, a água.

 

Apesar de saudável, diversos estudos[1,2,3,4] documentam que seu uso de forma exagerada e abusiva pode causar intoxicação. Há um caso bem documentado de uma mulher de 64 anos que veio a óbito. A causa da morte foi descrita como “hiponatremia como resultado de intoxicação aguda pela água” (U.S. National Library of Medicine – PubMed - PMCID: PMC1770067 / 2003 | acessado em 25/05/2018).

 

Claro que sabemos que a boa hidratação do corpo é imprescindível para nos manter saudáveis, e por isso devemos ingerir a quantidade adequada de água para nós todos os dias.

 

Mas percebam que tudo em nosso corpo deve estar em harmonia, e isso para ajudarmos o corpo a manter o seu equilíbrio (homeostase). Por isso que trazemos a ideia de uma dieta em equilíbrio, e não avaliando apenas alimentos de forma isolada como benéficos ou prejudiciais.

 

A história da nutrição é cheia de tentativas de se isolar um único nutriente conferindo à ele uma infinidade de benefícios ou riscos[5], e essas tentativas quase sempre resultaram em fracassos e desapontamentos[6].

 

O que estaremos discutindo aqui hoje, é sobre o Açúcar Refinado, e tentaremos de forma simples e didática explicar os pontos negativos apontados em seu consumo.

 

Açúcar Refinado é alimento?

 

Os alimentos que ingerimos na nossa dieta diária contém macronutrientes e micronutrientes[7].

 

Como macronutrientes podemos citar o carboidrato, a proteína e a gordura[8], já os micronutrientes são compostos pelas vitaminas e minerais[9].

 

Vamos pegar o macronutriente carboidrato para exemplificar.

 

Temos diversos tipos de carboidratos, e podemos citar alguns exemplos: amido, glicose, lactose e sacarose[10].

 

Segundo a definição da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o Açúcar Refinado é a sacarose obtida da cana-de-açúcar na concentração de 98,5% e realizada através de processos industriais adequados[11].

 

Portanto, tecnicamente podemos dizer que o Açúcar Refinado é sim um alimento. Apesar de sabermos que nem todos concordam com essa alegação técnica.

 

Uma definição mais literal de alimento seria "material que contém nutrientes essenciais, que são assimilados por um organismo para produzir energia, estimular o crescimento e manter a vida"[12].

 

Baseado nisso, muitos não consideram o Açúcar Refinado um alimento.

 

Para produzir energia, nosso corpo utiliza os macronutrientes: carboidrato, proteína e gordura. O carboidrato e a proteína oferecem cerca de 4 Kcal (calorias) por grama, enquanto a gordura pode oferecer até 9 Kcal de forma aproximada[10].

 

As pessoas que não consideram o Açúcar Refinado um alimento, fazem isso por dizerem que ele é uma “caloria vazia”, sendo apenas constituído de um nutriente (sacarose), e isento de demais nutrientes, como as vitaminas e os minerais[12].

 

Isso pode fazer sentido se compreendermos de forma básica os processos de obtenção de energia no nosso corpo.

 

Existe no nosso corpo uma molécula primordial na oferta de energia para as nossas células, o ATP, e nossas células retiram do ATP a energia que precisam para funcionar[13].

 

Uma das formas que o nosso corpo usa para produzir o ATP é utilizando o carboidrato que ingerimos.

 

Poderíamos desta forma pensar, que se ingeríssemos grandes quantidades diárias de Açúcar Refinado, que é um carboidrato, teríamos então provido pelo Açúcar Refinado uma infindável fonte de energia.

 

Mas não é bem assim que acontece.

 

Para que o carboidrato possa produzir o ATP, é necessário mais do que apenas o carboidrato, pois são necessários também no processo os micronutrientes (vitaminas e minerais) que o Açúcar Refinado não tem.

 

O micronutriente mineral magnésio é cofator de enzimas em pelo menos seis reações individuais no processo de obtenção de energia, sem dizer que sem a presença das vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina, niacina e ácido pantotênico) o processo não estaria completo. O Açúcar Refinado por tanto, fornece o combustível na forma de carboidrato para produzir o ATP, mas não possui os micronutrientes necessários para que todo o processo de conversão possa se completar[12].

 

O Açúcar Refinado sozinho por tanto, apesar de ser considerado energético e calórico, não pode prover energia sozinho de forma isolada, e isso por ser uma “caloria vazia” desprovida de micronutrientes.

 

Isso dá então respaldo às pessoas que dizem que o Açúcar Refinado não é um alimento.

 

A obesidade e o Açúcar Refinado

 

Vamos agora observar outro ponto importante sobre o Açúcar Refinado, que é a sua relação com a obesidade.

 

A obesidade é algo amplo, e não deve ser correlacionada em análise apenas considerando substâncias isoladas, mas sabemos que a insulina é um hormônio muito comentado dentro do aspecto obesidade[14].

 

A insulina é a responsável por transportar a glicose (carboidrato) da corrente sanguínea através do citoplasma para o interior das células. Desta forma, o aumento da insulina logo após a ingestão dos alimentos causa uma diversidade grande de efeitos celulares, entre eles o acúmulo de gordura no tecido adiposo[15].

 

Outro fator que relaciona a insulina com a obesidade, é o fato dela diminuir a capacidade do organismo em utilizar uma outra via energética importante do corpo, que é a nossa gordura armazenada nos estoques corporais.

 

Em resumo, nosso corpo “queima” menos gordura armazenada quando temos altas doses de insulina.

 

Isso ocorre, pois a insulina causa a inibição da lipase hormônio-sensível (LHS), que é uma enzima utilizada pelo corpo no processo de lipólise[12], que no popular é conhecida como “queima de gordura”.

