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Entendendo a Acne agravada por Esteroides Anabolizantes

 

  • Entendendo a Acne

Marcelo Calazans

Elaborado em 07/12/2016

 

RUSSI, MC. Entendendo a acne agravada por esteroides anabolizantes. Matérias Musculação, São paulo, dez. 2016.

 

Acne vulgar é uma dermatose crônica, que é muito comum de se observar de forma até natural em adolescentes.

 

Ela é uma doença inflamatória da pele, que é gerada por uma infecção bacteriana[1].

 

Existem na pele de todos nós, glândulas sebáceas, que produzem uma secreção oleosa denominada sebo, que tem em uma de suas funções lubrificar a pele e os pelos[2].

 

Mas quando essa produção sebácea se encontra muito aumentada, isso pode acarretar um excesso na produção de sebo, que pode levar a uma inflamação e infecção dos poros[2].

 

A bactéria propionibacterium acnes do gênero corynebacterium, é o principal microorganismo envolvido na etiopatogenia da acne vulgar[3].

 

Quando há uma produção aumentada de sebo por parte das glândulas sebáceas, acaba havendo uma proliferação dessa bactéria, o que favorece o aparecimento da acne[4].

 

Na superfície da pele dos pacientes com acne, a bactéria propionibacterium pode chegar a 120 mil espécimes por centímetro quadrado[5], lembrando que outros tipos de bactérias também são apontadas por seu envolvimento com a aparição da acne[6].

 

As colônias da bactéria propionibacterium acabam sendo maiores na face e no tronco superior, que são locais com maior concentração lipídica (sebo), o que confirma a relação direta entre população bacteriana e a produção aumentada de sebo a partir das glândulas sebáceas[7].

 

As glândulas sebáceas são reguladas por influência hormonal, e é apontada uma grande influência dos hormônios com predominância andrógena no aumento do tamanho das glândulas[8].

 

Um importante hormônio que exerce ação andrógena tanto no homem quanto na mulher, é a testosterona.

 

A ação andrógena da testosterona executa um papel importante de estimulação das glândulas sebáceas na produção de sebo, e isso graças a sua ação sobre os receptores celulares que são localizados na camada basal da glândula[9].

 

Mas não é apenas a testosterona que influencia diretamente de forma hormonal as glândulas sebáceas. Podemos apontar o DHT, o DHEA e a androstenediona como formas hormonais atuantes neste aspecto[10], e citar ainda, a ação do estrogênio e da prolactina[11].

 

Mas a maior atuação da testosterona e de seus metabólitos com seu papel andrógeno no problema relativo à acne, fica evidenciado nos casos de acne com prevalência maior entre os homens, e isso graças à influência andrógena da testosterona[12,13], que é o hormônio que predomina mais abundantemente no sexo masculino.

 

A explicação até esse ponto que temos aqui, trata da ocorrência natural de acne que pode haver principalmente na população adolescente, mas vamos também explicar as ocorrências da acne agravada pelo uso de esteroides anabolizantes.

 

Todos os esteroides anabolizantes que são utilizados por praticantes de musculação e utilizados no culturismo, tem a sua parcela de ação anabólica e andrógena, pois não há meios de dissociar a parte anabólica da parte andrógena nos esteroides anabolizantes.

 

Abaixo temos uma tabela que traz a relação entre anabolismo e androgenidade dos mais comuns e conhecidos esteroides anabolizantes (baseado na literatura de William Llewellyn's):

 

SubstânciaRelação
Boldenona100/50
Dianabol (Metandrostenolona)90-210/40-60
Estanozolol320/30
Hemogenin (Oximetolona)320/45
Masteron (Drostanolona)62-130/25-40
Deca (Nandrolona)125/37
Oxandrolona322-630/24
Primobolan (Metenolona)88/44-57
testosterona100/100
Trembolona500/500

 

O uso de esteroides anabolizantes, especialmente quando feitos por pessoas com propensão à acne, podem agravar em muito esse problema, e isso pelo fato de que os esteroides anabolizantes podem aumentar significativamente o tamanho das glândulas sebáceas[14].

 

Um tratamento muito comum que vemos atualmente para a acne, é com a isotretinoína, que no Brasil é vendida sob a marca Roacutan® e Accutane® nos EUA.

 

A isotretinoína é quimicamente conhecida como ácido-13-cisretinóico, e seu uso é recomendado em casos mais persistentes de acne, no qual a gravidade se faz necessário, isso segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS[15].

 

A OMS não recomenda a utilização da isotretinoína para casos moderados de acne, e para esses casos existem outras formas de tratamento, como o uso de antibióticos orais[15]. Se coloca o uso apenas para casos mais graves, exatamente pelos colaterais e riscos existentes no uso da isotretinoína.

 

A isotretinoína é na verdade parte integrante do grupo de compostos relacionados à vitamina A[16].

 

Todas as vitaminas que constituem parte dos micronutrientes essenciais à vida, tem a sua dosagem diária recomendada para nos manter saudáveis.

 

Mas é bem comum também, vermos em vitaminas como a vitamina A por exemplo, a máxima dosagem que uma pessoa pode ingerir, pois mesmo se tratando de vitaminas, em doses acima das recomendadas eles podem causar intoxicações e sérios problemas à saúde.

 

A hipervitaminose de vitamina A é uma preocupação, e ocorre principalmente com o uso de suplementos de vitamina A em quantidades abusivas[17].

 

Os efeitos colaterais da isotretinoína, são semelhantes aos colaterais da hipervitaminose de vitamina A. Os colaterais mais comuns de ocorrer são a irritação da pele trazendo problemas nas membranas e mucosas, secura nos olhos e na pele, queda de cabelo e dores de cabeça[18].

 

Os efeitos mais graves podem ser a colite, que é a infecção da membrana mucosa do cólon, perda de visão noturna, elevação dos lipídios no sangue com proliferação indesejada de colesterol, problemas hepáticos incluindo a hepatite[18].

 

Talvez o mais grave seja a má formação do feto no caso de mulheres grávidas que se utilizam da isotretinoína.

 

A isotretinoína na sua ação clínica no tratamento da acne, diminui o tamanho das glândulas sebáceas, o que vem a restringir em muito a produção de sebo das glândulas[18].

 

Uma coisa que nos deixa muito chocados, é a banalidade com que os adolescentes veem o uso de esteroides anabolizantes, e muitos cometem um ato discrepante até demais.

 

Gostaríamos de entender, o que leva uma pessoa com acne, a usar a isotretinoína para diminuir o tamanho das glândulas sebáceas, e logo depois, fazer um ciclo com esteroides anabolizantes que tendem a aumentar o tamanho das glândulas sebáceas.

 

- São coisas totalmente opostas, e ambos podem trazer diversos problemas à saúde.

 

Realmente, é de causar espanto o que as pessoas fazem na busca por melhorias estéticas, e as vezes, fazem por pura falta de informação. Nós aqui fazemos a nossa parte, que é informar sobre os riscos e problemas envolvidos em muitas das práticas que levam aos problemas de saúde.

 

Referências:

 

1 - Alimentação Medicinal, Jorge Valera, 2010.

 

2 - Reflexologia Para Mulheres, Ann Gillanders, 2006.

 

3 - Schirren CG, Jansen T, Lindner A, Kind P, Plewig G. Diffuse sebaceous gland hyperplasia. A case report and an immunohistochemical study with cytokeratins. Am J Dermatopathol. 1996.

 

4 - Azulay DA, Azulay RD. Acne e doenças afins. In: Azulay DA, Azulay RD. Dermatologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004.

 

5 - Whiteside JA, Voss JG. Incidence and lipolytic activity of Propionibacterium acnes (Corynebacterium acnes group I) and P. granulosum (C. acnes group II) in acne and in normal skin. J Invest Dermatol. 1973.

 

6 - Bojar RA, Holland KT. Acne and propionibacterium acnes. Clin Dermatol. 2004.

 

7 - McGinley KJ, Webster GF, Ruggieri MR, Leyden JJ. Regional variations in density of cutaneous Propionibacteria: correlation of Propionibacterium acnes populations with sebaceous secretion. J Clin Microbiol. 1980.

 

8 - Zouboulis CC. Acne and sebaceous gland function. Clin.Dermatol. 2004.

 

9 - Thiboutot DM. Regulation of human sebaceous glands. J Invest Dermatol. 2004.

 

10 - Costa, Adilson; Alchorne, Maurício Motta de Avelar; Goldshmidt, Maria Cristina Bezzan. Fatores etiopatogênicos da acne vulgar. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro , v. 83, n. 5, p. 451-459, Oct. 2008.

 

11 - Zouboulis CC., Acne and sebaceous gland function., Clin Dermatol. 2004 Sep-Oct;22(5):360-6.

 

12 - Dreno B, Poli F. Epidemiology of acne. Dermatology. 2003;206:7-10.

 

13 - Sobral Filho JF, Nunes Maia HGS, Fonseca ESVB, Damião RS. Aspectos epidemiológicos da acne vulgar em universitários de João Pessoa - PB. An Bras Dermatol. 1993;68:225-8.

 

14 - Effect of testosterone and anabolic steroids on the size of sebaceous glands in power athletes.Kiraly CL et al.Am J Dermatopathol, 1987 Dec, 9:6, 515- 9.

 

15 - Organização Mundial da Saúde, Acne vulgar. In: Modelo OMS de información sobre prescripción de medicamentos: Medicamentos utilizados en las enfermedades cutaneas. Genebra: OMS, 1999.

 

16 - Danielle Guimarães Almeida Diniz,Eliana Martins Lima, Nelson Roberto Antoniosi Filho, Isotretinoína: perfis farmacológico, farmacocinético e analítico, 2002.

 

17 - Hathcock JN1, Hattan DG, Jenkins MY, McDonald JT, Sundaresan PR, Wilkening VL., Evaluation of vitamin A toxicity., Am J Clin Nutr. 1990 Aug;52(2):183-202.

 

18 - Acne tem Cura, Lydia Preston, 2007.

 



 

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