 

Sabemos também, que um importante índice classificatório dos carboidratos, o índice glicêmico (IG), está intimamente ligado com a liberação de insulina[16].

 

Partindo deste princípio, seria mesmo adequado para se evitar a obesidade, reduzirmos no cardápio os carboidratos de alto índice glicêmico.

 

É exatamente neste ponto que os acusadores do Açúcar Refinado entram em cena, pois o fato dele ser um carboidrato de índice glicêmico elevado[17], acaba sendo fortemente recomendado o banimento do Açúcar Refinado na dieta de uma pessoa que deseja evitar ou combater a obesidade.

 

Não podemos de forma alguma ir contra essa recomendação, mas podemos citar que outros carboidratos com índice glicêmico semelhante são largamente utilizados no dia-a-dia de todo brasileiro, que é o caso do arroz branco e do pão branco[17].

 

Por isso que alertamos no início, que a dieta de uma pessoa deve sempre estar em equilíbrio, e não adianta banir um determinado “alimento” do cardápio e exagerar em outros, pois a dieta de uma pessoa deve ser analisada com cautela como um todo, e não considerando apenas alimentos de forma isolada.

 

Com relação ao consumo de Açúcar Refinado, a OMS - Organização Mundial da Saúde recomenda fortemente que o consumo de açúcares livres seja diminuído para menos de 10% da ingestão total de energia, e que benefícios adicionais podem ser alcançados com a redução de até 5%[18].

 

Conclusão

 

Acreditamos que o abuso no uso de Açúcar Refinado pode levar a complicações, e recomendamos fortemente que se sigam as recomendações da OMS - Organização Mundial da Saúde de baixar o seu consumo.

 

Mas alertamos também, que taxar determinados produtos que ingerimos na nossa dieta de “venenosos”, como fazem alguns, não é a melhor conduta. A melhor conduta é sempre respeitar o equilíbrio em tudo que ingerimos.

 

Essa é uma questão de muito apelo social e de apelo também das entidades da área de saúde, e continuamente pesquisas sobre o assunto serão direcionadas no futuro, o que faz a possibilidade de alteração deste panorama muito favorável. Mantenham-se atualizados.

 

Referências:

 

1 - Farrell, D J, and L Bower. “Fatal Water Intoxication.” Journal of Clinical Pathology 56.10 (2003) [link] acessado em 05/06/2018.

 

2 - Yamashiro, Mari et al. “A Case of Water Intoxication with Prolonged Hyponatremia Caused by Excessive Water Drinking and Secondary SIADH.” Case Reports in Nephrology and Urology 3.2 (2013) [link] acessado em 05/06/2018.

 

3 - Gardner JW1., Death by water intoxication., Mil Med. 2002 May;167(5):432-4 [link] acessado em 05/06/2018.

 

4 - Yonemura K, Hishida A, Miyajima H, Tawarahara K, Mizoguchi K, Nishimura Y, Ohishi K., Water intoxication due to excessive water intake: observation of initiation stage., Jpn J Med. 1987 May;26(2):249-52 [link] acessado em 05/06/2018.

 

5 - Slavin J, Two more pieces to the 1000-piece carbohydrate puzzle., Am J Clin Nutr. 2014 Jul;100(1):4-5. doi: 10.3945/ajcn.114.090423. Epub 2014 May 28.

 

6 - Rippe, James M., and Theodore J. Angelopoulos. “Relationship between Added Sugars Consumption and Chronic Disease Risk Factors: Current Understanding.” Nutrients 8.11 (2016): 697. PMC. Web. 25 May 2018.

 

7 - Ciência e tecnologia de alimentos, Geoffrey Campbell-Platt, 2015.

 

8 - Guia da NSCA para nutrição no exercício e no esporte, Bill I. Campbell, Marie A. Spano, 2016.

 

9 - Russi, MC. Magnésio: saúde e atividade física. Matérias Musculação, São paulo, mai. 2018 [link] acessado em 05/06/2018.

 

10 - Russi, MC. Manual do carboidrato. Matérias Musculação, São paulo, fev. 2017 [link] acessado em 05/06/2018.

 

11 - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gerência-Geral Alimentos, Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 - D.O. de 24/07/1978 [link] acessado em 05/06/2018.

 

12 - DiNicolantonio, James J, and Amy Berger. “Added Sugars Drive Nutrient and Energy Deficit in Obesity: A New Paradigm.” Open Heart 3.2 (2016): e000469. PMC. Web. 25 May 2018.

 

13 - Russi, MC. Funcionamento da creatina e obtenção de energia. Matérias Musculação, São paulo, mai. 2017 [link] acessado em 05/06/2018.

 

14 - Genetic Evidence That Carbohydrate-Stimulated Insulin Secretion Leads to Obesity, Christina M. Astley, Jennifer N. Todd, Rany M. Salem, Sailaja Vedantam, Cara B. Ebbeling, Paul L. Huang, David S. Ludwig, Joel N. Hirschhorn, Jose C. Florez, DOI: 10.1373/clinchem.2017.280727 Published January 2018.

 

15 - Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica: Avaliação e Assistência dos Problemas Clínicos, Sharon L. Lewis, Margaret M. Heitkemper, Shannon Ruff Dirksen, Linda Bucher, 2013.

 

16 - 20 minutos e emagreça: Para atletas e não atletas de todas as idades!, Wilson Rondó Jr., 2015.

 

17 - Caruso, L.; Menezes, E. W. Índice glicêmico dos alimentos. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP. v.19/20, p.49-64, 2000 [link] acessado em 05/06/2018.

 

18 - Guideline: Sugars intake for adults and children - World Health Organization, 2015 [link] acessado em 05/06/2018.

 



 

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